Exibam as atas!

(Atílio A. Boron, in Resistir, 10/08/2024)


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O coro estrondoso e bem coordenado de publicitários a serviço do império e de suas classes dominantes aumentou suas denúncias sobre o recente processo eleitoral venezuelano. A campanha assumiu dimensões ciclópicas devido à sua generalização e ao seu tom raivoso e vociferante. Para aqueles que são erroneamente considerados “jornalistas” em vez de serem o que são, propagandistas, a notícia internacional absoluta tem sido as eleições presidenciais na Venezuela. 

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Tramala não é Krump

(António Gil, in Substack.com, 11/08/2024)

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Oops, acho que disse algo errado.

Os estrategas democratas que puxam os cordelinhos da campanha de Kamala Harris para presidente em 2024 apostam todas as suas ficha na roleta russa da identidade enfatizando sua ‘raça’ . O problema é que quanto mais ‘balas’ raciais colocam no tambor do revólver, mais se arriscam a estourar suas já desmioladas cabeças.

O New York Times, órgão oficioso não assumido do Partido Democrata não faz segredo disso. Eles escrevream em 31 de julho: “Quanto mais tempo a campanha de Harris puder retratá-la como um fenómeno cultural, mais ela poderá evitar articular detalhes de sua agenda política que possam dividir o seu apoio.’’

Um conselho desnecessário já que Kamala nem saberia falar sobre mais nada sem meter as duas patas na poça, como recentemente se viu quando ela referiu a ‘nuvem sobre as nossas cabeças’, referindo-se claro ao armazenamento de dados informáticos, o que nos dá uma ideia sobre o que ela pensa a respeito de tal conceito: é possível que ela receie uma chuvada das velhas e se proponha construir uma nova Arca de Noé para que seus concidadãos não se afoguem com os dados caídos do céu.

O problema do identitarismo porém é que sempre alguém fica de fora. E neste caso os hispânicos sentem que foram traídos pelos democratas. Os latino-americanos votantes contribuíram em muito para a vitória de Biden em 2020 mas arrependeram-se. Eles estão pouco focados nas questões identitárias e muito preocupados com a degradação da qualidade de suas vidas.

O latino-americano típico tem dois ou mais empregos, esforça-se por pagar suas contas e educar seus filhos e gostaria muito de ainda poder acreditar no sonho americano. Isso porém está cada vez mais difícil.

Como um dos grupos demográficos mais jovens e de crescimento mais rápido, os latino-americanos terão este ano um papel maior na determinação dos resultados eleitorais. E podem ter a certeza que slogans como ‘‘precisamos de uma mulher negra na presidência’’ ou ‘‘Kamala não é Trump’’, não ganharão um único voto entre os hispânicos.

Eles querem ouvir propostas políticas sérias sobre habitação, saúde, educação, custo de vida e empregos. E e se isso não lhes for dado, mesmo que não gostem de Trump, votarão com os pés caminhando para longe das ‘caixas de batalha’. Perdão, das urnas de voto.

Fonte aqui.

De Caracas a Paris e Puccini, os palhaços incultos de Zelensky estão em retirada

(Declan Hayes in Strategic Culture Foundation, 06/08/2024, trad. Estátua de Sal)

(Publico este texto em homenagem a todos os melómanos que seguem ou visitam este blog. Se dúvidas houvesse sobre quem está do lado do Bem e da Humanidade na guerra global infrene que está em curso no Mundo e onde lugares vários – como a Ucrânia, Gaza, Venuzuela – são a ponta do iceberg, a leitura deste texto dissipá-las-ia. Sim, quem usa a beleza da música como instrumento bélico de confronto, transformando notas melodiosas em obuses, só pode ser um escroque, pior que os animais mais mortíferos: até as serpentes se vergam aos sons encantatórios da flauta.

Estátua de Sal, 10/08/2024)


A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo e a NATO e seus companheiros de viagem do norte de Londres infligiram sofrimentos incalculáveis ​​a todos os venezuelanos porque querem roubar o petróleo da Venezuela.


