​Cenas do fim do império unipolar (1)

(Daniel Vaz de Carvalho, in Resistir, 11/08/2025)



“O governo do império era como um teatro cheio de atores desempenhando papeis de toda a espécie, repetindo a linguagem ou imitando as paixões dos seus modelos”.


Edward Gibbon, Declínio e queda do império romano

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1 – Cena da loucura

Na mitologia dizia-se que os deuses enlouqueciam os que queriam levar à perdição. Agora os semideuses ultramilionários levam com seus mitos à loucura    os que os seguem, uma loucura que os conduz à perdição sem compreenderem a razão dos seus objetivos serem frustrados. Entraram num processo de negação da realidade, incapazes de avaliar as consequências dos seus atos, um estado realmente psicótico, característico dos impérios moribundos, diz o prof. Richard Wolff.

O delírio cognitivo é outra característica, fazem alarde de um complexo de superioridade, material, mas também moral, supondo-se capazes de ditar ao mundo o que todos têm de fazer e seguir, julgam os sistemas políticos dos países, ditam a sua condenação, aplicam sanções, desenvolvem ingerências e conspirações, chegam à bombardear países com os quais estão em negociações, caso do Irão.

A loucura leva a tresloucadas tentativas de desestabilização, instabilidade generalizada e mesmo o caos em países e regiões, como no Médio Oriente ou do que tentam no Cáucaso, porém em delírio psicótico são incapazes de antecipar as consequências económicas, financeiras, militares do que se propõem.

O prof. Geminello Preterossi, filósofo italiano, ligado às teses de Gramsci, descrevia a psicopatologia política da UE, como a negação da realidade e impulsos auto-destrutivos típicos da psicose que se traduz numa deriva fanática e irracional sacrificando os interesses dos povos em nome de um falso europeísmo. Políticos e burocratas do sistema, padecem de uma síndrome paranoica, obcecados com a ideia de que a Europa vai ser invadida pela Rússia, hipótese desprovida de qualquer base política ou prático-militar.

A falta de discernimento é típica do psicótico. O resultado tem sido uma série de reveses, do fracasso total na Ucrânia ao apoio ao massacre do povo palestino, mas também ao recurso à austeridade, para que os semideuses sejam servidos. Assim foi na gestão da crise financeira provocada pelos produtos financeiros derivados e hipotecas nos EUA, que resultaram em dívidas de bancos e “imparidades” na UE, tratadas como dívidas públicas.

O que os erros do império revelam, afirma Alastair Crooke, é um divórcio das realidades geopolíticas e uma fraqueza mascarada com arrogância e fanfarronice [1]. As consequências dos seus erros são apontadas como causados pelos “inimigos”, hostilizados por não quererem tornar-se seus vassalos.

Na ilusão de um poder com direitos sobre todas as nações, o império trata como inimigos todos os que potencialmente o ameaçam, mesmo que apenas na competição económica global, dentro dos critérios que o próprio império impôs. Mas isto só evidencia as suas fragilidades e deriva psicótica.

Um país que aspire à neutralidade geoestratégica fica na mira dos serviços secretos e de ONG especializadas no recrutamento e financiamento de ativistas treinados e assessorados por agentes estrangeiros. Dirigentes políticos e influenciadores nos media frequentaram cursos nos EUA, RU, etc, de forma a serem capazes de desenvolver ou apoiar os processos das “revoluções coloridas”.

O império dispõe de centrais que produzem propaganda e desinformação depois repetida através dos media. Por exemplo, o Institute for the Study of War fundado por Victoria Nuland (principal organizadora do golpe Maidan) e o marido Robert Kagan, é financiado pelo sector militar-industrial, especializando-se na defesa do clã de Kiev e continuação da guerra até à “vitória da Ucrânia”. Outros especializam-se em relação à China, difundindo o “terror” exercido sobre os uigures.

Décadas de despolitização, de pregação contra as funções Estado e a soberania resultaram na adesão a uma mistura grotesca de belicismo, impotência e marginalização geopolítica: apenas a tentativa desesperada de uma elite medíocre se manter na liderança.

Como Marx escreveu sobre a queda tendencial da taxa de lucro, o sistema em nome da eficiência aumenta a exploração (dita austeridade) sobre a classe trabalhadora cada vez mais empobrecida e endividada, com o Estado incapaz de satisfazer as necessidades sociais.

