O pacto Trump-von der Leyen, acto final de vassalização da Europa

(Hadrien Mathoux in Marianne, 30/07/25, Tradução de Alfredo Barroso in Facebook, 26/08/25)


Ao aceitar um acordo comercial humilhante para a União Europeia, a presidente da Comissão Europeia confirmou a incapacidade da organização supranacional se comportar de forma diferente de um vassalo dócil dos norte-americanos. Só alguns sonhadores assaz ingénuos [“naïfs”] continuam a crer que, na Europa, “a união faz a força”.

China imperial, meados do século XIX. Entalada, enfraquecida pela corrupção e saída exangue das guerras do ópio, a dinastia Qing é constrangida pelas potências ocidentais (Reino Unido, França, Rússia, Estados-Unidos) a assinar o que mais tarde os chineses designarão por «tratados iníquos». Paragrafados sem verdadeira negociação, esses acordos abrem a China ao comércio, forçam-na a ceder enclaves territoriais, condenam-na a pagar indemnizações. Em troca, o Império do Meio não recebe… nada. Estes tratados inauguram um século de declínio e de humilhação para os chineses, submetidos ao jugo de uma Europa triunfante.

Regressemos à nossa época, e ao funesto acordo-quadro concluído no domingo 27 de Julho de 2025 por Ursula von der Leyen com Donald Trump. Desta vez, é a Europa que está do lado dos vencidos da História. A presidente da Comissão Europeia aceitou as condições exorbitantes sem contrapartida notória: a U.E. vê ser-lhe imposto o pagamento duma taxa de direitos alfandegários de 15% sobre as suas exportações em sectores chave e não imporá o pagamento de taxas aos produtos dos EUA; a U.E. compromete-se a investir 600 mil milhões de dólares no país do Tio Sam, designadamente em equipamentos militares, e a proceder a compras massivas de petróleo, de gaz natural liquefeito e, ainda, de nuclear e de inteligência artificial.

Esta negociação só tem um nome: o desequilíbrio manifesto do «deal» – denunciado quer por chefes de Governo quer por economistas e por empresários – confirma a vassalagem da Europa. É preciso ouvir Ursula von der Leyen, sorriso crispado, a explicar que os Estados-Unidos não atribuíram «nenhuma» concessão à U.E., tendo apresentado como objectivo das discussões o «reequilíbrio da relação comercial» visando suprimir «um excedente do nosso lado e um défice do lado norte-americano».

Longe de ser a «presidente da Europa» que ela sonha incarnar, a patroa da Comissão Europeia – que parece, aliás, bem menos preocupada com os excedentes comerciais da sua Alemanha natal em relação aos outros Estados europeus… – adopta a atitude duma representante de país colonizado a capitular perante as exigências da potência superior, da qual ela adopta, de passagem, os elementos de linguagem. Von der Leyen e os seus comissários europeus aplaudiram a «estabilidade» e a «previsibilidade» trazidas pelo acordo. Uma verdadeira “Munique comercial”, em que se felicitam pela breve pausa, sem admitirem que ela inaugura um declínio duradouro.

Poderia tudo isto ter acontecido de outro modo? As causas desta humilhação têm a ver evidentemente com o estado alarmante da economia do Velho Continente, pregado ao solo por uma taxa de crescimento largamente inferior às da Ásia e da América, e chumbada por uma natalidade ridícula que não consegue compensar uma imigração mal controlada. Mas têm a ver também com a própria natureza da União Europeia, uma espécie de “URSS do comércio livre” que combina a rigidez burocrática e fé ingénua numa “mundialização feliz”.

Representante anacrónica de uma ideologia que já estava ultrapassada vinte anos atrás, Ursula von der Leyen acredita ainda que a extensão infinita dos mercados, o liberalismo à “outrance” e o doce comércio livre resolverão os problemas do mundo,

Tudo isto nem sequer é muito grave para ela visto que, facto espantoso, a actual presidente da Comissão negoceia as decisões que comprometem toda a Europa, sem prestar contas a ninguém.

Fonte original aqui

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Mandem mais dinheiro para a Ucrânia e depois não se queixem!

