A rebelião de Evgueni Prigojin

(Por Thierry Meyssan, in Rede Voltaire, 27/06/2023)


Contrariamente aos comentários da imprensa ocidental, Evgueni Prigojin não tentou nenhum Golpe de Estado contra Vladimir Putin. Ele ensaiou chantagem a fim de conservar os privilégios exorbitantes que acumulou desde a criação da sua sociedade militar privada. Depois voltou à razão e reintegrou-se no seu posto.


Pode a tentativa de « Golpe de Estado » de Evgueni Prigojine mudar a sorte das armas na Ucrânia ? Era o desejo da OTAN que esperava este levantamento e despertou os seus agentes “adormecidos” na Rússia. O Reino Unido e os Estados Unidos imaginavam concretizar por fim a partição do país que não tinham conseguido levar a cabo em 1991 [1].

A criação de sociedades militares privadas (SMPs), entre as quais o Grupo Wagner, foi uma ideia validada pelo Presidente Vladimir Putin para testar novas formas de comando antes de as escolher e de impor as melhores no seu Exército. Em poucos anos, estas empresas testaram efectivamente muitos métodos e bastantes vezes provaram a sua eficácia. Chegara, pois, o momento de terminar a reestruturação do Exército russo dissolvendo-as e integrando as suas forças no Exército regular [2]. Uma data limite havia sido fixada pelo Presidente Putin : o 1º de Julho. No mês passado, o Ministério da Defesa enviou, portanto, projectos de contrato às diferentes sociedades militares privadas para planear a sua incorporação.

Mas o Grupo Wagner recusou responder-lhe e Evgueny Prigojin intensificou os seus insultos contra o Ministro da Defesa e o Chefe de Estado-Maior.

É preciso perceber bem aquilo que se passa : a criação de sociedades militares privadas pela Rússia é o equivalente àquilo que os Estados Unidos fizeram, sob o Secretário da Defesa Donald Rumsfeld, quando aumentaram o recurso às SPMs à margem do Pentágono. No início a coisa funcionou, mas estas sociedades trabalharam também para a CIA e a mistura de géneros levou a catástrofes em série. Quando trabalhavam apenas para o Pentágono, os seus dirigentes exprimiam-se em público, como Erik Prince da “Blackwater”. Mas eles jamais tomaram posição contra o Secretário da Defesa ou o contra o Chefe do Estado-Maior Conjunto.

Diga-se de passagem, nem os soldados norte-americanos da Blackwater, nem os russos da Wagner são mercenários. Eles batem-se pelo seu país e são pagos para assumir riscos desmesurados que não se podem pedir aos soldados regulares. Pelo contrário, os mercenários batem-se por dinheiro sob o comando de uma potência estrangeira.

O facto de um dirigente de uma sociedade militar privada publicar durante dois meses vídeos incendiários contra os chefes das Forças Armadas, e que além disso está em plena operação militar, não seria tolerado em nenhum Estado. No entanto, com Evgueni Prigojin na Rússia foi. Os correspondentes que interrogamos durante estes dois meses consideraram todos que o Kremlin o deixava berrar para captar a atenção dos Ocidentais e lhes esconder a reorganização das Forças Armadas. Alguns começaram a levantar os olhos para o céu quando, em Março, se evocou a possibilidade de uma candidatura de Prigojin à presidência da Ucrânia : tinha o golpista perdido o senso das proporções ?

Os Serviços Secretos ocidentais concentraram-se em Evgueny Prigojin desde o início das operações militares na Ucrânia. Em 18 de Março, revelaram um milhar de documentos sobre suas actividades [3]. Tratava-se para eles de expor a rede de empresas que ele montara, a fim de dar credibilidade à acusação segundo a qual a Rússia não seria uma potência anticolonial uma vez que a Wagner pilha a África. Mas, em última análise, estes documentos mostram que Prigojin é um mariola, e não que rouba os países com os quais trabalha.

Ele participou na caça à corrupção no seio das Forças Armadas russas o que não o impedia de fomentar a corrupção fora do Exército. É possível que, graças a estas investigações, os Ocidentais tenham encontrado um meio de o manipular. Sendo o homem simultaneamente um patriota, mas também um vigarista comprovado, condenado na União Soviética. Nada sabemos e não poderemos saber até que este caso esteja encerrado.

Ainda assim, Evgueni Prigojin lançou-se numa aventura digna dos oligarcas do período Ieltsin. Ele garante que o Ministro da Defesa, o tuvano Serguei Shoigu, foi a Rostov-do-Don para supervisionar o bombardeamento das tropas Wagner. Ele acusa-o de ter assim assassinado milhares dos seus homens. Por fim, abandonou a Frente para vir também ele a Rostov-do-Don tomar posse do quartel-general das Forças Armadas. Anunciou marchar sobre Moscovo (Moscou-br) com os seus 25. 000 homens para ajustar contas com o Ministro da Defesa e o Chefe de Estado-Maior.

No seu último vídeo, declara : « Estávamos prontos a fazer concessões ao Ministério da Defesa, a entregar as nossas armas, a encontrar uma solução sobre o modo como continuaríamos a defender o país (…). Hoje, eles lançaram ataques com foguetes contra os nossos acampamentos. Muitos soldados morreram. Nós decidiremos a maneira como iremos reagir a esta atrocidade. A próxima iniciativa é nossa. Essa criatura [o ministro da Defesa] será presa ».

