Geringonça Maybach S650 Cabriolet

(João Quadros, in Jornal de Negócios, 18/11/2016)

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É a notícia da semana. Portugal foi o país que mais cresceu na Zona Euro no terceiro trimestre do ano! Pronto, está decido, vou dedicar-me ao Satanismo.


Foi a surpresa geral. O PIB cresceu 1,6% no terceiro trimestre, em termos homólogos e a economia cresceu 0,8% no terceiro trimestre em cadeia. Centeno marcou um golo à Ederzito. A poderosa Alemanha apresentou 0,2% de crescimento no trimestre em cadeia e 1,7% de crescimento homólogo. A “geringonça” venceu a corrida com um Mercedes. Estes alemães são uns calões. Já não bastava termos sido campeões europeus de futebol, agora somos o motor da Europa.

Às 7h21 da manhã de terça-feira, os jornais anunciavam – a economia deverá ter crescido 0,3% no terceiro trimestre e 1,1% em termos homólogos, segundo a média de previsões de analistas. Às 9h32 saíam os números oficiais do INE – “PIB cresceu 1,6% em termos homólogos e a economia cresceu 0,8% no terceiro trimestre em cadeia”, ou seja, fazendo fé na média das previsões dos analistas, em duas horas crescemos uma brutalidade!!! Passámos de 0,3% e 1,1% para 0,8% e 1,6% entre as sete e meia da manhã e as nove e meia. Só pode ter sido milagre. Ou então, isto só se justifica porque às sete da manhã estamos todos muito maldispostos e somos muito pessimistas.

É curioso ver que a Universidade Católica tinha previsto um crescimento económico de 0,2% em cadeia e de 1% em termos homólogos. Não adianta vir com a desculpa de que Jesus Cristo não sabia nada de finanças. De 0,2% para 0,8% vai uma margem de erro que queima a reputação de qualquer analista e pode trazer problemas com a GNR e o balão. Fica mal à Universidade Católica prever números tão distantes da realidade. É mau exemplo para os alunos.

Com que autoridade vão poder chumbar um aluno que diz que os apóstolos eram três. Na verdade, ficamos com a sensação de que se fartaram de rezar para que os números fossem estes. Foi uma questão de fé. Os economistas da Católica não são Velhos do Restelo, são os avós dos Velhos do Restelo. Os trisavôs do Restelo.

Não sendo analista, não prevejo que Teodora Cardoso vá aparecer com trancinhas, numa atitude positiva e um sorriso que anuncia – “Olha, de repente, estamos na média de crescimento da UE!” – não espero isso. Teodora Cardoso é daquelas pessoas que acha que a ida do homem à Lua é mentira.

Perante estes números, juntamente com notícias sobre a luz verde de Bruxelas ao Orçamento do Estado para 2017, sem medidas adicionais, e a decisão de não suspender os fundos comunitários, e revendo a sua entrevista à SIC em Março, Passos Coelho irá cumprir a promessa de votar PS, BE ou PCP se a estratégia da “geringonça” funcionar. Ou seja, se a estratégia da “geringonça” continuar a funcionar, Passos vota em todos menos no Rui Rio.


top 5

Motor da Europa

1. Obama apertou a mão a Trump na Casa Branca – Que horror! Isto é como ver o Jerónimo de Sousa a curtir com a Maria Luís.

2. Web Summit foi “um sucesso espectacular”, diz Marcelo – Verdade, eu fui com a minha Bimby à Web Summit Night.

3. Maria Luís: “Para o Governo boa notícia é não acontecer uma desgraça” – Para o PSD é exactamente o oposto.

4. “Suécia vai reabrir a investigação ao assassinato de Olof Palme” – Vai ser orientada pela comissão do caso Camarate.

