Um presente envenenado

(Daniel Oliveira, in Expresso, 06/01/2023)

Daniel Oliveira

Esta maioria absoluta foi original. Aconteceu depois de seis anos no poder sem maioria. Surgiu no que parecia ser o fim de um ciclo, com um primeiro-ministro que se preparava para a gestão de uma saída que lhe permitisse dar um salto europeu. Nasceu cansada. Ela pode ter sido um presente envenenado para o PS e para o país. Apesar de garantir, teoricamente, mais estabilidade do que a ‘geringonça’, é muito mais instável. Porque a estabilidade política não depende de maiorias aritméticas, mas da estabilidade social que elas ofereçam. E de um propósito. Na ‘geringonça’, era reverter as imposições da troika. Na pandemia, era a emergência sanitária. Perante uma crise inflacionista e sem receitas diferentes da direita, qual é o propósito de António Costa?

Ao contrário do que acontecia na ‘geringonça’, de que era a alma, Pedro Nuno Santos era um corpo estranho neste Governo. Permanecer nele destruiria o seu caráter, porque Costa nunca desistiria de o fragilizar e humilhar. E destruiria o seu programa, porque corresponde a tudo o que se tem oposto. Não sai fortalecido e, longe do Governo, perde parte do poder que tem no PS. Se o Governo correr bem, estará longe e falhará a oportunidade. Mas tem 45 anos e muito tempo para regressar. Se correr mal, e há tanto por onde correr mal, será o mais bem colocado para assumir um caminho alternativo para os socialistas.

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Não há, nem haverá enquanto Costa tiver as rédeas do poder, contestação interna ao líder. Mas há cada vez menos entusiasmo na sua defesa. É o cansaço, é a arrogância, é o que quiserem. Mas também é a sensação de que o PS está a fazer o que criticou a Passos. É por isso que a ofensiva da direita se concentra em casos. E defender o partido de casos quando falta uma causa desgasta a moral das tropas. Não é a primeira vez que o PS se verga aos dogmas económicos da direita, mas agora fá-lo depois de um Governo popular, com apoio de toda a esquerda e em que se envolveu em alguns confrontos ideológicos, uns mais reais do que outros.

António Costa está fechado no seu núcleo cada vez mais apertado. Mais do que João Galamba e Marina Gonçalves serem ou não “pedronunistas”, estas escolhas foram determinadas pela impossibilidade de ir para lá do que já existe no Governo. Por culpas próprias e porque todos os potenciais convidados perceberam que ir para a política é ir para a forca. Fora da política ninguém quer lá entrar, dentro dela ninguém quer entrar num Governo que se desfaz.

Porque não há alternativa, porque as alternativas são demasiado assustadoras, porque o Presidente o segura, Costa até se pode manter no poder mais quatro anos. Duvido. Mas extinguiu-se a sua estrela, talvez logo depois de conquistar a maioria absoluta. Porque ela foi determinada por uma conjuntura, não por uma vontade: o resto da esquerda estava condenada a escolher entre apoiar um Governo onde já não mandava ou provocar uma crise política de que seria a principal vítima; Rui Rio estava amarrado ao fantasma de Ventura, depois do erro que cometeu nos Açores, e as sondagens apontavam para um empate depois da vitória de Carlos Moedas em Lisboa, traumatizante para a esquerda. Não foi o entusiasmo dos eleitores que nos trouxe aqui. Foi o medo. E, nas mãos de um primeiro-ministro exausto com uma pandemia seguida de uma guerra, esta maioria absoluta em plena crise internacional pode ser fatal para o PS. Depois de Cavaco, o PSD só esporadicamente voltou “ao pote”. Só que agora é mais perigoso do que isso. Os tempos, na Europa e no mundo, são outros.

