O monstro que sequestrou a democracia (1)

(José Goulão, in AbrilAbril, 10/08/2023)

A democracia real não se consuma sem participação e intervenção popular. A democracia tem de ser, naturalmente, participativa. E participar, para que não haja equívocos, não é apenas votar de vez em quando.


Ler artigo completo aqui. A segunda parte do artigo será publicada amanhã.


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É urgente uma mudança de regime

(Carlos Marques, in Estátua de Sal, 20/08/2023)


(Este texto resulta da resposta a um comentário a um artigo que publicámos do General Carlos Branco, ver aqui. Quanto ao referido comentário de JgMenos: ver aqui. Perante tanta verdade junta, resolvi dar-lhe o destaque que, penso, merece.

Estátua de Sal, 20/08/2023)


O Liechtenstein, um dos mais pequenos Estados na Europa, tem mais soberania do que Portugal, e aliás, do que a Alemanha, neste momento.
É ridícula a tanga que os Globalistas/€Urofanáticos contam para levar a sua avante.

A Irlanda, Áustria, Suíça, até ver a Suécia, e mesmo o Turquemenistão e a Mongólia não precisam de NATO para estarem seguros, nem sequer precisam de outro tipo de aliança militar. Pelo contrário, é a neutralidade que garantiu décadas de segurança e paz.

A Constituição em Portugal diz o mesmo desde que o texto foi aprovado em 1976, mas num regime vassalo de imperialistas genocidas, passou a ser letra morta. Um país decente e com futuro, não precisa de UE, nem muito menos de €uro ou de NATO.

Pelo contrário, esses clubes antidemocráticos e genocidas são o garante, há já mais de 20 anos, da estagnação e empobrecimento de Portugal, e agora de passarmos a ser um possível alvo da maior potência nuclear do Mundo caso um dia destes acabe a paciência no Kremlin.

É urgente uma mudança de regime.

Só há Democracia com Soberania em vez de vassalagem e poder nas mãos de não-eleitos em instituições mafiosas supranacionais.

Só há paz com neutralidade e zero complexo militar industrial nas mãos de privados (cujo objetivo do lucro promove guerras em permanência). Só há progresso com moeda própria, taxa de juro e câmbio adequados à economia de cada país.

Só há decência com resistência ao imperialismo, em particular ao imperialismo genocida (+20 milhões de mortes desde 1945) dos EUA, que é o último imperialismo que falta derrotar.

Só há estado de bem-estar com economia mista, iniciativa estatal, e força sindical, capazes de resistir ao facho-capitalismo (neoliberalismo).

E só há liberdade se houver verdade em vez de propaganda e fakenews que condicionam a povo e lhe escondem a realidade do Mundo, do país, da economia, e até da história.

É urgente uma mudança de regime.

Nada disto existe neste momento em Portugal, uma mera colónia dos agressores anglo-saxónicos, desgovernada por corruptos que acham mesmo que “democracia” liberal é dizer “yes, man” ao império genocida, nem que para tal tenham de fazer censura, prender e matar jornalistas, financiar e armar terroristas da Al-Qaeda e nazis do Azov e companhia, fazer sanções ilegais cujo objetivo é provocar um Holodomor em cada país vítima, e provocar e prolongar uma guerra que arrisca o conflito nuclear, i.e. o fim da humanidade.

É urgente uma mudança de regime!

Não é aceitável que tanto filho da p*tá morra de velhice e sem nunca ser julgado, como aconteceu com a assassina Madeleine Albright.

Não é aceitável um regime que invade e rouba o Afeganistão, provoca a fome de 5 milhões de crianças, e depois gasta biliões a apoiar nazis, ao mesmo tempo que a sua imprensa “livre”, que nunca condenou os 20 anos de agressão ocidental (Ucrânia pós-Maidan incluída), se entretenha a publicar artigos sobre a maldade dos talibã, num tom e timming cujo objetivo é criar a percepção de que com a invasão dos EUA+vassalos é que o povo Afegão estava bem… O facto dos talibã só terem, por duas vezes, sido armados e chegado ao poder por intervenção do império genocida ocidental, é um “detalhe” que fica sempre de fora dos artigos de propaganda dos MainStreamMerdia.

