A real razão da anulação da eleição romena

(Hugo Dionísio, in Strategic Culture Foundation, 14/12/2024, revisão da Estátua)

O que o Ocidente não suporta são líderes que não façam da independência e soberania nacionais, do interesse comum e do bem-estar social, limites à apropriação privada pelos interesses económicos e financeiros internacionais.


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Fosse de extrema-direita e o Ocidente teria o maior prazer em trabalhar com ele. E esse é o melhor teste do algodão que pode haver, quando se trata de saber se um determinado candidato é, ou não, de extrema-direita.

Nunca o ocidente capitalista, imperialista, neoliberal, teve qualquer problema em trabalhar com fanáticos de qualquer tipo, como muito bem se pode ver na Síria dos nossos dias. O que o ocidente não suporta, sejam eles quem forem, são líderes que não façam da independência e soberania nacionais, do interesse comum e do bem-estar social, limites à apropriação privada pelos interesses económicos e financeiros internacionais, por si protegidos.

A verdade é que o ocidente não tem problemas em trabalhar com Meloni, na Itália, com Vickers, nos Países Baixos, com Boris Johnson no Reino Unido, com o actual presidente sul coreano ou, mesmo, com a família real saudita. Na Síria, por exemplo, deram as mãos a grupos formados a partir da Al-Qaeda, ligados à irmandade Islâmica, escola teológica que também alimenta o Hamas, derrubando um governo laico, defensor da igualdade de género, mas também da soberania nacional, nomeadamente em matéria de propriedade dos sectores estratégicos. Não faltará muito e a imprensa mainstream chorará baba e ranho por causa da opressão às mulheres Sírias.

Daí que, nada obstaria a que o ocidente também trabalhasse com Calin Georgescu. O que impediria? Não o fazem com Zelensky e os partidários da ideologia de Bandera? Afinal, o que defenderá Georgescu, para que o ocidente tenha, de forma tão veemente, utilizado a sua máquina de lawfare para, assim, tentar colocar um fim à mais que previsível eleição da sua pessoa?

A acusação de que a eleição foi ilícita porque houve manipulação do Tik-Tok e “interferência russa”, não encontrou resposta coincidente por parte da plataforma em questão, que o negou veementemente. Mas de uma assentada, os poderes que hoje dominam a Roménia e por conta dos quais uma elite oligárquica se agarra ao poder, anularam a eleição, tentando assim ganhar tempo para que, ou através de um esquema que impeça o concurso a eleições do candidato em causa, ou talvez através de uma repetição de tantas eleições quantas as necessárias, até que os resultados batam certo, como se fez nos malogrados referendos à constituição europeia em França e na Irlanda, os EUA possam, assim, descansar e construir a sua poderosa base para atacar a Federação Russa.

Esta forma de actuação brutal, incomparável e impensável há uns anos, é em si própria reveladora do estado de desespero em que se encontram os poderes que dominam a Roménia. A construção da maior base europeia da OTAN e a utilização deste país como trampolim para uma guerra nuclear, que se antevê no horizonte, tornam a Roménia um país fundamental para toda a estratégia de domínio da Europa e da Federação Russa. As eleições na Roménia poderão, assim, muito bem, acabar com uma ditadura militar expressa ou inconfessada, em nome de uma suposta “ingerência russa” inexistente. A “ingerência russa” está hoje para os países da OTAN, como o “papão comunista” estava para os fascistas ocidentais. O pretexto para extinguir a pouca democracia que resta. Com esse fim, ir-se-á também a liberdade.

Calin Georgescu não esteve com meias medidas e, ainda no início deste ano que ora finda, questionado por um jornalista sobre o que pensava do ano de eleições que se avizinhava, respondeu “este ano vai ser o ano da mudança do sistema”. Ora essa, um tipo de extrema-direita a falar em “mudança do sistema” … Suspeito. Deveria ter falado de “limpar o sistema”, mas nunca de mudá-lo.

Mas, Georgescu foi mais longe, referindo que a Ucrânia é um proxy ocidental para que os EUA possam colocar a mão nas riquezas russas, que equivalem, segundo ele, a “80 triliões de euros”, “toda a dívida mundial”. Estava dado o mote para a narrativa preferida de Washington, a do “agente do Kremlin”. Também referiu que somos governados por “psicopatas” e que esses psicopatas, “tal como os que governam a Ucrânia”, “nunca perguntaram ao povo ucraniano” se queria esta guerra, este povo que é acima de tudo uma “vítima” desta situação.

Ainda com fôlego, Georgescu referiu que “estamos a viver o fim da era imperial e colonial ocidental”. Extrema-direita? Conhecem algum partido de extrema-direita europeu que reconheça que os EUA são um império e que o domínio de EUA/EU e OTAN sobre os outros países seja de natureza imperial e colonial? Eu não!

