Golpe em curso no Brasil: nota da embaixada dos EUA revela algo além das taxas de Trump

(Por Eduardo Vasco, in Diálogos do Sul, 11/07/2025)


O imperialismo quer uma mudança de regime no Brasil e vai executá-la até as eleições de 2026; prova disso é a inédita postura da embaixada dos EUA, mais significativa e alarmante que as próprias tarifas anunciadas por Trump.


O Brasil entrou definitivamente no radar dos Estados Unidos. Em um único dia, três ações acenderam o sinal vermelho para o governo brasileiro. Primeiro, novas declarações de Donald Trump em apoio a Jair Bolsonaro e contra as instituições brasileiras; em seguida, manifestação no mesmo sentido da embaixada dos EUA em Brasília; finalmente, o anúncio de tarifas de 50% para todos os produtos brasileiros, com os mesmos argumentos políticos contrários ao atual governo brasileiro.

Embora esquecida, sobretudo diante do anúncio tarifário, a ação que mais me preocupa é a emissão de uma nota oficial da embaixada. Esta é a primeira vez em toda a história das relações bilaterais que a embaixada dos EUA critica aberta e duramente o governo e as autoridades brasileiras e defende um opositor. O comunicado repete as falas de Trump, dizendo que o ex-presidente Bolsonaro e seus familiares “têm sido fortes parceiros dos Estados Unidos” e que eles e seus apoiadores sofrem uma perseguição “vergonhosa”.

Não há nenhuma necessidade de uma embaixada se pronunciar apenas porque a Casa Branca se manifestou sobre a política local. O gesto da embaixada dos EUA é uma interferência maior na política brasileira do que os comentários proferidos por Trump. Mais do que isso: se uma embaixada emite uma nota como essa, tendo a certeza de gerar uma crise diplomática com acusações de interferência nos assuntos internos, é porque o governo americano já está trabalhando nos bastidores para interferir concretamente na política interna do Brasil. Ou melhor, já está interferindo de forma concreta.

De fato, no final de 2024 os esforços desestabilizadores contra o governo de Lula foram redobrados e 2025 começou com uma breve guerra especulativa para forçar a administração a adotar um ajuste fiscal em benefício dos grandes bancos e do conjunto do capital financeiro internacional. A pressão não surtiu o efeito esperado. Os setores imperialistas e a burguesia brasileira – sócia minoritária da dominação estrangeira sobre o país – perceberam que a única saída seria derrubar o atual governo. O processo golpista foi iniciado.

Os partidos da direita com os quais o PT se aliou, como sempre, desde o começo do governo já o estavam sabotando internamente, mas nos últimos meses passaram a debandar gradualmente. No Congresso, esses partidos estão em guerra contra Lula. A imprensa ecoa diuturnamente as exigências dos grandes capitalistas: o corte de programas sociais, o congelamento do salário mínimo, as privatizações e o afastamento dos “autocratas” (Putin e Xi Jinping) de quem Lula está se aproximando. O governo, por seu lado, está perdido, limitado pela política de colaboração de classes que o faz seguir parcialmente a cartilha estabelecida pelo Consenso de Washington, especialmente através do Ministério da Fazenda e do presidente do Banco Central.

A desestabilização causada pelas instituições da burguesia (bancos, latifúndio, multinacionais, Congresso, imprensa, institutos de pesquisa, etc), somada às alianças com seus inimigos e à manutenção das estruturas fiscais e econômicas erguidas a partir da década de 1980, transformaram o governo em uma vítima vulnerável à mudança de regime pretendida pelo imperialismo americano. O governo Lula é extremamente débil.

União de interesses

“O Brasil não tem sido bom para nós”, declarou Trump. O conjunto do capital internacional pensa da mesma forma, assim como os seus sócios minoritários dentro do Brasil. Nesse sentido, há um ponto essencial de convergência entre o trumpismo e os setores tradicionais do imperialismo: a necessidade da derrubada do governo Lula. E o alvo central disso tudo é justamente o presidente Lula, embora muitos digam que seja a Corte Suprema e o ministro Alexandre de Moraes – estes, na verdade, com sua atuação absolutamente arbitrária, estão trabalhando contra os interesses do Brasil e do próprio governo Lula. O presidente e seu partido pagarão caro pelas ações de Moraes e do STF, ainda que não sejam responsáveis por elas.

