PS sobe, Costa desce

(Raquel Albuquerque, in Expresso Diário, 07/07/2017)

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António Costa vê a sua popularidade e a do Governo descerem no mês de julho, já depois da tragédia de Pedrógão Grande e do assalto em Tancos.

Além dos socialistas, só a CDU sobe no barómetro de julho da Eurosondagem. A popularidade de todos os líderes partidários e órgãos de soberania desce, exceto a do Presidente da República. Inquérito da sondagem já foi feito depois dos incêndios em Pedrógão Grande e do assalto em Tancos.


Naquele que é definido pelo próprio Governo como o momento “mais difícil” que já enfrentou, face à tragédia dos incêndios em Pedrógão Grande e ao roubo de armas em Tancos, o barómetro de julho da Eurosondagem para o Expresso e a SIC mostra que o PS conseguiu ver subir as intenções de voto, embora o primeiro-ministro veja a sua popularidade descer.

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A sondagem deste mês revela que as intenções de voto no PS estão agora nos 40,4%, representando uma subida de 0,4 pontos percentuais em relação ao mês passado. Pelo contrário, o PSD, que tinha estabilizado no mês passado, registou em julho uma descida de 0,4 pontos, ficando agora com 28,6% das intenções de voto.

Além do PS, só a CDU conseguiu subir este mês (+0,3 pontos). Todos os restantes partidos (CDS, BE e PAN) registaram descidas nas intenções de voto. Note-se que as entrevistas para esta sondagem foram feitas entre os dias 28 de junho e 5 de julho, um período que já apanha a tragédia dos incêndios e o roubo aos paióis em Tancos.

 

Só Marcelo escapa

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Quanto à popularidade, só o Presidente da República é que volta a subir, sem alterar assim a tendência que tem registado. Marcelo Rebelo de Sousa chega em julho a um saldo positivo de 60,9% (mais 0,3 pontos que no mês passado).

Contudo, é caso único. Todos os líderes partidários, assim como o Governo, o Parlamento, os juízes e o Ministério Público veem a sua popularidade descer no início de julho, a uma semana de se debater o Estado da Nação na Assembleia da República.

Apesar da queda, Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, continua a ser o segundo líder com mais popularidade, seguido do líder do PSD, Pedro Passos Coelho. Já entre os órgãos de soberania, a queda de popularidade mais acentuada este mês é a do Parlamento (-2,9 pontos).


FICHA TÉCNICA

Estudo de opinião efetuado pela Eurosondagem S.A. para o Expresso e SIC, de 28 de junho a 5 de julho de 2017. Entrevistas telefónicas realizadas por entrevistadores selecionados e supervisionados. O universo é a população com 18 anos ou mais, residente em Portugal Continental e habitando lares com telefone da rede fixa. A amostra foi estratificada por região: Norte (20,3%) — A.M. do Porto (13,7%); Centro (29,4%) — A.M. de Lisboa (26,8%) e Sul (9,8%), num total de 1008 entrevistas validadas. Foram efetuadas 1184 tentativas de entrevistas e, destas, 176 (14,9%) não aceitaram colaborar neste estudo. A escolha do lar foi aleatória nas listas telefónicas e o entrevistado, em cada agregado familiar, o elemento que fez anos há menos tempo, e desta forma resultou, em termos de sexo: feminino — 51,7%; masculino — 48,3% e, no que concerne à faixa etária, dos 18 aos 30 anos — 17,6%; dos 31 aos 59 — 49,4%; com 60 anos ou mais — 33,0%. O erro máximo da amostra é de 3,09%, para um grau de probabilidade de 95,0%. Um exemplar deste estudo de opinião está depositado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

Pais do Amaral deve €48 milhões aos três maiores bancos portugueses

(Isabel Vicente e Miguel Prado, in Expresso Diário, 30/06/2017)

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(Se devesse 1000€ penhoravam-lhe a casa e o ordenado. Como deve 100 milhões, dão -lhe 10 anos para pagar e convidam-no para tomar chá. São estes os grandes empresários da Nação, condecorados com comendas e aclamados pelos media. Depois, como não pagam aos bancos, somos nós todos que somos chamados a pagar por eles. Assim também eu seria um grande empresário.