Georgescu ainda acusou o governo e políticos romenos de serem “lacaios do exterior”, de diplomaticamente a “Roménia ser um zero”. Ou seja, Georgescu não parece estar com meias medidas quanto à perda de soberania e independência nacional da Roménia (se o homem fosse a Portugal…). Mais uma coisa que não cabe na caracterização da “extrema-direita” actual, pois se existe algo que a caracteriza, esse algo é o alinhamento com a OTAN, com a EU e, especialmente, com os EUA e o que consideram ser o “ocidente” e os seus “valores”.

Este Doutor, que trabalhou no Centro Nacional para o Desenvolvimento Sustentável (NCSD) uma ONG, prestando consultoria na área das questões ambientais, foi membro fundador e director executivo do Instituto de Projectos de Inovação e Desenvolvimento (IPID), que incluía figuras proeminentes das comunidades científica e académica romena, bem como da sociedade civil. Fundou, juntamente com os principais representantes das associações empresariais, dos sindicatos, da comunidade académica e da sociedade civil, a Aliança de Profissionais para o Progresso (APP), que tinha a missão de “promover a definição de objectivos estratégicos precisos no curto, médio e longo prazo e mobilizar as competências reais que existem na Roménia”. A Aliança organizou, em cooperação com a Academia Romena, dois debates públicos sobre “Reforma do Estado” e “Desenvolvimento Social Responsável”, trabalhou como investigador para o Clube de Roma, e muito mais, o que o torna alguém que conhece, como ninguém o sistema e como tão injustamente funciona.

Ambientalista, especialista em agronomia e crítico profundo das políticas agrícolas e ambientais da EU, especialista em desenvolvimento sustentável, ex-funcionário da ONU, escritor sobre assuntos ligados ao desenvolvimento da Roménia, Georgescu, está bom de ver, tem um perfil que bate com muita coisa, mas nunca com um líder “populista, extremista, fanático” como são os da extrema-direita.

Georgescu fundamenta todo o seu discurso numa ideia de progresso e justiça social, na ciência, no conhecimento, nunca usando fake-news e ideias feitas. Georgescu, ao invés, explica claramente o seu pensamento, fundamentando-o com base na ciência. O que tem isto a ver com a “extrema-direita”.

Se estas ideias, já por si, seriam suficientes para que os seus críticos o tentassem catalogar e condicionar como se tratando de “um agente do Kremlin”, um “Pró Russo”, um “agente de Putin”, o que dizer dos objectivos programáticos que encontramos nos seus canais Telegram e online em geral?

Vejamos esta tirada, num canal do movimento “Alimentos, Água, Energia”: “O projecto nacional “Alimentos, Água, Energia” do Sr. Calin Georgescu tem como base o Distributismo”. Para tal, foi criada uma página da Liga Distributista (https://www.facebook.com/distributismulatreiacale), que defende um verdadeiro programa de cooperação, distribuição, justiça social e de paz.

Um dos textos diz mesmo “é o momento em que devemos traçar um limite e mobilizar-nos para o desenvolvimento deste país, para a recuperação dos activos do Estado através da nacionalização selectiva, onde foram cometidos roubos grosseiros contra os romenos.”

Ou ainda: “A globalização e o desvio da atenção, como técnica de escravização da mente, devem parar em todos os países do mundo”. E aqui se rejeita toda a doutrina do Fórum Económico Mundial e do grande reset, com um toque Internacionalista, nada ao gosto do Tio Sam.

Mas vai mais longe: “Assistimos a uma campanha agressiva de confisco da soberania dos Estados, por parte de corporações internacionais que se alimentam de conflitos e crises, que fazem cenários com as nações do mundo, financiando simultaneamente serviços secretos, grupos terroristas e organizações capazes de desestabilizar nações.”

Ou ainda: “Todos os partidos actuais são controlados pelos serviços secretos e apenas acompanham o embolsamento de dinheiro público, a transferência de activos do Estado para propriedade privada.” Mas que raio de “extrema direita” é esta?

Defendendo a cooperação, a distribuição de riqueza, a nacionalização de activos estratégicos que possam ser utilizados pelo estado para elevar as condições de vida do povo, o projecto de Georgescu é tudo, tudo, tudo, menos um projecto de extrema-direita. É anti-liberal? Sim! Suporta-se no povo Ortodoxo Cristão? Talvez! Prima pela soberania nacional? Sim! Mas não numa lógica nacionalista pura, antes numa lógica mais patriótica, preocupada com a vida e bem-estar do seu povo.

Nada do que este senhor defende, e a forma como defende, é de extrema-direita. Eis algumas das grandes preocupações de Georgescu: a mortalidade infantil a subir na Roménia nos últimos 15 anos; a queda da natalidade, a perda de jovens para a emigração, a redução populacional pelo envelhecimento da população, a qualidade da educação. O que é que aqui é de “extrema-direita”?

Este ataque a Georgescu levanta várias suspeitas e dá-nos várias pistas sobre o que se está a passar no leste europeu, numa verdadeira batalha, “sem metáforas”, como diz Georgescu, “da luz contra as trevas”:

  • Sabendo muito bem que o projecto Georgescu é um projecto de progresso social, democrático e assente nas bases populares, os EUA não podem deixá-lo vingar, pois sendo inspirador e revolucionário, pode “infectar” os países do leste europeu, a quem a EU e os EUA prometeram muito e muito desiludiram;
  • Uma personagem como Georgescu, tal como o movimento em que se apoia, é similar ao tipo de movimentos de emancipação social que se viram, um pouco por todo o mundo, mas especialmente a seguir à segunda guerra mundial na Europa de leste e em muitos locais da América Latina, até aos dias de hoje, os quais resistem à submissão ao globalismo, ao neoliberalismo, aos EUA e ao que significam;
  • Uma população inspirada pelos ideais de emancipação social que Georgescu defende, tem um poder enorme, assim, os EUA têm de o estancar desde já este movimento, pois a sua afirmação fará perigar a estratégia de domínio do leste europeu, de cerco à Rússia e mesmo de contenção da China.

Toda esta acção contingente, assente em refúgios tácticos que não resolvem a contradição principal, acabará pode se revelar limitada. Existem algumas razões para em tal acreditar:

  • No final de 1991, o principal chamariz usado pelo ocidente para trazer os países de leste ao alargamento baseou-se na ideia de que, entrar na União Europeia, significava receber fundos comunitários infindáveis e aceder a um nível de desenvolvimento mais elevado;
  • Após a guerra fria, a União Europeia começou a vender-se como um espaço de “paz” e estabilidade, apresentando-se como uma construção que prevenia a guerra na Europa.

Passados mais de trinta anos, após uma crise de 2008 que não mais findou e está em vias de se agravar, a UE vende hoje a guerra contra a Rússia, como elemento de coesão. Ora, uma coisa é vender a paz, outra é a guerra. É que ninguém quer morrer, muito menos por causas que não são as suas, como a ofensiva dos EUA/NATO contra a Federação Russa.

Por outro lado, o desvio sucessivo de fundos para: 1. A construção de um complexo militar industrial e compra de armamento; 2. A criação de ciclos de acumulação que aumentam, cada vez mais o fosso entre ricos e pobres; traz consigo toda uma realidade em que se denota a estagnação do desenvolvimento infra-estrutural e económico da UE.

A época de ouro coincidiu com uma propriedade pública forte, que garantia energia, telecomunicações e logística baratas, que foi privatizada, e coincidiu com épocas de crescimento económico muito forte, capacidade de investimento público em infra-estruturas grandiosas, crescimento resultante também da capacidade de manipular o câmbio monetário, a taxa de juro, etc… Primeiro o consenso de Washington, a seguir o pacto de estabilidade, depois o Euro e tudo o que trouxe, foram facadas mortais na capacidade dos estados europeus criarem projectos de desenvolvimento. A mais valia que desenvolveu a Europa, passou a acumular-se em fundos de capital nos paraísos fiscais criados para o efeito.

Não seria então de esperar outra coisa que não fosse a desilusão pelas promessas feitas e não atendidas.

Mesmo na Lituânia, temos um partido (hoje, na coligação de centro-esquerda) chamado “Alvorada de Nemunas”, cuja defesa da soberania nacional, propriedade pública de determinados sectores económicos, críticas ao sionismo, proximidade com o campo e com a identidade nacional, a quem a imprensa mainstream também cataloga como “extrema-direita”, demonstram que outras formas de poder popular democrático e progressista poderão estar a reemergir, agora que as elites, antes derrotadas pelo movimento para o socialismo, e, mais tarde novamente elevadas pelo capitalismo ocidental, estão a falhar, uma vez mais.

E não admira que estes partidos se apresentem como sendo “anti-sistema”. O “sistema” que está hoje disseminado por um amplo centro de poder, determina como sendo “de esquerda” que é “wokista, contra o fóssil, animalista ou alterações climáticas”, de “centro” quem é liberal e neoliberal, e de direita quem é “conservador e reaccionário”. Não existe lugar para a esquerda revolucionária, do progresso e da emancipação social, do trabalho, do campo, da era humanista.

Uma esquerda dessas, é tão difícil de catalogar para as mentes superficiais e perturbadas da era globalista, resultado de um retrocesso na consciência social e no estado subjectivo das forças produtivas, só pode ser comparada ao pior que se conhece.

Tudo tem a ver com a incapacidade para sonhar com que foram impressas as mentes do século XXI. Esta incapacidade para sonhar é ela própria um travão à emancipação social. Logo, compara-se o desconhecido à negra extrema-direita. Mas apenas na aparência, como em tudo o que se vende nesta era simplista, que rejeita o pensamento complexo.

A prová-lo, está a Roménia de Georgescu. Fosse esta esquerda, social, progressista, humanista, igual à “extrema-direita”, com que a querem catalogar, e já os EUA estaria com ela a trabalhar!

Como o fizeram e fazem com todos os ditadores, mais ou menos expressos, que apoiam!

Fonte aqui.


António Costa escarnece de nós

(José Catarino Soares, 13/12/2024) 

«A ditadura de Assad causou imenso sofrimento. Com o seu fim, surge uma nova oportunidade de liberdade e paz para todo o povo sírio» (António Costa, presidente do Conselho Europeu, X, 8-12-2024).


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António Costa tem a desfaçatez de escarnecer de nós, tomando-nos por tolos e ignorantes.

Vejamos, então, qual é «a nova oportunidade de liberdade e paz para todo o povo sírio» a que se refere António Costa.

1. Mohammed al-Julani, aliás, Ahmed Hussein al-Shara

É a que chega pela mão de um homem que se apresentava, outrora, como Abu Mohammed al-Julani (o indivíduo que aparece na imagem da foto acima), e que se apresenta agora como Ahmed Hussein al-Shara (o seu verdadeiro nome),

A foto é de um cartaz do Departamento de Estado dos EUA, divulgado pela sua embaixada na Síria, oferecendo 10 milhões de dólares pela captura de al-Julani. Mas isso está a mudar com grande rapidez (Ver mais abaixo a notícia da BBC). Al-Julani nasceu em Riade, na Arábia Saudita, em 1982. É um veterano da Alcaida [Al Qaeda], fundador e dirigente da Frente al-Nusra e do movimento, também jihadista, Hayat Tahrir al-Sham (HTS), e, desde há uns dias, o novo manda-chuva em Damasco. 

Há uns anos, al-Julani era considerado por António Costa, pelo Conselho Europeu, pela Comissão Europeia, ONU, Casa Branca, pelo Pentágono, pela CIA, etc., um perigosíssimo “terrorista”. Há uns meses, porém, já era considerado um respeitável “rebelde”, da nova estirpe oximórica dos “radicais moderados/pragmáticos”. Hoje, surge em todos os noticiários como um impoluto “freedom fighter” [combatente pela liberdade]!

O major-general Agostinho Costa caracterizou lapidarmente estas cabriolas da opinião e da política dos próceres do “Ocidente alargado”:

«Julani? Pegamos num terrorista que andou a cortar cabeças, aparamos-lhe a barba e vestimo-lo à Zelensky» [clicar aqui : “Jolani? Pegamos num terrorista que andou a cortar cabeças, aparamos-lhe a barba e  vestimo-lo à Zelensky” – CNN Portugal].

Mohammed al-Julani, em 8 de Dezembro de 2024, sem turbante, com o cabelo cortado, a barba aparada e vestido à Zelensky, pronto para instituir um Estado teocrático islamista, com base na Sharia [“lei islâmica”] para garantir, como profetizou António Costa, «uma nova oportunidade de liberdade e paz para todo o povo sírio».

2.  A destruição e partição da Síria

Quanto à «nova oportunidade para a paz e a liberdade para todo o povo sírio» que António Costa nos afiança que vai ser instituída sob a esclarecida tutela e orientação de al-Julani, «a população da região de Idlib, permanentemente ocupada pela al-Qaida desde o início da intervenção estrangeira, pode muito bem explicar, por experiência própria, o terror que é ser governado por al-Julani» [1]. Uma coisa é certa: não é seguramente na Síria que ela se vai concretizar, mas num dos 3 ou mais bocados que resultaram da destruição e partição da Síria pelo esforço conjugado de Israel, Turquia e EUA e dos seus procuradores locais, com a ajuda prestimosa da UE.

Sobre este mapa, que indica as zonas da Síria que estão actualmente sob o controlo militar e económico de Israel, Turquia e EUA, o major-general Raul Luís Cunha fez o oportuno comentário seguinte:

«Interrogo onde está a moralidade e a coerência do Ocidente? Então não há condenação e sanções a Israel e à Turquia por invadirem e ocuparem território da Síria — um país seu vizinho? Sem falar dos EUA, que há muito já ali se encontravam a saquear o seu petróleo…! HIPÓCRITAS» (Facebook, 10-12-2024).  

3.  Netanyahu, Erdogan e Biden tiram as castanhas do lume com a mão do gato

Tal como António Costa, presidente do Conselho Europeu, o presidente cessante dos EUA, Joe Biden, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, falaram com entusiasmo sobre a “nova oportunidade” na Síria. Ambos alegaram, com toda a razão, terem tido uma quota-parte (juntamente com Recep Erdogan, presidente da Turquia) muito importante no triunfo da ofensiva jihadista e curda que derrubou Bashar al-Assad.