Rubens Ricupero, ministro da Fazenda e embaixador em Washington em parte do período de ascensão neoliberal e submissão completa aos EUA, acredita que as declarações de Trump são um “presente eleitoral” para Lula, porque reforçam o discurso nacionalista do líder brasileiro. Mas ele não percebe que a interferência dos Estados Unidos na política brasileira vai muito além da retórica de Trump nas redes sociais. Lula só poderia aproveitar essa oportunidade – aberta não agora, mas desde que Trump foi eleito presidente dos EUA – se ele agisse na prática, e não só no discurso, contra o avanço imperialista sobre o Brasil e a favor de uma verdadeira independência do país.

A atual política econômica de Lula não é uma proteção da soberania do Brasil. Suas alianças políticas, tampouco. As classes dominantes brasileiras, que fizeram o governo de refém desde a farsa do 8 de janeiro, não se interessam por um confronto com os Estados Unidos. Seu instinto de classe fala mais alto. A burguesia nacional brasileira é muito pouco nacional.

Os produtos industriais vendidos pelo Brasil aos Estados Unidos, como peças de tratores e de automóveis, são fabricados pelas empresas americanas no Brasil, e daqui vendidos para lá. A produção “nacional” de aço é controlada por uma empresa indiana (Arcelor Mittal) e outra ítalo-argentina (Rocca) e a maior parte é exportada. As siderúrgicas “brasileiras” possuem fábricas em outros países e podem facilmente exportar de lá para os EUA para contornar as tarifas, realizando uma migração em massa da produção para garantir os seus lucros. Isso afetaria os empregos e a indústria no Brasil? Claro que sim, mas quem se importa, já que há outros países com uma mão de obra mais barata e onde as tarifas não funcionariam!

Donald Trump disse que as empresas “brasileiras” podem evitar as tarifas ao transferirem a sua produção para os Estados Unidos, onde seu governo já está aplicando uma série de incentivos. Para permanecerem no Brasil, as companhias “brasileiras” podem muito bem exigir mais incentivos fiscais do governo brasileiro. E, como já estão fazendo durante toda essa campanha de desestabilização, exigir garantias com reformas neoliberais, desregulamentações, redução do salário dos trabalhadores e menos direitos trabalhistas. Afinal, como gosta de pregar a burguesia “nacional”, o custo de se produzir e operar no Brasil é muito alto…

Essas mensagens já haviam sido transmitidas na primeira rodada de tarifas de Trump contra o Brasil. Os órgãos da burguesia sugeriram que o governo brasileiro agradasse Trump para que ele reduzisse as tarifas. Como? Eliminando “tarifas elevadas, burocracias regulatórias, exigências de conteúdo local, subsídios”, indicou o jornal O Estado de S. Paulo. “Além de facilitar acesso ao mercado dos EUA, a medida beneficiaria o consumidor brasileiro com importados mais baratos”, concordou o jornal O Globo. Que bela manifestação de burguesia “nacional” que tem o Brasil! Esses jornais são os mesmos que defenderam abertamente o golpe militar promovido pelos Estados Unidos em 1964.

As convergências com o trumpismo são muito maiores do que as suas divergências, apesar da aparência “antifascista”. As tarifas de Trump irão gerar desemprego no Brasil – o que os ditos empregadores exigem há muito tempo, para reduzir os salários. Elas vão desacelerar a economia, que é criticada por estar aquecida, devido ao aumento do consumo. O capital financeiro internacional, através de seus funcionários no Banco Central, trabalha incessantemente para reduzir a inflação com uma das maiores taxas de juros do mundo. Logo após o novo anúncio tarifário de Trump, a bolsa de valores caiu e o dólar subiu, o que levará ao aumento da inflação e do preço dos combustíveis e alimentos, se a tendência persistir. A especulação financeira, que domina a economia brasileira, agradece.

A Câmara de Comércio dos Estados Unidos no Brasil pediu que haja uma “solução negociada” entre os dois países, a mesma posição dos empresários brasileiros. Isso significa que o Brasil terá de ceder para que os EUA reduzam as tarifas. Mas ceder em quê, se o Brasil não adotou nenhuma medida contra os EUA? Ceder exatamente no que atende aos interesses de maior abertura do mercado interno, com as reformas neoliberais apregoadas há tempos dentro do país.

Pelo andar da carruagem, está sendo selada a aliança entre o trumpismo, protetor do bolsonarismo, e os agentes dos setores tradicionais do imperialismo no Brasil, os partidos do “centrão”, a imprensa tradicional e as instituições estatais. Os bolsonaristas ganham um maior poder de barganha, a partir do apoio do governo mais poderoso do mundo, em suas negociações com o “centrão”. Este, por sua vez, ainda tem a vantagem da inelegibilidade de Bolsonaro e do apoio dos setores mais importantes do empresariado norte-americano (BlackRock, Bank of America, Citigroup deram tapinhas nas costas de Tarcísio de Freitas na Brazil Week, em Nova Iorque). Como concluiu o The Economist recentemente: “[se Bolsonaro nomear um sucessor] e a direita se unir em torno desse candidato antes das eleições de 2026, a presidência estará nas mãos deles.”

É absolutamente previsível que, para tentar anular o movimento de aliança entre o bolsonarismo e o “centrão”, Lula e seu partido buscarão um acordo com este último, apelando para o pretenso nacionalismo das oligarquias locais. No entanto, a campanha de desestabilização conhecida por todos tem como motor justamente o “centrão”.

Já era perceptível que uma campanha golpista semelhante à que acometeu o governo de Dilma Rousseff estava em andamento. Daquela vez, o “centrão” derrubou a então presidenta petista e Michel Temer praticamente privatizou a Petrobras, realizou as reformas trabalhista e previdenciária (parcialmente), favoreceu as terceirizações e estabeleceu o Teto de Gastos, entre outras medidas neoliberais das mais severas em quase 20 anos. Mas o “centrão” já estava alinhado com o bolsonarismo, e, de fato, foi aquela campanha que fez a extrema-direita crescer – até chegar ao governo graças à prisão de Lula pelo mesmo Poder Judiciário que hoje é seu suposto aliado. Bolsonaro deu continuidade ao choque neoliberal de Temer, privatizando a Eletrobras e outras empresas, entregando o Banco Central e consolidando a reforma da previdência.

Portanto, Lula não poderá se apoiar no “centrão” para se defender desse golpe de Estado em andamento. Em quem ele irá se apoiar, senão no próprio povo? Mas as medidas de Lula, de seu ministro da Fazenda e de seu governo de “frente ampla” com os inimigos nada fazem para atrair o apoio ativo do povo brasileiro. A única coisa que resta a Lula e ao PT é o rompimento definitivo com aqueles setores, a implementação de medidas emergenciais que revoguem as principais reformas neoliberais e a concessão de direitos trabalhistas e sociais para as grandes massas do povo, golpeando seus inimigos e fortalecendo a própria organização popular, a única capaz de ir a seu resgate.

O imperialismo quer uma mudança de regime no Brasil e vai executá-la até as eleições de 2026. Os interesses distintos dentro do imperialismo internacional estão se unindo a partir dessa necessidade. Após um primeiro semestre de política externa ambígua, Donald Trump parece ter se dobrado ante as pressões dos falcões dentro e fora da Casa Branca ao atacar o Irã e dar uma guinada intervencionista na guerra contra a Rússia na Ucrânia. A situação do regime imperialista é muito delicada e a corrida armamentista indica a preparação de uma guerra em escala mundial para os grandes capitalistas se salvarem do declínio completo. Os Estados Unidos precisam garantir sua retaguarda no Hemisfério Ocidental, não podem permitir nenhum foco de instabilidade a partir do crescimento da China na América Latina – e o Brasil é a grande nação latino-americana, parceira da China. Daí a assunção de regimes abertamente pró-americanos na Argentina, no Equador, no Paraguai e em El Salvador. Daí a trama para derrubar os governos incômodos, como o do Brasil.

Fonte aqui

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Deixem o Luís e o André trabalharem

(Por José Teófilo Duarte, in Blog blogoperatorio, 04/07/2025)


Ninguém há mais ‘vivinho da costa’ do que o patrão da ‘Spinumviva’! O Luís (PPD-PSD) e o André (Chega) estão «chegando» cada vez mais a acordo, e o José Luís (PS), feito «pau de cabeleira», a «benzê-los», com o Assis e o Sérgio radiantes à ilharga.

É o que escreve Alfredo Barroso no seu mural do Facebook, a propósito desta publicação.


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Isto tinha que acontecer. Montenegro das avenças e Ventura dos chiliques ornamentados a baba e ranho entendem-se bem e depressa. São feitos da mesma massa. Saíram os dois do partido fundado por sociais-democratas — apesar de uma social-democracia estranha, sempre a pender para a direita —, que depois Cavaco e Passos estragaram tornando o partido qualquer coisa parecida com um “albergue espanhol”. 

