CARTA ABERTA AO CIDADÃO MANUEL CLEMENTE…

(Joaquim Vassalo Abreu, 09/02/2018)

clemente

…Pois que isso de “Don” e “Sir” é mais para Espanhóis e Ingleses!

Quero, antes de mais, contar-lhe uma coisa da qual, eu presumo, deve ter ouvido falar: quando eu era pequenino e mesmo já jovem, lá da minha aldeia ouvia as pessoas dizerem que os comunistas comiam criancinhas, mas pior ainda, logo ao pequeno almoço! Tem lembrança?

É que a verdade é que eu nunca ouvi ninguém, ou ligada ao regime da altura ou da própria Igreja Católica, isso desmentirem. Mas eu também desde pequeno sabia que tal não era verdade. Porquê? Porque o meu Pai, que era Guarda Fiscal, foi para o Alentejo profundo em princípios dos anos cinquenta, e nós ainda pequeninos com ele, e tal não se verificou! O que se constatou foi precisamente o contrário: dificilmente comiam…e eram comunistas!

Mas, muito mais tarde, vim e viemos a saber que afinal, pois…

Isto para lhe dizer, Senhor Manuel Clemente, que V.Exª, que parece que escreve livros e mostra ser pessoa culta e dizem que filósofo até, quando sai do seu pequeno mundo, quando o seu pensamento extravasa para aquilo que não sabe, só diz asneiras! Sim, asneiradas surreais mesmo! E não mostra ter sentido da penitência…E eu também me lembro, quando era pequeno também, tínhamos que ir confessar-nos por “pensamentos, por actos e omissões”. Lembra-se? Bem prega Frei Tomás, também se dizia lá pela aldeia!

E porquê? Porque V.Exª, que parece que jurou votos de castidade, que sabe V.Exª de sexo? Ficou-se pela leitura, não foi? Porque V.Exª, que parece que jurou ser celibatário e abstencionista em relação a sexo, que sabe V.Exª de casamento, de matrimónios, de casais, de filhos, de desavenças, de incompatibilidades várias, de violências até, para acerca disso perorar e, pior ainda, aconselhar e mesmo ditar lei? Que sabe você? Que experiência tem? É que nem sequer a da “supernanni” que, tão jovem ainda, parece que queria ensinar casais a educar filhos pequenos!

Quer dizer, segundo bem percebi: uma esposa casou pela Igreja, ponto um. O marido tinha sido um grandessíssimo filho da mãe para ela, e ela, não aguentando mais tanta irresponsabilidade, tanto desamor e tanta violência, mesmo física, pediu a separação, o divórcio, ponto dois. Aceite e consumado, dando um tempo de reserva e sentindo-se ainda viva para a vida, partiu para um novo matrimónio, ponto três. Pois até ele, o marido, arrependido que estava até, achou a coisa mais que natural, mas a Igreja não! Porquê?

Porque o matrimónio é indissolúvel, diz a Igreja. Sendo, portanto, o mesmo indissolúvel, após terminado fica a pessoa sujeita à infelicidade! Ou, na sua tese enquanto “Don”, à abstinência! À anti- naturalidade. Faz isto algum sentido?

Isto é ficção  e  é um exemplo apenas , mas um exemplo que, toda a gente sabe, existe por aí às carradas. Abstinência, enquanto os doutos sabedores da misericórdia Divina, da vida do além e dos ensinamentos de Jesus Cristo não a praticam, um Cristo que até a Maria Madalena perdoou e mandou em paz? Abstinência, quando até o Papa Francisco nos manda ser mais contidos, caritativos e compreensivos? Faz isto algum sentido?

Eu sei que o Cidadão Manuel Clemente, embora seja cidadão, não consegue despir a farda do “Don”. É um problema seu, meu caro,. É um problema seu.

Como é um problema seu o de, enquanto os leigos da sua Igreja, lutam contra a pobreza, contra a exclusão e tudo fazem para ajudar essas pessoas para quem a vida foi e é madrasta, se posicionar do lado dos poderosos e mandar palpites, políticos até, contra quem deseja um mínimo de dignidade no seu trabalho e anseia por melhores salários e particularmente o mínimo. A gente ouve e lê, meu caro “Don”.

Todos nós, os que temos como sentido da Liberdade o vivermos a vida que entendermos, desde que essa nossa liberdade não colida com a de qualquer semelhante, não aceitamos nem nunca conseguiremos entender esses vossos dogmas, dogmas anti-naturais porque agarrados a conceitos quase medievais, que apenas servem para restringir essa tal Liberdade, a liberdade a que todos e qualquer um têm direito. E à felicidade!