(Francisco Fortunato, in Facebook, 26/08/2025, Revisão da Estátua)


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É absolutamente inacreditável o número de pessoas de esquerda que abomina esta governação do PPD e do Chega, que manifesta a sua imensa preocupação pelos ataques ao Estado Social, e ao futuro negro que tal política nos reserva, mas depois aparecem solidários, ao lado de políticos impostores, vendidos aos interesses dos fabricantes de armas, em especial os norte-americanos. Ele é o chanceler alemão, Metz, a presidente da UE, Ursula, o presidente francês, Macron, o Primeiro-ministro inglês, Starmer, a Primeira-ministra italiana, a neofascista Meloni, o Secretário-geral da NATO, Rutte, a louca da Estónia, a Kallas e outros de uma a lista interminável de malfeitores, apoiantes da guerra na Ucrânia. Tal é uma verdadeira desgraça para a manutenção do Estado Social.

Será que, essas pessoas e organizações, não são capazes de discernir que a continuação da guerra – que a Europa, desses políticos impostores, inequivocamente apoia -, liquidará sem apelo nem agravo o Estado Social? Que o dinheiro para o rearmamento europeu, para uma guerra que não existe, virá exclusivamente dos ataques que os governos preparam aos direitos das pessoas? Não sou eu que o digo é o próprio chanceler alemão que o confirma.

Se os que nada têm e votam na Direita e extrema-direita são acéfalos, o que chamar aos que cegamente continuam a defender a narrativa da NATO e a considerar herói um fulano que é uma marionete manipulada por interesses que são estranhos ao seu país e que ele diz defender?

Uma guerra que, a continuar, se saldará por mais destruição da Ucrânia e mais mortes e mais dinheiro dos europeus, vindo do Estado Social, enterrado no caos.

Estranho mundo este, onde pessoas, que até prezamos, dizem combater a Direita e a extrema-direita mas são incapazes de resistir aos cantos, não das sereias, mas de malfeitores, sem sequer se darem conta disso.

Cogitações de verão

(Major-General Raúl Cunha, in Facebook, 25/08/2025, Revisão da Estátua)

O galho está quase a cair… 🙂

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Hoje em dia e cada vez mais, tenho absolutamente menos tolerância para com aqueles que continuam a evidenciar e a derramar na internet a sua estupidez e ignorância. E, portanto, vou continuar a meter-me com esses tristes.

Mas, neste texto o tema não é, de todo, a ausência de neurónios de quem acredita nos disparates dos comentadores arregimentados pelo sistema. Prometi a alguém uma análise sobre o encontro dos dois “patrões” mundiais no Alasca, e vou tentar explicar (desde que os meus parcos méritos o permitam) quem, o quê, o como e o  porquê.

O que acontece é que os comuns mortais (sobretudo os que preferem que alguém raciocine por eles) pensaram o seguinte: – Se Putin e Trump se encontram – e se, automaticamente, concordam num acordo de paz, é porque afinal talvez já chegue de guerra na Ucrânia. A falta de informação (básica) desta gente, leva a que não entendam o que é um processo de paz – no fundo, um processo que se prolonga até que todas as partes no conflito concordem, mesmo nos mínimos detalhes.

Outro aspecto a ter em conta é o seguinte: vejamos quem estava a acompanhar os dois presidentes: principalmente os responsáveis pela economia e diplomacia que, nesta altura, são o mais importante. Nos últimos quatro anos não houve relações diplomáticas entre os dois países. Biden nunca falou com Putin, e para resolver qualquer problema é necessário um diálogo e isso é o começo.

Outra coisa é a economia – a verdade é que as sanções contra a Rússia não produziram os efeitos desejados, abalaram um pouco, mas logo as fileiras se ajustaram e consolidaram e novos mercados foram encontrados. A realidade é também que os russos estão fartos da América. Por exemplo: após “sanções à Rússia / sanções à América“, a ExxonMobil foi expulsa do projeto Sakhalin-1, onde constituía 30% dos participantes. Resultado: perdeu 4 mil milhões de dólares. Agora, e depois da reunião no Alasca, Putin assinou um decreto para que a Exxon pudesse voltar. Bom para uns e bom para outros.

