(Nuno Ramos de Almeida, e Pedro Tadeu, in Youtube, 30/09/2022)
(Vou passar a publicar estes vídeos. Os autores tentam ser minimamente equilibrados. As aldrabices e o coro de vozes dos “comentadeiros” sincronizados pela cartilha dos departamentos de comunicação da inteligência ocidental, já enojam qualquer mortal com dois dedos de testa. Divirtam-se. É uma lufada de ar fresco.
(Por Eric Zuesse, in South Front, 01/10/2022, Trad. Estátua de Sal)
Todo psicopata está bem treinado para mentir; qualquer um que tolere as mentiras dessa pessoa não está apenas a encorajar a psicopatia, mas também está psicopaticamente despreocupado com o bem-estar da comunidade, porque tal incentivo, por si só, facilitará a disseminação de mentiras e o engano do público.
É assim que a psicopatia, que é uma doença meramente pessoal, se torna disseminada e pandémica, produzindo assim uma sociedade disfuncional, uma fraude generalizada. Isso acontece não só pela presença de psicopatas, mas também pela existência dos seus colaboradores passivos, que não denunciam a mentira e os mentirosos expondo-os publicamente para ajudarem à sua penalização, mas, ao invés, auxiliam os mentirosos a prosperarem espalhando as suas mentiras.
Ser membro de uma sociedade é ter direitos e obrigações. O silêncio diante de mentiras que se sabe serem falsas é uma falha nas nossas obrigações: a obrigação de evitar voluntariamente espalhar uma doença social – a doença de espalhar essas mentiras e essa falsidade, para um público desenfreado e cada vez mais contaminado.
Foi assim que em 2003 os governos dos EUA e do Reino Unido prenderam e neutralizaram a ONU invadindo e ocupando o Iraque apenas com base em mentiras , e nunca foram processados por isso. Nem os governos (nem os seus líderes) foram processados por isso, nem os meios de comunicação (ou os seus proprietários) que eram controlados pelo mesmo grupo de bilionários (os bilionários da América, de ambos os partidos políticos), foram processados por esses crimes de guerra internacional. Nenhum desses líderes e suas organizações de propaganda (ou média de notícias – seus proprietários) foram processados por terem feito ou ajudado a fazer isso.
Esse facto claro estabeleceu um precedente que foi seguido, desde então, por constantes mentiras internacionais desses mesmos dois regimes psicopáticos, que agora estão a caminho de engendrar uma Terceira Guerra Mundial, de novo com base em constantes mentiras governamentais e da média jornalística disseminadas em larga escala. Hoje a ladainha é por “uma mudança de regime na Rússia” em vez de “uma mudança de regime no Iraque”, mas, hoje como antes, os regimes que PRECISAM desesperadamente de ser “mudados” são os responsáveis por essa enorme fraude , a saber, os Estados Unidos e o Reino Unido. As Nações Unidas são infelizmente incapazes de fazer tal mudança – já que foi virtualmente anulada desde 2003 – mas a mudança deve ocorrer, antes que o resultado final nos aniquile a todos .
A psicopatia da liderança dos Estados Unidos representa um perigo mortal não apenas para os residentes de uma qualquer nação (Iraque; ou, digamos, a Síria – e há tantos outros exemplos), mas para os residentes de todas as nações (III Guerra Mundial); e, se não for parada agora, o mundo será aniquilado, e em breve. Este seria o fim extremo da pandemia de mentiras que ficam não apenas impunes, mas escondidas do público, em vez de expostas ao público (como estamos a fazer aqui). Se esta pandemia – que é muito pior até do que a doença de covid-19 ou qualquer outra pandemia meramente física em toda a história humana – não for exposta agora à luz da divulgação pública honesta (presumivelmente através de meios de comunicação que NÃO são propriedade de bilionários americanos e aliados), então que esperança haverá para os nossos filhos e netos (se essa pandemia do mal não tiver já destruído o mundo antes disso)?
É uma obrigação não APENAS para com o público em geral, mas até para com os nossos próprios descendentes (se os tivermos), porque é uma obrigação de – e em nome de – todos. Essa ocultação da culpa precisa de parar agora, porque mais tarde pode ser tarde demais. Então: por favor, envie o link deste artigo para todos que você conhece, e para o maior número possível de pessoas que você não conhece, porque ele a todos diz respeito.
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O novo livro do historiador investigativo Eric Zuesse, AMERICA’S EMPIRE OF EVIL: Hitler’s Posthumous Victory, and Why the Social Sciences Need to Change , é sobre como os Estados Unidos conquistaram o mundo após a Segunda Guerra Mundial para escravizá-lo aos bilionários americanos e aliados. Seus cartéis extraem a riqueza do mundo controlando não apenas sua mídia de ‘notícias’, mas também as ‘ciências’ sociais – enganando o público.