O senhor cidadão Manuel Clemente tem direito a todo o seu reaccionarismo, tem todo o direito e faz parte da sua liberdade. Mas quando a sua liberdade colide com a minha, com a nossa e de toda a gente, a liberdade de sermos felizes ou procurarmos a nossa felicidade, e mais, cumprirmos a missão que nos foi destinada na passagem por este mundo, a de melhorarmos e continuarmos a vida da espécie humana, desculpe mas o senhor está a mais e não pode ser levado a sério!

Ao menos, caro “Don”, siga o pensamento do Papa! É o mínimo que lhe rogamos…


Fonte aqui

MARCELO, UM PUSILÂNIME?

(Joaquim Vassalo Abreu, 04/04/2018)

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Poderão dizer-me: mas Marcelo é o nosso Presidente da República e, como tal, o supremo Chefe da Nação e o Comandante-em-Chefe de todas as Forças Armadas. Pois, mas Cavaco também o foi, era apenas o que me apeteceria dizer.

Mas tenho que dizer algo mais e, quanto ao título, ele é uma interrogação e não uma afirmação pois que, perante o que a seguir explanarei, a pergunta surge-me com naturalidade.

É que o que na verdade se verifica é que quando a agenda de qualquer um deles, que deveria ser normal, linear, transversal e patriótica, se torna em pessoal, nós tendemos a fazer perguntas destas, perguntas essas que põem em causa o nosso respeito pessoal  e tendemos a ficarmo-nos apenas pelo respeito institucional.

E daí a pusilanimidade! Mas o que é, no fundo, um pusilânime? É todo aquele que, mesmo pretendendo demonstrar o contrário, tem fraquezas de ânimo e mesmo alguma cobardia em enfrentar grandes desafios, desafios tidos como tabus. E também se poderá acrescentar que em relação a factos preponderantes que são da sua jurisdição eles se alheiam, virando a sua atenção para os que o não são ou apenas o são indirectamente.

Tudo isto vem a propósito das nossas Forças Armadas que, segundo o Correio da Manhã e o Expresso, cada vez mais parecidos um com o outro deva-se dizer, estarão em fase de pré levantamento! PorquêNão sei, de facto não sei e nem sequer suspeito. Mas o Expresso deste fim de semana, do qual só li a primeira página, afirma em parangonas que “CHEFES DE ESTADO MAIOR UNEM-SE CONTRA O GOVERNO”! Acrescentando, em subtítulo, que acusam o Governo de tratar as Forças Armadas com “iniquidade”e de por em causa a “segurança colectiva”! Eu achei isto da ordem do fantástico! E vocês, não?

Mas, para ajudar, o nosso queridíssimo General Ramalho Eanes, também na mesma capa, e isto só pode ter sido obra do acaso, afirma que “Pusemos as nossas Forças Armadas num Gueto”. E mais não li!

Pusemos, Sr. General? Quem, eu? Este Governo? Eu não sei se esclareceu porque mais não li, mas suspeito que tal não tenha explicado. Mas posso tentar interpretar, mas à minha maneira, claro está.

Não vou aqui elucubrar sobre as Forças Armadas porque desse tema nada conheço, não andei na tropa, não fui à guerra, nunca peguei numa “canhota”, nem tão pouco saberei correctamente dizer todos os cargos da sua hierarquia. Apenas sei que no Exército começa em Soldado Raso e acaba em Marechal! Mas há coisas acerca delas que eu sei e que todos nós sabemos!

Sabemos, por exemplo, que é um Órgão de Soberania, que tem um específico poder, um poder que lhe advém das armas e outros apetrechos de guerra que só elas podem possuir e manobrar, mas a quem cabe o dever patriótico, especificado e aceite, de defender o nosso território de qualquer ameaça externa, de proteger as nossas fronteiras e de defender a nossa soberania, em suma. É o que lhes cabe!

Também sabemos que o Presidente da República em exercício é o seu Comandante Supremo e, portanto, o seu mais alto responsável e dignitário. Ninguém é nomeado sem a sua concordância e aval e a ele cabe, que não ao Ministro, que apenas administra as dotações orçamentais e formaliza nomeações, tratar da sua estabilidade organizacional e objectiva.