A loucura imperialista acentua-se no seu declínio. Como o marxismo sempre salientou, o belicismo é reforçado, os fabricantes de armas aumentam a riqueza, difundindo uma ideologia, ou antes, psicose de guerra. Uma loucura que conduziu ao grotesco político do neofascismo e ao apoio aos criminosos psicopatas de Israel.

Diz o Major-General Carlos Branco os manipuladores precisam dos títeres para fazerem o trabalho sujo, pessoas desprezíveis que se prestam a tal. Negam todas as evidências. (…) A negação sem incómodo do que está a ocorrer em Gaza indica que não são seres saudáveis. As narrativas mirabolantes que constroem e inventam para sustentar as suas teses, assumem contornos de uma grave psicopatia.

Vivemos assim tempos perigosos, através de uma provocação ou “falsa notícia”    uma guerra global pode ser imposta. A isto nos conduziu a loucura de “elites” arrastando os povos para políticas belicistas.

2 – Cena do belicismo

Andrea Komlosy, da Universidade de Viena, alertou para que a Europa resista à paranoia de um ataque russo. O programa de armamento militar da Europa não passa de uma “ilusão com gastos que levarão a uma dívida insustentável. É absolutamente equivocado gastar somas tão enormes em necessidades militares quando faltam fundos para tudo o resto”. Roger Köppel, editor-chefe do suíço Die Weltwoche, alerta também para a Europa caindo numa “espécie de histeria armamentista”, com o “pânico russo” causado por erros de cálculo ocidentais. “Precisamos de realismo e acabar com este conflito (na Ucrânia) por meio da diplomacia com a Rússia, não contra ela. A verdadeira segurança requer cooperação”.

Estas, como outras palavras de bom senso, são totalmente escamoteadas do público. Julian Assange, lembra-nos que “quase todas as guerras que começaram nos últimos 50 anos foram resultado de mentiras dos media. Poderiam ter parado essas guerras “se tivessem investigado profundamente” e “não republicassem propaganda.” “Os media são tão terríveis e distorcidos em relação a como o mundo realmente é que temos que questionar se o mundo não estaria melhor sem eles. O resultado é vermos guerras e governos corruptos prosseguirem.”

Prevalece a paranoia belicista, preparando uma guerra em grande escala na Europa. O Chanceler alemão Merz, diz que os meios diplomáticos para resolver o conflito ucraniano foram esgotados. Os russos “estão a espiar-nos, temos atos de sabotagem, incêndios criminosos, olhem para os quartéis. Todos os vestígios levam à Rússia. A Rússia está a atacar-nos. Precisamos de nos defender disto.”

Um ex-Chefe do Estado-Maior britânico, general Patrick Sanders, em entrevista a The Telegraph diz que o RU precisa de estar pronto para um confronto militar com a Rússia nos próximos cinco anos:   “o risco de um ataque de Moscovo aos países da NATO após o fim das hostilidades na Ucrânia é real.”

A França vai duplicar o orçamento militar até 2027, como se a sua situação financeira e social não fosse desastrosa. A Polónia também se prepara para a guerra, visto que “a Rússia ameaça a segurança internacional” e apoia a previsão do Comandante Supremo Aliado da NATO na Europa, General Grinkevich, sobre um provável grande conflito envolvendo Rússia e China dentro dos próximos 1,5 a 2 anos. A Europa e os EUA devem mobilizar recursos com urgência e prepararem-se para “os tempos mais perigosos desde a Segunda Guerra Mundial.”

Escreve o L’Antidiplomatico:   no Acordo de Kensington, Grã-Bretanha, França e Alemanha preparam-se para atacar a Rússia. Esses fantoches, apoiados por outros entendem como “segurança” a produção e uso de mísseis de longo alcance lançados do território ucraniano para a Rússia. Trata-se de uma troika militar contra a Rússia sob o programa “Escudo Europeu”, porém compreendem que “tal só será alcançável sem a ajuda dos nossos amigos americanos (!) em 10 a 15 anos.” Entretanto o “novo sistema” de Trump, acolhido ansiosamente pelos belicistas europeus, é simplesmente sobre enviar armas do complexo militar-industrial dos EUA para Kiev, pagos pela UE.