5. Trump não quer abdicar da sua penthouse para morar na Casa Branca – E não insistam ou manda bombardear a Casa Branca.

O Rangel e o ranger de dentes

(Por Estátua de Sal, 17/11/2016)
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Estive a ver a Prova dos Nove, hoje na TVI 24. O esganiçado Rangel, fartou-se de ranger os dentes. Tal é a raiva que lhe vai na alma perante os sucessos do Governo. Muito range a criatura, ainda por cima sem fôlego de jeito, porque quando quer erguer a voz sai esganiçada, tipo cana rachada.
A direita tem cada vez menos argumentos que sustentem a sua narrativa da catástrofe. Era o déficit, o déficit cumprido como eles nunca conseguiram, e passou ao crescimento. Era o crescimento, o do 3º trimestre foi o mais elevado da zona Euro, agora são os riscos. Vem a D. Teodora alertar para os riscos e eles agitam a cauda como orangotangos, salivando e dando pulinhos. Era a Comissão Europeia e as sanções, mas lá se foram as sanções e ficaram os Fundos Estruturais. Morreram os Fundos e agora trepam no mastro do Dr. Domingues que do alto da CGD, fechado no seu cofre forte se recusa a entregar a declaração de rendimentos. E o Rangel e o Coelho lá rangem e fazem figas para que a Caixa de desfaça em pedaços para eles virem apanhar os cacos.
Tudo se desmorona no discurso da direita, o Rangel fica mais esganiçado, tira a palavra a todos, a Constança não o põe na ordem como devia – talvez para não lhe dar o trunfo de ele se poder armar em vítima e em mártir -, e sem mais argumentos, só lhe resta o papão dos juros, sim, porque a dívida também tem descido.
Ora, os juros são algo que dependem dos “humores” dos mercados financeiros e uma pequena economia aberta não tem capacidade de os influenciar, em situações de normalidade politica interna como é a situação actual. E neste momento, os “humores” dos mercados são determinados em função das expectativas do que irá suceder na economia americana na época pós-Obama, no consulado de Trump.
Pois bem, aos Rangeis deste mundo, Cassandras esganiçadas, só lhes resta brandir o látego da subida de juros da dívida pública para que a República tenha dificuldades de financiamento e que ocorra uma crise que possam cavalgar.
Nada a recear, contudo. Os juros até podem subir. Mas não irão subir especificamente para Portugal, de forma decisiva. A subirem de forma drástica afetarão todos os países periféricos de forma dramática, e a Europa no seu todo, e ocorrerão medidas à escala europeia para resolver o problema.
A direita portuguesa ainda não viu que os ventos estão a virar a nível global, depois do Brexit e de Trump. O discurso da austeridade expansionista que os levou ao poder em 2011, começa a ser definitivamente enterrado, mesmo na própria Alemanha, e a prova é que o abominável Scahuble, depois de Trump ter sido eleito, nunca mais teve lata para botar faladura a favor da austeridade.
O capitalismo sempre se conseguiu reinventar de acordo com os contextos e as necessidades históricas das várias épocas. Parece que a nossa direita é tão estúpida e tão pouco letrada que não sabe isto.
Eu, para castigo à prosápia manhosa do Rangel, receitava-lhe a leitura do Capital do Marx, encadernado, e sem ser em sinopse ou resumo ligeiro.
Talvez ficasse a perceber melhor o que se passa à sua volta e pudesse ser mais útil e eficaz na defesa das causas da direita que ele ama e persegue com afinco.
Assim, com a desavergonhada falta de tino, de conhecimentos e de isenção que manifesta, não passa de um estridente papagaio, um pernalta irascível que só consegue fazer-se ouvir devido à contemporização da Constança e à educação dos dois outros interlocutores, o Silva Pereira e o Fernando Rosas.

O rei dos faquires

(Por Estátua de Sal, 16/11/2016)
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Os faquires indianos são conhecidos por engolir fogo, facas e outros objectos estranhos e cortantes. E não é truque é mesmo assim. Mas, julgando eu que a Índia é um local longínquo, que o Vasco da Gama já se finou há séculos, que já não riscamos nada nos territórios que por lá tivemos como Goa, Damão e Diu, afinal a India não é assim tão longe porque o País herdou, na pessoa de Passos Coelho essa técnica milenar dos faquires que lhes permite engolir seja lá o que for.
Ontem, perante a revelação de que o crescimento do PIB no 3º trimestre em Portugal foi o maior da União Europeia, Passos teve que engolir o Diabo. Hoje, a Comissão Europeia deu luz verde ao projeto de Orçamento para 2017, e cancelou a fantochada do dossier das sanções e dos cortes nos Fundos Estruturais. Passos, a esta hora, como verdadeiro faquir deve estar deitado numa cama de pregos.
Engolir o Diabo já é um feito só ao nível dos faquires de classe superior. Mas, a acrescer a isso, conseguir engolir o PIB, o Orçamento, as sanções, tudo de uma assentada, já só está ao nível de um campeão lendário da modalidade.
Já ontem lhe recomendei, como último recurso, marcar consulta no Bruxo de Fafe, que até aceita o agendamento de consultas na página que tem na internet, ver aqui.   Já não sei que mais lhe receitar para lhe amainar a azia de tanto engolir em seco. Não sei se o mande emigrar, como ele fez aos jovens deste país, não sei se o mande dedicar-se à pesca de gambuzinos e diabinhos feios, não sei se o recomende para a Arrow fazer penteados à Maria Luís Albuquerque, já que na Goldman Sachs, ao lado do Barroso não o vão querer, seguramente, porque não lhe reconhecem os diplomas da Universidade de Verão do PSD e porque o Barroso chega e sobra para as encomendas.
A vida está difícil para Passos Coelho. Ele engole tudo o que corta com grande apetite e facilidade. A ver vamos se ainda tem estômago que chegue para engolir a enxurrada que se avizinha no horizonte: há quem engula todos os garfos, por muito aguçados que sejam, mas que se veja aflito para engolir um fio de riacho, quanto mais um Rio inteiro.
Passos que se cuide ou engole o Rio ou, à falta de melhor, só lhe restará fazer uma plástica e candidatar-se à liderança da JSD.