Ainda sobre o (triste) caso do Azeredo Lopes, notas

(Por RFC, 06/10/2018)

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Se eu assinalei na semana passada o facto de os rapazes do Expresso não disporem dos saberes para serem reconhecidos como um player na política portuguesa, sendo que o resultado sobre a recondução da actual PGR foi estatelarem-se ao comprido, pois por aqui ninguém perdoa nada!, no caso do ministro Azeredo Lopes deve ter sido um dia, ou dois, de pura adrenalina.

Acontecimentos, uma narrativa possível:

Um comité revolucionário (1), escreveu que o Camarada Vasco, o da PJM, revelou no seu depoimento no DCIAP que Mr. Magoo estava a par da aldrabice sobre a descoberta das armas na Chamusca e, tal como com o edital de Calvino, pregaram-no e exibiram-no no lugar do estilo, não na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, mas nas portas, janelas e postigos, (no confessionário?), do tipo da Microsoft através da edição online.

… «não as portas da porta da Igreja do Castelo de Wittenberg,», a porta da igreja acho.

Os algoritmos dispararam, e na redacção do Expresso a adrenalina manteve-se elevada: seguiram-se as reacções (umas públicas, muitas privadíssimas), assessores, adjuntos, chefes de gabinete, todo o pessoal dos gabinetes ministerais.

Marcelo Rebelo de Sousa e o palácio de Belém à escuta, o palacete de São Bento em obras, a Gomes Freire fervilha, largo do Rato, Lapa, Almirante Reis, Soeiro Pereira Gomes arregalam os olhos, os gatos do PAN arrebitam as orelhas, SIC N na dianteira, TVI24 na peugada, RTP 3, Manuel Carvalho e Ana Sá Lopes entreolham-se, DN, TSF, Antena 1, Renascença.

A Estrela Serrano está cada vez mais preocupada com a pouca sorte e a falta de jeito do seu partenaire num blog que jaz morto e arrefece, e até mesmo, em pontas!, a personagem valupiana, sempre enfrascada, delira febrilmente rezando para que consiga ser um dos milhares de figurantes neste filme.

Chegam as notícias nas TV’s à hora de jantar e começa o ritual. Perante tal sacrifício alguns dos espectadores desabafam sobre o que lhes vai na alma nos balcões dos cafés, e nas caixas de comentários dos jornais. Os cabos de esquadra dos blogs acordam, nos táxis o motorista desenrosca a cabeça, bate no volante e grita, enquanto o cliente da Uber, mais clean, usa o Twitter, a selva do FB  e o Instagram, para dar um alô pessoal. Outros mostram-se condoídos e vão à página do Provedor da RTP indignar-se por lhes ser dado a ver, pormenorizadamente, aquilo que parecia ser o cadáver de Azeredo Lopes.

Este, entretanto, não sabe se o vão demitir mas, pelo sim pelo não, giza um plano de fuga num fim-de-semana prolongado (que se lixe o 5 de Outubro e as paradas militares, que isso não é coisa para quem não percebe patavina de G3’s, tanques de guerra, de messes, continências e gajos fardados!).

A sexta à meia-noite aproxima-se, qual será a manchete do Expresso? Demissão? «Eu, estou demitido?», pensa Mr. Magoo enquanto escreve uma carta a agradecer todo o apoio do PM, fala da honra que foi servir e tal-e-tal. Uma frase mais colorida do PR e deixam-no cair? Que não, afinal, que está provavelmente adiada a demissão. Quê?

Ainda assim, a manchete do Expresso em papel (ver aqui), de tão inspirada é cruelmente mortal: diz-se que o ministro da Defesa está nas mãos do careca que mandava na Polícia Judiciária Militar, simplesmente! Ou seja, que está na palminha das mãos da tropa. Que é esta quem decide se o ministro que deveria tutelar os militares está politicamente morto-morrido, ou não.

E António Costa, que na sua bonomia aparentemente não percebeu o cerne do problema – que é como se deixou encurralar neste processo -, ficará a aguardar dias ou semanas pelos militares até que, eventualmente pelos canais formais, lhe sejam apresentados os resultados da autópsia.

Até lá, até lá, que se dane mas que… não bufe.


(1) Hugo Franco, Joana Pereira Bastos, Micael Pereira, Pedro Santos Guerreiro, Rui Gustavo, cinco jornalistas!, sendo, logo de seguida, difundida pelo Martim Silva através do Twitter e retweetada pelo Bernardo Ferrão. Cinco, siblinho, sinal de que a Impresa aprendeu com o erro da PGR.

Tiro ao ministro da Defesa

(Por Valupi, in Aspirina B, 04/10/2018)

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Desde que veio a público a notícia sobre o assalto ao paiol de Tancos que se lançou uma campanha para abater Azeredo Lopes. Primeiro, os editorais e colunistas da bronquite crónica berravam contra a ausência de bandidos pendurados em árvores nos dias, semanas e meses imediatamente a seguir.

A culpa, garantiam, era do ministro da Defesa que não punia ninguém e se limitava a repetir que não era ele quem guardava os paióis nem ele quem investigava crimes no Ministério Público. Inadmissível e a merecer imediata demissão, garantiam fulanos que metem no bolso milhares de euros por mês para andarem a brincar aos jornalistas cheios de cagança contra os políticos que não gramam.

Depois, o Expresso lembrou-se de inovar e serviu de trampolim para se lançar no espaço público um suposto relatório de supostos serviços de informação militar onde se fazem comentários extraordinariamente coloridos – “ligeireza, quase imprudente”, “arrogância quase cínica”, “declarações arriscadas e de intenções duvidosas” – sobre Azeredo Lopes.

O magnífico jornalismo do mano Costa e do Guerreiro-Poeta assegurava que era tudo verdade verdadinha, com 63 páginas (sessenta e três, senhores ouvintes) de bota-abaixo no ministro da Defesa nascidas da inteligência de “militares no activo e também na reserva”. Este pessoal altamente qualificado, e talvez demasiado inteligente para a quantidade de papel desperdiçado, ofereceu ao pagode três cenários “muito prováveis” para o episódio de Tancos, sendo eles: Tráfico de armamento para África (em específico, para a Guiné-Bissau e Cabo Verde)/ Um assalto promovido por mercenários portugueses contratados / Envolvimento de jihadistas a operar na Península Ibérica.

A hipótese de termos um maduro que gamou as armas sozinho para as guardar umas semanas na casa da avó e depois ir arrependido entregá-las à PJM com a ajudar da boa e disponível GNR de Loulé terá escapado aos nossos especialistas em segurança militar e contraterrorismo por óbvia interferência maligna de Azeredo Lopes no trânsito eléctrico das suas rarefeitas sinapses.

Depois de todos os organismos ligados aos serviços de informação militar terem desmentido existir oficialmente esse relatório, o tiro ao ministro passou para o Parlamento, onde Azeredo foi chamado repetidamente para repetir que não era ele quem tinha de investigar o crime e que talvez fosse assim uma beca erradex estar a inventar responsáveis fechado no seu gabinete antes de as investigações terminarem.

Eis, hoje, que demos um salto quântico no fogo de barragem contra o alvo. O major Vasco Brazão aparenta ter disparado um morteiro que aterrou em cheio na peitaça do ministro. Será mais uma variante daquela cena linda e tão decente de vermos a imprensa a explorar fontes “portadoras de informações que “não conheciam na totalidade”?

Logo mais para a tardinha ficaremos a saber quais os danos, pois consta que Marcelo reunirá com Costa para tomarem belas decisões a respeito. Entretanto, temos uma história que vai de rocambolesco em rocambolesco, parecendo só ter uma linha condutora. Afastar alguém que, isso é factual, mostrou ter força para meter o poder militar a respeitar a legalidade civil.


Fonte aqui

Responsabilidades da AR

(Dieter Dellinger, 03/10/2018)

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(A Dona Cristas, com o boné do Paulinho das Feiras, sente-se invencível e avança de novo contra as “esquerdas encostadas”. O Negrão segue atrás e, em pose de forcado, mostra a sua disponibilidade para dar todo o apoio à bandarilheira das “direitas divorciadas”, mas que continuam a viver em “união de facto”. 🙂

Comentário da Estátua, 03/10/2018)


A Cristas e o Negrão com Rui Rio não sabem o que é a política nem conhecem a separação dos poderes em democracia.

O poder político reside na AR com a sua capacidade legislativa própria e de chamar a si qualquer decreto governamental para aprovar ou reprovar. Portanto a organização do Estado existe por via das decisões da AR e do que deixou passar.

O poder judicial é independente dos dois outros pilares da democracia.

Por isso, é estúpido da parte de Negrão e Cristas organizar uma comissão para apurar a responsabilidade política do roubo das armas de Tancos e seu posterior aparecimento quando o assunto está no Ministério Público e há um diretor da PJM preso.

Por outro lado, compete ao exército apurar responsabilidades militares. Mas, o primeiro objetivo foi RECUPERAR AS ARMAS e todo o resto é importante, mas secundário relativamente a esse objetivo.

Neste caso, as responsabilidades judiciais e os factos é que podem d determinar a responsabilidade política de Negrão, Cristas e todos os outros deputados. A principal é saber se deve existir uma PJ militar quando não há Tribunais Militares e quais as suas competências.

Isto é matéria da AR e não deste governo, já que a legislação que acabou com os tribunais militares e manteve a PJM data de há mais anos e nem sei de que legislatura.

O problema é simplesmente o mesmo de sempre: A DIREITA não tem projeto credível para a PÁTRIA de todos os portugueses e, como tal, agarra-se a incidentes que surgem um pouco todos os dias, os quais não fazem de Portugal um país pior que todos os outros, mas as coisas acontecem porque não há pessoas perfeitas e no Governo o PSD e o CDS juntos mostraram que são mais a imperfeição do que o contrário.

As Forças Armadas são formadas por voluntários e procuram incutir a cada voluntário um espírito de missão, honra e dedicação, mas não garantem que o consegue em todos e cada um se torne numa espécie de santo da Pátria. As Forças Armadas são simplesmente formadas por homens e mulheres como todos nós e quem nunca teve um defeito que atire a primeira pedra.