Claro que apesar das suas insuficiências e fragilidades, são perigosos, dada a possibilidade de criarem provocações, através da Moldávia ou no Cáucaso – a serem transformados em bases avançadas contra a Rússia – ou no Báltico – praticamente já em curso – ou contra Kaliningrado, contra o qual “já desenvolvemos um plano de ação,” afirmou o comandante das Forças Terrestres da NATO, General Donahue numa conferência em Wiesbaden.

Enquanto elucubram com a guerra que levaria a Rússia a uma derrota estratégica, não ponderam sobre se têm condições para o conflito que preparam, dado não disporem de recursos energéticos, encarecidos pelas sanções, e com logística dificilmente mantida. Não ponderam sobre os resultados obtidos com o dinheiro desperdiçado na Ucrânia, como não ponderam sobre as consequências de um ataque de Oreshnik – agora a serem produzidos em série – sobre os principais portos, paralisando a economia, a força militar a própria vida social, dependente da generalidade das matérias primas e componentes.

O envolvimento dos EUA nos conflitos na Ucrânia e Médio Oriente, levaram a uma escassez principalmente de mísseis como os Patriot em grande parte consumidos para a defesa de Israel face aos mísseis iranianos. O vice-secretário da Defesa dos EUA, alertou que as encomendas de armas da Ucrânia poderiam esgotar os stocks americanos, mostrando preocupações quanto à capacidade dos EUA terem recursos para manter três frentes de guerra: na Europa, Médio Oriente e China.

Na guerra entre Israel e Irão, em 11 dias os EUA usaram 15-20% do seu estoque global de intercetores THAAD. O custo de cada lançamento de THAAD é estimado em 12-15 milhões de dólares pelo que as operações de defesa aérea em Israel custaram cerca de 1,2 mil milhões de dólares. Note-se que os Estados Unidos produzem de 36 a 48 mísseis THAAD anualmente, tendo usado um volume equivalente a dois anos de produção desses mísseis. (Military Watch Magazine)

Os sistemas de defesa (Patriot, THAAD, Aegis) demonstraram a sua fragilidade na Ucrânia e em Israel e a frota de caças dos EUA necessita de urgente e muito dispendiosa modernização para aviões de 5ª geração, atrasados em relação à Rússia e China.

A China militarizou sete ilhas no mar do Sul da China sem ser desafiada – porque a Marinha dos EUA sabia que não poderia vencer (apesar de antes terem empurrado as Filipinas para um confronto). Tal como foram incapazes de impedir que os Houtis paralisassem o movimento marítimo para Israel e destruíssem o seu principal porto no Mar Vermelho, Eilat, que cessou as operações.

A NATO, incluindo os EUA, não dispõem de mísseis hipersónicos nem defesas adequadas. A produção de armas europeia é fraca e lenta, não dispõe de matérias primas e quanto a componentes a China controla grande parte. Contudo, apesar das insuficiências, falhas dos seus equipamentos e fragilidade logística, os belicistas europeus são os mais excitados.

Se na NATO, não existe nada comparável nem defensável perante misseis como os Oreshnik, Sarmat, Poseidon, Kinzal, Avangard, entre outros, ou    drones Geran como responderão à pergunta de Tucker Carlson:   Qual é exatamente o  interesse da Europa  estar em guerra com a Rússia? Que entendimento têm das teses russas quanto a uma agressão à Rússia ou seus aliados reservando-se o direito de usar armas nucleares no caso de uma ameaça crítica à soberania e integridade territorial a Rússia?

3 – Cenas do caos

O império, que Pepe Escobar designa do caos, vê-se obrigado a defender pela violência o que obteve pela fraude e traição dos perestroikos. Tem-se servido de arregimentados fanáticos imunes à razão, doutrinados em cursos e “cursilhos” de defesa do mundo unipolar. Mas o império pouco tem para oferecer além da propaganda. A ostentada democracia foi transfigurada em guerras e massacres de gente inocente. As economias são destruídas e é incapaz de criar estabilidade financeira e monetária.

Uma outra característica é que os líderes deste mundo dogmático promovem para dirigirem os Estados que controlam, gente subserviente e obviamente incompetente. Meros funcionários dos interesses da oligarquia, com a estrita obrigação de manter a democracia liberal, o povo em obediência e dissertar sobre os malefícios do socialismo.