É urgente uma mudança de regime, e a colocação desta oligarquia, e seus avençados políticos e “jornalistas” num gulag por muitos e bons anos.
Ao cancro só se sobrevive com quimioterapia que elimine o cancro e evite as metástases, não se sobrevive se se tentar conviver com o cancro.
A mudança de regime que urge, é um 25-Abril completo, e não um meio-termo, e muito menos um que começa logo a ser revertido em Novembro…

É urgente uma mudança de regime.

A maior parte da população estaria contra isso? A maior parte da população não faz ideia do que se passa na realidade. Umas eleições num regime assim são tão legítimas como na Alemanha nos anos 30. O povo “sabe” e acredita naquilo que o regime quiser. E entretanto a ciência da manipulação e condicionamento das massas evoluiu exponencialmente.

Hoje no Pentágono inventa-se uma mentira, amanhã já quase mil milhões de pessoas a ouviram repetida tanta vez, que acreditam nela, e foram treinadas como os cães de Pavlov para salivar perante o reforço dessa mentira, e para rosnar perante quem usa factos para a desmascarar.

É urgente uma mudança de regime.

Bruxelas e Lisboa também têm as suas máquinas de mentiras. Em Portugal há 4.5 milhões de pobres (antes de apoios sociais, um total que era 3.7 milhões nos últimos anos do Escudo, antes da €UROditadura), 70% têm rendimentos tão miseráveis que mal pagam IRS, mas liga-se a uma MainStreamMerdia e o assunto do dia, escolhido por prostitutas do regime mascaradas de “jornalistas”, é a baixa de impostos que possa beneficiar muito os 1% (para a “atratividade” do país), e beneficiar também os 10% seguintes, para “aliviar” (coitadinhos) a “classe-média” que na realidade são os privilegiados tão bem avençados para serem os capatazes dos 1%.

É urgente uma mudança de regime, de Lisboa a Helsínquia.

Se 1936 foi “o ano da morte de Ricardo Reis” (a estória contada pelo antifascista José Saramago, sob o heterónimo antifascista de Fernando Pessoa), então 2022 é o respetivo ano da morte da atual geração. O nazi-fascismo está plantado, enraizado, regado, e adubado. E cada vez mais gente o quer ver crescer, sem se aperceber da alarvidade coletiva que se está a cometer.

Eu, que o quero correr pela raiz, sou parte de uma ultra minoria.
Da última vez também foi assim, e quando a maioria acordou para a realidade, já era tarde demais.

É urgente uma mudança de regime.

Na “pobre” China há já milhares de Km de rede ferroviária de alta velocidade. Já se colabora em projetos para a levar também a outros países da ASEAN, a começar pela Indonésia. Testam-se reatores nucleares modulares, para ter soberania energética, sem emitir mais CO2. Desenvolve-se a tecnologia do hidrogénio para o automóvel do futuro próximo. Abrem-se grandes mercados nas zonas do interior, para promover artigos locais e combater, logo à partida, a excessiva migração para os centros urbanos que mais tarde poderia provocar a desertificação do interior.
Fazem-se os semicondutores mais avançados do Mundo, etc. E isto é só a China.

Na Europa discute-se mais um tiro nos pés (sanções ilegais), e em Portugal contam-se os milhões em ajustes diretos para uma festa religiosa que durou uma semana…

É urgente uma mudança de regime!


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Relativismo Moral, Realidade e Perversidade

(Carlos Matos Gomes, in Medium.com, 19/08/2023)

Quando sou fraco exijo-vos a liberdade em nome dos vossos princípios; quando sou forte, nego-os em nome dos meus! A frase é de Charles Montalembert, um polemista francês do século XIX, liberal, colaborador do jornal L’ Avenir, e resume o relativismo moral, o princípio orientador de todas as religiões, o pilar de todos os poderes.


No dia 18 de Agosto de 2023, o jornalista David Pontes, diretor do jornal Público, escrevia em editorial “Para um jornal a verdade é a essência da sua missão e por isso não podemos deixar de repudiar a utilização do nosso grafismo para a difusão de mentiras” — um editorial a propósito da imoralidade de um partido político e do seu chefe que utilizam a mentira como instrumento comum e se mascararam (se travestem) com roupagens de entidades credíveis para fazer passar as suas mentiras, mas o Chega e o seu chefe visível são apenas fenómenos excrementários da filosofia do relativismo moral que se impôs como padrão do comportamento humano.