Outro exemplo: há alguns anos atrás havia um plano (da Rússia) para ligar a Rússia ao Alasca através de um túnel submarino, e a Rússia até participaria com 2/3 das despesas. Não é preciso falar sobre os óbvios benefícios económicos deste empreendimento, mas vale a pena pensar apenas num. A introdução da IA em todo o lado “exige” quantidades enormes de eletricidade. A América não tem capacidade para a fornecer. A Rússia tem. (Não sou eu que digo isto, mas sim aqueles que conhecem bem estas áreas) Estão a ver qual a solução? Cabos elétricos que passariam através desse túnel e assim resolveriam o problema. Bom para uns e bom para outros.

Porque é que a América foi arrastada para este conflito? Por causa da venda de armas, claro. E Trump é um dos responsáveis por isso (como comerciante que é, claro), mas o facto é que ele diz que não era Presidente quando tudo começou – e eu acredito nele. E porquê? Porque sabemos que Biden estava logicamente a proteger a “propriedade” do seu filho Hunter.

Entretanto, os principais cúmplices são, claro, três pretensos “superiores” países europeus – a França, a Inglaterra e a Alemanha, por dois motivos simples: complexos e revanchismo. A França desde Napoleão, a Inglaterra desde a Guerra da Crimeia, a Alemanha… Bem, espero que toda a gente saiba porquê. São todos uns famosos derrotados.

E a mente que fomenta e agita tudo isto é a Inglaterra. Veja-se como, logo no final da Segunda Guerra Mundial, Churchill congeminou planos para destruir a (então) enfraquecida URSS – está tudo online na internet e pode ser verificado. Começando por tentar trazer 100 000 alemães capturados, de volta para a frente de batalha sob o comando de Patton. Na altura foi Zukhov quem frustrou esse plano, “Impensável“, como acabou por ficar conhecido.

Os EUA trabalham no seu próprio interesse – vendem energia e armas à Europa, “E vocês fazem o que quiserem com isso. É de certo modo uma chantagem, mas quem não gostar, não come…

E a UE trabalha no interesse da Inglaterra, mais precisamente da City em Londres, “Porque nós, na UE, somos uns cãezinhos obedientes e esperamos receber um osso como recompensa. Depois, felizes, vamos abanar com o rabo e pode ser que o dono perceba que também temos um pouco de fome… ” A Inglaterra continua a impingir a intenção russa de conquistar a Europa – uma treta em que os nossos comuns cidadãos (sobretudo os de parcos neurónios) acreditam.

E porque é que os europeus “anunciam” uma guerra com a Rússia em 2029/30? Porque é nessa altura que o mandato de Trump termina e eles têm esperança que quem chegue então ao poder seja alguém que eles possam gerir como quiserem.

E a Ucrânia? Alguém está preocupado com o que irá acontecer à Ucrânia? É um país despedaçado, já com poucos recursos humanos para manusear as “ótimas” armas ocidentais. Zelenski é tão útil quanto um preservativo usado, e o seu relógio já está a fazer tiquetaque para a contagem final…

O conflito só acabará quando a sua principal causa for resolvida, a arquitetura de segurança europeia for restabelecida e quando o nazismo na Ucrânia tiver o mesmo destino do seu líder.

Já antes escrevi que a solução definitiva para este conflito seria realizar referendos em todas as regiões ucranianas e que as pessoas dissessem o que preferem: – que a sua região fique na Ucrânia, ou que se junte à Rússia, à Polónia, à Hungria, à Roménia, à Eslováquia… a Democracia é assim, não é? E não me venham agora com a treta que as fronteiras não podem ser mudadas, porque isso já foi feito antes, de uma forma ou de outra, em vários outros lugares, inclusive na Europa e recentemente. Quanto ao que vai restar da Ucrânia, essa parte que sobrar vai ter que pagar todas as dívidas que o drogado gnomo verde fez – e penso que ninguém sabe quanto isso vai custar.

Para terminar, tenho que me referir aos “slava ukrainianos”. No início festejaram e também se acharam superiores, depois tentaram chacinar os seus compatriotas que desprezavam… Agora estão desesperados com o resultado. Bem que eu os avisei e aos seus apaniguados e investidores que o acordar seria doloroso…!