Lembremos a pesporrência de comentadores sobre levar a democracia ao Médio Oriente (ainda andam por aí a perorar sem se retratarem…). Era uma espécie de cruzada dita humanitária e democrática, um disfarce da “ordem baseada em regras” para as nações para se submeterem à supremacia dos oligarcas ocidentais. A democracia que essas nações experimentaram foi o caos social, repressão e pilhagem de recursos. O que temos é instabilidade, sofrimento e guerras sem fim.

A “democratização” da Líbia através de bombardeamentos, então o país africano com maior nível de vida, levou-a ao caos, na prática à desintegração, com o Leste tornando-se aliado da Rússia. Na Ucrânia a população caiu de 52 milhões, quando soviética, para os 20 a 25 milhões que Kiev pode controlar – a ONU, sem reconhecer as zonas sob administração russa, apresenta 33 milhões de pessoas. Grande parte da população em idade ativa fugiu do país, está morta ou incapacitada. O regime de Kiev, criado pela “revolução colorida” de 2014, condenou a Ucrânia à extinção demográfica, dominada por extremistas neonazis e ultranacionalistas, financiada e armada pela NATO, na total dependência de empréstimos e subsídios externos. Para manter uma guerra perdida, novos recrutas são simplesmente sequestrados nas ruas, fugindo dos centros de treino ou desertando sempre que possível.

A reconstrução da Ucrânia está avaliada num milhão de milhões de dólares, em 14 anos. Com os custos associados a uma adesão à UE, aquele valor duplicaria, com fundos de coesão, subsídios agrícolas, apoios de emergência financeira, etc. Algo muito para além das capacidades da UE e do que os Estados poderiam suportar. Um ex-alto funcionário da administração de Zelensky diz que “Putin está destruindo a Ucrânia por fora, Zelensky está destruindo por dentro, suprimindo a vontade de lutar e a moral. Os direitos humanos são pisados, opositores políticos estão sob pressão, pessoas ricas e influentes que poderiam apoiar a oposição estão sendo expropriadas, os media de oposição silenciados.”

Diz o prof. Mearsheimer:   “A razão pela qual a Ucrânia é tão perigosa, é porque é uma derrota para o Ocidente, fomos humilhados e perdemos uma guerra com que nos comprometemos profundamente.

No Médio Oriente, a guerra dos 12 dias mostrou que o Irão só poderia ser vencido se a NATO pusesse no terreno não dezenas, mas centenas de milhares de efetivos. Como isto não é possível nem justificável, o caos prossegue, apoiando o expansionismo de Israel, sem pensar nas consequências.

A Síria é outro exemplo das vitórias do império, saudada pelos vassalos europeus, com o país entregue a organizações extremistas muçulmanas, antes qualificadas como terroristas pelo ocidente. Os media deixaram de se preocupar com a democracia na Síria de Assad que ultimamente procurava aproximar-se do ocidente distanciando-se da Rússia, pensava assim melhorar a sua soberania. É agora mais que evidente o que a Rússia evitava na região. Foi levada ao caos, com massacres étnicos e religiosos. Enquanto a atual liderança síria se mostrava ansiosa por normalizar relações com Israel (!) Netanyahu bombardeou Damasco, alargou a zona de ocupação, proibiu o exército sírio de se mover ao sul de Damasco e estabeleceu um corredor dos Montes Golã, expandindo as suas fronteiras do Nilo ao Eufrates, procurando isolar o Irão. A UE e NATO assistem e aplaudem o atual líder sírio.

O império desenvolve esforços para levar o caos para o Cáucaso, através da Arménia e Azerbaijão com personagens desacreditados, em que vozes discordantes são marginalizadas e ameaçadas. Mas são países sem dinheiro, esperando benesses do ocidente com as elites dirigentes mirando as vantagens financeiras proporcionadas ao clã de Kiev por hostilizar a Rússia.

Com a habitual irresponsabilidade os belicistas europeus não esconderam a satisfação pela intenção de Trump aplicar sanções a países que façam comércio com a Rússia, nisto se incluindo cerca de 200 navios e a Gazprom Neft, braço petrolífero da gigante estatal Gazprom. Os efeitos que isto traria sobre o comércio mundial, rarefação de bens e seus preços, está fora das suas conjeturas.

