2026: A queda sem rede do mundo ocidental

(G. Watch, In Fórum da Escolha, in Facebook, 08/08/2026, Revisão da Estátua)


O bombeiro está sem água e o fogo está por todo o lado…


Ajude a Estátua de Sal. Click aqui

Em 2008, o mundo tremeu. Os Estados Unidos salvaram-no. O FED injetou triliões. O Tesouro comprou os ativos tóxicos. Os bancos centrais do G20 coordenaram as suas intervenções. O bombeiro estava no centro do incêndio – e apagou o fogo.

Em 2026, o mundo está novamente a oscilar. Mas desta vez o próprio bombeiro está a arder. E não há ninguém para o salvar.

O Ocidente apostou todo o seu futuro numa sequência de sucessos que acreditava estarem garantidos. Cinco apostas. Cinco falhas. Não existe um plano B. Perdeu o controlo dos recursos que o tornaram poderoso durante cinco séculos. E em vez de se questionar, culpa o seu próprio povo. O equilibrista avança no fio. Não há rede. Cinco apostas, cinco falhas.

A aposta ucraniana

O Ocidente não travou uma guerra na Ucrânia pela democracia. Fê-lo pelos recursos russos. O plano era enfraquecer Moscovo, obrigá-la a abrir as suas matérias-primas aos grupos ocidentais. A figura de proa era feita à medida: Navalny, um nacionalista russo pronto a abrir as comportas do gás, do petróleo, do titânio e do níquel. Resultado: a Rússia não cedeu. A Ucrânia é um poço sem fundo. Os arsenais europeus estão vazios. A contraofensiva nunca aconteceu.

O desafio da transição ecológica

A Europa não queria apenas salvar o planeta. Ela queria libertar-se do gás russo, do petróleo do Golfo e do gás de xisto americano. A energia verde seria a prova de que a Europa não precisava de ninguém. Resultado: a Rússia encontrou outros compradores. O Golfo encontrou outros mercados. A Europa substituiu o gasoduto russo pelo GNL americano, mais caro. A transição criou uma nova dependência: painéis solares, turbinas eólicas, baterias – tudo vem da China. A Europa libertou-se de Moscovo para cair sob o controlo de Pequim. O Reno está seco. A indústria está a fugir. As emissões globais nunca foram tão elevadas.

A aposta económica

A Europa apostou que iria reduzir a sua dependência da China. Resultado: a China continua a ser o seu principal parceiro comercial. Os fabricantes alemães estão a colapsar face à concorrência chinesa. O Kospi colapsa 40% e arrasta para baixo o Nasdaq. A bolha da IA ​​está a definhar.

A aposta de Trump

 Os aliados apoiaram Trump na esperança de que este estabilizasse a ordem americana. Resultado: capitulação no Irão. Classificação de popularidade em 35% e o Partido Republicano fraturado. Dívida abissal. Tucker Carlson chama-lhe “o pior erro em sessenta anos”. Marjorie Taylor Greene anuncia a derrota nas eleições do meio do mandato – próximo mês de novembro.

A aposta diplomática

O Ocidente apostou que ditaria as regras do novo mundo. Resultado: o BRICS expande-se para 11 membros. A China está a reorganizar a economia mundial à sua volta. O corredor Norte-Sul russo-iraniano contorna as rotas ocidentais. A Suíça perdeu a sua neutralidade sem que ninguém se apercebesse. Cinco apostas. Cinco falhas. E zero de plano B.

Porque é que 2026 não é 2008

Todas as grandes crises do século passado tiveram um líder. Em 1929, Roosevelt construiu Bretton Woods. Em 1971, Nixon fechou a janela do ouro. Em 2008, o FED coordenou a resposta global. Em 2020, os bancos centrais do G7 injetaram em conjunto.