A Wagner dispõe à vontade de 25. 000 homens, e não apenas na Frente ucraniana. Muitos estão em missão na Ásia e na África. Além disso, muito embora disponha de aviões, a sua força aérea é insuficiente face à das Forças regulares, a sua coluna teria sido bombardeada sem que ele a pudesse proteger.

Em menos de um dia, todas as autoridades da Federação da Rússia renovaram a sua fidelidade ao Kremlin. O Presidente Vladimir Putin pronunciou-se na televisão. Ele lembrou o precedente de 1917, no decorrer do qual Lenine retirou a Rússia czarista da Primeira Guerra Mundial quando ela estava próxima da vitória. Ele apelou a que cada um assumisse as suas responsabilidades e em servir a pátria, mais do que embarcar em aventuras pessoais.

Durante este discurso, Vladimir Putin fez o elogio do valor dos soldados da Wagner, dos quais muitos morreram pela pátria. Ele, portanto, não os tomou como responsáveis pela situação, mas pediu-lhes para não seguirem o seu chefe contra o Estado e, portanto, contra o Povo.

Terminando a sua curta alocução à Nação, o Presidente Vladimir Putin concluiu : « Nós salvaremos aquilo que é caro e sagrado para nós. Nós ultrapassaremos todas as dificuldades, nós nos tornaremos ainda mais fortes ».

Esta intervenção foi difundida repetidamente nos canais de televisão russos, dramatizando a situação.

O Procurador-Geral da Federação da Rússia abriu um processo contra Prigojin por « organização de uma rebelião armada ».

As autoridades ucranianas lançaram nas redes sociais um apelo à oposição bielorrussa para que aproveitasse a confusão russa, se levantasse e eliminasse o Presidente Alexandre Lukashenko [“Quem quer derrubar o Presidente Lukashenko ?”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 1 de Setembro de 2020.]].

Os Serviços Secretos russos, que observavam todos os protagonistas e se mantinham na sombra desde o início, prenderam em flagrante delito os traidores que se desmascararam na Rússia e na Bielorrússia.

Durante o dia, o Presidente bielorrusso, Alexandre Lukashenko, ao qual o seu homólogo russo havia telefonado, falou com Evgueni Prigojin e convenceu-o a abandonar os seus projectos e a levar suas tropas de volta para a Frente. Vladimir Putin deu a sua palavra de respeitar o acordo que o rebelde assinou. Este anunciou renunciar derrubar Shoigu e Guerasimov.

Fim da história.

Primeira constatação : jamais houve tentativa de Golpe de Estado. A Wagner não tinha a capacidade de tomar Moscovo e Prigojin nunca atacou verbalmente o Presidente Putin. Este, aliás, nunca denunciou nada disso, mas sim « uma facada nas costas » dada às Forças russas fazendo face à Ucrânia.

Segunda constatação : também não se trata de um motim. A Wagner não depende do Ministro da Defesa, mas directamente da Presidência. Prigojin rebelou-se face a ela e apenas ela. A sua única reivindicação era de permanecer independente das Forças Armadas. Se estava pronto a renunciar às suas actividades militares, ele agarra-se aos negócios conexos que desenvolveu em todos os teatros de operação onde está presente. O homem, já o dissemos, é em simultâneo um patriota e um vigarista.

Terceira constatação: segundo as palavras do Presidente Putin, tratou-se de uma «rebelião armada» e de um « abandono de posto ». A Wagner deixou a Frente, mas os Ucranianos não ousaram, ou não puderam, atacar a parte da Frente que ela havia abandonado. Ora, não há nada mais desprezível para os Russos que defensores que abandonam o seu posto. Foi por isso que na véspera Prigojin difundira um vídeo garantindo que Kiev não havia bombardeado o Donbass durante os oito anos precedentes, contradizendo, sem vergonha, as observações da OSCE e do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Infelizmente para ele, os Russos não suportam que se ponha em causa a sua boa fé.

Neste ponto, uma outra constatação se impõe : enquanto se revoltava contra o Presidente Putin, Prigojin não matou ninguém. As suas tropas entraram em Rostov-do-Don sem encontrar resistência. As Forças regulares russas não atacaram a sede da Wagner em São Petersburgo. Os homens de Prigojin não marcharam sobre Moscovo. O Ministério da Defesa, parece, não ter disparado nenhum míssil contra os soldados da Wagner. O Procurador-Geral fechou o assunto da rebelião. Os milicianos da Wagner que não participaram na rebelião foram imediatamente integrados no Exército regular. Três unidades voltaram à Frente. A sorte dos milicianos que participaram na rebelião será tratada caso a caso.

Em última análise, o Estado não foi enfraquecido. Os dois vencedores são a Federação da Rússia e a Bielorrússia. Ainda assim, na mente dos russos, todo este assunto foi em grande parte uma encenação: assistiu-se a uma rebelião ameaçadora que imediatamente se dissipou. A única coisa que ficará será a critica à qualidade do comando militar ; uma ideia perturbadora apesar da fé da população no espírito de sacrifício dos seus soldados.

Na sequência deste estranho episódio, o Presidente Putin falou de novo na televisão. Ele voltou a elogiar os combatentes da Wagner e convocou-os a integrar o Exército regular, ou os Serviços Secretos, ou ainda outras Forças de segurança. Também lhes deu a escolha de voltar para casa ou de se juntarem a Prigojin na Bielorrússia.

