AS “RARÍSSIMAS” e as “FREQUENTÍSSIMAS”!

(Por Joaquim Vassalo Abreu, 13/12/2017)

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Cartoon in Facebook, Página Desenhos ao Calha

Estava fora, na Catalunha, onde estive até ontem, quando irrompeu este caso da “Raríssima”! Desconhecia de todo a sua existência, segui um pouco pelo Facebook apenas e logo imaginei o que terá sido a estridente e exaustiva cobertura televisiva. Mas a nada assisti porque televisão também não vi estes dias todos…

Eu de “Raríssimas” nada conheço e, desde logo, achei este nome para lá de surreal, embora saiba donde advém! E, desde que vim, não mais me importei pelo caso pois, só pela rama, logo o estereótipo fiquei a conhecer. É que eu, como creio que muitos outros, percebo mais de “Frequentíssimas”! E logo, de imediato pensando, dei por mim a exprimir um desejo e esperança: que a “Raríssima” não seja a parte visível de um “iceberg” e se transforme também ela em “Frequentíssima”.

Um desejo singular e simples, como observam, de uma pessoa que, na sua completa ignorância, da sua existência nada sabia, nem pretende fazer que sabia. Não sabia e ponto! Mas como todas as “Frequentíssimas”, e de muitas e muitas muitos sabemos, fiquei a saber que também esta tinha e tem um largo manto protector, feito de uns quantos nomes, nomes de gente muito bem, muito influente e emproada na vida.

Gente que tudo aceita, com elevado sentido de altruísmo e conforto moral certamente, como dar o seu nome, desde logo requisitado nome, para Órgãos Consultivos que nada consultam, para Órgãos não Executivos que, está bom de ver, nada executam, muito menos vigiam e que, fatalmente, de nada sabem quando algo corre mal e daí fogem como o diabo da cruz, mas que sempre aparecem quando há festas, inaugurações, nomeações e eventos vários onde compareçam os mais altos dignatários da nação e suas caridosas damas e onde, respirando naturalidade, têm que ser vistos. É da praxe!

Elas fazem parte de um agregado restrito de gente que se conhece bem e cujos currículos estão impregnados em assentos vários: em Órgãos Sociais de Empresas, nos tais conselhos consultivos quando elas têm dimensão, nos conselhos fiscais, como administradores delegados e mesmo nas administrações, mesmo que sem voto, mas recebendo! Mas também nas IPSS´s, nas Fundações, nas assembleias gerais e órgãos mais onde rodam, rodam, rodam sem parar, mas sempre os mesmos…políticos, ex-políticos, ex-ministros, deputados, advogados de renome, mas também anteriores e actuais governantes…vejam lá!

Tudo normal, tudo legal, até porque são eles mesmos que fazem, fizeram, interpretaram e interpretam as leis, leis à medida, e é sempre uma honra para as instituições que os seus nomes cooptam, pelo brilho e estatuto que lhes aportam. E assim vão levando a vidinha, num mundo deles, só deles e de mais ninguém, mas pondo a mão por cima, como se usa dizer, dessas instituições…compondo o tal “manto diáfano” que tudo cobre! Até que aparece um vilão ou vilã que, mais esperto ou esperta que eles, os usa…É da praxe também!

Mas estes são os chamados “tansos”, os que não sabem fazer a coisas, os que não “estudaram” naquelas organizações tidas por secretas, como a Maçonaria ou a Opus Dei, as mais conhecidas, onde aprendem a fazer “lobbies” e a saber que o poder tem que ser repartido: eu para aqui, tu para ali…assim mesmo, para que a distribuição de lugares obedeça a uma lógica: a da permanência e da supervivência de uma forma de estar na vida.

Que promove mas protege também, a menos que sejam desenquadrados pássaros de arribação. Aquilo que, em suma e resumindo, costumamos chamar de “tachos”! E, neste caso, vendo TV pela primeira vez desde que cheguei, jantando, só como é usual e na cozinha, não resisti a ligar a TV e dei por mim a ver uma constrangedora entrevista a um constrangedor personagem, o ex-Secretário de Estado da Saúde. Que, fatalmente, provou que não tinha o “curso”! E deu-se à imolação!