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Embora a soprano russa Anna Netrebko encabece agora a lista de alvos de assassinato do Myrotvorets, antes de fazer qualquer comentário informado sobre o caso dela, ou do de um grupo de venezuelanos e bielorrussos que também se encontraram na mira da NATO, precisamos primeiro de nos familiarizarmos com os detalhes da sociedade venezuelana, russa e bielorrussa, bem como, é claro, percebermos como a ópera e os mundos relacionados funcionam.

Netrebko é uma cossaca de Kuban que fez o seu caminho de humilde zeladora até superestrela operática internacional, o que foi bom para ela e, suficientemente bom para, nesse papel de superestrela global, se encontrar com o presidente russo Putin, em várias ocasiões. Para qualquer fantoche da NATO, que acha que qualquer reunião desse tipo é suspeita, tudo o que eles precisam de fazer é olhar para as Olimpíadas de Paris, onde políticos de todos os tipos estão bajulando os seus atletas na esperança de que um pouco do seu brilho possa passar para os seus narizes bajuladores.

Embora Netrebko tenha declarado que teria preferido que a guerra ucraniana não tivesse ocorrido, também é conhecido o facto de ela ter declarado, que as coisas são o que são e passaram-se assim, e que outras forças, que não ela, devem concluí-la. Apesar de elementos da Duma russa, bem como os malucos nazis com assento no Parlamento ucraniano, a terem denunciado, e apesar de o Parlamento Europeu fascista da NATO a ter sancionado, Netrebko descreveu, com toda a razão, como “merdas humanas” os representantes da NATO que a obrigam a expressar a sua posição política.

Eu não argumentarei contra a posição dela, tal como não o farão, imagino eu, Ivan Litvinovich e Viyaleta Bardzilouskaya, os dois atletas bielorrussos que, respetivamente, ganharam medalhas de ouro e prata nas Olimpíadas e que, assim, envergonharam os “merdas humanas” da Ucrânia de baixo desempenho, que tentaram desumanizá-los e aos seus compatriotas bielorrussos.

Embora Netrebko também só queira fazer o seu trabalho operático, porque Netrebko não apela ao assassínio de civis russos, a NATO, como diria a máfia, quer que ela desapareça.

Norman Lebrecht, o idiota da NATO para estes assuntos, chamou a nossa atenção para o facto de que Netrebko foi contratada para estrear uma nova produção da Tosca em janeiro do ano que vem na cidade eterna de Roma e, para piorar a situação da NATO, que “a soprano russa meio proibida” também deve apresentar-se na Flórida em fevereiro de 2025.

Embora os nazis ucranianos estejam a ter um ataque de nervos  com tudo isso, o facto é que Netrebko tem o show de Puccini na Tosca realmente garantido. Como o show em Roma é para celebrar o 125º aniversário da primeira apresentação de Tosca, seria impensável para qualquer um, exceto para os nazis da Ucrânia e seus companheiros de viagem do norte de Londres, alimentar sequer a ideia de que o espetáculo se poderá realizar sem Netrebko no centro do palco.

A ópera, mais ainda do que todas as outras artes semelhantes, funciona com base na máxima comprovada de que Callas, Cabellé, Caruso, Corelli, Netrebko e Pavarotti ficam com as luzes da ribalta e os restantes ficam com os amendoins que sobram. Sem Netrebko, não se pode ter Puccini. É simples!

Se tudo isso é, para si, difícil de entender, pense no facto de como os chineses recentemente se revoltaram  porque Messi não jogou num encontro amistoso contra eles. Mas Messi é um jogador de futebol, não é um urso de circo, que está ali para fazer truques e acrobacias, mesmo que os chineses, que pagaram fortunas para o ver, pensassem o contrário. Assim como os chineses foram ver Messi, os italianos, os figurões do Vaticano e o corpo diplomático de Roma vão ver a cossaca de Kuban, Anna Netrebko. É tão simples como isso.

E, tal como acontece com os cossacos de Kuban, também acontece com os venezuelanos, que também não são macacos de teatro, ao contrário do que pretendem esses mesmos charlatães da NATO.

