A NORMAL ANORMALIDADE!

(Joaquim Vassalo Abreu, 16/02/2017)

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Eu vou escrever, estou a escrever aliás, este texto sem rede, isto é, sem qualquer preparação anterior e apenas porque me deu um impulso. Acreditem ou não, é a pura verdade.

E vem a propósito do caso dos já mais que fedorentos SMS,s do Ministro das Finanças para o anterior e autoexcluído presidente da CGD , e que um emissário chamado Lobo Xavier, distinto fiscalista, famoso advogado e digno zelote do bem e da moral públicos, foi levar ao Presidente.

Eu já diversas vezes no meu BLOG, neste Blog, falei deste tema- da anormalidade tornada coisa normal- e lembrei-me que, há muitas anos atrás, numa empresa onde trabalhei, recebi um telemóvel que era um “upgrade” de um superior, como era normal, e fui confrontado com o facto de ele não se ter dado ao cuidado de limpar as mensagens, SMS.s, que tinha guardadas.

Que é que eu fiz? O NORMAL! Ao ler a primeira palavra da primeira mensagem apaguei-as logo todas! O que qualquer pessoa NORMAL faria! E, como pessoa NORMAL, foi o que fiz. Não me diziam respeito, não me interessavam, não me acrescentavam nada (segredos tenho eu muitos e que guardarei para toda a vida, tal como fui ensinado) e, portanto, nunca me passando pela cabeça alguma vez as utilizar como “arma” fosse para o que fosse, apaguei tudo.

Fiz um exercício de natureza da normalidade, mas que agora, nos tempos que correm, não é nada normal. Isto é, quanto mais soubermos dos outros, supondo serem semelhantes a nós, mais nos defendemos, mais nos protegemos e, assim, mais os podemos atacar. É a nova normalidade, mas que eu continuo a considerar ANORMAL.

Logo às vinte e três vou ouvir a Quadratura do Círculo e constatar a explicação que terá Lobo Xavier para o facto de, substituindo o interessado, António Domingues, ter sido ele, qual emissário, a ter levado a “carta a Garcia”, em vez do próprio, único e dono senhor do seu telemóvel e respectivos SMS,s. Normal? Não, e de todo! Um frete e um desprezível frete. E digo-o antes de o ouvir pois, como sempre se diz, a primeira impressão é a que conta.

Atitude desprezível, não tenho dúvidas mas, pelo que se tem vindo a constatar, do âmbito da nova NORMALIDADE! Mas ANORMAL, repito.

A gente na vida e por força das circunstâncias, tais como o dever de obediência a superiores ou a regras, como o dever de solidariedade em causas comuns, como o dever da integridade ou mesmo como dever da lealdade perante interesses que são de todos (numa empresa, numa família, em qualquer organização e mesmo no Estado), temos a exigência máxima da sobriedade e do sigilo. E do recato também. E, mesmo, às vezes, não globalmente concordando, acatamos e cumprimos o nosso dever.

Mas nada disso desculpa o conúbio, o saber privilegiado e o exercício desse conhecimento pessoal, em prol de algo que, à partida, não lhe diz respeito. Ignóbil é a palavra que me surge.

Como ignóbil, não falando já do desejado aproveitamento da nossa Direita deste lamentável caso, é mais esta tentativa de tornar NORMAL tudo aquilo que, sendo da esfera pessoal, passa a ANORMALIDADE, em todos os sentidos que os queiramos definir, seja do ramo da moral, da ética, do respeito pelo outro, pela sua intimidade, pela sua reserva e pela sua integridade, a fazer parte da NORMALIDADE.

E aqui reside a minha maior tristeza…

O Rangel range e demite toda a gente

(Por Estátua de Sal, 16/02/2017)

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Estive a ver o inenarrável Rangel na Prova dos Nove, da TVI24. O maior trauliteiro do ano, pese a gravata.

Rangel, surge de varapau em riste armado em campeão da verdade e da democracia. O ministro Centeno, mentiu e pronto. Deve demitir-se. O secretário das finanças, Marinho Félix, já há muito que se devia ter demitido. O Galamba disse que o Marcelo errou tanto quanto o Centeno, deve demitir-se. O Costa não se deve demitir, apenas, por enquanto. 

Entretanto o Domingues já se demitiu, uma injustiça, ele que tão bons ofícios iria aportar à coisa pública. O Matos Correia, esse, já se demitiu, vítima de um gravíssimo atentado contra a democracia perpetrado pelos partidos de esquerda.

