O vestido que abalou a civilização ocidental

(Luís Rocha, in Facebook, 10/03/2026, Revisão da Estátua)


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Portugal acordou em sobressalto. Não foi um terramoto, nem uma crise financeira, nem sequer uma daquelas crises governativas que brotam como cogumelos no outono. Não. Desta vez a República foi confrontada com algo muito mais grave. O preço de um vestido.

Sim, um vestido. A peça de tecido que Margarida Maldonado Freitas, empresária, farmacêutica e mulher de um Presidente recém-empossado, teve a ousadia de vestir na cerimónia. Um acto escandaloso que obrigou a imprensa especializada em assuntos de elevada gravidade nacional, como decotes, pulseiras e destinos de férias de celebridades, a mobilizar os seus mais experientes analistas têxteis.

A investigação começou como todas as grandes investigações jornalísticas. Com um zoom numa fotografia e uma busca no Google. Pouco depois surgiu a manchete: “Descobrimos o vestido!”. Um trabalho hercúleo digno de Watergate, mas com muito mais seda e muito menos Nixon.

A partir daí abriu-se um debate profundo sobre a democracia portuguesa. Não sobre salários, habitação ou política externa. Não. Sobre se uma mulher adulta, empresária e economicamente independente pode comprar a roupa que lhe apetece com o dinheiro que é dela.

O choque moral foi imediato.

De repente, Portugal descobriu que a República está perigosamente dependente do preço das bainhas. Um vestido caro pode aparentemente comprometer a estabilidade institucional, abalar a Constituição e talvez até provocar uma ligeira ondulação no Atlântico.

Naturalmente, esta análise política sofisticadíssima nasceu no laboratório intelectual de uma revista cuja missão civilizacional é acompanhar a evolução histórica da humanidade através de três indicadores fundamentais. Roupa, casamentos e dietas milagrosas.

Refiro-me, claro, àquela publicação dedicada ao estudo científico das celebridades que pertence ao grupo que também controla o Correio da Manhã, a CMTV, o Record e outras catedrais do rigor informativo. Esse mesmo grupo, hoje chamado Medialivre, herdou um vasto império mediático que inclui jornais, revistas e canais televisivos capazes de transformar qualquer trivialidade numa catástrofe nacional em menos de dez minutos.

É um ecossistema mediático impressionante. Lançam uma história numa revista de celebridades, amplificam-na na televisão, discutem-na em painéis, repetem-na nas redes sociais e, quando damos por nós, o país inteiro debate a bainha presidencial como se fosse uma questão de soberania.

É assim uma espécie de economia circular da indignação pimba.

E não se pense que isto é casual. Não. Há método. Há disciplina. Há uma dedicação quase monástica à arte de transformar trivialidades em escândalos.

Durante anos este mesmo ecossistema mediático serviu de palco permanente a uma figura política que os portugueses conhecem carinhosamente como “o Coiso”, personagem omnipresente em estúdios televisivos, debates inclinados e manchetes que pareciam escritas com a banda sonora das Valquirias de Wagner. Muito 3º Reich.

Agora que começa um novo mandato presidencial vindo da esquerda, os mastins mediáticos parecem ter decidido iniciar a temporada com aquilo que na ciência política se chama um “ataque preventivo à bainha institucional”.

Primeiro, o vestido. Depois talvez os sapatos. Mais tarde, quem sabe, a cor das cortinas de Belém. A vigilância republicana não pode abrandar.

Entretanto, nos estúdios televisivos, continuam os debates conduzidos por comentadores de grande erudição, incluindo a inevitável astróloga residente, figura omnisciente que analisa política internacional, economia global, conspirações planetárias e o alinhamento de Vénus com a taxa Euribor.

É reconfortante saber que o destino da República está também dependente dos trânsitos de Mercúrio.

Mas voltemos ao escândalo têxtil.

O que torna esta polémica particularmente patusca é o seu objecto. Uma mulher adulta, com carreira própria, que provavelmente ganha o suficiente para comprar quantos vestidos quiser sem pedir autorização ao país.