Nas redes sociais russas circulam todo o tipo de hipóteses. A mais surpreendente salienta que a Wagner não podia rebelar-se e marchar sobre a capital sem a ajuda do Ministério da Defesa que a abastecia de combustível.

Nas próximas semanas, deverá assistir-se à última fase da transformação do Exército russo. Não é de todo certo que os que se enfrentaram ontem sejam realmente adversários.


1] “A estratégia ocidental para desmantelar a Federação da Rússia”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 19 de Agosto de 2022.

[2] “A reorganização das Forças Armadas Russas”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 5 de Junho de 2023.

[3] Eles podem ser vistos aqui.


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Putin para os inimigos da Rússia: Chegando!

(Dmitry Orlov, in Sakerlatam.org, 21/02/2023)

Uma boa maneira de determinar se você ainda está vivo é perguntar se ainda consegue sentir admiração e espanto ao observar as mudanças que varrem o mundo. A maioria dessas mudanças é gradual e difícil de detectar como parte de sua experiência cotidiana e, portanto, é útil quando alguém importante fica na sua frente por uma hora, como Putin fez hoje perante a Assembleia Federal da Rússia, e explica exatamente o que aconteceu e exatamente o que vai acontecer. Também é bastante divertido: Putin é alguém naturalmente irreprimível e se recusa a se conter. Seu russo também tem um tremendo alcance dinâmico: em um momento ele soa como um garoto malandro das ruas violentas de Leningrado, e em outro momento ele soa como um advogado e um tecnocrata consumado, estudioso literário ou mesmo um estudante de teologia. Bem, ele é todas essas coisas. Goste dele ou o odeie (poucas pessoas conseguem se sentir neutras em relação a ele), mas ele é difícil de ignorar. Até porque, como é de praxe, em seu discurso anual à Assembleia Federal não faltava o que os linguistas chamam de performativos — afirmações que não exprimem opinião nem transmitem informações, mas, na verdade, transformam a realidade de maneiras específicas. E é importante saber sobre isso, especialmente se você mora em um dos países cujos líderes (muito estupidamente) decidiram ser inimigos da Rússia, já que, no final das contas, é a sua bunda que está em jogo. Você pode ficar maravilhado com o incrível líder cujo nome é Vladimir Putin (não há nada para detê-lo), mas, mais especificamente, sinto que é meu dever humanitário avisá-lo do que provavelmente acontecerá antes que alguém grite “Chegando!” Dessa maneira, você pode formular um plano melhor do que apenas se cobrir com um lençol branco e rastejar lentamente em direção ao cemitério (para não causar uma debandada na qual alguém possa ser pisoteado). E assim…

…vamos começar do mais importante: Putin anunciou que a Rússia está suspendendo sua participação no tratado START-3. Isso é “Tratado entre os Estados Unidos da América e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas sobre a Redução e Limitação de Armas Ofensivas Estratégicas, nº 3.” Este tratado remonta à era soviética, mas em 3 de fevereiro de 2021 os EUA e a Rússia concordaram em estendê-lo até 5 de fevereiro de 2026. Putin estipulou os termos sob os quais a Rússia consideraria retornar ao tratado: deve levar em consideração ofensiva estratégica capacidades de todos os países da OTAN, não apenas dos EUA. A Grã-Bretanha e a França também têm armas nucleares, embora nenhuma delas seja muito nova, e Washington tem a tendência de implantar suas armas nucleares para qualquer lugar que quiser, incluindo outros países da OTAN, como Alemanha e Turquia, e isso é um problema. Putin ridicularizou os apelos da OTAN para que a Rússia permitisse que seus especialistas inspecionassem instalações militares russas; depois que drones recentemente realizaram um ataque aos aeroportos russos que hospedam sua aviação estratégica, danificando alguns aviões (usando os ucranianos como proxies irracionais), tal pedido está além do ridículo. Talvez a Rússia devesse ser autorizada, como cortesia, a explodir um bando de bombardeiros estratégicos dos EUA, apenas para igualar o placar antes de iniciar as negociações? Não? Oh, bem… Putin também apontou que as armas estratégicas dos EUA estão muito além do prazo de validade (ele foi um pouco mais educado e circunspecto, mas essa era a essência, e aqueles que estão por dentro também sabem que ele estava sendo factual). Falando figurativamente, quando se trata de armas nucleares, o arsenal de Washington está em péssimo estado;as latas estão inchadas e as que estouraram cheiram muito mal e vazam substâncias nojentas.

Mais especificamente, existem alguns detalhes técnicos que podem ser compreendidos sem a necessidade de se tornar um nerd em armas nucleares. Os EUA têm zero (isso mesmo, zero!) fábricas que podem construir armas nucleares. Há alguma atividade artesanal acontecendo em alguns laboratórios (Los Alamos, Lawrence Livermore, Sandia e talvez Savannah River). Mas o que eles estão fazendo é muito triste: tentando manipular plutônio em porta-luvas. E sabemos que o plutônio (o que os EUA usam para fabricar bombas) estraga com o tempo (acumula isótopos que fazem uma bomba explodir durante a montagem, ou não explodir e apenas fazer uma grande bagunça) e não há como saber para separar isótopos de plutônio.