Em 2026, a caixa está vazia. Os Estados Unidos já não podem desempenhar esse papel. A dívida federal atingiu os 35 biliões de dólares, ou 125% do PIB – acima dos 70% que existiam em 2008. A confiança no governo federal caiu para 18%. Os stocks de munições de precisão estão no seu nível mais baixo desde 2003. A margem de manobra orçamental é quase nula.

Em 2008, a crise foi financeira. Em 2026, é militar, económica, política, climática – e material. O bombeiro está sem água. E o fogo está por todo o lado.

Fonte aqui

7 pensamentos sobre “2026: A queda sem rede do mundo ocidental

  1. Deixar cair o que tinha de cair, meter os especuladores na cadeia e pelo menos ressarcir os depositantes honestos que lá enterraram dinheiro.
    Como os emigrantes levados por publicidade muitas vezes enganosa a enterrar no BES as poupanças da uma vida e na maioria dos casos ficaram “a arder”. Mas não foi isso que se fez.
    Quem disse que o crime não compensa? O de colarinho branco compensou e de que maneira nesta treta toda.

  2. Poucos textos publicados até hoje me deram tanta vontade de enfiar uma barbatana de baleia azul nos focinhos de um articulista, daquelas de enfiar a tromba para onde tem o cu.
    O mundo financeiro não tremeu por nenhuma intervenção extra terrestre ou porque sim.
    Tremeu pela bolha imobiliária e os créditos dados a gente que não tinha emprego, nem rendimentos, nem bens, os chamados créditos NINJA. O que era preciso era cumprir objectivos.
    A economia especulativa, sem regras, acabou como tinha de acabar, com os bancos a afundar.
    E foi nos Estados Unidos que tido começou. A interdependência dos sistemas bancários fez o resto.
    E o que e que se fez? Roubou se a quem trabalhava para tapar os buracos dos especuladores.
    Salvou se a banca, que volta agora aos lucros astronómicos, transmitindo essa dívida privada para as costas dos Estados e, em consequência, para as costas de todos nós.
    Em vez de deixar cair o que tinha de cair e meter os especuladores na cadeia.
    O Sul da Europa, em especial Portugal e Grécia foi miserabilizado.
    Cortaram se salários, congelaram se pensões, cortaram se cuidados de saúde, muita gente morreu.
    Um pouco por todo o lado quem trabalhava perdeu direitos para que se salvasse quem nunca soube o que era lavar uma panela de 20 quilos num hotel ou sentiu o cabo de uma enxada ou o volante de um trator. Sem falar em carregar baldes de massa e subir a andaimes.
    O que o artista vigarista chama apagar o fogo custou vidas, muitas.
    E vem me um choco destes dizer que um pais pirómano, onde nas últimas décadas teem estado por detrás de um monte de “incêndios por esse mundo fora, nomeadamente agressões militares que acabam com vagas de refugiados a demandar a Europa chamar esse mesmo país de “bombeiro”.
    As consequências do fogo que “apagou” na Líbia três anos depois dessa crise especulativa que começou lá estão a vista ainda hoje.
    O único país que funcionava no Norte de África transformado num cenário do Mad Max só que com gasolina e onde as mulheres viraram animais.
    Transformado num campo de concentração para os que fogem aos fogos que os Estados Unidos vão armando em África, do Sudão a Somália.
    Agora procuram atear novo fogo no Irão e o pirómano chefe chegou a ameaçar aniquilar uma nação de 90 milhões de habitantes com armas nucleares.
    Essa de os Estados Unidos como bombeiro se não e ironia merece que o articulista seja internado num manicómio a antiga, daqueles de onde não se saia.
    A ser bombeiro e um bombeiro pirómano, que ateia os fogos e depois não consegue apagar.
    O único contacto do homem com a realidade e pelo menos reconhecer que a guerra da Ucrânia acontece porque o Ocidente quer os recursos da Rússia.
    Mas o resto ou e doença mental ou o homem e só um troca-tintas.
    Quem quiser que escolha mas que se está a perder uma bela barbatana de baleia azul no focinho de certeza que se está.

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.