Mas estamos num mundo “livre” e eles exercem a “liberdade”! Assim como em Espanha e mais propriamente na Catalunha de onde, como disse, acabei de chegar. Não deve haver “liberdade” igual: Vai ocorrer um acto eleitoral no próximo dia 21. Um dia da semana, dia de trabalho para que conste e, só por isso, são eleições tão livres, tão livres, que só votará quem o puder fazer. Mas com uma singularidade: alguns dos propostos líderes e primeiros nomes das listas, aspirantes portanto à presidência da Generalitat, estão presos e outros até foragidos! Na Bélgica, como todos sabem, aonde se deslocaram neste fim de semana cerca de cinquenta mil pessoas para fazer um comício com esses tais…os foragidos! Mas em total liberdade…

Um amigo meu Catalão e acérrimo independentista diz que, se eles forem eleitos, irão governar por “Face Time”! Muito livremente também…

É a “Liberdade” no seu apogeu! Não no reino das “Raríssimas” mas no das “Frequentíssimas” e, animados pelo meio por umas Paulas temos, no caso Catalão, uma Arrimadas que, qual sereia, de tão esbelta e demagoga, consegue levar o populismo ao seu zénite. E, “livremente”, até pode ganhar. Pelo “Cidadanos”, da Direita, e com este livre slogan: “Ara Si Votarem”. Que é como quem diz: “Agora Sim Vamos Votar”! “Livremente”, está visto, porque o Referendo anterior não o foi!

Que se dane esta “liberdade”. A desta corja imunda…


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DA HONRA E DA DESONRA!

(Joaquim Vassalo Abreu, 05/12/2017)

Economistas azia

Três artistas de circo, doutores de meia tigela, com azia aguda e úlceras dolorosas. Imagem in Blog 77 Colinas

Quanto aos assessores dos artistas circenses, aos prestigitadores e candidatos a Drs. Mambo, doutores de meia tigela, aos mensageiros do demo, aos despeitados e ressabiados de toda a espécie e toda a gentalha dessa estirpe…desses nunca rezará a história que não seja a do anedotário.


A propósito da eleição de MÁRIO CENTENO para Presidente do Eurogrupo, dizer-se que a eleição de qualquer Português para um alto cargo internacional é um motivo de grande honra para o País, e que Portugal pode beneficiar muito dessa eleição, é uma forma “bacoca” e provinciana de ver a questão.

É que honra será, quando muito, para o eleito, se tal lugar tiver sido conquistado com merecimento e HONRA!

A eleição de Guterres para Presidente da ONU, por exemplo, foi obtida com toda a competência e HONRA e todos fomos testemunhas do brilhantismo das suas intervenções aquando das audições prévias à votação. Guterres tal alcançou não por ser Português, mas pela sua competência e HONRA! Em que é que Portugal pode beneficiar da sua eleição mais que qualquer outro País?

Podem falar-me de prestígio mas, sejamos francos: o Luxemburgo, um país minúsculo esteve em vias de ter um Presidente da CE e um Presidente do Eurogrupo! Que estatuto histórico ou de influência terá esse pequeníssimo País para tanto? Relativizemos, portanto.

O ser Português, Letão ou Luxemburguês, é secundário e tanto assim é que um Português foi por duas vezes nomeado Presidente da Comissão Europeia- e é mais que legítimo perguntar se de tal beneficiou Portugal ou se o nosso País saiu mais prestigiado desta nomeação- e aqui, aqui sim, sem qualquer honra ou glória.

A sua nomeação, porque de uma nomeação se tratou, não adveio de um qualquer reconhecimento por quaisquer méritos ou feitos, mas como um pagamento, ou prémio, por um serviço sujo prestado: o de ter aceitado ser cicerone activo, e até protagonista, daquela cimeira da vergonha, de um dos actos mais vis que a História pode contar, a cimeira das Lages onde, ele e mais três autênticos vilões, deturparam a realidade e promoveram uma sangrenta guerra que alterou, por muitos e muitos anos, a vivência mais ou menos tranquila de uma região deveras importante na geostratégia mundial. A isto chama-se desonra! Mas com letra pequena, que mais não merece.

Ele representa, portanto, aquilo que não se conquista com honra, mas pela desonra. Que é a falta de honra de um lacaio sempre à procura de quem servir e, tal qual animal, de constante aberta boca à espera de um doce do seu dono. Ou donos!

Mas ele, mais ainda, além da desonra, representa e é o espelho do que é a “competência” e “honra” da Direita, principalmente da nossa Direita que, em contrapartida com a Esquerda, serve senhores e interesses, enquanto a Esquerda serve o Povo! A sua “clientela” como não se cansam de dizer…

A eleição de MÁRIO CENTENO, que é efectivamente uma eleição pese a que, como em qualquer eleição, tenha havido negociações e manobras de persuasão para se tentar impor, mesmo sendo o mais competente, o membro de um País saído do chamado resgate e, portanto, não integrante do bloco dominante, é um triunfo dele próprio, da sua competência, da sua afirmação e da sua HONRA!