No entanto, segundo a nova escola de pensamento mediático, a esposa de um Presidente deve vestir-se segundo um rigoroso código de austeridade patriótica. Talvez uma túnica de serapilheira, um xaile de lã e sandálias franciscanas.

Tudo o resto ameaça a democracia.

E assim caminhamos, num país parolinho, onde o preço de um vestido provoca mais indignação mediática do que meia dúzia de escândalos financeiros. Um país onde uma revista especializada em frivolidades e pimbalhices consegue lançar o grande debate político da semana e pôr um sem número de alminhas a debitar parvoíces sobre uma mulher emancipada, que apenas comprou um vestido com o seu dinheiro.

Isto tudo um dia depois do Dia da Mulher e dos milhares de clichês sobre a sua emancipação. No fundo, talvez devamos agradecer.

Num mundo cheio de guerras, crises e desigualdades, é reconfortante saber que ainda existem instituições mediáticas dedicadas a proteger a nação contra o perigo mais terrível de todos.

Uma senhora bem vestida. A República agradece.

Beijinhos e até à próxima.

Referências consultadas

https://eco.sapo.pt/…/medialivre-com-lucros-de-19…

https://revistabusinessportugal.pt/medialivre-a-nova…

https://ban.pt/…/medialivre-com-lucros-de-19-milhoes…

https://www.flash.pt/moda-e-beleza/detalhe/descobrimos-o-vestido-da-nova-primeira-dama-saiba-quanto-custa-e-como-ela-o-adaptou-a-portugalidade

Rússia – a charneira inesperada?

(João Gomes, in Facebook, 10/03/2026)


Há momentos na história em que as engrenagens da geopolítica parecem mover-se segundo planos cuidadosamente calculados. E há outros em que esses planos se revelam, afinal, um exercício de imaginação demasiado otimista. O conflito recente que envolve o Irão e a coligação formada por Israel e pelos Estados Unidos parece pertencer claramente à segunda categoria.

Quando a escalada começou, o argumento apresentado por Trump era simples: neutralizar rapidamente uma ameaça considerada intolerável. Havia negociações em curso, é verdade, mas também havia a convicção – expressa de forma particularmente confiante por Trump – de que qualquer confronto, se necessário, seria curto e decisivo. O Pentágono, segundo diversas análises estratégicas divulgadas nos meses anteriores, partilhava uma avaliação semelhante: uma pressão militar suficientemente intensa poderia levar o Irão a recuar rapidamente. A realidade, porém, decidiu seguir outro guião.

A resistência iraniana revelou-se mais sólida do que muitos analistas previam. Não apenas pela capacidade militar demonstrada, mas também por uma certa disciplina estratégica que deixou no ar a sensação de que nem todas as cartas foram ainda colocadas na mesa. Teerão respondeu, resistiu e manteve uma postura que mistura firmeza e cálculo – sugerindo que a sua estratégia talvez não seja ganhar uma guerra total, mas sobreviver a ela com suficiente capacidade de continuidade.

Esse ponto é central. Para o Irão, a lógica política pode não estar em prolongar indefinidamente o confronto, mas sim em parar no momento certo. Não por falta de meios ou por colapso da resistência, mas por uma razão mais estrutural: preservar o ritmo de modernização tecnológica e económica necessário para os seus projetos estratégicos futuros. Entre eles, naturalmente, o programa nuclear que Teerão insiste em apresentar como tendo objetivos energéticos e não militares. Uma guerra prolongada poderia comprometer esse horizonte.

É neste cenário – paradoxalmente – que surge a figura da Putin. A Rússia, que muitos imaginavam estar apenas a observar à distância, e a lucrar futuramente com a possibilidade de vender o seu petróleo – face à crise colocada no Estreito de Ormuz – aparece agora como potencial mediadora. Não era necessariamente o papel esperado.