Entrevistada por uma televisão enquanto contemplava as ruínas do que fora a sua casa, uma mulher ucraniana exclamava: “Eu só queria que os Presidentes da Rússia e da Ucrânia se sentassem para dialogar e porem fim a esta guerra!” Desde que a guerra começou, já ouvi declarações iguais de vários civis ucranianos, aqueles que sofrem directamente nas suas vidas o impacto desta guerra: não em abstracto, mas diariamente. Mas sem sorte alguma: os ‘especialistas’, os teóricos da guerra, os seus defensores em ambos os lados, estão mais motivados do que nunca e mais empenhados do que nunca em continuar tudo até ao fim… seja ele qual for. Por todos, falou há dias, na Assembleia-Geral da ONU, Ursula von der Leyen: “Este não é o tempo do apaziguamento, mas de continuar a guerra até à vitória.” Falar de paz, opor-se à guerra, é visto como uma traição em Moscovo e como uma capitulação no Ocidente. Num ou noutro lado pode-se ser preso, ostracizado ou benevolamente insultado por defender negociações para pôr fim à guerra em lugar de uma catástrofe, por preferir a paz em vez da continuação das mortes e da destruição. Num texto destinado a desacreditar todos os que defendem o caminho de negociações, Nuno Severiano Teixeira escreveu que os ‘apaziguadores’ propõem a paz à custa do território alheio — antecipando logo, para melhor poder descartar — o que seria o resultado de uma negociação com Moscovo. Mas também se lhe poderia responder que ele e os demais ‘senhores da guerra’ propõem a continuação dela à custa do sangue alheio.
ILUSTRAÇÃO HUGO PINTO
Aqui, no Ocidente, fala-se muito da propaganda de Moscovo — que, obviamente, existe — e da desinformação de que serão vítimas os cidadãos russos. Mas, paradoxalmente, vemos manifestações contra a guerra na Rússia, que são filmadas e as imagens exportadas, e todos os dias vemos imagens dos 70 mil russos em idade militar que já passaram as fronteiras para fugirem à mobilização sem serem impedidos e apenas com a ‘democrática’ Finlândia a cogitar fechar-lhes a fronteira. Mas, todavia, fala-se muito pouco da desinformação concertada que aqui nos é servida diariamente e que em nada se distingue de propaganda de guerra e é muito pouco própria de sociedades ditas ‘liberais’. Exemplos? O complexo químico de Azovstal, onde 2 mil civis ucranianos estariam encurralados e impedidos pelos russos de fugirem: era falso, estavam sim a servir de escudo aos combatentes do Batalhão Azov ucraniano. A prisão onde os russos mantinham 2 mil prisioneiros ucranianos e que teria sido bombardeada pelos próprios russos, morrendo 80 prisioneiros, para supostamente apagarem vestígios de tortura sobre eles? Era, obviamente falso, foi bombardeada pelos ucranianos. O mesmo em relação à central nuclear de Zaporijia, ocupada pelos russos e onde, segundo Zelensky, eles se entretinham a atacar-se a si próprios: os ataques cessaram assim que lá se instalou uma missão da agência nuclear da ONU. Os cereais ucranianos que os russos não deixavam sair dos portos do Mar Negro, condenando o Terceiro Mundo à fome (embora a Ucrânia só respondesse por 3% das exportações mundiais de cereais): era falso, tudo o que Moscovo queria era garantir que os navios que iam buscar os cereais não levavam armas para Kiev; negociado o acordo, com a intervenção da Turquia e da ONU, já saíram de lá centenas de navios… embora nem um com destino ao Terceiro Mundo. Ou o célebre relatório da Amnistia Internacional que tanto indignou Zelensky e não só, e que acusava o Exército ucraniano de utilizar instalações civis como zonas de combate, tornando inevitáveis a sua destruição e a morte de civis, que depois Zelensky e a comunicação social ocidental apresentavam como exemplo da barbárie russa. Porém, não obstante o extremismo dos discursos à luz do dia, na calada da noite, ambos os lados trocam prisioneiros, deixam passar ambulâncias e feridos do outro e negoceiam tréguas sectoriais e provisórias. Se deixassem os respectivos povos escolher livremente, eles escolheriam a paz. Mas interesses muito mais altos e muito mais ‘sábios’ escolhem por eles.