Apesar da inflação, da obsessão de Medina pelo corte à bruta do défice e da instabilidade interna do Governo, o PSD tem dificuldade em ultrapassar a barreira dos 30%, mesmo nas sondagens que dão uma queda do PS. Os que fazem análises simplistas imaginaram que se viesse alguém conotado com Passos Coelho esvaziaria o campo à sua direita. Se isso pode acontecer com o IL — esta crise é péssima para a sua agenda —, não acontecerá com o Chega. O PSD vai sinalizando casos, a extrema-direita vai ganhando com eles. Ainda por cima Montenegro não tem perfil para dar “banhos de ética”. Quanto à crise económica e social, que era onde podia disputar os votos ao PS, tem pouco a dizer. Primeiro, porque quando um passista diz que não cortaria nas pensões reais ninguém acredita. Depois, porque Montenegro é um taticista puro. Está à espera que a crise bata mais forte para culpar as escolhas do PS e nunca dizer quais seriam as suas, achando que o poder lhe vai cair no colo. Só que esse tempo acabou. Quem fatura com os escândalos é a extrema-direita. Quanto mais o Chega cresce nas sondagens, mais o PSD fica seu refém e mais assusta o centro que precisa de conquistar.

Como ficou provado há um ano, a função corretiva de uma crise política depende da existência de uma alternativa. E ela depende de um líder convincente, da clareza na relação do PSD com a extrema-direita e da existência de um programa de Governo que o distinga. Sem alternativa, a crise social manifesta-se em pequenos ou grandes casos, distantes dos problemas das pessoas. Se houvesse uma crise política sem que estas condições estivessem satisfeitas, o mais provável é que se iniciasse um período de crises sucessivas, como outras democracias conheceram, atirando-nos para um impasse. Nos próximos anos, se o Governo se for autodestruindo sem que o PSD se consiga afirmar como alternativa, Portugal pode encaminhar-se para a desestruturação do seu sistema partidário, com um enfraquecimento dos dois principais campos políticos, como aconteceu em vários países europeus.


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Ataques a bases aéreas no interior da Rússia apontam para operações encobertas da CIA

(Por Finian Cunningham, in A Viagem dos Argonautas, 06/01/2022)

A Ucrânia foi posta em estado de prontidão, preparada para servir de cobertura à agressão americana contra a Rússia.


Uma base aérea bem no interior do território russo foi atacada duas vezes com drones em menos de um mês. Também não se trata de uma instalação remota. A base aérea perto da cidade de Saratov aloja aviões bombardeiros estratégicos russos com capacidade nuclear.

O último ataque foi a 26 de Dezembro, no qual três militares russos foram mortos devido à queda de destroços de drones depois de a arma ter sido alegadamente abatida. Saratov fica a 730 quilómetros a sudeste de Moscovo e a centenas de quilómetros da fronteira ucraniana.

A 5 de Dezembro, a base aérea foi também alvo de ataques, mais uma vez aparentemente por drones. No mesmo dia, uma base aérea em Rayazan a menos de 200 quilómetros de Moscovo foi também atacada. No dia seguinte, a 6 de Dezembro, uma instalação militar em Kursk foi alvo de um ataque.

As forças ucranianas não reivindicaram abertamente a responsabilidade pelos ataques, mas houve relatos nos meios de comunicação social dos EUA que insinuaram isso. Tanto a Casa Branca como o Departamento de Estado negaram qualquer envolvimento americano, alegando que os EUA exortaram a Ucrânia a não atacar território russo. “Não estamos a encorajar a Ucrânia a atacar para além das suas fronteiras”, disse Ned Price, o porta-voz do Departamento de Estado.

No entanto, há a questão de como é que os drones se estão a dirigir para o interior do território russo para lançar ataques aéreos sobre alvos estratégicos.

Não parece plausível que veículos aéreos ofensivos não tripulados possam viajar sem serem detectados durante centenas de quilómetros sobre o espaço aéreo russo, e depois montar ataques a locais militares altamente sensíveis. Mais provavelmente, as armas foram activadas perto dos seus alvos pretendidos.