Putin telefonou a Trump e ofereceu-se para mediar o conflito. Trump ainda não respondeu, mas ontem – ao divulgar que “a vitória estava para breve” já anunciava um pensamento diferente; as vitórias para Trump nunca são no terreno – são sempre no mediatismo televisivo!

A política internacional raramente segue a lógica simples do ganho imediato. Para Moscovo, apresentar-se como mediador oferece algo muito mais valioso: estatuto. Se conseguir transformar-se no eixo que permite uma saída diplomática – salvando a face de Washington, preservando a sobrevivência estratégica de Teerão e evitando uma conflagração regional – a Rússia ganha aquilo que realmente procura: reconhecimento como o polo indispensável na arquitetura de poder global que é e sempre foi e que a Europa não tem reconhecido.

A guerra Israel-EUA contra o Irão foi iniciada sob o impulso da iniciativa estratégica de Israel e Washington e pode terminar com a Rússia a desempenhar o papel de charneira diplomática. IS já depois de Trump ter anunciado a eventual retirada de sanções à Rússia para que esta pudesse fornecer petróleo ao Mundo e diminuir o impacto dessa guerra. Putin prefere a paz ao lucro – o que demonstra a sua posição consciente do que esta guerra está a provocar nos mercados.

Quanto a Israel, o quadro é particularmente delicado. O país demonstrou, mais uma vez, uma extraordinária capacidade de resistência sob pressão – algo profundamente enraizado na sua própria história nacional. Contudo, o desgaste de um conflito prolongado será inevitável. A sociedade israelita, que já vive há décadas sob a tensão permanente da segurança, enfrenta novamente um dilema existencial: até que ponto a lógica da confrontação permanente pode coexistir com um projeto político estável para o futuro.

Alguns setores ideológicos continuam a invocar a ideia de uma “Grande Israel”, uma visão maximalista que imagina uma expansão territorial ou estratégica muito além das fronteiras atuais. Mas a realidade política do Médio Oriente contemporâneo é muito menos permissiva para tais ambições. A região tornou-se demasiado complexa, demasiado multipolar e demasiado interdependente para que projetos dessa natureza encontrem viabilidade real. O projeto sionista não tem viabilidade – por muito que se esforcem os que o defendem.

Assim, o conflito que começou com promessas de resolução rápida transformou-se numa equação muito mais complicada. Washington procura uma saída que não pareça uma retirada. Teerão calcula o momento adequado para preservar as suas capacidades estratégicas. Israel mede o custo humano e político de uma guerra prolongada.

E, no meio dessa engrenagem, surge Moscovo – não como protagonista inicial, mas como a inesperada peça de ligação entre forças que já não sabem exatamente como travar o movimento que iniciaram.

A história tem destas ironias. Às vezes, a porta de saída de uma guerra aberta por uns acaba por ser construída por aqueles que tantos criticam por ações que – noutra região – são a expressão da defesa da sua segurança global.

João Gomes

Boa tarde!

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Uma semana de guerra no Irão

(Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 10/03/2026)


Com o ataque ao Irão, Trump envolveu-se simultaneamente em duas crises estratégicas. No início do século XXI, Washington evidenciou uma enorme dificuldade em lidar ao mesmo tempo com o Afeganistão e o Iraque. Os resultados dessas decisões são conhecidos.


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Apesar de não haver sinais de abrandamento na agressão ao Irão levada a cabo pela coligação israelita-americana, é possível constatar, desde já, cinco factos incontornáveis.

Primeiro, o ataque veio confirmar a teoria da anti fragilidade do regime, ou seja, a sua capacidade para, com base numa estrutura de geometria variável — ideologia, assimetria, inventividade — reforçar-se, alavancando positivamente a pressão externa. Apesar do assassinato do Líder Supremo aiatola Ali Khamenei e de outros altos dignitários, o regime resistiu e sobreviveu. Não implodiu, como vaticinado por Washington. Não se conhecem fissuras no grupo dirigente, o governo está aparentemente coeso, não se registaram deserções de altos funcionários, nomeadamente diplomatas, nenhuma embaixada mudou a bandeira, não há sinal de militares terem alterado a lealdade ao regime. Veremos por quanto tempo esta unidade se manterá. Os apelos de Netanyahu e Trump para o povo do Irão sair às ruas e derrubar o regime não se concretizaram. O povo veio de facto para a rua, mas para apoiar o regime e gritar “Não às negociações! Não à rendição! Guerra aos Estados Unidos!”.