A sua eleição, volto a frisar ELEIÇÃO, não foi obtida pela cedência, mas pela afirmação! A afirmação do protagonista de uma política económica alternativa à então vigente, do convencimento dos seus pares da sua bondade e, mais que bondade, da prova prática de que, ao contrário da apregoada “tina” ( there is no alternative), através dos números, dos indicadores e da sua eficácia também social, a prova da sua certeza e superioridade!

Se aqui Portugal tem algum mérito, e disso pode estar orgulhoso, é ter, por um lado, tido a coragem de inverter as políticas económicas e sociais anteriormente seguidas, as de submissão e penalização e, por outro lado, ter nelas apostado como artifícios dessa mudança, mudança essa imposta pela HONRA, pela competência e nunca pela subserviência!

Aqui sim Portugal, mais concretamente este Governo e esta solução governativa, podem e devem estar orgulhosos e de Parabéns.

Quanto aos assessores dos artistas circenses, aos prestigitadores e candidatos a Drs. Mambo, doutores de meia tigela, aos mensageiros do demo, aos despeitados e ressabiados de toda a espécie e toda a gentalha dessa estirpe…desses nunca rezará a história que não seja a do anedotário.

Porque, quais bobos da corte, só fazem rir, são motivo de chacota e só para isso servem…Para quê perder mais tempo com eles?

PARABÉNS MÁRIO CENTENO e Parabéns Governo de Portugal!


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OS TRABALHOS DE COSTA!

(Joaquim Vassalo Abreu, 02/12/2017)

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Dos feitos de António Costa ao longo destes ricos e intensos dois anos enquanto Primeiro Ministro de um Governo de apoio parlamentar nunca visto, que eu desde já apelido até de revolucionário, já quase tudo foi dito.

Mas, para mim, o que mais ressalta e, aqui sim, poderíamos falar de uma autêntica “Reforma Estrutural”, é a mudança radical que se verificou em relação ao “status quo” vigente durante quarenta anos, que foi o de ter sido possível alargar o chamado “arco da governação” aos Partidos mais à Esquerda no espectro político, fazendo com que o futuro não seja mais igual ao passado.

E como se trata de uma mudança radical e irreversível eu chamo de “Reforma Estrutural”. A esta não o ser o que será então uma “Reforma Estrutural”? Por isso hesitei entre este título e “Os Trabalhos das Esquerdas” mas, pensando melhor e pensando no texto acho este mais indicado. Espero que concordem…

E esta autêntica revolução foi provocada, por um lado, pelo convencimento pelas Esquerdas de que a estratégia do “quanto pior melhor” era árvore que, depois de mais de quatro anos de pesadelo, não mais daria frutos ( e eu já aqui o disse que mudei o meu sentido de voto por isso mesmo) e da subsequente sua disponibilidade para viabilizar um Governo de Esquerda e, por outro lado, pelo cansaço provocado pela política de autêntica predação social levada a cabo pelo tal governo do ajustamento, que fez com que se tivesse erguido uma autêntica barreira à sua continuação.

Temia-se que o impacto imediato resultante da solução governativa encontrada e da tremenda “azia” que tal provocou numa Direita apanhada de surpresa, acompanhados da imprevisibilidade de um novo Presidente da República, da pressão e postura de Bruxelas com ameaças de sansões, do problema das ajudas aos Bancos, da passagem do Orçamento e da exigência de planos B, C e demais dicionário e a que poderíamos acrescentar ainda alguma duplicidade dos parceiros parlamentares de Esquerda face aos temas estruturantes não negociados, desse mau resultado e a fizesse abortar à nascença.

Mas, felizmente, tal não sucedeu e passo a passo e com estoicismo, nunca cedendo às inúmeras chantagens da Direita e seus aliados nos Média, demonstrando sempre a Bruxelas a sua boa fé, ultrapassando sempre tudo o que dos seus parceiros cheirasse a imediatismo, aproveitando ainda a boleia da recuperação económica europeia, o Governo de Costa foi somando pontos, tanto na política interna como na afirmação externa, por via de uma recuperação sustentada de indicadores que, a partir de certa altura, face à precoce incredulidade, se tornaram num valiosíssimo trunfo.

E sem dar qualquer azo de contrição a Bruxelas que, de outro modo, nunca aceitaria flexibilizar a sua posição de reaccionário princípio, a da reversão de direitos aos trabalhadores e pensionistas, foi possível impor e efectuar as tais reversões, reversões que, com o aumento de rendimento disponíveis para as famílias, mais a confiança conquistada em todos os sectores sociais e da economia, mais a consequente descida do desemprego e folga da Segurança Social, deixou a Direita a falar sozinha e a “patrioticamente” desejar que tudo corresse mal e o fim do mundo chegasse a correr e vestido de diabo!