A completa falta de fábricas de armas nucleares significa que os EUA não têm como produzir plutônio novo. Também sabemos que os EUA nunca desenvolveram a capacidade de enriquecer urânio para o grau de armas (a única outra opção para fazer coisas nucleares que explodem), de modo que seu velho plutônio é tudo o que tem para brincar. Para satisfazer as necessidades de enriquecimento de urânio de seu grande número de antigas usinas nucleares (parece que não sabem mais como construir novas), os EUA contam com a Rosatom, monopolista nuclear estatal da Rússia (Sanções? Que sanções?) e em menor grau, com os franceses, que também dependem da Rosatom.

Tanto para os EUA; quanto ao resto da OTAN, os britânicos dependem dos EUA para seus mísseis balísticos Trident II e os franceses não testam uma arma nuclear desde 1996. Mas os EUA não apenas planejam manter suas bombas, mas também têm planos de desenvolver novas. Dadas as suas muitas limitações e a natureza de boutique de seu esforço de armas nucleares nos laboratórios nacionais, essas seriam mini-nucleares. Os russos sabem tudo sobre esses planos e alguns deles riem, lembrando-se de uma piada sobre um certo pó antimoscas americano patenteado. Para usá-lo, você pega uma mosca, conta piadas para fazê-la rir para que ela abra a boca e borrifa o pó na boca.

Seguindo em frente, se você tem algumas bombas nucleares, como os americanos têm, ou pensam que têm, embora a maioria delas tenha décadas e provavelmente tenha alguns ratos mutantes aninhados dentro delas (o plutônio está lá para mantê-los aquecidos), então você precisa ter alguns sistemas de entrega de armas. Ou seja, os EUA têm cerca de 400 mísseis Minuteman III e, após uma série de testes malsucedidos, realmente testaram um com sucesso, embora nunca saibamos com que nível de sucesso. O referido míssil foi selecionado “ao acaso” (claro, claro), transportado para uma instalação, “preparado” para o teste (todas as entranhas substituídas, com certeza) e disparado em uma direção aleatória (ou pelo menos havia uma pista no céu mostrada nas imagens das notícias). Se realmente atingiu alguma coisa, não sabemos; não havia imagens de homens fardados, armados com fitas métricas, medindo a distância entre as crateras da bomba (supostamente, três delas) lá no alvo especificado. De qualquer forma, são mísseis balísticos, o que significa que, uma vez terminada a fase de impulso, eles seguem uma trajetória balística que pode ser calculada com base em seu caminho inicial. Isso torna os mísseis balísticos fáceis de interceptar. Há também alguns mísseis Trident II lançados de submarinos, compartilhados com os britânicos (eles são cautelosos quanto ao número deles que ainda podem ser implantados), e esses também são mísseis balísticos. Por último, existem os bombardeiros estratégicos e os mísseis de cruzeiro. A maioria dos mísseis de cruzeiro são Tomohawks, que voam a uma velocidade de 550 mph positivamente (um Boeing 777 cheio de turistas gordos pode fazer melhor) e com base em seu uso na Síria, eles não são confiáveis ​​(um monte deles caiu no mar) e fáceis de interceptar mesmo usando sistemas de defesa aérea relativamente antigos da era soviética, para não falar dos novos sistemas russos. A maioria dos bombardeiros estratégicos são antigos B-52s que também não passam de 500 mph e um punhado de B-1B Lancers que são supersônicos, mas estão prestes a ser aposentados.

Agora vamos comparar isso com as defesas estratégicas da Rússia. Hoje Putin afirmou categoricamente que as forças estratégicas da Rússia são agora 93% novas. Outras filiais estão alcançando rapidamente. Não vou aborrecê-lo com todos os detalhes técnicos, mas a conclusão básica é que os EUA não têm nada que os russos não possam interceptar, enquanto a Rússia tem todo tipo de coisas que os americanos não têm capacidade de interceptar. O que isso significa é que, em um confronto nuclear iniciado pelos EUA, os russos resistirão à maior parte do ataque. Algumas armas nucleares podem realmente pousar em regiões periféricas, seja porque saem do curso ou porque o alvo estava muito longe para se preocupar, e ainda menos dessas armas nucleares disparariam como planejado, o resto fazendo pequenos buracos no chão ou uma bagunça quente nuclear. E então, em resposta, a Rússia manteria os EUA à sua mercê. O cenário oposto, de a Rússia lançar um primeiro ataque, seria contrário à doutrina nuclear russa.

Mas então houve a leitura de Putin da Lei do Riot: o Ocidente se cobriu de vergonha de que nunca conseguirá se livrar. Seu uso dos Acordos de Minsk para enganar o mundo sobre suas intenções pacíficas enquanto rearmava os militares ucranianos para o ataque foi o cúmulo da hipocrisia. Ele mimou e encorajou nazistas e terroristas, recusando-se a reconhecer atos explícitos e exibicionistas de genocídio – e não apenas na antiga Ucrânia – assim como havia feito com a Alemanha nazista na década de 1930. As guerras desnecessárias que lançou em todo o mundo até agora neste século resultaram em 38 milhões de refugiados (e, devo acrescentar, um número ainda maior de pessoas despojadas e deslocadas internamente).

Além do mais, os líderes ocidentais se orgulham de sua perfídia e falsidade, pensando que isso os torna tão espertos! Eles nunca superaram seu legado racista e colonialista, ainda dividindo o mundo em nações supostamente “civilizadas” e “democráticas” e o resto. Foram eles que iniciaram a guerra quente na ex-Ucrânia, armando os ucranianos e incitando-os a atacar o Donbass, e a Rússia interveio e está usando a força especificamente para parar a guerra. Putin expôs por que esta é uma guerra justa contra o Ocidente, que a Rússia vai vencer.

Para esse fim, Putin disse algo que os vizinhos estonianos da Rússia podem considerar importante, embora a atual safra de líderes verdadeiramente idiotas da Estônia, chefiada por Kaja Kallas, uma imbecil de classe mundial, provavelmente não aprecie isso. Recentemente, a OTAN considerou adequado instalar sistemas de foguetes de lançamento múltiplo HIMARS dentro da Estônia. Esses foguetes têm um alcance máximo de 300 km, enquanto São Petersburgo, a segunda maior cidade da Rússia, fica a 200 km da fronteira com a Estônia. Agora, o que Putin disse é o seguinte: “Quanto maior o alcance de suas armas, mais longe moveremos suas fronteiras.” Estonianos, por favor, façam uma escolha: livrar-se dos lançadores HIMARS ou GTFO [“Get the fuck out”, ou se lascarem em bandas – nota do tradutor]. Existe uma terceira escolha, é claro – morrer in situ – mas, visto que você foi avisado, essa seria uma escolha espetacularmente estúpida.

Falando em estupidez, enquanto esses assuntos europeus eram discutidos, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, teve dificuldade em manter os olhos abertos. Isso é compreensível a partir de duas perspectivas. Primeiro, Lavrov havia retornado recentemente de duas viagens rápidas consecutivas pela África, para ajudar a organizar a próxima cúpula Rússia-África a ser realizada em Sochi em julho. Com base nos resultados de sua visita, a África está solidamente no campo russo. Os africanos estão fartos do colonialismo europeu, do pós-colonialismo e do neocolonialismo e lembram-se que foi a URSS que os ajudou a conquistar a sua independência nacional. Lavrov foi seguido, alguns passos atrás, por representantes da União Europeia, que tentavam conter os estragos. Em segundo lugar, os europeus não são mais um assunto interessante para o diplomata Lavrov, simplesmente porque o Ocidente não deixou espaço para a diplomacia. O secretário de Defesa, Sergei Shoigu, por outro lado, ouviu atentamente. A conclusão a tirar disso é óbvia: a diplomacia com o Ocidente acabou; a partir de agora, é tudo sobre GUERRA. Eles mesmos o fizeram e agora podem servir-se. Daí esta popular camiseta: “Quem não quer falar com Lavrov falará com Shoigu.” E abaixo estão as citações diretas de cada um. Lavrov: “Malditos idiotas!” Shoigu: “Vamos colocá-lo onde quisermos.” Infelizmente, esse momento finalmente chegou! Daí esta popular camiseta: “Quem não quer falar com Lavrov falará com Shoigu.” E abaixo estão as citações diretas de cada um. Lavrov: “Malditos idiotas!” Shoigu: “Vamos colocá-lo onde quisermos.” Infelizmente, esse momento finalmente chegou!

Falando em estupidez um pouco mais, não há realmente ninguém no Ocidente com quem Lavrov ou Shoigu possam conversar. O que aconteceu com o Ocidente coletivo é um caso bizarro do princípio coletivo de Peter: “As pessoas em uma hierarquia tendem a subir até seu nível de respectiva incompetência”. Exceto que todos os líderes ocidentais que você desejar observar excederam em muito seu nível de respectiva incompetência. Veja o excelente Cadáver em Chefe, o Imperador Dementius Optimus Maximus. Ele não está apto para liderar um torneio de shuffleboard em uma comunidade de aposentados – muito senil. E embora você possa pensar que ele está cercado por pessoas super afiadas e de alto nível, elas são ainda piores do que ele, por terem concordado em servir sob o comando de um fantoche demente. Isso fica particularmente claro com a vice-presidente Kamala Harris: seu nível de competência era como acompanhante exótico; até que ponto ela ultrapassou essa estação na vida! O resto da Casa Branca, desde o Blinken perpetuamente estremecido até o secretário de imprensa idiota, está muito no nível dela. Olhando mais longe, temos o Sr. Rickshaw, o novo vice-presidente britânico, não eleito como o resto. Ele parece ser um cigano; ele pode fazer malabarismos, dançar e cantar ao mesmo tempo? Esse pode ser seu nível de competência; isso e insinuar-se com seus mestres brancos. Certifique-se de recontar os talheres em 10 Downing Street assim que ele partir! E a chefe da União Europeia, Ursula von der Leyen? Seu nível de competência era dar à luz a muitos filhos. Ela superou isso, primeiro tornando-se ginecologista (falem sobre como ela conseguiu isso!) [Ursula von der Leyen plagiou sua tese de doutoramento, sério, podem conferir aqui – nota do tradutor], e depois, aos trancos e barrancos, em seu trabalho atual. Ou pegue Josep Borrell, o Alto Representante para alguma coisa – certamente não diplomacia, pois ele é o bastardo mais rude que já sugou oxigênio. Seu nível de competência seria o de um recepcionista de bordel. E então há uma proliferação de senhoras / bimbos chiques: a já mencionada idiota Kaja Kallas, da Estônia prestes a ficar deserta, é perfeitamente copiada no Golfo da Finlândia pela igualmente talentosa Sanna Marin de festas sexuais patetas. Ela é muito estúpida para entender que, sem o comércio com a Rússia, a Finlândia não tem economia alguma – nunca teve, nunca terá. Quando os idiotas dizem para ela se juntar à OTAN (quebrando o tratado de paz da Finlândia com a Rússia e automaticamente retornando a um estado de guerra com ela), ela diz: “Posso tomar outro copo desse vinho, por favor?” Para fechar a lista, temos Olaf Scholz; seu nível de competência está em organizar orgias muito grandes e excêntricas. Agora, quem neste lote está lá para Shoigu, nem mencionemos Lavrov, para conversar? Eles apenas jogavam tortas de creme nele, depois escorregavam, caíam e expiravam em uma poça de seu próprio vômito. E então acho que eles terão que esperar que Shoigu “coloque onde quiser”.

Outras partes do discurso de Putin tratavam de assuntos internos da Rússia. A economia russa encolheu 2,1% ano a ano por causa das sanções ocidentais – mas isso foi tudo no primeiro trimestre; depois disso, ela se recuperou rapidamente. A inflação saltou para mais de 11% – novamente, tudo no primeiro trimestre, e depois caiu para 0% e não se mexeu desde então. O rublo está estável e realmente não se moveu desde antes do início da Operação Especial. A Rússia não precisa tomar empréstimos no exterior e não precisa imprimir dinheiro: tudo o que o governo precisa em termos de finanças está disponível por meio da economia de mercado doméstico. As exportações de energia desempenham um papel cada vez menor nas finanças russas e foram reorientadas para longe do Ocidente. O excesso de produção de gás natural está sendo redirecionado para atender às necessidades dos clientes rurais que atualmente aquecem com lenha ou com carvão. A renda individual mínima será aumentada em 18% até o início do próximo ano. Reformas nos transportes públicos estão definidas para acelerar. A substituição de importações de produtos e serviços de TI será dedutível de 150%, enquanto os empresários de TI já são tributados em 3% em vez de 20% e estão isentos do serviço militar. As empresas russas estão indo muito bem porque a saída apressada das empresas ocidentais do mercado russo abriu muitos novos nichos de mercado para eles se expandirem. E assim por diante. Basicamente, o plano ocidental para destruir a economia russa e ferir o povo russo a fim de inspirá-lo a derrubar seu governo foi além do ridículo.

Se há um elemento no discurso de Putin que me pareceu um pouco insincero, foi a afirmação de Putin de que a Rússia fez todo o possível para resolver o conflito na ex-Ucrânia por meio da diplomacia, enquanto o Ocidente usou a diplomacia estritamente como uma cortina de fumaça para rearmar os ucranianos. A Rússia também usou a diplomacia como cortina de fumaça para preparar o terreno para o milagre que se desenrolou ao longo do ano passado: apesar das “sanções infernais” ocidentais e da necessidade de reformular rapidamente o sistema financeiro e as relações comerciais, aumentar a produção de armas, renovar o sistema de recrutamento militar e realizar uma enorme quantidade de diplomacia intrincada para garantir que o mundo inteiro, menos o Ocidente, permaneça em boas relações com o país, a Rússia teve sucesso e está vencendo.

Sobre como a Rússia avançará em direção à vitória, aqui está uma citação exata: “passo a passo, com cuidado e consistência”. Durmam bem, inimigos da Rússia!

Fonte aqui


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O que poderia acontecer se os EUA rejeitassem o ultimato russo?

(The Saker, in Resistir, 21/12/2021)

Há muitas discussões em curso sobre o que a Rússia poderia fazer se o Ocidente ignorasse o seu ultimato. Tudo o que me proponho fazer aqui é partilhar convosco algumas reflexões. Não se trata de uma análise exaustiva, apenas algumas ideias minhas sobre o que tenho ouvido.

Primeiro, Putin é simultaneamente muito previsível e, ao mesmo tempo, muito imprevisível. A coisa previsível sobre Putin é que ele só usa a força quando já não há outra opção. A coisa muito imprevisível sobre Putin é como e onde ele está disposto a usar a força. Ele não interveio no Donbass, o que todos esperavam, e não permitiu sequer que as LDNR tomassem Mariupol, sem se importar com o resto da Ucrânia. Mas quando transferiu uma força especial para a Síria, ninguém previu a sua chegada. Idem à mudança para proteger a Crimeia de uma invasão ucraniana. Ao avaliar os próximos passos possíveis de Putin, temos de ter em mente este paradoxo de ele ser previsível e imprevisível.

Em segundo lugar, não há maneira de a Rússia começar simplesmente uma guerra, nem contra a Ucrânia, nem contra a UE ou a NATO e nem contra os EUA. Só um tolo ignorante desencadearia deliberadamente uma situação que pudesse resultar num holocausto nuclear planetário. Mas a Rússia tem muitas outras opções.

Terceiro, enquanto nos anos 60 a URSS precisava de Cuba (ou da Venezuela) para posicionar os seus mísseis a fim de forçar os EUA a retirar os seus mísseis da Turquia, hoje em dia a Rússia não tem tal necessidade. As armas russas, tanto nucleares como convencionais, podem chegar aos EUA a partir de praticamente qualquer lugar, incluindo da Rússia, é claro.

Em quarto lugar, todos os porta-aviões da US Navy e outros navios têm agora alvos hipersónicos pintados sobre si, e eles sabem-no. Isto afectará dramaticamente o que a USN pode ser ordenada a fazer ou para onde se deve enviar. Alguns observadores acusaram a Rússia de ter a Ucrânia como refém. Isto é um disparate. Mas sim, os russos estão, para todos os efeitos práticos, a manter toda a USN como refém, desde pequenos barcos-patrulha a grupos de combate de porta-aviões inteiros. A única, mas importante, excepção a esta dominação são os submarinos de ataque nuclear, onde a Rússia tem paridade qualitativa (ou mesmo superioridade), mas onde os EUA têm uma forte vantagem quantitativa sobre a Rússia. Contudo, os submarinos da USN não têm mísseis modernos e não podem vencer uma guerra sozinhos. Têm também as mãos ocupadas com a China.

Em quinto lugar, sabemos pela dimensão da força terrestre russa actualmente destacada a várias centenas de quilómetros da fronteira russo-ucraniana que se trata de uma força defensiva cuja tarefa seria deter um ataque terrestre ucraniano contra as LDNR (forças Ukie, mas de menor dimensão, estão destacadas a algumas dezenas de quilómetros dessa mesma fronteira). Portanto, não espere para breve tanques russos no centro de Kiev.

Além disso, porque deveria a Rússia interferir de alguma forma se tanto a Ucrânia como a UE estão a cometer proactivamente suicídio cultural, económico, político, social e até espiritual?

Sexto, não nos devemos concentrar apenas no teatro europeu de operações militares. Recordemos que a China e a Rússia são agora oficialmente “mais do que aliados” e que a Rússia pode vender à China exactamente o tipo de material militar que realmente horrorizaria os EUA. Do mesmo modo, a Rússia pode facilmente atingir as forças dos EUA em qualquer parte do Pacífico, dissimuladamente e abertamente, a propósito.

Sétimo, depois há o Médio Oriente. Imagine-se o que a Rússia poderia fornecer, rapidamente, a, digamos, o Irão (enquanto fornece garantias verbais, mas significativas a Israel de que a Rússia não permitiria ao Irão utilizar esses sistemas contra Israel, a menos, claro, que Israel atacasse primeiro (Nota: não há muito amor entre a Rússia e Israel, mas pelo menos ambos os lados são suficientemente inteligentes para se compreenderem mutuamente, o que ajuda muito quando necessário).

Em oitavo lugar, a Rússia tem uma enorme vantagem sobre EUA+NATO na guerra electrónica (desde o nível táctico ao estratégico) e pode facilmente utilizá-la com um efeito devastador enquanto a NATO não tem nada para retaliar da mesma espécie. A propósito, isto também se aplica ao Médio Oriente onde, aparentemente, a Rússia tem os meios para interromper/ludibriar os sinais GPS em toda a região.

Nono, não devemos assumir que a Rússia só pode retaliar proactivamente, isso seria um erro. Por exemplo, a Rússia pode fazer à Alemanha o que o Kremlin fez à Ucrânia: deixar de atender as suas chamadas e permitir que o Nord Stream 2 seja totalmente detido. Porquê? Porque embora isto afecte apenas marginalmente a Rússia (os preços do gás já estão altos e a China absorve muito dele), ao mesmo tempo que é uma sentença de morte para a economia alemã, especialmente para as exportações. Assim, permitir que o NS2 fique “indefinidamente” (na realidade temporariamente) suspenso seria a melhor e, possivelmente, a única forma de trazer os alemães actualmente delirantes de volta à realidade.

Décimo, a Rússia poderia deixar de vender energia aos EUA. Sim, os EUA estão a importar muita energia da Rússia e se os russos decidirem parar com isto, o já claramente “pré-apocalíptico” estado da economia dos EUA sofrerá ainda mais e não se vê como os EUA possam recorrer à Venezuela ou ao Irão em busca de energia 🙂 Quanto a “Biden”, ele já teve de libertar uma parte das reservas dos EUA.

Décimo primeiro, a Rússia poderia fechar o seu espaço aéreo a todos os países da NATO, estou a falar aqui do tráfego aéreo civil. A Rússia tem o espaço aéreo mais caro do planeta, e se ela o fechar aos transportadores ocidentais, o caos resultante no ar e no solo será total. Quanto aos custos de voar à volta da Rússia, eles seriam absolutamente enormes.

Décimo terceiro, há então o movimento óbvio: reconhecer as LDNR como estados soberanos. Há um forte apoio a tal movimento, tanto nas LDNR como na Rússia. O Kremlin poderia fazer isso sem mover um único soldado ou disparar um único tiro, e depois observar o que os Ukronazis em Kiev fariam em relação a isso. O meu palpite é que os Ukronazis não fariam muito sobre isso, mas se o fizerem, os russos simplesmente declararão uma zona de exclusão aérea sobre as LDNR e avisarão que qualquer ataque às LDNR resultará na destruição da força atacante. Se os Ukies persistirem, as forças atacantes serão vaporizadas enquanto o resto dos militares Ukie perderão a sua coesão e desfazer-se-ão sob o efeito combinado de ataques russos e capacidades A2/AD. Putin falou recentemente do “ainda não reconhecido” e falou de “genocídio”. Agora que sabemos que um Kalibr lançado de submarino tem um alcance “superior a 1000 km”, vejamos como um submarino russo pode alcançar todos os Ukies a partir do centro do Mar Negro (Odessa estaria a menos de 500 km desse submarino) e lembremo-nos de que os Ukies não têm qualquer capacidade de guerra anti-submariana (ASW) e apenas defesas aéreas da era soviética (e estas de qualquer forma estão em péssimas condições). Para informação: a frota do Mar Negro tem 6-7 SSK (subs diesel-eléctricos), ao passo que as defesas costeiras russas “cobrem” todo o Mar Negro.