Um recente relatório separado do repórter de investigação Jack Murphy pode lançar alguma luz. Ele não se refere à vaga de ataques com drones a bases aéreas russas. Mas ele cita antigos agentes dos serviços secretos dos EUA que afirmam que a Agência Central de Inteligência está a dirigir equipas de sabotagem clandestinas dentro da Rússia.

De acordo com o relatório, a CIA está a trabalhar com um aliado europeu da NATO para activar células adormecidas que se infiltraram na Rússia com esconderijos de armas. Não há americanos no terreno e a suposta ligação com os agentes do aliado da OTAN dá uma camada extra de negação plausível para Washington.

O repórter afirma que a negação plausível suplementar é um factor importante que permitiria ao Presidente dos EUA, Joe Biden, aprovar tais operações encobertas provocadoras em solo russo.

A credibilidade de um esquema deste tipo é confirmada por numerosos relatos de explosões misteriosas em toda a Rússia desde que este país lançou a sua operação militar especial na Ucrânia, em Fevereiro. Várias instalações militares foram destruídas por incêndios que os meios de comunicação social russos têm tido tendência a relatar como devidos a acidentes inexplicáveis.

Um instituto russo de investigação aeroespacial na cidade de Tver foi incendiado a 21 de Abril, no qual várias pessoas foram alegadamente mortas. Vários outros depósitos de munições também foram atingidos com incêndios acidentais aparentemente estranhos.

Na semana passada, a 23 de Dezembro, um centro militar na zona leste de Moscovo foi gravemente danificado por um grande incêndio que ardeu durante mais de quatro horas. No dia anterior, o único porta-aviões da Rússia, o Almirante Kuznetsov, foi envolvido em chamas enquanto estava a ser reparado, atracado em Murmansk.

O que supomos aqui é que é inteiramente plausível que uma série de incidentes mortais em instalações militares em toda a Rússia durante o ano passado não seja uma coincidência acidental, mas sim tenha sido instigada como operações de sabotagem destinadas a semear confusão e problemas logísticos para a campanha da Rússia na Ucrânia.

Este padrão está relacionado com o relatório acima referido, que afirma que a CIA tem estado ocupada a infiltrar-se em território russo juntamente com um aliado europeu da NATO para este mesmo fim.

Em particular, os ataques levados a cabo em bases aéreas de alta segurança bem dentro da Rússia sugerem fortemente que as armas utilizadas para tais ataques já tinham sido colocadas na Rússia pelas alegadas células adormecidas da CIA. Parece improvável que os drones pudessem ter atravessado distâncias tão longas desde o território ucraniano até ao interior da Rússia sem serem detectados.

A utilização de equipas de sabotagem atrás das linhas inimigas não é novidade para a CIA no que diz respeito à Rússia. Após a Segunda Guerra Mundial, a recém-formada Agência Central de Inteligência recrutou agentes secretos e operacionais dos serviços secretos nazis para levar a cabo ataques terroristas em territórios soviéticos. O alto espião de Hitler, Tenente-General Reinhard Gehlen, e a Organização Gehlen tornaram-se bens valiosos da CIA após a guerra.

Mas é significativo que a CIA tenha alegadamente assumido um papel activo renovado na infiltração na Rússia após o golpe de Estado de 2014 que ajudou a orquestrar na Ucrânia.

De acordo com o relatório de Jack Murphy: “A primeira destas células adormecidas sob o controlo combinado da CIA e do serviço de espionagem aliado infiltrou-se na Rússia em 2016, de acordo com um antigo oficial militar dos EUA e uma pessoa americana que foi informada sobre a campanha… Após as infiltrações de 2016, mais equipas entraram na Rússia nos anos seguintes. Algumas contrabandearam munições novas, enquanto outras confiaram nos esconderijos originais, de acordo com dois antigos oficiais militares e uma pessoa que foi informada sobre a campanha de sabotagem”.

O que isto significa é que os planificadores de guerra dos EUA estavam a antecipar completamente a actual guerra por procuração na Ucrânia contra a Rússia.

