Recolhido em casa das animosidades do clima porque o corpo já tem inimigos com que se entreter, entretenho-me a ver o grande circo de Verão – que este ano calhou ser o das Olimpíadas.
Tenho-me lembrado do meu neto na primeira vez que o levei ao circo, a perguntar.me o que faziam os palhaços quando não estavam na pista a realizar habilidades para ele se rir. Também me pergunto o que fazem estas pessoas, os atletas – do grego athletes, com origem no termo aethos, que significa esforço, sendo o atleta aquele que compete com esforço por um prêmio, quando não estão em atuação.
Treinam, claro. E além do treino, porque se esforçam os atletas e porque tem de ser premiado o seu esforço? Eu entendo o negócio que utiliza os atletas e de que os atletas se aproveitam, fazendo-se pagar pelo seu esforço. Mas o que leva centenas de milhares de pessoas, os mais altos dirigentes das nações, os maiores cientistas, as melhores capacidades tecnológicas a dedicarem o melhor das suas capacidades para fazer uma pirueta, um remate com a mão ou o pé numa bola e para a transmitir a todo o mundo em câmara lenta, ou em pormenor e a receberem a bandeira do seu país, ou daquele que lhe paga e os aplausos do hierarca que vem das lonjuras da pátria a Paris para saudar o seu atleta?
Ontem, ao assistir à prova de mergulho com trampolim, confesso que esperei que um dos ditos atletas se atirasse de chapão para a água. Inimaginável, porque aquilo é um assunto sério! Os jovens estavam seriíssimos como robôs. Todos têm de ser muito bem comportados, domesticados. Apenas um cavalo teve a ousadia de cagar a meio da prova! Vivam os animais. Livres!
Os atletas são os soldados de um regimento que marcha disciplinadamente para um pódio. No intervalo, treinam, ordem unida.
Também soube que uma atleta foi expulsa dos jogos porque saiu da aldeia e foi ver a Disneylandia – justo castigo, não se pode sair de um jardim zoológico para ir à concorrência.
Aguardo com expetativa a cerimónia de encerramento dos Jogos. Imagino que seja com o esvaziamento do Sena e a venda da água em garrafinhas com a forma da Torre Eiffel.
A % do PIB que os trabalhadores recebem (ordenados e salários) não aumentou desde 2010 (em 2010, 36,9% do PIB; em 2023, 36,3% do PIB), apesar do seu número ter aumentado em 400.000, e é inferior à dos patrões apesar destes serem 6% do total de trabalhadores.
Neste estudo analiso a repartição da riqueza criada em Portugal (PIB) entre trabalhadores e patrões utilizando dados do INE. Mostro que apesar do numero de trabalhadores ter aumentado em 400.000 entre 2010 e 2023 a percentagem do PIB que reverte para eles manteve-se (36,9% do PIB em 2010, e 36,3% do PIB em 2023). Os patrões apesar de serem 6% dos trabalhadores, a parte de que se apropriam do PIB é maior (39,6% do PIB em 2023). E termino mostrando (dados do Eurostat), que esta grave desigualdade na repartição da riqueza contribui para as grandes disparidades de remunerações existentes entre Portugal e muitos países da U.E. o que leva milhares de portugueses qualificados a emigrarem todos os anos.
Estudo
Desigualdade grave na repartição da riqueza criada no país – A % do PIB que os trabalhadores recebem (ordenados e salários) não aumentou desde 2010 (em 2010, 36,9% do PIB; em 2023, 36,3% do PIB), apesar do seu número ter aumentado em 400.000, e é inferior à dos patrões apesar destes serem 6% do total de trabalhadores.
A análise da repartição da riqueza criada anualmente no país, ou seja, do PIB, entre trabalhadores e patrões (os que empregam trabalho assalariado), ou seja, entre o Trabalho e o Capital, é muito importante conhecer pois é um indicador do nível de desigualdade existente em Portugal. Os dados sobre a repartição da riqueza são escassos, certamente porque é uma matéria muito sensível que incomoda as classes dominantes e também os sucessivos governos, que nada têm feito para alterar, por isso procuram ocultar. Para mostrar a desigualdade existente nesta área, vamos utilizar os poucos dados oficiais que são divulgados pelo INE.
A REPARTIÇÃO DA RIQUEZA CRIADA ANUALMENTE (PIB) ENTRE O TRABALHO E O CAPITAL EM PORTUGAL
O gráfico 1 (dados do INE), mostra como se tem repartido a riqueza criada no país no período 2010/2023.
O Excedente Bruto de Exploração, que fica para o patrão da empresa obtém-se subtraindo ao VAB (valor acrescentado Bruto) as remunerações dos trabalhadores. E o VAB, por sua vez, que é a riqueza criada anualmente pela empresa, obtém-se deduzindo ao valor da riqueza criada tudo o que se gastou para a produzir com exceção das remunerações dos trabalhadores e das amortizações. A conclusão que se tira imediatamente do gráfico é que em todos os anos a fatia da riqueza criada que reverteu para o Trabalho (em 2023, 36,3% do PIB) é sempre inferior à que fica para o Capital (em 2023,39,6% do PIB). Mas a dimensão da desigualdade fica ainda mais clara quando se compara o número de trabalhadores com o número de patrões (aqueles que empregam assalariados).