Netanyahu assumiu os louros pela sua guerra genocida em Gaza e pela sua guerra de destruição no Líbano, por enfraquecer os aliados da Síria, o Hezbollah e o Irão.

Biden foi ainda mais descarado, ao explicar como o terrorismo de Estado americano destruiu a Síria e abriu o caminho para que os seus aliados curdos e jihadistas de tendência sunita tomassem o poder. Disse ele:

 «A nossa abordagem mudou o equilíbrio de poder no Médio Oriente através de uma combinação de apoio aos nossos parceiros, sanções, diplomacia e força militar direccionada» (Finian Cunningham “Síria, após 13 anos de terrorismo de estado dos EUA, o que podemos esperar?” in Observatorio crisis.com, e Estátua de Sal, 10/12/2024).

4. Receitas orwellianas para o Médio Oriente

«Obama cometeu um erro, que se revelou trágico, quando o regime de Assad utilizou armas químicas contra o seu povo, em 2013, ultrapassando uma “linha vermelha” que o próprio Presidente americano tinha traçado. Este resolveu não intervir e aceitou a mediação de Moscovo para destruir as armas químicas, o que verdadeiramente nunca aconteceu. Hoje, a aviação israelita, com o apoio americano, faz aquilo que o Ocidente não quer fazer: bombardeia os sítios onde aquelas armas podem estar armazenadas, antes que caiam em mãos pouco fiáveis» (Teresa de Sousa, “Saudemos a queda de uma ditadura sanguinária”, Público, 10 de Dezembro de 2024).

A utilização de armas químicas, nomeadamente de gás Sarin, pelo regime de Assad, é uma mentira grosseira que o veterano jornalista americano Seymour M. Hersh (prémio Pullitzer de reportagem internacional, entre muitos outros prémios jornalísticos) foi o primeiro a desmontar em 2013 (“Whose Sarin?”. London Review of Books, Vol. 35, n.º 24, 19 December 2013). Mais recentemente, as conclusões de Hersh foram corroboradas e desenvolvidas pelo estudo pormenorizado de todas as provas disponíveis em fontes abertas (Michael Kobs, Chris Kabusk, Adam Larson et alii. “Ghouta Sarin Attack. Review of Open-Source Evidence”. 2021. Academia.edu).

Foram os “insurgentes” jihadistas, que Teresa de Sousa saúda entusiasticamente, que obtiveram esse gás letal junto do governo da Turquia e que o usaram contra o povo sírio, matando mais de 1000 civis inocentes em Ghouta. Teresa de Sousa lamenta que Obama tenha recuado, à última hora, na sua intenção de bombardear a Síria em alegada retaliação contra esse crime de guerra que Bashar el-Assad nunca cometeu [2]. Mas rejubila por Israel ter agora, 11 anos volvidos, corrigido o “erro” de Obama, bombardeando os depósitos imaginários de gás Sarin na Síria e aproveitando, de caminho, para abocanhar mais território da Síria para juntar ao do sonhado “Grande Israel” (do rio Nilo ao Rio Eufrates).

A desfaçatez do governante António Costa e o cinismo da jornalista Teresa de Sousa estão bem uma para o outro. O apego de ambos ao lema “dois pesos, duas medidas” não tem falhas. Assim, por exemplo, o “sofrimento” que o regime de Bashar al-Assad infligiu aos seus inimigos jihadistas de tendência sunita é moralmente condenável e faz dele um “ditador sanguinário”. Em contraste, as centenas de atentados suicidas que, por exemplo, a Frente al-Nusra (o braço sírio da Alcaida, fundado por al-Julani) levou a cabo contra cristãos e outras seitas muçulmanas não sunitas no interior da Síria e o ataque com gás Sarin levado a cabo, em 2013, pela facção jihadista Liwa al-Islam, são convenientemente passados em silêncio.

Mais, o genocídio que Benjamin Netanyahu e o seu governo tem perpetrado contra os palestinianos de Gaza (assim como os despejos, expulsões, prisões arbitrárias, bombardeamentos, atentados terroristas e assassinatos selectivos que tem infligido aos palestinianos da Cisjordânia, aos libaneses e aos sírios) é moralmente louvável, sumamente virtuoso, e faz dele um paladino da paz e da liberdade.

Teresa de Sousa vai ao ponto de afirmar, com uma desfaçatez que pede meças à de António Costa:

«Os rebeldes [sic], incluindo Abu Mohammad al-Jolani, a sua figura mais emblemática [sic], já disseram que estão disponíveis para coordenar com a comunidade internacional [sic] a monitorização das munições convencionais e químicas e a não-utilização de armamento que esteja banido pela lei internacional».