O partido foi sendo purgado. Os fascistas saíram como ratos para o novo partido fascista. Gente altamente avaliada em trafulhices inunda a bancada lamacenta instalada no lado mais à direita do parlamento. Agora dizem as notícias que o Luís e o André andam a concordar com muita coisa pouco apreciável. Os idiotas que neles votaram apreciam e vão continuar a votar neles. Neles, os seguidores de Ventura. Ou o Luís acha que os grunhos eleitores acham que é ele que está a trabalhar?

Com isto tudo fica esclarecida uma coisa: Ventura não é líder da oposição, como se chegou a reclamar. Ventura e mais os sessenta cretinos e cretinas que povoam a bancada dos javardolas estão empenhados em fazer sobreviver o sistema, como sempre o fizeram. Um sistema anti-democrático e protector das grandes fortunas de que tanto se orgulham. Têm também com eles a outra extrema-direita dos liberais sem iniciativa. 

Concluindo e andando: os líderes da oposição são os líderes das oposições a esta gente manhosa e sem brilho. Uns toscos inenarráveis. A direita está cada vez mais extrema. Já dizem as maiores enormidades sem freio nem vergonha. Todo o cuidado é pouco. Deixar o Luís e o André trabalharem? Nunca. O que faz falta é resistir. Sempre.

Fonte aqui

O clube do Gravatal ou o trio do alguidar…

(Por Sófia Puschinka, in Facebook, 26/06/2025, revisão da Estátua)


(A Estátua publica este texto por duas razões: 1) Os arautos da cartilha belicista nazi e russófoba da NATO não gostam do papel do Agsotinho Costa a desmontar-lhes as narrativas propagandísticas e lá deram instruções para o atacarem e pedirem mesmo para o “cancelarem”. Inaudito! 2) Vir uma escriba com responsabilidades editoriais num jornal dito de “referência” – Bárbara Reis -, pedir o tal “cancelamento” em defesa de alguém que pugna abertamente pela chacina de crianças em Gaza e que se assassinem os seus pais quando estes vão implorar comida para si e para os seus filhos, dá-me vómitos.

Podem ler, no final desta publicação, o execrável texto, que publico por obrigação de não criticar fantasmas ausentes, e em nome da liberdade que a escriba quer negar a quem não alinha com quem lhe paga a falta de humanidade.

Estátua de Sal, 27/06/2025)


O clube do Gravatal ou o trio do alguidar…🙄 Só lhes falta mesmo o avental, taditas…

Ora o tal artigo do Público foi-me oferecido mas parece que estavam a adivinhar porque nem o consigo abrir através do email nem exportar. Mas lá consegui ler o tal de artigo…

Ou seja, pagar ao “Público” para o que quer que seja e para ler gente como esta tal Bárbara Reis (redactora principal), que se promove daquela forma magnífica que coloco em baixo e que obviamente pertence ao clube do “Gravatal” ou no mínimo ao cházinho da Soller e da Gouveia porque a Escola como vimos é a mesma, é deitar dinheiro ao charco…..

Coitada da senhora que com tão fantástico corriculum a maioria não conhece de lado nenhum, normal quando só se aprende a escrever com 17 anos 🤣. É mais uma pobre saída do anonimato tal como a “de Gouveia” ou a Soller, se calhar também pela mão da cunha e dos favores como as outras 🙄, elas vão-se lendo umas às outras e vão-se defendendo umas às outras, com a misoginia pois claro, eles são os misóginos, já elas são um primor e de mal-educadas não têm nada…

Oh Bárbara quantas pessoas leram essa porcaria de texto de opinião que não foi opinião nenhuma? Foi uma transcrição dos diálogos tidos em directo, com uma frase pacóvia no fim a pedir satisfações à CNN pelo bom nome e imagem das duas amiguitas lol

As amiguitas não precisam de defesa, ó Bárbara, têm as mcostas quentes na CNN tal como a Bárbara provavelmente tem no Público, este mundo é pequenino e Portugal é uma aldeia… A amiguita tem por lá o primo Frederico a protegê-la, caso contrário há muito que estava no desemprego porque audiências não as tem… É um tacho, como o tacho da “Nova” e como foi o tacho do “IDN” e do doutoramento…

Aliás, se não tivessem as costas quentes, essas duas estavam no desemprego há muito porque a maioria dos espectadores da CNN nem as pode ver, alguns até mudam de canal, tal é a falta de educação das duas senhoras, falta de educação e falta de decência…

Ó Bárbara Reis, e para quando um artigo de opinião sobre o genocídio em Gaza e sobre as declarações criminosas da amiga “de Gouveia”, aquelas das criancinhas sabe? Ai a Bárbara também é daquelas feministas só às vezes? As que se vitimizam? Pois deve ser, mulheres que não se vitimizam respondem à altura e não precisam que as defendam, não se armam em empoderadas para depois… Nheca Nheca Nheca Nheca….

As 3 são uma vergonha para qualquer mulher de carácter, não são exemplo e felizmente que não espelham as mulheres e a igualdade de género.

No dia em que o Major-general Agostinho Costa deixar de aparecer, e mais dois ou três, a CNN não têm audiências, aliás, eu nem percebo porque é que alguns continuam a aceitar debater com essas duas criaturas insanas e deprimentes, com o sistema hormonal descontrolado e com uma falta de educação abominável: só essas duas almas interrompem os demais, são arrogantes, intragáveis, a ” de Gouveia” é até criminosas quando fala das crianças de Gaza…

Mas deixe lá Bárbara, o “Público” é igual. Aliás, nota-se pelo seu artigo pobrezinho e mesquinho, veio a correr defender as amiguinhas, como as meninas da escola que vão de mão dada à casa de banho e fazer queixinhas à professora, daquele menino mau que não as deixou passar à frente na fila do refeitório, afinal são mulheres não é? E as mulheres primeiro, e não se contrariam as mulheres. Aquilo da igualdade de género e do feminismo só serve mesmo para a vitimização certo? Para a vitimização e para a publicidade, para parecerem empoderadas quando na verdade são umas incapazes que não fazem nada sem o colinho de alguém, bem… Colinho ou empurrãozito….

Auuuuuu….. Nheca Nheca Nheca.


Agostinho Costa, um general misógino na TV

(Bárbara Reis, in Público, 26/06/2025)

Há anos que a TVI/CNN nos oferece o desagradável espectáculo do general Agostinho Costa a comentar o que se passa no mundo.

Dizer “desagradável” é um eufemismo. Quando um analista só tem certezas, seguidas de certezas e mais certezas, uma pessoa desconfia.

Como é de prever nestes casos, o tempo mostrou que algumas “certezas” do general Costa eram afinal incertas e erradas.

O tempo também mostrou que é difícil levar o general Costa a sério. Não porque errou – todos erramos. Mas porque as suas “certezas” coincidem sempre com a defesa dos mesmos governos.

Que “certezas”?

Num dia, “estamos perante uma ofensiva dirigida a Kiev, os russos já estão em Kiev, estão no objectivo político principal”; mais tarde, perante as dificuldades no terreno, “não estava, nem está nos objectivos da Rússia tomar Kiev”. Há três anos que a Rússia “está a ganhar a guerra” na Ucrânia, mas há três anos que a Rússia controla 20% da Ucrânia e, entre avanços e recuos, ​os 20% mantêm-se desde o início da guerra. Esta Primavera, a Ucrânia era “um país em vias de poder ser ocupado pelos russos”, mas já ouvimos isso antes, do mesmo modo que ouvimos que “a Ucrânia está à beira de perder esta guerra” pelo menos desde Janeiro de 2023.

Claro que agora, dois anos e meio depois, é fácil dizer que o general estava errado. O problema, de novo, não é o erro.

O problema é que os analistas não dizem estas coisas. Os analistas analisam. Sempre que se ouvem frases do tipo “X está à beira de perder a guerra” ou “Y está à beira de ganhar a guerra”, soa a propaganda, não a análise.

Os analistas observam os factos, as circunstâncias e o contexto e, com isso, interpretam a actualidade: o que é que isto significa, porque é que é importante, quem ganha, quem perde? É difícil, para não dizer inútil, ouvir alguém dizer, semana após semana, mês após mês, ano após ano, que a Rússia está quase a ganhar a guerra.

A isto, a CNN dirá que mantém o general Costa no ar em nome do pluralismo.

E o que diz a CNN sobre a misoginia do general?

Quem vê a TVI/CNN sabe bem do que falo. Na quinta-feira passada, os que não vêem televisão também ficaram a saber.

