(Raquel Varela, in Facebook, 20/10/2026, Revisão da Estátua)

O spinismo disfarçado de jornalismo já corre nas veias dos jornais e TVs – são ladrões de lojas, aceitem o recolher obrigatório, nós, que vos pilhámos o Estado Social, estamos aqui para vos proteger do povo irado.
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Os palácios tremem na Europa. A pilhagem do Estado Social pelos governos e pela sua economia de guerra tem agora um adversário -, a juventude e os trabalhadores disseram basta. E a extrema-direita, o colete salva vidas dos liberais europeus, ficou a ver navios, quer dizer, barricadas. Nas ruas clama-se por igualdade e liberdade, a extrema-direita nada tem a oferecer. O Chega veio a correr pedir um pacote de emergência para a habitação quando, de emergência, aprovou há 15 dias um mega pacote de apoio aos fundos imobiliários, juntamente com o PSD, seu parceiro na Remax que é Portugal.
O medo tomou conta dos palácios, que já reagiram colocando milhares de funcionários das agências de comunicação a trabalhar no spin. O spin é “trata-se de violência urbana e não de protestos“, logo devem ser proibidos e reprimidos para salvaguardar as “pessoas“. Lá, o recolher obrigatório, aqui tendas no Rossio e Porto são retiradas pela PSP – e cito: “com escudos e cães” (os animais são uma arma?! qual a raça, eram caniches?). Manifestantes detidos, para deixar passar os investidores, que se escondem, de cara tapada, num hotel de luxo em Nova Iorque, e perguntam: – Hoje subiram mais as minhas ações das casas em Lisboa. ou foram as investidas em drones? Thank you.
Certificados jornalistas, que há muito não fazem jornalismo, estão nas ruas em direto de Paris e Milão. A entrevistar estes milhões? A dar-lhes voz e a trazer-nos para dentro de casa a realidade, complexa, a serem os nossos olhos? A perguntar-lhes quem são, o que fazem, o que gostam, que futuro desejam, como se organizam? Não, nem uma voz dos 800 mil do dia 17 de Outubro, só na França, e apenas a voz da senhora da loja, tristíssima – e cheia de razão -, com a destruição do seu negócio.
A realidade complexa é para cortar com uma forte emoção; quem não simpatiza com uma senhora jovem roubada? O que seria se fossem as imagens das lojas protegidas por manifestantes, da orquestra a tocar e a levar com bombas de gás lacrimogéneo, das barricadas desmontadas em segundos, para deixar passar os bombeiros? Não, isso não interessa. Repórteres agitados em direto descrevem o que lhes mandam – com um fundo de gás lacrimogéneo, barricadas urbanas, tiros de balas de borracha e cocktails molotov, mostram apenas um lado, e minoritário, da violência, animalizando o povo.
Que frete! De 6 greves gerais já realizadas ou previstas na Europa, a milhões de jovens pela primeira vez nas ruas com um programa de defesa do Estado Social contra a guerra, do humor e criatividade que nasce nestas ruas, da entrada das classes médias nos protestos, da inusitada brutalidade policial e da ainda mais surpreendente capacidade de autodefesa das pessoas contra a polícia, incluindo contra os provocadores da polícia, infiltrados, tudo aquilo que espanta nestes protestos não espanta o complexo mediático. A realidade não interessa.
Nos EUA os estudos sobre Hollywood chamam-lhe o “complexo militar-cinematográfico“. Podemos dizer que, na Europa, temos hoje um complexo militar-mediático. O “jornalismo” institucional e empresarial serve para justificar a guerra dos Governos contra as “pessoas“. Feito para nos convencer que estes jovens – esmagados pelo preço da habitação e pelos baixos salários -, aliados aos trabalhadores – exaustos e sem serviços públicos -, são meros ladrões de lojas que não compreendem a necessidade da UE – a direção financeira da Europa dos palácios – investir, ou sejam roubar-nos, 800 mil milhões de euros do Estado Social para a guerra e a lucrativa indústria militar de destruição em massa.
Não é a roubar lojas que se fazem mudanças, não serve para nada tal ação, é injusto e burro. São aliás necessários comités de autodefesa das manifestações contra os ladrões e os provocadores, parte deles polícias – há farta prova disso, publicada até por deputados, polícias a atacar bens…
É na organização política democrática, estruturada por conselhos, que se vence. Eles querem-nos desorganizados. Mas Brecht está hoje a ver TV, esse deserto mediático que tenta roubar-nos a palavra jornalismo, quando o que fazem é spinismo, pelo que deixo uma pergunta final:
Afinal, há alguma comparação entre o crime de roubar uma loja e o crime de roubar um continente inteiro?
Esta já é velha. Os fascistas sempre atribuíam a oposição as suas políticas a estrangeiros.
Nos primeiros anos da guerra em Angola dizia se que os “turras” eram todos vindos de países vizinhos pois que a população residente estava muito contente por ser tratada abaixo de cão pelos colonos portugueses.
