( Diego Fassnach, in AsiaTimes, 10/06/2024, Trad. Castor Filho in VK)

A rejeição do New Deal Verde e das políticas de apoio à guerra na Ucrânia nas urnas sugere uma mudança de maré na política europeia.
As eleições europeias enviaram ondas de choque por todo o continente, revelando mudanças significativas nos cenários políticos e assinalando potenciais mudanças na dinâmica geopolítica.
Os resultados foram particularmente tumultuosos para o presidente francês, Emmanuel Macron, e para os partidos verdes em toda a Europa, nomeadamente na Alemanha.
As eleições revelaram-se especialmente desastrosas para Macron e os seus aliados.
A coligação pró-europeia de Macron sofreu uma derrota severa, ficando muito atrás do Rally Nacional (RN), de extrema-direita, liderado por Marine Le Pen.
Com o RN garantindo 31,5% dos votos contra os 15,2% de Macron, o presidente francês foi obrigado a dissolver a Assembleia Nacional e convocar eleições parlamentares antecipadas, marcadas para 30.6.2024, com um segundo turno em 7.7.2024 visando contornar a crise política na França e a posição precária de Macron.

Na Alemanha, os Verdes enfrentaram um revés substancial, perdendo parte significativa do seu apoio anterior.
O partido, que já foi um forte defensor de políticas climáticas agressivas e do apoio militar à Ucrânia, viu a sua percentagem de votos cair drasticamente para 11,9%, abaixo dos 20,5% nas eleições europeias anteriores.
Este declínio realça a crescente desilusão pública com o New Deal Verde e a agenda mais ampla de Davos, que muitos eleitores rejeitam agora.
Uma tendência notável ao longo destas eleições é a reação contra os líderes que apoiaram o envolvimento militar na Ucrânia.
Macron, um defensor veemente da entrega de armas ou mesmo da possibilidade de enviar tropas para a Ucrânia, viu-se no lado perdedor, à medida que os eleitores se opunham cada vez mais à continuação do conflito com a Rússia.
Este sentimento ressoa para além da França, uma vez que os eleitores alemães também se afastaram dos partidos que defendem posições agressivas em relação à Rússia.
Os resultados eleitorais em França suscitaram discussões sobre potenciais mudanças políticas na Alemanha. Com a direita AfD (Alternativa para a Alemanha) e a recém-formada esquerda nacional BSW (Bündnis Sahra Wagenknecht) a obter ganhos significativos, há uma pressão crescente sobre o governo alemão.
O apoio da AfD subiu para 15,9% e o BSW estreou com notáveis 6,1%. Ambos os partidos, conhecidos pelas suas políticas orientadas para a paz, capitalizaram o declínio da popularidade dos Verdes e da coligação governante.
À medida que a Alemanha enfrenta as próximas eleições regionais nas regiões orientais, onde a AfD e o BSW são particularmente fortes, a perspectiva destes partidos ganharem mais influência é cada vez maior.
Se a AfD conseguisse na Saxônia o mesmo resultado que obteve nestas eleições europeias, o partido estaria próximo da maioria absoluta e poderia formar o governo de uma regiao federal alemã.
Tal resultado poderia ameaçar a estabilidade do governo do Chanceler Olaf Scholz, conduzindo potencialmente a novas eleições nacionais.
Imediatamente após o resultado das eleições ter ficado claro no domingo, o secretário-geral da oposição CDU, Carsten Linnemann, apelou a Scholz para apresentar um voto de confiança ao parlamento, o que poderia levar a novas eleições se ele não receber tal voto da maioria do parlamento.
Os ganhos eleitorais da AfD e do BSW, ambos defendendo o fim do conflito na Ucrânia, indicam uma mudança geopolítica mais ampla.
Estes partidos, juntamente com figuras como o antigo presidente dos EUA, Donald Trump, enfatizam a diplomacia em vez de soluções militares.
Se estas forças políticas ganharem mais poder, a Europa poderá assistir a uma mudança significativa na sua abordagem ao conflito na Ucrânia e nas relações com a Rússia.
Os comentários recentes de Elon Musk no X refletem essa mudança de sentimento.
Musk questionou o retrato negativo da AfD, observando que as suas políticas não parecem extremistas.
Sua declaração sublinha a reavaliação mais ampla dos rótulos e alianças políticas à luz da evolução das opiniões públicas.
As próximas eleições estaduais na Alemanha Oriental poderão solidificar ainda mais estas tendências.
Com a AfD já a liderar nestas regiões, as suas potenciais vitórias poderão desmantelar a atual coligação governamental, provocando eleições nacionais antecipadas.
Tal cenário provavelmente reforçaria a influência dos partidos orientados para a paz e diminuiria o domínio dos defensores da guerra.
É também notável que a AfD tenha terminado no mesmo nível da CDU entre os eleitores jovens.
Anteriormente, os Verdes eram particularmente fortes entre os jovens.
Nas últimas eleições, os Verdes obtiveram 30% entre os eleitores jovens, mas desta vez esse número caiu para 12%. CDU e AfD obtiveram 17% entre os eleitores jovens.
Os terremotos políticos na Europa são mais do que apenas mudanças eleitorais; representam uma profunda reformulação das estratégias geopolíticas da Europa.
À medida que as estruturas de poder tradicionais enfrentam desafios, surgem novas alianças e prioridades.
O apelo à paz e a soluções diplomáticas, ecoado por figuras políticas europeias e americanas, poderá remodelar o futuro do continente e o seu papel na cena global.
As recentes eleições europeias destacam realinhamentos políticos significativos e mudanças geopolíticas emergentes.
A rejeição do New Deal Verde e das políticas de apoio à guerra, juntamente com a ascensão de partidos orientados para a paz, sugere uma mudança de maré na política europeia.
À medida que a França e a Alemanha navegam nestas águas turbulentas, os resultados influenciarão, sem dúvida, o panorama geopolítico mais amplo, com ramificações que se estendem muito para além do continente.
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