Estátua de Sal, 30/06/2017)


Empresário já terá acordo com os vários bancos para pagar a dívida em 10 anos. Empresário tem dívidas em torno de €100 milhões a um total de nove instituições financeiras. Novo Banco, BCP e CGD estão entre os maiores credores.

A AHS Investimentos, empresa de Miguel Pais do Amaral que avançou com um processo especial de revitalização, tem um total de nove bancos entre os seus credores. Entre estes estão os três maiores portugueses – Novo Banco, BCP e Caixa Geral de Depósitos (CGD) -, a quem são devidos cerca de €48 milhões.

A lista provisória de credores da empresa de Pais do Amaral aponta €19,6 milhões em dívida ao Novo Banco, €17,7 milhões devidos ao BCP e €10,5 milhões por pagar à CGD. No caso do Novo Banco, a maior parte dos créditos está garantida com penhores sobre ações detidas pelo empresário. No BCP, a totalidade dos créditos são comuns (sem garantias sobre ações de Pais do Amaral). Na CGD, apenas um décimo do valor emprestado a Pais do Amaral está garantido por um penhor de ações. Nenhum dos três bancos quis comentar ao Expresso a sua posição no processo.

A AHS é um dos principais veículos de investimento de Pais do Amaral, agregando, entre outros ativos, a Companhia das Quintas (produção de vinhos), a Polistock (negócio agropecuário), uma posição no banco britânico Gryphon e a Alfacompetição (corridas de automóveis). Pais do Amaral é também acionista de referências das tecnológicas portuguesas Novabase e Reditus. Da sua carteira de ativos faz parte ainda o grupo editorial Leya, a Quifel Natural Resources (que investe em projetos de energia) e o The Edge Group (projetos imobiliários, capital de risco, entre outros negócios).

BIC, Efisa, Popular, Santander, Montepio e Crédito Agrícola são os outros bancos a quem o empresário deve dinheiro

Conforme o Expresso revelou no passado sábado, a AHS avançou para tribunal com um processo especial de revitalização (PER) para poder formalizar um acordo de reestruturação do seu passivo bancário que começou a ser desenhado ainda no ano passado, garantindo igualdade de tratamento a todos os credores.

Fonte ligada ao empresário havia referido que estariam abrangidos por este acordo empréstimos bancários de €70 milhões. Mas a dívida global que a AHS Investimentos tem à banca, segundo a informação da lista provisória de credores, é superior, rondando os €100 milhões.

Além dos três bancos já referidos (Novo Banco, BCP e CGD), a lista reporta créditos de €11,7 milhões do BIC, de €9,6 milhões do Efisa (que está entre os ativos para venda no veículo do Estado Parvalorem que ficou com participações do ex-BPN), de €2 milhões do Popular, de €5,2 milhões do Santander, de €12,5 milhões do Crédito Agrícola e de €14,5 milhões do Montepio. Os valores incluem o somatório de capital em dívida e juros.

O acordo de reestruturação de dívida da AHS Investimentos surgiu com a dificuldade que a empresa de Pais do Amaral começou a apresentar no cumprimento do seu serviço de dívida, problema resultante por um lado da crise financeira que se instalou após 2009 e por outro lado do adiamento de alguns projetos do empresário, que não começaram ainda a gerar as receitas previstas. Em 2015, a AHS apresentou um prejuízo de €11 milhões. Entre 2012 e 2015, as perdas acumuladas da empresa ascenderam a €23 milhões.