O caso em questão é o do maestro e violinista venezuelano Gustavo Adolfo Dudamel Ramírez, de 43 anos, que atualmente é o diretor musical da Orquestra Sinfónica Simón Bolívar e da Filarmónica de Los Angeles, e que está programado que será nomeado Diretor Musical e Artístico da Filarmónica de Nova Iorque em 2026.

Para ver o quão envolvido está Dudamel na música da Venezuela e não só, refira-se que o seu pai é trombonista e professor de canto de renome, e que o próprio Dudamel começou o seu envolvimento contínuo com El Sistema, o famoso programa de ação social musical venezuelano, aos cinco anos de idade.

Tendo em conta que a Venezuela é uma sociedade dividida que está firmemente na mira da NATO e que Dudamel viveu, falou e respirou música toda a sua vida, o seu envolvimento contínuo com El Sistema, que também está firmemente na mira da NATO, embora relevante para este artigo, não é de todo surpreendente. Nem o facto de Dudamel ter manifestado a sua indignação quando outros músicos foram apanhados pela violência na Venezuela. Dudamel tem sido repetidamente referido como desejando que a violência acabe e que a música que o El Sistema encoraja cresça, e é bom que assim seja.

Uma rápida busca no site da NATO mostra que ela não concorda nada com isso. Um artigo recente queixa-se,  que a Fundação Glenn Gould lhe atribuiu o seu prémio anual, apesar de estes apologistas da NATO argumentarem erradamente que Dudamel é “o enviado de um regime militarista notório que acabou de roubar uma eleição”, sendo demasiado estúpidos para compreender o comunicado de imprensa da Fundação. O comunicado afirmava claramente que “a apresentação coincide com a Semana Mundial da Orquestra (WOW!) do Carnegie Hall, uma celebração de extraordinários conjuntos de jovens de todo o mundo. Nesse dia, Dudamel dirigirá a orquestra Sinfónica Nacional Infantil da Venezuela”, com a qual Dudamel tem décadas de envolvimento, tal como tem com El Sistema.

Tal como Gabriela Montero, que parece ter passado para o lado negro da Venezuela. Aqui está o igualmente escorregadio Norman Lebrecht  a elogiar a Orquestra do Minnesota por ter feito o upload do concerto [venezuelano] “decididamente político de Gabriela Montero, que supostamente denuncia aqueles que ‘mantêm o nosso continente refém da tirania'”. Apesar de Montero e o seu marido, nascido na Irlanda, terem sido fundamentais para manter a Irlanda refém, ao impingirem apologistas venezuelanos indesejados da NATO, essa traição sistemática em nada ajuda as pessoas cumpridoras da lei da Venezuela, nem todas as que não podem fugir, como cobras na noite, para a Irlanda.

Mas, embora pudéssemos falar da música venezuelana com mais autoridade numa hora do que os representantes da NATO conseguiram numa década, a verdade é que a Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo e a NATO e os seus companheiros de viagem do Norte de Londres infligiram sofrimentos indescritíveis a todos os venezuelanos porque querem roubar o seu petróleo. Os atletas bielorrussos são agora obrigados a demonstrar a mesma coragem perante a adversidade que os seus antepassados demonstraram quando Hitler fez da sua pátria o centro daquilo a que os bielorrussos chamam a Grande Guerra Patriótica, e tudo isto porque a NATO, tal como os nazis antes deles, quer usar a Bielorrússia como porta de entrada para despojar a Rússia.

E, quanto a Anna Netrebko, aqui está ela no (acusticamente divino) La Scala cantando a Tosca de Puccini, como só uma cossaca de Kuban abençoada, como ela, pode. Não é para todos, é verdade, mas também não o são as vastas riquezas da Venezuela e da Rússia, que, no caso da Rússia, são defendidas por mais de três milhões de soldados ativos e na reserva – nenhum dos quais consegue atingir as notas altas como Netrebko -, mas todos eles, como os seus milhões de aliados nas forças armadas da Venezuela, Irão e China, conseguem disparar muito mais corretamente do que ela ou Gabriela Montero.

Fonte aqui