De um lado, temos Zelensky, louco de ambição e de vaidade, alimentada pelos mortíferos novos brinquedos de guerra americanos, para quem já nem a Crimeia é o limite. Do outro lado, temos Putin, tresloucado pela humilhação militar e pelos sinais de desintegração interna, incapaz de ver outro caminho que não o da fuga em frente, agora consumada com o que é o mais perigoso passo dado desde a invasão: a anexação do Donbas, por meio das armas e de um ridículo referendo. Até Maio, houve diversas ocasiões onde pareceu que a paz podia estar próxima e, se formos rever as declarações de então, quer de Putin quer de Zelensky, nenhum deles afastava a abertura de negociações. Mas foi então que a visita do secretário da Defesa americano a Kiev tudo mudou: Lloyd Austin descreveu a Zelensky o resultado das análises da ‘inteligência’ americana sobre a capacidade militar da Rússia e explicou-lhe que os Estados Unidos estavam prontos a oferecer à Ucrânia um novo sistema de radares e um moderníssimo sistema de mísseis Himars de médio alcance, capaz de fazer inverter o curso da guerra.
Ao mesmo tempo, o próprio Austin encarregou-se de declarar qual era, a partir de então, o objectivo final da guerra: “enfraquecer a Rússia de tal maneira que não possa mais voltar a repetir o que fez na Ucrânia.” Ou seja, enfrentar e derrotar a Rússia por interposta Ucrânia. E esse passou a ser também o objectivo de Zelensky, o da NATO, o do Ocidente, o da Europa: a guerra até à derrota total da Rússia. Todos receberam a mensagem, e Putin também.
Mas isso tem um preço e esse preço vai ser pago, já está a sê-lo, sobretudo pelos europeus e pelos africanos. E pelos mais pobres desses países, quando vêem os seus salários e pensões serem roídos pela inflação, as suas poupanças serem devoradas, os juros das dívidas, públicas e privadas, subirem em flecha e os extremismos tomarem conta dos eleitores, enquanto parece que o importante não é isso mas que os extremistas da direita também alinhem pela guerra do lado da Ucrânia, como o faz a Polónia ou os novos governos da Suécia ou da Itália. E diz-se a esta gente, que não tem culpa alguma da guerra e que só anseia pelo seu fim, que não há uma saída boa — como o fez o Expresso, na infeliz sondagem que publicou a semana passada, em que colocava apenas duas alternativas: ser a favor da continuação da guerra “para resistir à Rússia” (54%), ou ser a favor do fim da guerra “mesmo que isso implique ceder às exigências da Rússia e as suas consequências” (32%). Isto é como alguém ir ao médico e ele dizer-lhe: “Olhe, você tem uma doença grave. Prefere morrer agora subitamente ou mais tarde lentamente?” E você pergunta. “Mas, não posso ser tratado?” E ele responde. “Pode, mas isso não está nas minhas mãos.”
É exactamente isto que nos propõem.
2 Se calhar terei sido dos últimos portugueses que teve a sorte de ver o Douro próximo do seu caudal máximo, na quinta-feira passada. As margens do rio estavam de uma secura assustadora mas o rio estava cheio e com uma corrente ininterrupta em direcção à foz, sinal de que Espanha estava a descarregar água a montante: provavelmente, a última descarga deste ano e, quem sabe, durante muito tempo mais. Na véspera, 3 mil agricultores espanhóis tinham-se concentrado na cidade de Leão, exigindo o fim das entregas de água a Portugal, previstas na Convenção de Albufeira. Num ano de seca terrível como este, a agricultura espanhola, que é um crime ambiental sem paralelo na Europa, não é sustentável nem sequer deixando passar para o lado de cá apenas os caudais mínimos previstos na Convenção. Na sequência dos protestos, o Governo espanhol começou por dizer que iria cumprir os acordos internacionais a que estava obrigado, mas três dias depois cedeu: segunda-feira fechou a água no Douro e veremos o que fará no Tejo e no Guadiana. “Não é a guerra da água, vamos pelo diálogo”, diz o nosso Governo — que nada mais pode dizer. Mas é altura de perceber que, com guerra ou sem guerra da água, alguma coisa de decisivo tem de mudar: não temos de arranjar água para a agricultura que fazemos, é a agricultura que fazemos que tem de se adaptar à água que temos. E o cúmulo da ironia é que depois de termos gasto o que gastámos em Alqueva, tenhamos acabado a vender lá terrenos a espanhóis para eles irem ali fazer, com água subsidiada por nós, as culturas predadoras que fazem em Espanha e que a nossa ministra da Agricultura tanto protege.
Não há água: qual destas três palavras é que ainda não perceberam?
Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia