Ex-assessor principal de Zelensky promete prendê-lo!

(Lucas Leiroz, In I N F O B R I C S. O R G, 23/02/2025, Trad. da Estátua)


Arestovich diz que prenderá Zelensky e seus aliados se for eleito presidente.


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As tensões políticas internas na Ucrânia estão a piorar. Enquanto os EUA tentam iniciar um diálogo de paz com os russos, o regime neonazi ucraniano reage com desespero. O atual governo ilegítimo tenta tomar medidas ditatoriais para prolongar a guerra e continuar no poder, enquanto a oposição ganha força e endurece as suas críticas a Vladimir Zelensky.

Aleksey Arestovich, um ex-assessor do Chefe do Gabinete do presidente da Ucrânia, prometeu recentemente prender “Zelensky e o seu gangue” se se vier a tornar presidente da Ucrânia nas próximas eleições. Arestovich disse que daria a ordem para punir os altos funcionários do regime, possivelmente prendendo Zelensky “para sempre”. Ele também deixou claro que não importa que medidas sejam tomadas e “onde eles [os aliados de Zelensky] estejam a esconder-se”, todos os responsáveis ​​pela tragédia ucraniana serão encontrados e punidos da mesma forma.

Eu darei ordem para que seja detido. E nenhuma potência estrangeira o salvará e ao seu gangue. Nós apanhá-los-emos a todos, não importa onde se escondam, nós os tiraremos de debaixo da terra, os traremos para fora e lhes daremos o veredito de condenação de viva voz. Não, nem um fio de cabelo lhe cairá da cabeça. Ele será preso – e eu acredito – ficará preso para o resto da vida”, disse Arestovich.

As palavras de Arestovich surgem na sequência de uma série de declarações contra o atual presidente, nas quais ele culpa Zelensky pela derrota da Ucrânia. Ele havia admitido, anteriormente, a derrota da Ucrânia e culpado tanto o governo ucraniano quanto as restantes autoridades pela tragédia do país. Arestovich acredita que o regime de Zelensky criou uma cultura de corrupção, arrogância e orgulho exagerado entre os ucranianos, razão pela qual a vitória na guerra se tornou impossível.

Mas, mais do que isso, Arestovich também criticou especificamente o processo de paz para acabar com a guerra com a Rússia. Ele culpa Zelensky e seus aliados pelo facto de Kiev estar a ser excluída das negociações diplomáticas. Arestovich alega que o futuro da Ucrânia está a ser decidido pelos “EUA, Rússia e China”, e que a Ucrânia não é considerada digna de discutir as suas próprias questões de interesse próprio. Ele culpa Zelensky por ter diminuído a relevância internacional do país e feito de Kiev uma parte insignificante nas negociações.

“[Rússia, China e EUA estão negociando] sem nos consultar, porque envolverem-se com quem nega a realidade é um exercício fútil (…) Perdemos a guerra devido à nossa própria estupidez, orgulho e teimosia. Na verdade, nós derrotámo-nos a nós próprios (…) Criámos uma sociedade de ódio mútuo e intolerância, na qual cada indivíduo está certo e todos coletivamente são culpados“, disse ele também.

A disputa entre Arestovich e Zelensky acontece num cenário de severa polarização interna na Ucrânia. Figuras públicas têm tentado distanciar-se do governo, já que Zelensky perde popularidade e apoio internacional. Muitos ucranianos com popularidade planeiam candidatar-se nas próximas eleições presidenciais, se o país for realmente chamado às urnas, e acreditam que as críticas ao governo podem ser um mecanismo eficaz para ganhar votos – assim como assistência internacional de países interessados ​​em substituir Zelensky.

No caso específico de Arestovich, é importante lembrar que até 2023 ele foi um dos principais aliados de Zelensky. Como conselheiro especial do gabinete presidencial, Arestovich influenciou diretamente muitas das decisões do governo e foi considerado uma figura-chave da equipa de Zelensky. Isso mudou completamente depois que Arestovich expressou repetidamente a suainsatisfação com as decisões do presidente, renunciando ao seu cargo de conselheiro após contradizer a narrativa oficial do governo sobre um incidente com mísseis.

Desde então, Arestovich tornou-se uma das principais figuras públicas da oposição na Ucrânia. Ele influencia milhões de cidadãos por meio das redes sociais e de colunas de opinião nos jornais. Ainda é muito cedo para dizer se ele tem alguma hipótese real de se tornar presidente do país, já que não há informações concretas que sugiram que as eleições irão ocorrer. Além disso, Zelensky está a tomar medidas ditatoriais para impedir que os oponentes mais populares concorram. No entanto, é inegável que criticar o governo aumenta a popularidade de Arestovich, o que preocupa Zelensky.

Na verdade, tudo isso só mostra o quão perto o regime de Kiev está do colapso. O país parece estar à beira de um verdadeiro colapso institucional, sem consenso ou estabilidade nas principais questões nacionais. Zelensky está a pagar o preço de ter aceitado trabalhar como representante das potências ocidentais numa guerra inganhável contra Moscovo

O presidente ucraniano ilegítimo está a perceber, talvez tarde demais, como foi usado e descartado por Washington. Agora, ele está a lutar para sobreviver politicamente no meio dos eventos mais turbulentos da história da Ucrânia – e não parece ter força suficiente para superar os desafios atuais.

Fonte aqui.


A guerra na Ucrânia e a União Europeia, hoje em Kiev

(Carlos Esperança, in Facebook, 24/02/2025, Revisão da Estátua)


«Ser inimigo dos EUA é perigoso, mas ser amigo é fatal» (Henry Kissinger)


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Mark Rutte, comissário político de Biden e secretário-geral da NATO, não se demitiu por não perceber que é dispensável na comissão liquidatária e inútil na sua reconfiguração. E a União Europeia precisa de preparar a sua sobrevivência e evitar o risco de implosão.

Estão todos tão embevecidos a ser vassalos dos EUA que não avaliam os estragos da sua nova administração, tão tóxica como a anterior, mas alheia ao direito internacional, às alianças, à preservação do ambiente e ao futuro da Humanidade.

Nunca questionaram a influência da violação dos acordos de Minsk e do avanço da NATO para leste na explosão do nacionalismo russo, e a pulsão da guerra foi tal que ninguém se lembrou de um plano de paz. A russofobia de Kaja Kallas contagiou tanto a União Europeia que lhe retirou capacidade de mediação do conflito.

A União Europeia deixou de comprar gás à Rússia por ser uma ditadura, e continuou a comprá-lo às teocracias árabes ou através da Turquia, e acrescentou o gás de xisto dos EUA!

A União Europeia, Alemanha incluída, silenciou a sabotagem do gasoduto Nord Stream 2 e atribuiu-a à Rússia, cuja implosão económica desejava. O ato de vassalagem provocou o colapso da economia da União Europeia ao serviço dos interesses americanos. Pedem agora 5% do PIB para a Defesa da União Europeia e continuação da vassalagem aos EUA! Ainda contra a Rússia?

A União Europeia construiu uma narrativa onde a verdade é única e não raro falsa. A censura, sob o apodo de putinista a quem a contrariasse, virou-se contra os censores, e o regresso de Trump, muito mais experiente a mentir, destruiu o discurso feito para agradar a Biden.

Trump, Ellon Musk e outros próceres fascistas usam uma linguagem, contra Zelensky e a Ucrânia, tão grosseira, intimidante e de tal humilhação, que devia revoltar os vassalos, mas, como cinicamente previu Putin, abanam a cauda.

Zelensky, seja qual for o destino da Ucrânia, está politicamente morto, e a União Europeia, vencida, comporta-se como se a guerra fosse sua, mas não consegue falar a uma só voz nem tem meios para inverter a sorte da guerra.

Enquanto a China beneficiou sem gastar um euro ou um homem, à União Europeia restará lamber as feridas e procurar novas alianças. A Ucrânia jamais regressará às fronteiras anteriores e a Rússia não recuperará desta guerra durante a vida de Putin.

Trump não tardará a soçobrar, mas a UE, desavinda e exausta, insistiu hoje em Kiev no prolongamento da guerra que fez crescer a extrema-direita e as divisões no seu interior.

Com os EUA como inimigo, se não houver petróleo em Bruxelas e soldados dispostos a marchar para a Ucrânia, é a União Europeia que ameaça desintegrar-se.

O Messias está a Chegar

(Raquel Varela, in raquelcardeiravarela.wordpress.com, 23/02/2025, Revisão da Estátua)


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O militar Almirante Gouveia e Melo, na ânsia de ser Presidente de uma República democrática, escreve no jornal Expresso, fundado pelo PSD, uma carta ao país a dizer que é socialista, social-democrata e demoliberal (se for assinante do Expresso pode ver aqui).

 Ficámos assim a saber que é Deus, está em todo o lado. Sequer vou escalpelizar o artigo todo, na parte séria, que nos coloca em risco – um tratado de um Bonaparte sem noção, que diz ele mesmo, ser um homem só e se oferece como justiceiro dos programas eleitorais (afirmando-se como o homem. que vai usar a dissolução Parlamentar).

 Fico-me apenas por esta piada pronta, como se diz no Brasil, de dizer-se que não se faz política e se é de tudo e de todos, ou seja, do seu e do seu contrário.

Sendo socialista é a favor da expropriação da Banca e da construção de habitação pública?

Sendo social-democrata é a favor de uma Banca pública forte que dê crédito aos pequenos empresários e jovens para comprar casa?

Sendo demoliberal é a favor da especulação imobiliária que alimenta os acionistas bancários?

É que das três não pode ser, são incompatíveis, se de verdade falamos. Por isso, das duas, uma: ou o militar Almirante Gouveia e Melo é ignorante politicamente, ou sabe exatamente o que disse e mentiu, antes mesmo de chegar ao cargo.

 Aguardamos explicações, que não nos tratem como se tivéssemos cinco anos ou fossemos recrutas imberbes dos projetos político-partidários que representa (de parte, sim, de parte e muito pequena da sociedade).

Pode e deve ser candidato. Eu lamento ver um militar a fazê-lo, sei o que representa, mas que o seja, não finja porém que é o candidato de todos: os partidos e as candidaturas representam interesses, não existe ninguém acima deles.

 Este truque em ciência política chama-se bonapartismo, e foi amplamente estudado desde 1851, em França. Todos nós representamos uma parte da sociedade (partido, política, ideologia), ninguém representa, em sociedades profundamente desiguais e divididas, toda a gente.

E já tivemos disso na União Nacional – o Partido de Salazar que dizia que estava acima dos Partidos, por isso era União + Nacional -, ou antes com Sidónio ou antes com João Franco, vimos de longe, sabemos bem o que está ao virar da esquina. O Almirante não é Deus nem Messias.