Que comovente! Mas como conseguir que facínoras sanguinários ao estilo de Abu Mohammed al-Julani passem a comportar-se como pacíficas ovelhinhas? “É muito simples”, explica Amatzia Baram: com a ameaça de um drone militar a pairar em cima da sua cabeça a 3 km ou mais de altitude e malas cheias de notas de 100 dólares entregues em mão própria de tempos a tempos.

«Perante tudo isto, Israel e o Ocidente devem tirar partido do pragmatismo de Julani. O dinheiro dos Emirados e da Arábia Saudita é necessário para a reconstrução da Síria. Além disso, é de esperar que a nossa força militar [entenda-se, de Israel, n.e.] e a dos Estados Unidos recordem a Julani o que o Ocidente fez a Abu Bakr al-Baghdadi, o chefe do ISIS, ao general Qassem Soleimani, comandante do Corpo Iraniano de Jerusálem, e a Osama bin Laden, o chefe da Al-Qaeda. Al-Julani também precisa que lhe lembrem o que Israel fez a Hassan Nasrallah [secretário-geral do Hezbollah] e a Yahya Sinwar [presidente do Hamas]. Entalado entre os sauditas, como o polícia bom, e Israel, como o polícia mau, espera-se que al-Julani se porte bem» (Amatzia Baram [3], “Backgrounder: Abu Muhammad al-Julani. What’s Ahead in the Middle East with the Fall of the Assad Regime”) [n.e. = nota editorial]

Mas talvez não seja assim tão simples, porque uma coisa é o “pragmatismo” de al-Julani, outra o fanatismo bélico dos seus seguidores do HTS. Num vídeo filmado em 8 de Dezembro de 2024, podemos vê-los a ameaçarem invadir Israel e a Arábia Saudita, quando entenderem que estão preparados para tanto [Ver aqui: https://www.youtube.com/watch?v=X7X_8B7lw7w]. E se assim acontecer, lá se vai a tão ambicionada «coordenação com a comunidade internacional» …

5. Um duro golpe na luta de libertação dos Palestinianos

A destruição do Estado laico da Síria e a partição do seu território em três protectorados mutuamente hostis (um turco, um israelita e outro americano), representa um duríssimo golpe na luta de libertação dos Palestinianos, nos moldes em que tem sido conduzida. Com ele, a solução fantasiosa dos “dois Estados” (Israel + um Estado residual da Palestina na Cisjordânia e na faixa de Gaza) caducou definitivamente.

A única solução que resta para a sobrevivência e emancipação do povo árabe- palestiniano e para a regeneração e emancipação dos sabras [os judeus nascidos na Palestina] consiste em defender a constituição na Palestina, do rio Jordão até ao mar Mediterrâneo, de uma República democrática, laica, palestiniana:

― (i) democrática, porque garantiria a igualdade de direitos, de deveres e de representação de todos os seus cidadãos (árabes/palestinianos, sabras, beduínos, drusos, circassianos);

― (ii) laica, porque garantiria a liberdade de culto a todos os seus cidadãos com crenças religiosas (muçulmanos, judeus, cristãos, etc.) e estaria isenta de discriminações de base religiosa, étnica ou outra;

― (iii) palestiniana, porque garantiria o direito de retorno dos refugiados palestinianos, poria um fim definitivo ao apartheid, à purga étnica e ao genocídio que o Estado de Israel tem organizado e mantido contra o povo palestiniano há mais de 60 anos e restauraria a sociedade palestiniana multicultural, tal como era antes de Israel: «um belo mosaico de vida» [4].

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Notas e referências

[1] José Goulão, “Catorze certezas da vitória terrorista em Damasco”, Resistir, 8 de Dezembro 2024.  

[2] «Parece possível que, a dada altura, [Obama] tenha sido directamente confrontado com informações contraditórias: provas suficientemente fortes [de que o autor do ataque com gás Sarin fora um grupo jihadista (a Liwa al-Islam, aliada da Frente al-Nusra de al-Julani), e não Bashar al-Assad, n.e.] para o persuadir a cancelar o seu plano de ataque e a aceitar as críticas que certamente viriam dos republicanos» (Seymour Hersch, op.cit.)  

[3] Amatzia Baram é professor emérito no Departamento de História do Médio Oriente e Director do Centro de Estudos sobre o Iraque, da Universidade de Haifa, Israel. O seu artigo foi publicado no jornal Ma’ ariv, em Hebraico, em 8 de Dezembro de 2024 e, em Inglês, no boletim “Weapons and Strategy”, na plataforma Substack, em 11 de Dezembro de 2024.

[4] Sobre este assunto, consultar One Democratic State Initiative [https://odsi.co/en/]

As encruzilhadas de Zelensky

(Major-General Carlos Branco, in Diário de Notícias, 11/12/2024)

Para a história ficam os líderes ocidentais e um presidente ucraniano que optaram por empurrar um país para a desgraça em vez de negociar no devido tempo. Por tudo isto, o futuro de Zelensky e da Ucrânia não será promissor.