Mas observando o quão célere é este nosso Presidente a comentar tudo e todos, a dar palpites sobre as acções do Governo, sobre as suas medidas e sobre tudo aquilo a que a ele directamente não diz respeito, ficamos, pelo menos eu fico, espantados por, naquilo que directamente lhe diz respeito, ficar mudo e quedo, retraído e ausente. Mas porquê? Não será isto uma definição para “Pusilanimidade”?

Tudo isto e todas estas afirmações, afirmações que a serem verdadeiras colocam em causa a saudável convivência institucional, não lhe merecem qualquer comentário? A ele, ainda por o comentador mor do reino? Estranho, não acham?

Adjectivo esse que lhe pode igualmente ser aplicado em outros contextos como, por exemplo, no da Justiça! Porque é que ele que tanto intervém em tudo o que se trate de Administração Interna e não o faz quanto à Justiça? Será que ele, tal como eu, também não se quer meter com o Correio da Manhã, o muito preclarado verdadeiro órgão de informação do Ministério Público?

Mas eu até condescendo que em relação à Justiça ele não se pronuncie, pois o que vemos é que quanto a ela ninguém se pronuncia, muito embora se façam acerca dela programas sem fim, enfim, mas em relação às Forças Armadas Sr. Comandante-em-Chefe, nada? Mesmo quando um jornal como o Expresso, onde V. Exª foi preponderante, publica o que publica, quando um General como Ramalho Eanes diz o que diz, e já nem falo do tal CM, V.Exª nada tem a dizer? Nem se pergunta: o que se passa? Será que querem mais dinheiro? Só poderá ser e V.Exª disso terá que saber. E, não falando, aperta o nó ao cerco, não será Sr. Comandante? Quando pode lá vai ajudando, não é Sr. Presidente?

Devem queixar-se de “falta de meios”, não será? Todos dizem o mesmo, sempre dizem, os da Justiça também quando ela não funciona, não é? Os das fronteiras idem. Os da Judiciária, idem aspas e Etc.

Mas as Forças Armadas terão a tal “falta de meios” para quê? Há alguma guerra contra nós no horizonte? Algo que não saibamos? Temos mais Generais que qualquer país da Europa. Não chegam? Temos dois submarinos que não funcionam. Querem mais dois que funcionem, é? Os Pandurs são novos e estão enferrujados. Querem outros? Ou sentem-se num gueto porque, não havendo uma guerrinha que seja, se estão a sentir inúteis na sua enorme utilidade? Ou será porque, não havendo essa tal guerrinha que seja, se dão consciência da enormidade de Generais que têm para tão poucos Soldados?

É que deve ser mesmo muito chato, muito aborrecido e mesmo muito deprimente, passar horas, dias e mesmo anos esperando a dourada reforma, sitiados nos seus gabinetes jogando joguinhos de guerra virtual e à batalha naval! E aí eu até que acho compreensível o tal de “gueto” e a inevitável irritação.

Como não ter como poderem demonstrar a sua sabedoria de guerra, os seus conhecimentos geoestratégicos e coisas assim, assim num campo real e não apenas naqueles exercícios a fazer de conta.

As messes já são uma grande chatice e Jogar às Sueca (coisa para menores e não graduados), à Canastra, ao King, ao Bridge e mesmo ao Pocker é também já uma rotina medonha e perigosa para a saúde pois é sempre acompanhada daqueles Whiskies, a cujo preço só eles têm direito, que vão suavemente destilando…Eles até que têm razão: isso não é vida!

E aí, enfim, muito me admira a falta de sensibilidade do seu Comandante-em-Chefe, alheio que demonstra estar a estes pungentes problemas. Problemas que os fazem sentir-se num “gueto” e a acharem tudo isso uma “iniquidade” que, pondo os seus cérebros num fastidioso “stress”, colocam em perigo a “segurança colectiva”!

Que afrontem o Governo eu até acho normal. Quem não o afronta por falta de meios, por falta de progressões nas carreiras e falta de condições de trabalho…Quem?

E digo mais: com todo o acervo de compaixão que o meu coração encerra, da Tropa eu tenho pena, tão abandonada mostra estar! E tenho pena porque, pretendendo sentir o que eles sentem, sem uma guerrinha que seja, para que serve ela?

E concluo: Poxa, com esta Tropa já nem é possível haver PAZ!

UMA SALOIADA DE NABICES!

(Joaquim Vassalo Abreu, 01/02/2018)

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Eu escrevi no meu portal do Facebook que não mais escreveria acerca de casos e casinhos, os tais que têm sido e certamente continuarão a ser o alimento da nossa Direita, à falta de outra alternativa de normal oposição.