Apesar destas dificuldades, esta holding (que agrega diversos investimentos de Pais do Amaral) tem uma situação patrimonial relativamente favorável, com capitais próprios positivos de €19,5 milhões e um ativo de €118 milhões. O que à partida dá aos bancos algum conforto sobre a capacidade de recuperação dos empréstimos concedidos. Segundo as informações recolhidas pelo Expresso, o acordo de reestruturação que terá sido conseguido por Pais do Amaral passará pelo pagamento da dívida aos bancos em 10 anos. O que poderá viabilizar o PER da empresa.

Empresário injetou €50 milhões na empresa

A lista divulgada pela administradora judicial da AHS mostra que o próprio Miguel Pais do Amaral é um dos maiores credores da empresa. Aliás, o seu maior credor. Pais do Amaral tem dois créditos subordinados, um de €16,1 milhões e outro de €33,6 milhões.

Depois, há subsidiárias da própria AHS que se apresentam como credoras da empresa, por empréstimos feitos no passado, nomeadamente a Parroute SGPS (€2,5 milhões a receber) e a Courical (€1 milhão).

Um outro credor de referência é Nicolas Berggruen, sócio de Pais do Amaral que terá a receber atualmente €1,5 milhões por conta de um empréstimo que a Berggruen Holdings Ltd (com sede nas Ilhas Virgens Britânicas) concedeu à Courical, subsidiária da AHS.

Neste PER entra também um crédito litigioso que a AHS tem para com a Fundação Nossa Senhora do Bom Sucesso, no montante de €124 mil, relativos a rendas vencidas e uma indemnização, de acordo com a lista de credores publicada no portal Citius.

Com a publicação desta lista, o PER seguirá agora a sua tramitação normal, que prevê que os credores possam validar ou contestar a informação recolhida pela administradora judicial e, posteriormente, a elaboração de um plano de recuperação a votar pelos credores. A banca terá, pelo seu peso nos créditos em causa, a palavra decisiva.

Joaquim Jorge lança livro a arrasar PSD e Marco António

(Isabel Paulo, in Expresso Diário, 14/06/2017)

“O candidato que não chegou a sê-lo” é o título do novo livro de Joaquim Jorge, presidente do Clube dos Pensadores e professor universitário, que será lançado dia 29, na FNAC de Matosinhos. Relato da “peça teatral trágica” da corrida do independente escolhido pelo PSD de Matosinhos, “vetado pelo aparelho dominado por Marco António”


Após ter sido chumbado pelo Plenário da Concelhia do PSD/Matosinhos, Joaquim Jorge vai publicar em livro a odisseia da sua “corrida de obstáculos” à Câmara da sua cidade natal.

O relato, a editar pela Quinto Império e que será lançado, a 29 de junho, na FNAC do Norteshopping, promete não ser meigo para a distrital liderada por Bragança Fernandes, que, segundo o mentor do Clube dos Pensadores, é um “bunker” dominado por Marco António Costa, “o homem do aparelho que domina a velha política do PSD contra a regeneração partidária”.

O independente, ex-militante do PS e que dividiu o partido laranja desde a primeira hora, alega que quando foi convidado por José António Barbosa, líder da concelhia de Matosinhos, “não foi para uma prova de atletismo viciada”. “Tive de continuar a correr mesmo quando cortei a meta, só porque não tenho cartão de militante”, alega.

O livro, de 90 páginas, já na gráfica, e cuja primeira edição terá 500 exemplares, é polémico, dirigido a um público específico, refere o editor Bruno Mourado, que, em setembro, irá publicar outra obra de Joaquim Jorge, sobre o estado das democracias europeias – e da portuguesa em particular.

Joaquim Jorge vai contar como foi “desinquietado”, em casa, por uma chamada para o seu telemóvel, para se candidatar a Matosinhos. “Quem me convidou foi o presidente da concelhia do PSD, não um anónimo qualquer, nem fui eu que coloquei a mão no ar”, diz, embora não esconda que a proposta era um desafio interessante, por poder colocar em prática as suas ideias ao serviço de Matosinhos.