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Em duas entrevistas recentes, uma delas à Sky News, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky mostrou-se disponível para ceder temporariamente os territórios ucranianos sob controlo russo, sem deixar de sublinhar a intenção de os recuperar posteriormente pela via diplomática, mas em troca pela admissão da Ucrânia na NATO, com as áreas atualmente sob o controlo de Kiev. A apresentação desta proposta foi feita com algum sentido de urgência, “temos de atuar rapidamente”. O cessar-fogo é essencial para “garantir que Putin não se apodere de mais território ucraniano”. Num assombro de realismo, Zelensky admite, portanto, que Moscovo se encontra em vantagem.

Não exatamente alinhado com Zelensky, mas numa onda semelhante, o seu Chefe de Gabinete, Andriy Yermak, numa entrevista à publicação sueca Dagens Industri afirmou que as negociações com a Rússia poderiam começar se a situação no terreno regressar à de 23 de fevereiro de 2022. Ou seja, mostrava-se aparentemente disponível para deixar cair a Crimeia. Esta aparente mudança de posição mostrando abertura para uma concessão temporária de território tem sido apresentada como uma “evolução significativa” da posição ucraniana. Na verdade, assim não é. Procuraremos perceber porquê.

Ao contrário daquilo que a comunicação ocidental nos tem vindo a fazer crer, por exemplo, ao comparar Zelensky com Churchill, o presidente ucraniano tem pouca margem de manobra, limitando-se a fazer o que lhe mandam, cedendo às pressões de atores exteriores, com os EUA e o Reino Unido à cabeça, e internos, às alas ultranacionalistas da sociedade, que apesar de não disporem de uma expressão eleitoral significativa, exercem uma enorme influência na vida política do país, devido ao controlo das forças armadas e de segurança. Por outras palavras, Zelensky não dirige, é dirigido. As suas contradições levam-no frequentemente a afirmar uma coisa e o seu contrário.

Foi assim quando incumpriu a promessa eleitoral de resolver o problema do Donbass, que lhe permitiu obter uma vitória eleitoral avassaladora sobre Petro Poroshenko, em 2019. A sua “determinação” esfumou-se quando os militantes ultranacionalistas o encostaram à parede e ameaçaram fisicamente, se prosseguisse com o projeto de reconciliação com as duas repúblicas secessionistas, inscrito no topo da sua agenda eleitoral.

Foi assim, também, durante as negociações de Istambul, em março de 2022, quando deu um passo atrás, depois de ter renunciado publicamente ao grande objetivo estratégico de integrar a NATO, posição que alterou devido à forte pressão norte-americana e britânica.

Zelensky sabe que a questão central na guerra que trava com Moscovo prende-se com a neutralidade estratégica de Kiev e a sua renúncia definitiva às armas nucleares. Este foi o leitmotiv que levou ao conflito. A questão territorial só se veio a colocar de modo veemente após o falhanço das citadas conversações em Istambul, onde o estatuto das duas regiões autónomas Donetsk e Lugansk ficou para ser discutido posteriormente.

Zelensky não foi capaz de se desenvencilhar do novelo de contradições em que está enredado. Apesar de saber ser impossível derrotar militarmente as forças russas e de ser carne para canhão numa guerra por procuração, o que agora é admitido despudoradamente no ocidente, com o objetivo de “debilitar o nosso inimigo [a Rússia] sem nos envolvermos diretamente com ele… com os resultados mais extremos e trágicos dos jogos de poder que têm sido jogados impiedosamente em solo ucraniano pelas grandes potências,” Zelensky fez as suas escolhas.

Numa entrevista, em março de 2022, reconheceu haver “no ocidente quem que não se importe com uma guerra prolongada, porque isso significaria a exaustão da Rússia, mesmo que representasse a morte da Ucrânia à custa de vidas humanas.” Não obstante, alinhou nesse projeto sabendo o sacrifício que isso traria ao seu povo.

O acolhimento vibrante que lhe foi dado em grande areópagos da política internacional – Parlamento Europeu, Congresso norte-americano, G20, etc. – devem tê-lo deslumbrado e levado ingenuamente a acreditar ser o centro do universo a quem todos se iriam curvar, ignorando que a política, em particular a internacional, é muito volúvel e que se reformula em permanência para satisfazer os interesses das grandes potências. Esse tratamento ter-lhe-á dado a sensação de ter o mundo a seus pés. A relação próxima com os grandes líderes mundiais tê-lo-á convencido de que era um deles. As palmas e os holofotes convenceram-no de que era o ator principal, como na sua vida anterior. Mas não era.