Quando perguntado ao principal negociador da Rússia, o historiador Medinsky, se Moscovo teme novas sanções, respondeu: “Essa não é uma questão para nós, nem para o grupo de negociação. Posso dizer-lhe o seguinte. Após a revolução e a guerra civil em 1920, não tivemos apenas sanções, tivemos um bloqueio diplomático e económico absoluto da Rússia Soviética, de todos. De todo o mundo! Isso não nos impediu de vencer a Segunda Guerra Mundial (…) Nada impedirá a Rússia de vencer agora. A única questão é o preço da vitória e o tempo necessário para alcançá-la.”

[1] Termo condenado pelo atual presidente da AR, ao ser aplicado ao líder da extrema-direita, para o qual o discurso de ódio racista é considerado “liberdade de expressão” – embora anticonstitucional.

A seguir:
4 – Cenas do fim da ordem internacional baseada em regras
5 – O crepúsculo dos semideuses

Fonte aqui

Umas quantas grandes verdades

(Carlos Marques , in comentários na Estátua de Sal, 09/08/2025, revisão da Estátua)

Imagem gerada por Inteligência Artificial

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Se a Rússia não invadiu a Finlândia quando a sua liderança corrupta começou a ameaçar aderir à NATO, então esse simples facto prova que a Rússia não representa ameaça absolutamente nenhuma ao povo Europeu.

Se a Rússia nem sequer ameaçou a Lituânia quando esta loucamente se colocou no altar do sacrifício do império ocidental e cometeu o casus belli de bloquear ilegalmente o corredor terrestre entre a Bielorrússia e o enclave russo de Kaliningrado, então esse simples episódio prova que a Rússia não tem (nem pode ter) qualquer tipo de vontade de fazer guerra contra países da NATO.

Se a Rússia demora 3 anos só para avançar uns 30 Km desde Advdeevka até Prokovsk, tudo dentro da zona central da região de Donetsk, então este simples facto prova que a Rússia não é nem consegue ser (mesmo que quisesse) uma ameaça aos restantes países da Europa, muito menos aos mais ocidentais, como Portugal, a tantos milhares de quilómetros de distância.

Se a Rússia se vê atacada em profundidade, e até nos seus meios estratégicos (bombardeiros nucleares) por drones produzidos e/ou financiados pelo Ocidente e doados aos nazis na ditadura da Ucrânia, no que é uma das muitas provas do envolvimento do Ocidente nesta guerra contra o povo russo, e mesmo assim a Rússia continua a fazer uma guerra cirúrgica e sem uso de armas de destruição massiva, então este simples facto prova que a Rússia não é sanguinária.

Podia continuar aqui o dia todo com exemplos destes, mas fico-me só com quatro simples factos que desmontam totalmente toda a propaganda belicista dos regimes, esses sim ditatoriais e sanguinários, imperialistas, nazis, terroristas, e genocidas, do Ocidente.

E nem vou fazer comparações entre as tardes de verão que se podem passar tranquilamente numa esplanada em Kiev ou Odessa, com as cenas indescritíveis de montes de gente esfomeada a ser morta à bala numa Gaza que parece Hiroxima após a bomba nuclear…

Em Moscovo não tenho um único inimigo. Nem em Teerão, nem em Caracas, nem em Gaza, nem em Pequim, etc.

Os meus inimigos, aliás os inimigos da Humanidade, estão todos em Washington, Londres, Paris e em Jerusalém ocupada, e os seus vassalos corruptos estão todos em Bruxelas, Berlim e capitais das restantes províncias como por exemplo Lisboa, Kiev, Buenos Aires e Taipé.

Ora, os inimigos da Humanidade não vão abdicar do dinheiro (corrupto) e do poder de forma voluntária, e muito menos nas “eleições” de farsa que se realizam neste regime ditatorial com uma máquina de propaganda quase omnipresente que manipula a vasta maioria da população. Não vão mesmo.

Os inimigos da Humanidade terão de ser derrotados pela força. O 25-Abril não se fez com cravos e o 9 de Maio não se fez com pombas. Primeiro, respectivamente, vieram (até Lisboa) as chaimites com os Capitães de Abril, e (até Berlim) os tanques com os heróis soviéticos. Para o Nélson Mandela ganhar o Nobel da Paz, primeiro teve de detonar muitas bombas contra os supremacistas, e o mesmo se aplica a quem resiste contra o GENOCÍDIO na Palestina colonizada.