A recuperação e o crescimento económicos passaram a ser um facto e os indicadores de popularidade e satisfação globais, além de se terem tornado também uma realidade, levaram as sondagens a apontarem o limiar da maioria absoluta para o PS.

Não plenamente esgotadas as medidas contidas nos acordos inicialmente negociados e firmados, mas em vias de ficarem totalmente executadas começou, no meu entender, a instalar-se um clima de preocupação nos Partidos mais à esquerda pois, sendo eles partes integrantes da solução, começaram a ver os louros irem todos direitinhos para o PS, como de algum modo se veio a reflectir nas Autárquicas.

Mas com a Economia a responder como se sabe, a confiança dos consumidores e demais agentes em alta, o grau de satisfação das famílias e das empresas em níveis há muito tempos nunca vistos, com o desemprego a diminuir progressivamente, o crescimento a sustentar-se, as Agências de Rating a tirarem Portugal do incómodo “lixo” de risco etc. etc. e etc…aconteceram a tragédia de Pedrogão e os incêndios de Outubro, mais os acima de cem mortos que provocaram acrescidos dos enormes danos causados.

O Governo foi posto à prova e mais que o Governo o próprio Estado, nas suas múltiplas Instituições e foi o que se viu. O Governo perante o inesperado titubeou, não agiu com a eficácia na acção nem com inteligência no discurso e colocou-se em muitas mentes um ponto de interrogação em relação à sua real competência (em confronto com a eficácia conseguida a todos os níveis nos dois anos de governação) e tal situação de dúvida, exacerbada por uma comunicação social ávida de tensão e morte, foi utilizada até aos limites do imaginário por uma Direita sem quaisquer escrúpulos, bom senso e apenas sedenta de vingança. Vingança de quê? De alguém lhes ter tirado o “poleiro”!

Vieram então as justificações e respostas, as demissões e coisas mais e contrariamente ao que se poderia temer e muitos temiam, os resultados das Autárquicas vieram confirmar que os danos políticos desejados por uma Direita ansiosa por “vendetta” não correspondiam ao entendimento da “vox populi” e, no fim, o PS não saiu fragilizado, antes pelo contrário, e ganhou até em Pedrogão!

As restantes Esquerdas, pese o facto de terem votado favoravelmente o terceiro e penúltimo Orçamento desta Legislatura, começaram a manifestar sinais de indisponibilidade para novos acordos escritos pelo que, tendo de admitir que os próximos dois anos até ao fim da Legislatura venham a ser ultrapassados sem quaisquer crises políticas graves, com altos, baixos, arrufos e sei lá que mais, coloca-se-se uma questão essencial: Como vai ser até às próximas Legislativas e como será depois se, tal como espero e desejo, as Esquerdas se mantiverem maioritárias? Por falta de acordo vão entregar o poder às Direitas?

O PSD vai apresentar um novo líder, que tudo aponta venha a ser Rui Rio e, assim sendo, voltará a colocar-se em cima da mesa por muitos a hipótese de um acordo pós-eleições ao centro (o tal “centrão” novamente, PS+PSD, ou Costa mais Rui Rio). E para isso vão as Esquerdas alertar o eleitorado, tentando-o convencer a por nada deste mundo dar a maioria absoluta ao PS.

É claro que as Esquerdas vão reclamar também como seus os sucessos desses quatro anos de governação, advindos de uma maioria nunca vista ou sonhada e, a haver qualquer solução alternativa em que eles não estejam presentes, irão culpar o PS por tudo o que de menos bom posteriormente suceda.

Mas eu, como não prevejo que façam novamente acordos escritos, elas viabilizarão sempre um Governo minoritário do PS, cientes de que ficarão sempre com a faca e o queijo na mão: poderem reclamar e exigir por um lado e criticar e responsabilizar por outro!

Não prevejo, portanto, vida fácil para António Costa, não falando para já nos conflitos internos que tudo isto possa aportar e prevejo-lhe, antes, muitos e duros trabalhos.

Mas, em nome de tudo o já conseguido, em nome da tal “reforma estrutural”, esse tiro tirado da manga que foi o de introduzir as Esquerdas à sua esquerda na órbita da governação eu, como cidadão empenhado e consciente, muito lhe agradeço essa autêntica “revolução” introduzida neste sistema e desejo do fundo do coração que tudo lhe corra bem e, acima de tudo, que as Esquerdas voltem a ser maioritárias!

Esta é a minha análise! Não consigo ser hipócrita…


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