Essa perceção poderá justificar a tomada de posições irredentistas – a Ucrânia só se sentará à mesa das negociações quando se encontrar em vantagem, repetindo aquilo que lhe foram dizendo e em que passou a acreditar. Como afirmou numa entrevista, “a Ucrânia é um país independente e os EUA não podem forçar o regime de Kiev a “sentar-se e ouvir” à mesa das negociações”, o que levou Elon Musk a responder-lhe no “X” dizendo que Zelensky tem um “sentido de humor incrível”. Zelensky parece não perceber o caldeirão em que está metido.

Só haveria uma possibilidade de vencer a Rússia, que passava, não pelo apoio político, financeiro e militar, mas pelo envolvimento militar direto do Ocidente com contingentes em território ucraniano para fazerem aquilo que as tropas ucranianas não eram capazes. E isso foi claramente tentado em muitas ocasiões. Por exemplo, quando um míssil da defesa aérea ucraniana caiu na Polónia.

As ameaças explícitas dos ultranacionalistas no que se refere a soluções políticas e cedência de território contribuíram seguramente para que prevalecessem as visões irredentistas, impedindo-o de encarar os factos com realismo.

A apresentação do “Plano da Vitória”, insistindo num triunfo que lhe fugia no campo de batalha, cada dia que passa, foi mais um fiasco que não galvanizou os seus patrocinadores. A insistência na adesão à NATO mostrava o seu alheamento da realidade. O tempo corre contra ele e o tapete foge-lhe debaixo dos pés.

A eleição de Donald Trump para presidente dos EUA e perceção de que poderá ser reduzido o apoio à Ucrânia veio acelerar os acontecimentos. Zelensky veio reconhecer o óbvio e introduziu nuances no seu discurso: “As Forças Armadas da Ucrânia não dispõem de forças suficientes para recuperar os seus territórios por meios militares” afirmou Zelensky.

Mesmo assim, não alterou a sua posição em matéria de “cedência territorial”. Por saber que não será admitido na NATO, tem a noção de que o discurso sobre cedências territoriais temporárias é uma falácia. Se, por um lado, isso o defende dos ultranacionalistas, por outro, faz com que se tenha tornado num obstáculo à resolução do conflito, em vez de ser um elemento facilitador.

Com o comprometimento do projeto que visava derrotar estrategicamente a Rússia, Zelensky deixou de ser útil. Segundo o Economist existem movimentações para o afastar em 2025, e o substituir por alguém com a flexibilidade necessária para dirigir um processo de paz que envolva a aceitação de cedências territoriais.

O antigo comandante-chefe das forças armadas ucranianas Valery Zaluzhnyi, presentemente embaixador em Londres, parece encontrar-se bem posicionado para tal. Zelensky “já não é visto como o líder de guerra indiscutível que foi em tempos.” Segundo uma pesquisa realizada pelo Centro de Controlo Social de Kiev, apenas 16% votariam para o reeleger para um segundo mandato, e quase 60% nem sequer querem que ele concorra novamente. No topo da sondagem, à frente de Zelensky, com 27%, aparece Valery Zaluzhny.

Zelensky, ao apresentar exigências obviamente impossíveis de satisfazer, pode estar a perseguir o objetivo de apresentar o Ocidente como um “traidor” da Ucrânia, escreve a revista britânica The Spectator, e assim livrar-se da ira dos ultranacionalistas, que consideram que o problema ucraniano tem de ser resolvido agora, e não protelado para ser dirimido pelas gerações vindouras.

Mas, por outro lado, o seu irredentismo pode facilitar a vida a Trump. Como referia o Financial Times, perante a recusa em assumir compromissos, Trump poderá habilmente encenar uma tentativa para acabar com a guerra, atribuindo o insucesso à teimosia e intransigência de Zelensky, deixando a gestão do conflito para os europeus, livrando-se assim de um processo complicado.

Zelensky assume agora que “com as políticas da equipa que vai liderar a Casa Branca, a guerra vai acabar mais cedo. Esta é a sua posição [Trump] e a sua promessa à opinião pública”. Sem pudor, assume, tardiamente, que quem vai determinar o futuro do conflito é Washington e que Kiev não tem voto na matéria. Mas, mesmo assim, fala como se estivesse na mó de cima e a poder impor condições.

Mostrando-se incapaz de avaliar a realidade e de a projetar no futuro, Zelensky não percebeu qual o papel que as grandes potências lhe tinha sido atribuído neste drama. Não obstante, dava indícios, volta não volta, de saber que estava a condenar o seu povo a um sacrifício inglório e nada fazer para o evitar, preferindo a cumplicidade com agiotas.

Para a história ficam os líderes ocidentais e um presidente ucraniano que optaram por empurrar um país para a desgraça em vez de negociar no devido tempo. Por tudo isto, o futuro de Zelensky e da Ucrânia não será promissor.