Isto corrobora aquilo que os chefes da NATO e a ex-Chanceler alemã Angela Merkel admitiram de que o regime de Kiev posterior ao golpe [de 2014] estava preparado para a guerra contra a Rússia pelo menos oito anos antes da erupção das hostilidades em Fevereiro de 2022.

Se de facto a CIA está por detrás dos ataques profundamente penetrantes contra a Rússia e o Presidente Biden os assinou, então isso tem graves implicações na forma como este conflito pode ser resolvido. Sugere que os Estados Unidos têm vindo a planear sistematicamente uma guerra contra a Rússia e não estão simplesmente a reagir à operação da Rússia na Ucrânia, fornecendo armas defensivas.

Por outras palavras, a Ucrânia foi posta em estado de prontidão, preparada para servir de cobertura à agressão americana contra a Rússia.

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O autor: Finian Cunningham é um antigo editor e escritor para as principais organizações noticiosas. Tem escrito extensivamente sobre assuntos internacionais, com artigos publicados em várias línguas. É licenciado em Química Agrícola e trabalhou como editor científico para a Royal Society of Chemistry, Cambridge, Inglaterra, antes de seguir uma carreira no jornalismo. É também músico e compositor. Durante quase 20 anos, trabalhou como editor e escritor nas principais organizações de comunicação social, incluindo The Mirror, Irish Times e Independent. Vencedor do Prémio Serena Shim para a Integridade Incomprometida no Jornalismo (2019).

Fonte aqui


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O “salto”

(Por Francisco Fortunato, in Facebook, 03/01/2023)

(Publico este texto que é um notável testemunho do que acontecia a muitos jovens antes do 25 de Abril de 1974. Para que se valorize a Liberdade que os mais novos acham natural e normal, mas que só foi conquistada devido ao empenho e sacrifício da própria vida de muitos resistentes e combatentes ao Estado Novo.

Estátua de Sal, 05/01/2023)


Faz hoje 50 anos que iniciei o meu “salto” para a Bélgica. Fica aqui o meu testemunho que poderá ter alguns erros de pouca monta. É todo feito de memórias.

Na noite de 3 para 4, com o meu amigo Reis, operário na Lisnave, tal como eu, dei início ao salto para a democracia. Tinha sido preso na igreja do Rato, na vigília pela Paz, onde tinha ido por indicação do Manuel Arons de Carvalho, recentemente falecido, e aproveitei a confusão reinante na esquadra do Rato, na identificação dos detidos, para sair com o primeiro grupo de libertados. No entanto, no dia 2, pela manhã, a PIDE estava à minha procura na casa da minha mãe. Obviamente já lá não estava, mas deixaram uma notificação de comparência para me apresentar, no dia seguinte, no ministério do Interior. Notificação que a minha mãe me fez chegar às mãos e que seria de grande valia para obter rapidamente asilo político na Bélgica.

O Reis dizia-me que conhecia bem a fronteira no Caia, mas a noite e o frio (nesse tempo o inverno era mesmo frio) logo mostraram que tínhamos de a conhecer melhor para a passar. Demorou, por aí, umas 6 horas até chegarmos à central de camionagem de Badajoz, onde apanhámos um autocarro para Madrid.

A certa altura do percurso a “guardia civil” entrou no autocarro e foi olhando para os passageiros, nós fingimos dormitar e não nos pediram documentos. Chegados a Madrid apanhámos o comboio para Valência, porque tinha tios a viver em Cuart de Poblet.

Chegados a Cuart de Poblet, de táxi, os meus tios, sem eu saber, estavam a viver, temporariamente, em Vendrell, próximo de Tarragona, segundo um vizinho que nos deu a morada ou o telefone. Regressámos a Valência e apanhámos o comboio para Barcelona.