Décimo quarto, raramente, se é que alguma vez, informou-se no Ocidente, que a Ucrânia tem conduzido ataques terroristas tanto nas LDNR e mesmo na própria Rússia. Até agora, a Rússia nunca retaliou da mesma forma. Mas lembram-se do que aconteceu depois de os Takfiris terem explodido vários edifícios na Rússia? Se não, o que aconteceu foi a 2ª guerra chechena e a obliteração total dos Takfiris na Chechénia (o que todos os “analistas” ocidentais consideravam à partida como uma tarefa impossível). Até ao momento, o FSB conseguiu abortar todos os ataques ucranianos, mas se um for bem sucedido, então está acabado o regime de Kiev.

Décimo quinto, a Ucrânia está actualmente a construir bases navais para a NATO em vários locais, incluindo uma no Mar de Azov (que é o plano que os dois génios Johnson e Zelenskii conceberam). Supõe-se que este plano crie uma marinha ucraniana dentro de dois anos. Consegue imaginar como seria fácil para a Rússia deixar Johnson e Ze “brincar de Lego” durante algum tempo e depois simplesmente desactivar estas futuras bases?

Tenho a certeza de que há muitas mais opções que não considerei acima.

O poder do ultimato russo está precisamente no facto de os russos terem prometido fazer “alguma coisa” militar e/ou militar-técnica, mas não terem escrito o que essa “alguma coisa” poderia ser. Aposto que, na realidade, não estamos a lidar com uma única “alguma coisa”, mas sim com uma sucessão de passos graduais que irão exercer cada vez mais pressão sobre os EUA e a NATO/UE (não que esta última seja a menos importante). Tenha em mente que, embora os EUA possam fazer contra-propostas, não estão em posição de fazer quaisquer ameaças críveis, daí a assimetria fundamental entre os dois lados:  A Rússia pode fazer ameaças críveis, ao passo que os EUA só podem produzir mais palavras, algo a que os russos basicamente deixaram de prestar atenção.

A partir de agora, o jogo é simples: A Rússia irá gradualmente aumentar o “mostrador da dor” e ver como o Império vai enfrentar isto. A China estará a fazer exactamente o mesmo pois as acções russas e chinesas são obviamente coordenadas de modo cuidadoso.

A minha sensação é que o tio Shmuel deixará os europeus guinchar de dor e apenas lhes dará “firme apoio moral aos nossos amigos, parceiros e aliados”, preocupando-se apenas com uma coisa: ele próprio. Tão logo a dor comece a afligir seriamente os EUA, estes últimos serão forçados a negociar tanto com a Rússia como com a China.

Nessa altura, a Rússia e a China teriam vencido.

Quando a Rússia aumentará o mostrador da dor?

Pode-se imaginar que os primeiros passos serão dados em breve, a menos que o lado americano mostre alguns sinais tangíveis de estar disposto não só a negociar de forma significativa mas também a fazê-lo rapidamente. Putin acaba de repetir hoje que nenhuma táctica de adiamento dos EUA será aceitável para a Rússia.

Até agora, parece que os EUA irão fazer uma contra-oferta a Moscovo. Se for a treta habitual sobre a exclusividade dos EUA, o mostrador da dor será mostrado muito em breve, nas próximas semanas. Se a administração “Biden” for realmente séria e mostrar sinais tangíveis, verificáveis, de que Washington negociará, então a Rússia poderá esperar um pouco mais, estamos a falar de um mês, talvez apenas um pouco mais. Mas ninguém na Rússia está a falar de anos, ou mesmo de muitos meses. O relógio está agora a contar e os EUA têm de agir com grande rapidez: antes de Março, com certeza.

Terminarei com uma nota semi-optimista: “Biden” já me surpreendeu pelo menos duas vezes e talvez “ele” o faça novamente? Muitos analistas russos parecem pensar que Sullivan é a voz da sanidade na administração dos EUA. Também sabemos que o general Milley não estava disposto a arriscar um ataque preventivo chinês (o que seria um peido num furacão em comparação com o que os russos poderiam desencadear contra os EUA se decidissem antecipar um ataque dos EUA contra a Rússia). Haverá mais vozes sãs no estado americano (profundo ou não)? Talvez os Estados Unidos façam o que a Rússia fez e tentem parecer recuar apenas para ganhar tempo? Mesmo isso seria preferível a uma guerra em grande escala.

Além disso, os russos estão bem conscientes de uma possível estratégia de retardamento, pelo que fizeram o seu ultimato vinculado a um prazo específico: “mostrem-nos algo tangível, e não apenas platitudes, ou então tomaremos medidas unilaterais”. Qualquer Presidente americano sensato não tentaria chamar a isto “o bluff de Putin”. Esperemos e rezemos para que “Biden” tenha sanidade suficiente para entender isso. Os EUA acabam de anunciar que uma resposta oficial será apresentada a Moscovo na sexta-feira.

Continuo muito, muito duvidoso, mas suponho que a esperança seja a última a morrer.


PS: hoje Putin falou com Sholtz e Macron, ontem com Johnson.
PPS: Putin declarou hoje que está “farto” do Ocidente: “E quando o direito internacional e a Carta das Nações Unidas interferem com eles, declaram tudo isto obsoleto e desnecessário”. E quando algo corresponde aos seus interesses, referem-se imediatamente às normas do direito internacional, à Carta das Nações Unidas e às regras humanitárias internacionais. Estou farto de tais manipulações”.

Autor – Analista militar.


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