A relativização moral elimina as contradições de julgamento. Limpa a imagem de tiranias teocráticas do Médio Oriente feita com as compras milionárias de armamentos e agora de jogadores de futebol. Um assassinato com esquartejamento de um opositor, a mando de um príncipe das arábias, é relativizado, enquanto a prisão de um opositor a Putin é superlativado. A perseguição aos uigures na China é motivo de sanções, mas a perseguição dos curdos pela Turquia é negociável. Um migrante milionário que compra um visto gold é bem-vindo, enquanto um migrante magrebino é deixado a afogar no Mediterrâneo. A queima de um Corão na Suécia justifica mortos no Iraque e no Paquistão!

Somos condicionados desde o início da vida pela ideia de que a moral é um conceito natural. Que a obediência e a desigualdade estão inscritas na ordem do mundo, que a miséria, a pobreza, a fome e a doença são castigos divinos aos fracos e o enriquecimento obtido através da exploração sem limites dos recursos naturais e na lei do mais forte (atrás de uma grande fortuna está sempre um grande crime — Balzac) constituem um prémio aos fortes e aos eleitos dos deuses.

Sendo uma ideologia perversa, o relativismo moral é quase sempre caucionado por uma religião, o que lhe garante a eficácia provocada pelo medo de uma condenação eterna. Ora a noção de Bem e de Mal não é inata, não resulta da necessidade de sobrevivência da espécie humana, mas do interesse de grupos ou de indivíduos em impor o seu poder, aumentá-lo e justificá-lo. O valor em conformidade com a natureza dos seres vivos é a ética, o que deve ser feito, o que cada espécie deve fazer para sobreviver.

O sucesso universal e pandémico do capitalismo deve-se à capacidade de ao longo dos séculos os seus promotores terem transformado a moral, o Bem e o Mal, em mercadorias, em modas, e de terem alienado a ética como uma velharia. Na sua essência, o discurso moralista é subjetivo, egoísta, falacioso e totalitário, porque impõe como salvação geral a aceitação de uma verdade particular, mas o relativismo moral é perverso porque corrompe a essência dos valores.

O problema de defender valores morais é que estes resultam de conflitos de poder e a resposta às questões morais é sempre um juízo determinado pela relação de forças em presença. Isso significa que o juízo moral só é válido para o mais forte, o que não só é imoral, como é irracional, pois coloca em causa a sobrevivência de todos: fracos, fortes e os seus habitats.

Os nossos princípios e normas morais estão baseados, em última instância, em desejos e preferências estritamente subjetivos (David Hume).

É a subjetividade da moral que permite aos populistas, aos praticantes e propagandistas do relativismo dominante defender que deveríamos achar que ‘certo’ e ‘errado’ são propriedades inerentes às coisas e aos factos. Qualquer noticiário de TV constitui um bom exemplo desta ‘ordem’ que tanto julga a guerra na Ucrânia como as taxas de juro, as férias de milionários como a fome no Sudão.

O conflito entre a Moral e a Ética é uma das constantes da história da humanidade, e é da mesma natureza do conflito entre a Fé e a Razão, a quadratura do círculo que São Tomás de Aquino procurou explicar. Racionalmente, a relativização da moral, tal como a supremacia da fé sobre a realidade, são embustes, mas a moral e a fé existem, os homens criaram esses instrumentos, que embora perversos, lhe são indispensáveis quer enquanto indivíduos quer enquanto membros de uma sociedade.

A única novidade da atual fase do conflito entre o relativismo moral, da moral conveniente aos interesses, e a ética é a existência de armas com capacidade para o resolver definitivamente, o que coloca a humanidade no velho problema da fábula do escorpião que mata a rã que o transporta para ele não morrer afogado, porque é da sua natureza proceder assim.

Não é animador reconhecer o que escreveu Hans Kelsen, um jurista e filósofo austríaco, autor da Teoria Pura do Direito: Se existe algo que a história do conhecimento humano nos pode ensinar é como têm sido vãos os esforços para encontrar, por meios racionais, uma norma absolutamente válida de comportamento justo, ou seja, uma norma que exclua a possibilidade de também considerar um comportamento contrário como justo.


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