Lá saímos em Vendrell, manhã cedinho, e fomos à procura da casa dos meus tios. Aí chegados dormimos pela primeira vez em mais de 50 horas e também comemos. No dia seguinte, pelas 5h da manhã, o meu primo Fernando foi levar-nos, no seu carro, à fronteira com a França. Entretanto, pelas 7h da manhã, a “guardia civil” estava em casa dos meus tios para identificar os dois “forasteros” que tinham sido vistos a passear pelo “pueblo”.

O meu primo deixou-nos próximos da fronteira de La Junquera e lá fomos atravessar, a pé, os Pirenéus, em janeiro, com frio, muito frio, alguma neve, e sem conhecermos patavina de nada. Demorámos umas 8 horas e quando começámos a descer vimos uma pequena povoação mas não tínhamos a certeza se já estávamos, ou não, em França. Era, salvo erro, Le Perthus, mas só o confirmámos quando passou um autocarro com a direcção de Perpignan. Fizemos sinal para parar e parou para surpresa nossa. Logo de seguida apanhámos um susto quando a “gendarmarie” faz parar o autocarro e entrou a fazer controlo de documentos a alguns não a todos. A sorte continuou connosco pois nada nos pediram.

Chegados a Perpignan, já noite avançada, apanhámos o comboio para Paris onde chegámos ao romper do dia. Era um mundo novo, extasiados passeámos por Paris, nem o cansaço, nem as emoções nos venceram. Nunca tínhamos convivido com a democracia, a nossa vida tinha sido sempre no fascismo. Ficámos durante 2 dias, hospedados no hotel “Saint Pierre”, na rua Ecole de Medicine.

No dia da chegado a Paris jantámos com Mário Soares na sua casa, o seu filho, João, tinha-me dado o contacto e, no dia seguinte, almoçámos com o historiador Joaquim Barradas de Carvalho, também exilado em França, por indicação do seu filho Manuel Arons. Após isto fiquei, durante alguns dias, em casa de um sobrinho de Mário Soares, Mário Barroso, o realizador de cinema, por indicação do tio. Entretanto o meu amigo Reis regressava para sul e ficaria algum tempo a trabalhar clandestinamente nuns estaleiros em Pasaia, próximo de San Sebastian.

Fiz então uma tentativa, mal sucedida, de ir para Bruxelas, fui apanhado, no comboio, pela polícia de fronteira e recambiado para trás. Levava um passaporte manhoso válido apenas para o regresso a Portugal e o polícia, era casado com uma portuguesa, lia alguma coisa de português e percebeu facilmente a marosca. Na fronteira mais fácil sou assim apanhado, mas fiquei a saber quando conduzido ao posto de polícia, em Maubeuge, que havia um mandado de captura na Interpol, a pedido das autoridades portuguesas, que a polícia francesa ignorou após breve interrogatório. Alguns dias mais tarde passaria então a fronteira para a Bélgica com um novo passaporte, menos manhoso, e nem sequer foi pedido.

Cheguei a Bruxelas, lá pelo dia 20, onde fui acolhido pelos meus afilhados de casamento, o Álvaro e a Ana. Passado uma semana já estava a trabalhar como soldador, razoavelmente bem pago, e reconhecido oficialmente como “refugiado político de origem portuguesa”. Regressaria a Portugal no dia 07 de Maio de 1974!

Notas:

Pelo meio a minha mãe foi duas vezes chamada à PIDE para dizer onde eu estava. Coitada, ela nada sabia, só quando cheguei a Bruxelas o soube. Quando da minha passagem por Vendrell, a minha tia Arlete fez o que eu lhe tinha pedido para nunca fazer: telefonou mal eu saí, para tranquilizar a minha mãe, mas a chamada foi intercetada pela PIDE o que deu início aos problemas que viria a ter com a polícia política.

Isto de ser operário e metido em política, a polícia política não perdoava: era-se logo identificado como comunista e crime mais grave não havia…

Para o meu amigo e compadre Reis um grande abraço, sem o seu apoio teria sido tudo ainda mais difícil!

Há algum tempo atrás, na EMEF/CP, encontrei alguns jovens operários a dizerem bem do Chega. Como é possível?


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