O episódio do “cale-se, minha senhora” ficará nos anais da misoginia e da televisão portuguesa.

No espaço semanal que partilha com Diana Soller, investigadora no Instituto Português de Relações Internacionais, membro da Comissão de Admissões da Fulbright e do European Council on Foreign Relations, o general teve uma intervenção que, se se tratasse da CNN Internacional, aposto, ter-lhe-ia garantido o afastamento imediato. Não por a CNN Internacional ser politicamente correcta, mas porque mandar calar um colega de painel, homem ou mulher, tanto faz, é agressivo, mal-educado e inaceitável. Quem não sabe debater em público, debate em privado.

O general não gostou de ser corrigido e criticado por Soller e, ao retomar a palavra, disse:

Costa – Temos de ter um bocadinho de decência e quando não percebemos as coisas, devemos estar calados.

Soller – Na semana passada, uma hora e meia antes do ataque [ao Irão], disse que era tudo ‘fantasia’ e que não ia haver ataque…

Costa – Não me interrompa por favor.

Soller – Não me insulte! Por amor de deus, tenha juízo.

Costa – É preciso perceber um bocadinho do contexto. Não é vir aqui dizer umas larachas, porque o somatório de ignorância com fanatismo dá análises um bocado ignorantes… um bocado despropositadas.

Soller – Como a sua, na semana passada, a dizer que não ia haver ataque uma hora e meia antes de o ataque começar.

Costa – Ó minha senhora, não me interrompa, contenha-se um bocadinho.

Soller – Estou contidíssima.

Costa – Então cale-se, então cale-se, minha senhora, se faz favor.

Isto foi no Prime Time e o jornalista João Póvoa Marinheiro, pivot, foi impecável na forma como fechou o debate: “Peço que me oiçam: não há lugar para ataques pessoais e não é por o senhor general acreditar em certas coisas que elas passam a ser factos, ok? Ficamos por aqui. Muito obrigado e boa noite.” Ao longe, ainda se ouvia a voz do general, mas distante. A CNN desligou o microfone ao general.

Olhando para trás, vê-se que este é o padrão do general Costa.

Em Maio de 2022, no Jornal das 8, na TVI, com José Alberto Carvalho como pivot e Helena Ferro de Gouveia como colega de painel, Costa está há dez minutos com ar de gozo, sempre condescendente. Já se riu, já fez caretas várias, já disse que “é preciso ter decência”, já disse que “é preciso conhecer a História”. Nisto, há esta troca:

Costa – A Ucrânia é um país há 30 anos.

Ferro de Gouveia – Quantos anos tem Timor? Vai pôr em causa a soberania de Timor-Leste?

Costa – Não venha com side effects. É preciso conhecer a História, perceber que a Ucrânia, a oeste do [rio] Dniepre, é uma amálgama de territórios que fizeram parte da Polónia, da Roménia…

Ferro de Gouveia – Isso aconteceu em vários países europeus.

Costa – Eu não a interrompi, agora remeta-se… por favor, a ouvir-me.

Já vamos num “cale-se” e num “remeta-se”.

O registo agressivo e paternalista continuou durante meses até que chegamos a Novembro de 2023 e há a gota de água. Água de forma literal:

Costa – Não respondo a argumentos absurdos, nem venho aqui para fazer debates com comentadores. Eu sou um analista, venho aqui analisar.

Ferro de Gouveia – Eu também sou analista e também venho aqui analisar.

Ferro de Gouveia tem uma pós-graduação em Direito (Universidade de Coimbra), é auditora de Defesa Nacional (Instituto de Defesa Nacional), fez um mestrado sobre liderança na Academia Militar, um curso executivo na London School of Economics em Relações Internacionais e escreveu um livro sobre guerra.

Nos bastidores, Ferro de Gouveia acabou a atirar a água que tinha na sua caneca com o logotipo da CNN para cima de Costa. Quando saíram do ar, o general foi atrás de Ferro de Gouveia para lhe gritar a sua opinião sobre o físico da analista e dizer-lhe que a achava “mal-educada, ignorante e feia”. Um “eu desprezo-a” teve uma resposta improvável: a analista despejou a caneca de água por cima do general.

Já agora, também neste caso a pivot da CNN reagiu bem. No ar, Carla Moita interrompeu o general e disse que os dois estavam ali na mesma posição, que eram os dois analistas.

Mas fico a pensar: isso basta? A direcção de informação da CNN não tem nada a dizer?