OS PATRÕES CORRESPONDEM APENAS A 6% DOS TRABALHADORES POR CONTA DE OUTRÉM
O quadro (dados do INE) mostra o reduzido número de patrões quando comparado com o total de trabalhadores.
Quadro 1 – Total de Trabalhadores e de Patrões – Milhares – FONTE: Inquérito ao Emprego – 2010/2023 – INE
Os dados do quadro do INE permitem tirar, pelo menos, duas conclusões importantes. A 1ª conclusão, é que o número de “Patrões” é reduzido quando se compara com o total de trabalhadores por conta de outrem. Em média, no período 2010/2023, representavam apenas 6% do Trabalhadores por conta de outrem e o seu total diminuiu quer em número (-22000) quer em percentagem (-1,1%), portanto a tendência à concentração é clara pela eliminação de muitos deles. Mas apesar do seu reduzido número apropriam-se de uma parte significativa da riqueza criada no país. A 2ª conclusão importante que se tira dos dados do quadro 1 é que, contrariamente ao que sucedeu com os “Patrões”, o número de Trabalhadores por conta de outrem aumentou, entre 2010 e 2023, em 409000, e a percentagem do PIB que reverteu para os trabalhadores até diminuiu nesse período pois passou de 36,9% do PIB para 36,3% do PIB como mostra o gráfico 1. E a quebra nesta % não foi maior porque o número de trabalhadores aumentou, entre 2015 e 2023, em 544000 como revelam os dados do quadro1. Pode-se, por isso, concluir que uma parcela importante do aumento da parte dos salários no PIB (passou de 34% em 2015 para 36,3% do PIB em 2023) se deve ao aumento de mais de meio milhão de trabalhadores por conta de outrem e não a um aumento muito significativo dos ordenados e salários. Esta realidade, e a perda de poder de compra que sofreram milhares e milhares de trabalhadores é a razão dos inúmeros conflitos sociais que atualmente se verificam no país.
O ENORME EXCEDENTE LÍQUIDO DE EXPLORAÇÃO QUE REVERTE NA TOTALIDADE PARA OS PATRÕES
O valor do Excedente BRUTO de Exploração, que é o que utilizamos anteriormente, nele ainda estão incluídas as amortizações dos equipamentos e construções utilizados pelas empresas. Utilizando dados também do INE, deduzimos as amortizações, que a nível macroeconómico (do país) se denomina Consumo de Capital Fixo, e obtivemos o Excedente LÍQUIDO de Exploração. O gráfico mostra a variação no período 2010/2023.
Os dados do INE revelam que se verificou uma quebra no ELE em 2020 causada pela pandemia, mas a partir desse ano registou-se uma rápida recuperação sendo o valor de 2023 (54926 milhões €) já superior ao de 2019 (49498 milhões €), ano anterior ao do COVID, em 5427 milhões € e ao de 2020 em 38,2%. Os patrões não se podem queixar da guerra da Ucrânia nem das sanções pois elas não impediram um aumento significativo da riqueza criada no país de que se apropriaram. São os próprios dados oficiais do INE que revelam isso, e não meras opiniões ideológicas.
A DESIGUALDADE NA REPARTIÇÃO AGRAVA A DISPARIDADE DAS REMUNERAÇÕES ENTRE PORTUGAL E A U.E.
Embora muitos preços no nosso país sejam iguais ou mesmo superiores ao de países da U.E. (ex.: combustíveis), as remunerações dos trabalhadores são muito inferiores, o que é uma das causas da emigração em massa dos trabalhadores mais qualificados. As disparidades de remunerações são evidentes nos dados do quadro 2.
Quadro 2 – Ganho médio liquido em Portugal e em países da U.E. (14 meses) – FONTE: Eurostat
O candidato Edmundo González Urrutia, que protagoniza a contestação aos resultados eleitorais na Venezuela, é identificado em documentos da CIA como responsável pelo assassínio de seis jesuítas e dois funcionários, em 16 de Novembro de 1989
O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela (CNE), única instituição com poder para anunciar os resultados das consultas eleitorais que se realizam no país, como acontece em qualquer Estado de direito, divulgou os números praticamente finais das eleições presidenciais realizadas em 28 de Julho. Com 96,87% dos votos contados, apesar da contínua e violenta guerra cibernética lançada do estrangeiro contra o sistema informático em que assenta a estrutura eleitoral Venezuela, o presidente em exercício, Nicolás Maduro, venceu com 6 408 884 votos, correspondentes a 51,8%; na segunda posição ficou o candidato fascista Edmundo González Urrutia, proposto pela Mesa de Unidade Democrática (MUD), movimento dirigido a partir de Washington e presidido pela militante golpista Maria Corina Machado, com 5 326 104 votos, ou 43.18%.