O assassinato do Líder Supremo, ainda por cima durante o Ramadão, foi um erro estratégico tremendo. Além de dirigente máximo do Irão, Khamenei era também um líder religioso cujo alcance extravasava as fronteiras do Irão e se estendia ao mundo xiita. Washington conseguiu, de uma penada, não só alienar a “Ummah” xiita, como largos setores da sunita. Era difícil fazer pior.

Estes erros poderão resultar das fragilidades da Administração em termos de política externa. Para além dos cargos de Conselheiro Nacional de Segurança e de Secretário de Estado estarem concentrados na mesma pessoa, o Conselho Nacional de Segurança funciona apenas com um terço dos funcionários da Administração anterior, talvez por se abraçar a ideia de que a crença na providência divina é capaz de superar o conhecimento humano. Uma semana antes da invasão, o FBI despediu os especialistas em contrainformações que geriam o dossiê do Irão.

A arrogância de Donald Trump – associada ao desconhecimento – permite-lhe achar que vai escolher o próximo responsável pelos destinos do país: “Não queremos que eles [os iranianos] coloquem ninguém lá dentro, que não seja aprovado por nós”, “eles estão a perder o seu tempo. O filho de Khamenei é um peso leve. O filho de Khamenei é inaceitável para mim,” “eu tenho de estar envolvido na nomeação, como com a Delcy na Venezuela”, “eles podem selecionar, mas nós temos de nos certificar de que é alguém razoável para os Estados Unidos.” Nada impressionado com os recados de Trump, o Conselho de Peritos elegeu exatamente o filho de Khamenei para lhe suceder.

Segundo, tornou-se claro que o conflito não será de curta duração. Segundo fontes norte-americanas, o prazo da Operação “Fúria Épica” foi reformulado, admitindo-se a possibilidade de os objetivos só serem alcançáveis dentro de quatro a cinco semanas, considerando-se mesmo o alargamento desse prazo. Segundo Trump, a guerra continuará até os objetivos serem alcançados, leia-se, até à rendição incondicional de Teerão, “não há limites de tempo para nada”. O presidente norte-americano não está aparentemente preocupado com as ‘Midterm elections’, em outubro, nem com o impacto desta operação, que não tem o apoio dos norte-americanos, no seu futuro político.

Os planos para gerir um conflito de curta duração foram substituídos pelos preparativos para uma campanha longa. O Comando Central solicitou um reforço urgente do seu quartel-general, e o Departamento de Defesa prepara-se para manter as operações ativas durante, pelo menos, mais 100 dias. Surpreendentemente, o “Haaretez” veio dizer que “Israel não tem capacidade para uma confrontação prolongada com o Irão.”

Terceiro, por ter subestimado o Irão, a Administração Trump lançou-se impreparada nesta aventura. Se na Primeira Guerra do Iraque (1990), os EUA recorreram a 1900 aeronaves, e seis porta-aviões; agora projetaram apenas 300 aeronaves e 2 porta-aviões. Este déficit está a tentar ser colmatado com o recurso ao porta-aviões francês Charles De Gaulle, em deslocamento para o Mediterrâneo Oriental, para substituir o porta-aviões norte-americano Gerald Ford, em deslocamento para o Mar Arábico. Em preparação, para reforçar o dispositivo naval de ataque ao Irão, encontra-se o porta-aviões britânico Príncipe de Gales.

