Monsanto vai arder? Rio fica a ver e a Joana a soprar

(Dieter Dellinger, 24/04/2018)

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Hoje a TSF acordou com a ideia de que se pode lançar fogo ao Parque de Monsanto porque não foi devidamento limpo.

O parque lisboeta de Monsanto é lindíssimo com a vegetação que tem. Tirar uma parte dessa vegatação, nomeadamente árvores nos 10 metros das bermas das estradas é acabar com o parque que tem muitos arruamentos e muita sombra para ciclistas andarem por lá.

Para evitar que se torne “um pinhal de Leira” como ameaçou a TSF não há outra solução que não seja acabar mesmo com o parque e voltar à nudez de há uns 60 a 70 anos atrás.
A TSF lançou a ideia aos INCENDIÁRIOS que se sentem em plena IMPUNIDADE porque os procuradores e Juízes de instrução não ligaram aos INCENDIÁRIOS. No seu intimo aplaudiram como fez Rui Rio e Marcelo Rebelo de Sousa que aproveitaram o CRIME para fazer política.

Rui Rio disse que o futuro do governo está na quantidade de incêndios que se venham a verificar no próximo verão. E, para o Rio e o PSD, nada melhor que um grande incêndio numa parque situado dentro do perímetro da capital e se poder passar ao casario da cidade seria “ouro sobre azul” para o fingidor Rui Rio.

A oposição hipócrita está a utilizar a chamada justiça para atacar o Governo por ação direta e por inação, quando se tratam de crimes graves como o incêndio do Pinhal de Leiria e mais 16450 fogos e incêndios, e ao mesmo tempo a fazer uso muito intenso da comunicação social como foi o caso dos vídeos vendidos ou fornecidos pelo juiz de instrução Carlos Alexandre, que era o chefe da investigação e dos interrogatórios, associado aos procuradores.

PSD e magistrados estão dispostos a tudo, mesmo a lançar fogo à cidade de Lisboa. A magistratura nada fez para criar um espírito de dissuasão. A Joana Marques Vidal está calada e paralisada quanto aos incendiários para lhes fornecer a sensação de IMPUNIDADE.

A única solução é o patrulhamento noturno pela polícia armada com pistolas metralhadoras e ordem para disparar a matar se vislumbrar algum INCENDIÁRIO ao serviço da oposição ou magistratura. No Monsanto não há a questão dos madeireiros, já que o parque não tem uma função económica de produção de madeira.

25 de Abril, Sempre!

(Carlos Esperança, 24/04/2018)

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Amanhã é dia de comemorar a data maior da liberdade no país de quase nove séculos de História.

Daqui a uma dúzia de horas começa a noite da primeira madrugada em que a liberdade veio na ponta das espingardas embrulhada em cravos vermelhos, com balas por disparar e sonhos para cumprir. Há 44 anos.

Nunca tantos devemos tanto a um exército que deixou de ser o instrumento da repressão da ditadura, para se transformar no veículo da liberdade conduzido, por jovens capitães.

Foi a mais bela página da nossa História e o dia mais feliz da minha vida. Abriram-se, por magia, as prisões, neutralizou-se a polícia política, acabou a censura e não mais se ouviram os gritos dos torturados nas masmorras da Pide.

Há 44 anos, daqui a poucas horas, ainda os coronéis e os padres censores empunhavam o lápis azul da censura já sem efeito nas palavras e imagens cortadas. O dia 25 de Abril nasceria límpido e promissor com a guerra para acabar e a promiscuidade entre o Estado e a Igreja a ser interrompida.

Os exilados e os degredados viriam juntar-se aos que saíam das prisões. O fascismo era já um cadáver que sobrevivia com a mais dura das repressões. A Pátria não era o país de um povo, era o lúgubre reduto de onde os fascistas oprimiam o próprio povo e as pátrias de outros.

Amanhã é dia de ouvir canções, de sair à rua e de gritar, «fascismo nunca mais!»

O Povo Unido Jamais Será Vencido! Viva o MFA! Viva o 25 de Abril, que aí vem na idade madura dos seus 44 anos.

Para os heróis desse dia, de todos os dias e de sempre, para os que ainda vivem, não há cravos que cheguem para agradecer a vida que cumpriram num só dia.

Obrigado, capitães de Abril! Amanhã, como então, as lágrimas são de alegria incontida, e é forte e comovido o abraço que aqui deixo a todos os que amanhã lembrarei — os capitães de Abril.

O PS e a situação de Lula: socialista sim, seguidista acrítico não!

(Jorge Rocha, in Blog Ventos Semeados, 23/04/2018)

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Militante socialista há mais de trinta anos preparo-me para ir votar na renovação do mandato de António Costa como secretário-geral do meu partido por ser quem possui as qualidades, a inteligência e a capacidade para manter as convergências à esquerda, que finalmente se enquadraram com quanto sempre pensei ser a melhor estratégia para impedir as direitas dos negócios em incrementarem as desigualdades entre os portugueses, favorecendo os mais ricos em detrimento dos mais desprotegidos.

Se gostaria de ver acelerada a correção das injustiças, das desigualdades e das liberdades (mormente contra o inquietante diktat de magistrados e juízes!), compreendo que se deva seguir o conselho de uma velha canção de José Mário Branco (“se vais à frente demais/ bem te podes engasgar”) e não me inquieto com cerimónias de acordos ao centro cujo sentido semiótico significam intenções distintas das que lhes têm sido conotadas.

Voto em António Costa, também porque o seu opositor, líder da tendência «Resgatar a Democracia», representa exemplarmente tudo o contrário, bastando olhar para algumas das «personalidades», que o acolitam, mormente aqui no Seixal.

Mas esta confiança em António Costa e a convicção em como Jerónimo de Sousa tem razão ao prever que a próxima legislatura continuará a comportar um equilíbrio de forças entre as esquerdas e as direitas aparentado com o atual, não me exime de lamentar atitudes internas por parte dos que apoio e se silenciam perante acusações de cederem a pressões brasileiras e norte-americanas para que não tomem posições públicas de apoio a Lula no combate decisivo contra a ignóbil (in) Justiça brasileira.

Relativamente à Operação Marquês ainda pude engolir em seco perante a passividade do Rato relativamente a alguns dos episódios de evidente violação dos princípios republicanos mais inegociáveis por parte de juízes e magistrados, que usaram e abusaram do princípio da separação de poderes para agirem como ditadores e não como representantes de uma Justiça democrática. A barragem mediática de manipulação contra Sócrates revelou-se tão eficaz, que uma boa parte dos portugueses não dá sequer o benefício da dúvida ao ex-primeiro-ministro numa altura em que, por Lei, ele deveria ser considerado presumivelmente inocente. Se o cálculo teve a ver com os votos perdidos por alguma posição antipática a esses cidadãos com um deturpado conceito do que deve ser a Democracia, só posso considerar lamentável, porque os valores e os princípios devem ser mais importantes do que um ou dois por cento no momento das contas eleitorais.

Mas o que pôde levar Ana Catarina Mendes e a sua parceira espanhola a faltarem à Conferência organizada pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra para a qual haviam confirmado a presença? Se Boaventura Sousa Santos tem razão quanto à relação causa-efeito entre as pressões diplomáticas de Trump e de Temer junto do meu partido para que ele se cale perante a iniquidade com que Lula está a ser tratado no seu país, só posso considerar que quem assim age tem a minha ruidosa discordância.