“Era uma forma de colocar no terreno o meu ativismo cívico, a minha forma de pensar a democracia há 11 anos através do debate no Clube dos Pensadores”, refere, desiludido com as lutas partidárias, quezílias processuais e impasses internos vividos ao longo de quatro meses. Apesar de ter pressentido que “a telenovela negra tinha tudo para acabar mal”, não se arrepende de ter persistido na contenda, em parte por ser da sua natureza “bater-se pelo seu projeto de cidadania” e ainda por solidariedade por quem sempre o apoiou, com destaque para José António Barbosa.

Sem papas na língua, o independente, de 60 anos, não poupa nas críticas ao partido laranja, que considera “refém do aparelho, anquilosado e desfasado da realidade”. Fora de jogo, escreve que “o dossier Matosinhos foi uma peça teatral trágica ao nível de Hamlet, de Shakespeare, em que abunda intriga, deslealdade, traição, vingança e imoralidade”.

Joaquim Jorge afirma ao Expresso que manifestou a sua opinião em carta dirigida a Pedro Passos Coelho, em final de maio, antes de Bragança Fernandes, líder do PSD do Porto, ter “feito tábua rasa da aprovação da Comissão Política e proposto um sufrágio cobarde e instrumentalizado do plenário da concelhia”.

O candidato, que esteve aprovado após ter sido votado três vezes, mas que acabou chumbado por esmagadora maioria em plenário, vai reproduzir no livro a missiva endereçada ao líder do PSD, onde, diz, lançou o alerta da luta do aparelho que mina o PSD e inibe a sua regeneração e abertura.

Afirma que Passos Coelho lhe respondeu por telefone, não revela o teor da conversa, embora ainda equacione se um dia não levantará um pouco o véu. “Tenho grande estima por ele e sei que é recíproco. Quando esteve no Clube dos Pensadores, até profetizei que iria ser primeiro-ministro – e foi”, recorda.

Apesar de não economizar nas críticas a Bragança Fernandes – “faz o que lhe mandam” -, o alvo predileto da ira de Joaquim Jorge é Marco António Costa, a quem dá os parabéns pela forma “sonsa” como boicotou o seu nome, sem nunca se comprometer.

“Esta luta foi pelo poder na concelhia de Matosinhos, mas também pela sucessão no partido. Marco António é uma pessoa muito ambiciosa: primeiro vai tentar ser líder parlamentar e depois vai tentar ser líder do PSD. Para isso, tem de colocar pessoas da sua confiança em lugares chave. Os elogios públicos a Passos Coelho não passam de faits-divers”, escreve, concluindo sarcasticamente que Marco António “é muito bom” para se manter tantos anos no PSD, “a dominar e sem haver ninguém que lhe faça frente”.

O Expresso tentou contactar o vice-presidente do PSD, que há cerca de um mês afirmou num encontro autárquico, no Porto, que “a novela de Matosinhos” devia ser resolvida, sem se ter manifestado contra o nome de Joaquim Jorge.

A falsa partida a Matosinhos nas eleições de 1 de outubro não fará, contudo, Joaquim Jorge desistir de um dia protagonizar uma candidatura totalmente independente com os cidadãos que o queiram: “Quem sabe em Matosinhos, onde vi uma grande onda de entusiasmo em torno do meu nome.”

Após meses de impasse, a Distrital do PSD Porto acabou por escolher como candidato o médico e militante social-democrata Jorge Magalhães, ex-vereador da Câmara de Matosinhos no mandato de 1997/2001.

A apresentação do livro estará a cargo de José António Barbosa e Ernesto Páscoa, líder da concelhia do PS, também aprovado pela Comissão Política local mas impedido de se candidatar pela Distrital do Porto, presidida por Manuel Pizarro, que avocou o processo autárquico em Matosinhos para apoiar a deputada Luísa Salgueiro.