Prometi e tudo farei para cumprir essa minha promessa, o que não me impede de falar ou escrever sobre “não casos”, pois sendo “não casos” deixam de ser casos ou casinhos! Como o dos bilhetes para a bola do Centeno.

E dei por mim a pensar cá para comigo: meu, tu estás tramado, pá! É que se algum dia sonhares, e os sonhos ainda são gratuitos, em ires para um Governo ou seres Ministro, tira o cavalinho da chuva! É que tu (eu), nos últimos tempos, sempre que foste à bola também pediste os tais bilhetinhos e, fino como és, sempre para um camarote, esses lugares onde os bilhetinhos se transformam em convites!

Para a Pedreira em Braga ligas ao teu Amigo lá da coisa! Para o Dragão ligas ao teu Amigo que tem lá camarote e, se ele já não tiver convites disponíveis, porque de convites se trata pois estão já pré-pagos, ligas para outro Amigo que tem Amigos que também lá têm camarote. Que peça tu me saíste, ó meu! Dizia eu para comigo, já desconsolado por ver mais um sonho ir à vida…

Mas eu, que às vezes sou um tipo bem informado, sei que o Centeno tem um filho nas camadas jovens desse clube que dizem possuir uma catedral. Pois que lhes faça bom proveito pois eu prefiro umas “capelinhas” e até frequento algumas! E sei disso pois tenho um familiar em Lisboa que também tem um filho que por lá andou e viu-o lá a acompanhar o filho várias vezes. Eu não lhe gabo os gostos, mas que é devoto, disso não tenho dúvidas. De modo que dois convitezinhos…até eu se fosse devoto!

Mas eu, eu que gosto de “capelinhas” e até, como disse, algumas frequento, mas que não têm nada a ver com futebol, de santuários até que gosto. E gosto, não sendo Portista, particularmente de um: o santuário das Antas! Vejam lá se aquela avenida que vai dar ao Dragão não parece um santuário! E, por isso, é o sítio onde me dá mais prazer ir ver a bola. Catedrais? Nada! Nem a do Alvaláxia que mais parece um centro comercial!

Mas de futebol estamos falados pois é um não caso, a não ser a coisa do “coiso”! Mais a do ”descoiso” e ainda a do “trescoiso”, mas disso eu não falo! É da Justiça e com o Correio da Manhã eu não me meto…fujo!!!

Mas voltemos ao Centeno, extirpando-lhe essa mancha de escarlatina, qual tatuagem, que teima em não “deslargar”. É tudo inveja, é o que é. Dor de cotovelo como se diz na minha terra e na vossa também. O homem tem esse defeito, e depois? Quanto ao resto, quanto ao resto já foi e é um pouco de tudo e de tudo um pouco acusado.

Senão vejamos:

O Daniel Oliveira, aquando daquele caso do Domingues, afirmou e escreveu que ele, o Centeno, era um “nabo” em Política! Eu que nasci e cresci na terra onde mais se criam e cultivam nabos e disso, portanto, sou algo conhecedor, respondi-lhe com contundência, vai fazer daqui a uns dias um ano. Aqui vai o link; https://wp.me/p4c5So-LG. Seria bom que o Daniel, num acto de penitência, relesse o que escreveu! E, já agora, coisa que sei que não fará, e é pena, o que eu lhe respondi!

De “nabos” estamos, portanto, também falados e restam-nos os “saloios”, que até podem estar relacionados com nabos, porque nabos também é coisa de saloios! E, perante tanta nabice e saloiada na apreciação do Centeno, eu pergunto-me se isto não poderá configurar um caso de “Sem Moderação”, programa onde os dois peroram, tamanha é a falta de ponderação com que emitem juízos.

É que o José Eduardo Martins, pessoa que conheço e por quem até nutro amizade, uma amizade de outros Festivais que não os da Política ou do futebol, pois em ambos os casos estamos em campos opostos, li que se saiu com esta tirada: “ O Centeno é um saloio deslumbrado”!

Ó José Eduardo, que é isso? Então você chama saloio a um tipo de Olhão?

É que ele, ao contrário das “nabices” do Daniel e das suas “saloiadas”, até que tem olho para a coisa! Não fosse ele de Olhão que, como dizia o Zeca, é “Vila de Olhão, Terra da Restauração, Madrinha do Povo, Madrasta é que não”!

Vá lá: moderem-se, tá?