Ou seja, por vontade da direita o governo, com tanta demissão, qual doente de pernas amputadas, iria a seguir para consumar a chusma de demissões.

Tão democratas que se babam ser e parece que querem chegar a poder a todo o custo, recorrendo a telenovelas de mau gosto, a golpes baixos de intriga, à iniquidade da trafulhice, em vez de discutirem o país, as necessidades dos portugueses e o futuro dos cidadãos.

Estamos cansados, ó Rangel. Queremos discutir coisas sérias. Estamos fartos dos teus uivos. O último deles, que me deu vontade de rir em grandes gargalhadas, é que o Bloco de Esquerda está muito próximo do Trump, esta mais uma pérola do Rangel, porque votou contra o requerimento da direita para levar os SMS do Centeno à Comissão de Inquérito à CGD!

O Trump é aquilo que se sabe. Mas olha que tu, ó Rangel, quando vociferas também levantas muito o dedinho, como se vê na imagem.. E nesse aspecto não ficas a dever nada ao personagem Trump.

O último pote

(In Blog O Jumento, 16/02/2017)
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                                                                Um verdadeiro artista

A crer naquilo que se vai ouvindo a propósito do folhetim Domingues este senhor foi traído por um malandro chamado Centeno (o que se poderia esperar de um mafarrico com um apelido espanhol que em português é centeio? É óbvio que se teria de ouvir muito burro a zurrar com cheiro a palha) prometeu-lhe uma CGD com ordenados e prémios iguais ao do sector privado e sem ter de suportar a curiosidade da populaça, com vícios delegados em jornalistas do CM ou do Sol.
Vendo o seu amigo traído, surge um bom cristão, um tal Lobo Xavier que aparece sempre que cheira a palha, personalidade que como todos sabemos anda neste mundo movido pelo desejo de fazer as boas acções necessárias para ter pontos suficientes no seu cartão de cliente do Céu, a fim de poder abrir as portas do dito, dispensado de terços e penitências e outros bilhetes.
Toda a gente sabe que Lobo Xavier é o cristão mais franciscano que anda acima da terra, homem  despojado de riquezas e mais isolado dos vícios do mundo do que os monges da Cartuxa.
Os nossos deputados, gente que cada vez que dizem uma mentirita a primeira coisa que fazem quando chegam a casa é apertar as partes íntimas com o cilício devidamente certificado e desinfectado, estão indignados com a hipótese de o mafarrico espanhol ter dito uma mentira dentro desse santuário da verdade que é o nosso parlamento. Num hemiciclo onde metade das intervenções resultam de pedidos da palavra em nome da defesa da honra, o pecado da mentira é um pecado mortal, e não admira a reacção digna de meretrizes ofendidas a que temos assistido.
Não, o Domingues e os seus amigos, gente que como se sabe pertence a essa nobre estirpe de banqueiros portugueses, verdadeiros exemplos de honestidade e competência, como se pode ver pela situação brilhante em que estão todos os bancos portugueses ou que o eram em tempos mais recuados, não iam gerir a CGD para ganharem prémios chorudos, como fizeram muitos gestores da nossa impoluta banca. Iam servir o país e como gestores franciscanos e só se sentiam obrigados a prestar contas a Deus porque só a isso está obrigado um bom cristão.
Não, o Lobo Xavier não tem o mais pequeno interesse nos muitos milhões da CGD, nem ele nem os muitos interesses que representa teriam interesse nos créditos, na litigância, nos PER ou nos muitos negócios da CGD. A sua presença no processo foi apenas para divulgar os emails e os SMS privados do Centeno, às mijinhas, porque o seu amigo Domingues é muito envergonhado e não se sente à vontade com jornalistas e políticos da direita, até porque o pobre banqueiro começou a sua escolinha no MRPP.
Não, os muitos milhões da CGD seriam um fardo para qualquer um, um trabalho muito penoso. A má cobrança de muitos milhões em dívida e os muitos milhões disponíveis para muitos créditos não interessavam a ninguém. A própria presença de Lobo Xavier e de muitos dos deputados esganiçados da direita são a maior garantia de que qualquer relação entre aquilo que se passa e a vontade de ir ao pote é pura coincidência.
Enfim, por este andar até me vou tornar um devoto do Paulo Macedo, comecei por defender esse Domingues e dou comigo a sentir-me na obrigação de uma pesada penitência, dando graças a Deus por terem metido o Macedo na CGD; ou estou muito enganado ou com essa mudança salvei o que me resta dos subsídios de férias e de Natal.