A isto, junta-se o facto de não existir presentemente uma componente terrestre no dispositivo norte-americano projetado na região, e uma eventual projeção exigiria seis a 12 meses de preparação. A exiguidade da aventada solução curda não é solução. Em 2003, quando os EUA atacaram o Iraque, a força terrestre norte-americana tinha um efetivo que rondava os 170.000 soldados.

Por outro lado, a enorme capacidade militar norte-americana tem alguns calcanhares de Aquiles. São públicas as suas limitações nalguns tipos de equipamentos, não só ofensivos como defensivos, particularmente em intercetores utilizados na defesa aérea. O Pentágono prepara-se para pedir ao Congresso autorização para “libertar” 50 mil milhões de dólares, a fim de fazer face ao problema que tem em mãos. A Administração Trump também já pediu às principais empresas de defesa que aumentassem rapidamente a produção.

Quarto, com o ataque ao Irão, Trump envolveu-se simultaneamente em duas crises estratégicas. No início do século XXI, Washington evidenciou uma enorme dificuldade em lidar ao mesmo tempo com o Afeganistão (2001) e o Iraque (2003). Os resultados dessas decisões são conhecidos. A guerra na Ucrânia vai em quatro anos, sem existir ainda um fim à vista, e a do Irão, de alta intensidade, corre o risco de evoluir para um cenário de atrição. Podíamos ainda acrescentar a esta complexa equação, o envolvimento militar norte-americano no Caribe — Venezuela, Cuba e México — e na Nigéria, negligenciando deliberadamente os efeitos de uma improvável ação chinesa em Taiwan. Trump está a correr um enorme risco político, militar e estratégico, sobretudo quando é conhecido o apoio da Rússia e China ao esforço militar iraniano, que Washington parece ter desconsiderado. Numa situação extrema, desenvolvimentos desfavoráveis a Washington podem afetar decisivamente a sua reputação e as suas pretensões hegemónicas.

Quinto, o dispositivo militar norte-americano no Médio Oriente, em particular no Golfo Pérsico, foi severamente afetado sendo a sua reposição, nalguns casos, muito difícil. Os EUA não conseguiram defender as suas bases militares (infraestruturas, portos, depósitos de combustível, etc.). Os navios da quinta esquadra tiveram de retirar do Golfo Pérsico. Numa ação inédita, o Irão atacou todas as principais bases norte-americanas envolvidas no apoio ou na organização da Operação “Epic Fury”. Particularmente eficaz foi a destruição dos radares de longo alcance e de apoio ao tiro dos THAAD (AN/FPS-132 Block 5, AN/TPY-2, respetivamente), sem possibilidade de os repor. Consequentemente, os países do Golfo ressentiram-se do abandono a que foram votados pelos Estados Unidos, acusando-os de serem incapazes de honrar a proteção prometida, dando prioridade a Israel.

Perante estes factos, em particular a incapacidade de fazer implodir o regime, a coligação avançou para o Plano “B”. Alargou a lista de alvos e aproximou-se daquilo a que chamamos “fórmula Gaza”, passando a incluir zonas residenciais, depósitos de combustível e estações de dessalinização, etc. Mas o Irão já está a responder na mesma moeda. Entretanto, o ministro norte-americano da guerra, Pete Hegseth veio elucidar-nos que os EUA perderam guerras porque seguiam regras. Por outras palavras, porque do antecedente respeitaram o Direito da Guerra. A partir de agora vai passar a valer tudo.

Em 7 de março, Israel atacou cerca de 30 depósitos de combustível iranianos próximos de Teerão com a consequente libertação de elevadas quantidades de substâncias químicas para a atmosfera, responsáveis por chuvas ácidas e enormes preocupações ambientais em toda a região. O petróleo em chamas espalhou-se pelas ruas de Teerão e incendiou casas e edifícios. Se a dor causada pela retaliação iraniana a estes ataques for insuportável para Telavive, não será de excluir a possibilidade de Israel pensar em recorrer à arma nuclear.

Resta ver se esta guerra não vai provocar mais rapidamente uma mudança de regime nos Estados Unidos, em vez de no Irão.