Por cá os opositores eram todos fantoches da União Soviética pois que na realidade estava toda a gente muito contente com a vidinha.
Se emigravam em massa ilegalmente era porque eram aventureiros.
Por isso nada mais normal que um fascista empedernido queira repetir este estribilho fascista.
De resto, como damos a volta a isto?
A verdade e que mesmo sem lojas roubadas estas elites nao ouvem ninguém e a violência da polícia corre solta.
A violência e a arbitrariedade.
Um professor da Universidade do Porto referia hoje que a polícia estava a exigir a cada um dos jovens a quem foram extorquidas coisa como telemóveis, carteiras ou chaves do quarto ou de casa durante a violenta carga da madrugada 350 euros para devolverem os seus pertences?
Porra, ao abrigo de que lei? Com que direito?
Afinal, estamos a lidar com a polícia ou com reles ladrões?
Afinal de contas quem é que guarda o guarda?
Pois, a velha questão.
Não nos ouvem, mesmo pacíficos somos roubados e levamos no focinho.
Vem aquele fascista do Rui Rio dizer que a polícia não bate por diversão.
Bate sim, meu cabrao. São treinados para isso. São recrutados dentre miúdos violentos, maus estudantes mas com caparro. Conheci alguns.
Ou porque outro motivo a não ser diversão sadica aqueles animais continuam a bater em quem já está no chão?
Depois temos muita pena do dono da loja, que se calhar foi vítima de um agente provocador da polícia, e que provavelmente terá o prejuízo coberto pelo seguro e muitos pensam votar na extrema direita para pôr ordem nisto.
Burros, idiotas, palhaços. Porque no dia em que essa gente chegar ao poder toda a miséria correra solta e o menor protesto terá a polícia a cevar se em quem protestar.
E o dono da loja pode ter de fechar por pouca gente ter dinheiro para comprar o que quer que seja fora da grande distribuição. Não precisa que ninguém lha roube.
Nessa altura muitos idiotas vão estar arrependidos mas e aguentar e esperar que os deixem voltar a ter eleições.
Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.
Este texto na Viagem dos Argonautas, que fala de Boaventura de Sousa Santos e de muito mais, está muitíssimo bom. Bem escrito, bem sistematizado e, principalmente, muito bem pensado. Não é para qualquer um, escrever com cabeça e alma. E com os acentos todos no lugar, ainda por cima. Num país e numa alegada civilização (dita ocidental) com défice crónico de pensamento autêntico, livre e autónomo, não é coisa pouca. É comprido, gasta-se tempo a lê-lo e degustá-lo, mas vale a pena. Degustação gourmet, pode dizer-se.
https://aviagemdosargonautas.net/2026/10/18/de-boa-e-ma-ventura-portuguesa-com-certeza-iii-por-angelo-novo/
Nuno Melo veio a terreiro muito espantado dizer que sempre que ligava a televisão para ouvir os “porta-vozes” dos manifestantes eram cidadãos estrangeiros! Daí relacionando o problema da habitação em Portugal com a imigração, ou seja, os estrangeiros, e o aumento do seu número.
Várias coisas a dizer sobre este tipo de demagogia do oportunismo político:
– Nuno Melo liga muito pouco aos protestos, ou tem um “comando muito selectivo”, pois o que não falta são portugueses a contestar nos directos o que se passa, incluindo no Porto, a norte, onde as manifestações pelo Direito à Habitação tiveram o seu início. São sem dúvida alguma a maioria dos manifestantes, mesmo em Lisboa onde há mais imigrantes do que no Porto, e por conseguinte mais pessoas com outra nacionalidade.
– Como é que o excelso Ministro da Defesa reconhece quem é nacional ou estrangeiro? Tem um detector? É pelo sotaque? Curiosamente todos falam em português, ao contrário dos turistas e dos seus homólogos estrangeiros na UE e na NATO, sempre que visitam Portugal, e já nem vou aos turistas, a esmagadora maioria deles não fala português, e nunca vi o Ministro da Defesa indignado com a política de transformar a economia de Portugal numa dependência do turismo, maioritariamente provindo dos EUA e da Europa Central, Inglaterra, Espanha, e Escandinávia, entre outras. Portanto, o senhor doutor Nuno Melo faz-lhe confusão ouvir pessoas a falar em português com sotaque brasileiro, pois logo deduz que é só estrangeirada? É isto? É esta a súmula do conteúdo do que disse, da tentativa de mais uma vez desviar o foco do problema para a nacionalidade (e respectiva legitimidade) dos imigrantes se manifestarem, alguns deles falando em português com os repórteres, ou nas reportagens?
Estas carolas direitolas farsolas javardolas não páram…
Já agora, é por causa da aversão que os ministros deste governo têm a ouvir falar português com sotaque que andam a mudar o nome das faculdades públicas de economia, ciências biomédicas, etc para inglesismos “especiais de corrida”, para inglês e americano ver?
Vou ficar atento às manifestações públicas deste senhor Marmelo, que tem problemas quando ouve falar português sem “a pronúncia do Norte”…