Quando representantes da Rússia vão a África, são recebidos de braços abertos em quase todos os países. Já nós fomos expulsos de lá à batatada, e parece que ainda não aprendemos nada com isso, e pelo contrário temos agora uma clara maioria no Parlamento que nunca engoliu bem o “sapo” do fim do nosso império e da subjugação do povo negro. Quem não percebe esta diferença fundamental, não percebe nada.

A Rússia, sem qualquer tipo de wokismo, é decente. Nós, com tanto wokismo (ou seja, progressismo meramente performativo, para fazer de conta que o liberalismo ocidental é “decente”), continuamos a ser uns crápulas.

A ditadura fascista de Portugal fez três dias de luto pela morte de Hitler. E a atual “democracia” liberal fez zero dias de luto pelas mortes dos Capitães de Abril. Parecem coisas diferentes, mas na realidade o significado é exatamente o mesmo!

Portugal ainda não apresentou um único pedido de desculpas por participar no GENOCÍDIO de um milhão de iraquianos.

A Rússia todos os dias chora a tragédia que é ter sido forçada a intervir nesta guerra (iniciada pelos nazis ucranianos com o apoio da NATO, contra o povo do Donbass que inclui russos e ucranianos russófonos e pró-russos).

A Rússia não representa ameaça absolutamente nenhuma para o povo português nem para o resto do Mundo. Mas quem atira pedras ao Urso, depois não se queixe da reação do Urso.

Já Portugal, antes um Império e agora província vassala corrompida do Império genocida nazi-sionista anglo-USAmericano, continua a ser uma ameaça para o Mundo não-Ocidental e, o regime ILEGÍTIMO em Lisboa e em Bruxelas e Frankfurt representa uma ameaça também contra a paz e o bem-estar do próprio povo português.

Mas com carradas suficientes de propaganda, mentira, manipulação, omissão, e desonestidade intelectual, vai sendo possível manter o rebanho ordeiro dentro da cerca, a acreditar que os lobos são os seus melhores amigos, e que “não há alternativa” nem a este modelo económico cada vez mais fascista nem a este posicionamento geopolítico cada vez mais genocida e simultaneamente suicida.

Para finalizar, hoje falo também de Deus, só para dizer o seguinte: está mais que provado que não existe. Não existe nenhum Deus, muito menos um Deus bom e omnipresente, e tudo o que está na Torah/Antigo Testamento, no Novo Testamento dos cristãos, e no Alcorão, é tudo treta e várias das passagens são mesmo nojentas (como a celebração do “deus” que comete o genocídio das crianças e bebés inocentes no Egipto ou o “deus” que ajuda os israelitas nas suas guerras de agressão e ocupação.

Os crentes costumam dizer que a “voz do bem” que temos dentro de nós (a consciência) é uma prova da existência de Deus. Mas tudo prova o contrário: os mais religiosos de todos são quem neste momento comete e tolera um GENOCÍDIO, e o tal “deus bondoso” não intervém nem dá sequer um pio.

Portanto, se tenho de criticar o regime russo nalguma coisa, critico-o nisto: por se colar excessivamente ao paleio do cristianismo ortodoxo só para levar avante os planos da fação ultra conservadora no poder (o grupo do Putin e do Dugin e companhia, que são também muito de direita na economia), e pela tolerância que a Rússia (como um todo) mostra em relação aos genocidas israelitas/sionistas.

Neste aspecto, ainda bem que o líder do novo mundo multipolar não se chama Rússia, mas sim China. Fico muito mais descansado e esperançoso.

E por falar em China, estão preparados para passar fome quando o Ocidente coletivo aplicar sanções a este país, após o acusar de “começar” a “invasão” da sua própria ilha Formosa, naquela que é a próxima guerra proxy (por procuração) que o império genocida dos EUA se está a preparar para ativar, sacrificando os seus vassalos corruptos em Taiwan, assim que conseguirem estancar a hemorragia de armas e dinheiro para a falhada guerra proxy na Ucrânia? Convém que se preparem!

Governar por meio das Fake News – o Irão

(Jacques Baud, in Tertúlia Orwelliana, 8/07/2025, trad. Fernando Oliveira)


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Jacques Baud é mal conhecido em Portugal. Os editores portugueses ainda não o descobriram, apesar da sua vasta e importante obra. Salvo erro, nenhum dos seus livros foi traduzido em Portugal. E é pena porque se trata de um autor imprescindível para se compreender o mundo em que actualmente vivemos.

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