Alerta M.S.T.: Trump ataca os Açores dia 24

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 09/01/2026)

“Tomem nota: Açores dia 24, para seguirmos aqui uma hora depois do jantar, porque já sabem que invasões em directo é o meu programa de televisão favorito”, concluiu Trump


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

Graças ao meu amigo Arnaldo (nome fictício e apelido omitido por razões de segurança) e aos seus extraordinários talentos informáticos, foi-me possível, por intermédio do acesso que obteve às comunicações classificadas do embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, assistir à reunião secreta ocorrida em Mar-a-Lago anteontem — em directo e a partir de Lisboa, tal como o próprio embaixador assistiu. É dessa reunião, histórica do ponto de vista português, que aqui dou conta, num resumo do essencial.

A reunião foi convocada para as 5 da tarde, dando tempo ao Presidente para terminar os 18 buracos do campo de golfe de que é proprietário, oferecido pela Arábia Saudita, e a tempo de o libertar para o jantar dos membros do clube Trump em Mar-a-Lago, os quais pagam uma fortuna de jóia e mensalidade do clube, além de uns dois mil euros por cada jantar com Trump, normalmente realizados duas vezes por mês. Tudo em troca da possibilidade de terem uns três minutos de conversa com o Presidente, aproveitados para exporem rapidamente um problema que enfrentam nos seus negócios e, a um sinal de Trump, entregarem um papel com os dados da situação à chefe de gabinete deste.

A reunião de anteontem foi convocada para o Salão Versalhes de Mar-a-Lago, decorado em tons dourados, vermelhos e púrpura, mas com colunas dóricas de mármore rosa em cada canto do aposento, nas quais se enroscavam serpentes de prata e lápis-lazúli. Estavam presentes, além do anfitrião, o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário da Guerra, Pete Hegseth, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Dan Caine, o director da CIA, John Ratcliffe, a chefe de gabinete, Susie Wiles, e o genro e parceiro de negócios de Trump, Jared Kushner. À distância e a partir de Lisboa, como já disse, estava o embaixador recém-nomea­do John Joseph Arrigo, descrito na página da embaixada como um “líder visionário, empresário de sucesso e defensor dedicado da comunidade”. Da sua biografia consta ter nascido na mesma Florida adoptada por Trump, ter um “diploma de associado em Administração de Empresas”, passado por um Palm Beach College, ter explorado um negócio de automóveis durante 30 anos e, segundo a embaixada, ter vindo para Portugal “acompanhado da mulher Megan e do cão ‘Hank’”. Difícil era pedirmos mais.

Foi Marco Rubio quem abriu a reu­nião, expondo brevemente toda a situação.

— Estamos aqui reunidos, por iniciativa do Presidente, para analisarmos a oportunidade e os benefícios, ou possíveis danos, de levarmos para a frente a denominada Operação Ananás.

— Lembre-me, Marco, o que é a Operação Ananás? — atalhou Trump, que parecia vagamente alhea­do, ainda irritado por ter falhado o birdie no buraco 10.

— Falámos disso depois da Venezuela, senhor Presidente… É a tomada das ilhas dos Açores.

— Aquelas ilhas ao largo da costa de África? — volveu Trump.

— Não, estas são ilhas portuguesas no Atlântico Norte.

— Espere aí, Marco. — Trump estava agora mais desperto. — É aquela ilha do meu amigo Cristiano Ronaldo?

— Não, não — interveio Jared Kushner. — Essa é outra ilha mais a sul.

— Ah, bom — suspirou Trump. — E vamos seguir o “método Venezuela”? Primeiro atacamos os petroleiros deles no alto mar?

— Eles não têm petroleiros, senhor Presidente — meteu-se o almirante do ar, Dan Caine.

— Não têm petroleiros?

— Não têm petróleo…

— Ah, então o que têm? Terras raras, ouro?

— Não — Rubio voltou à conversa —, não têm terras raras e ouro só nas reservas do Banco de Portugal.

— Então porque vamos lá?

Trump estava a começar a irritar-se com o assunto.

— Porque — retomou Marco Rubio, cheio de cautela — uma das ilhas dos Açores tem uma base aérea que já foi nossa e onde hoje dispomos de facilidades, mas a pedido. É muito útil para atacarmos no Médio Oriente… o Irão, por exemplo… e para apoiar Israel.

Neste ponto, Marco Rubio dirigiu um olhar disfarçado a Jared Kushner, que inclinou a cabeça, incentivando-o.

— E que — retomou ele — poderão ser-nos também muito úteis em caso da Operação Gronelândia.

Trump inclinou-se para trás na poltrona, finalmente interessado.

— Ah, estou a ver! E essa operação ocupar-nos-ia muitas forças e muito tempo?

— Nada, senhor Presidente. — Pete Hegseth interveio, sorrindo. — Meia dúzia de aviões a aterrarem na tal base, uma companhia Delta e numa hora tínhamos o assunto resolvido.

— E qual seria o pretexto diplomático para tomarmos conta dessas ilhas? Tráfico de droga?

— Bem, isso é difícil. — O director da CIA entrou na conversa pela primeira vez. — Portugal importa muita droga vinda do Brasil e da Colômbia, em rota para a Europa…

— Estou a ver, esses bandidos comunistas do Lula e do colombiano, exportando droga e marginais para a decadente Europa — entusiasmou-se Trump. — Então, temos aí o pretexto necessário!

— Bem, senhor Presidente — insistiu cautelosamente Ratcliffe. — Mas a droga não passa pelos Açores, mas bem mais a sul.

— OK, mas podemos sempre castigar Portugal por servir de porta de entrada de droga na Europa, ou não?

— Mas aí não poderíamos invocar a segurança nacional…

— Invocamos a segurança da NATO, a Europa é NATO.

Como sempre, Trump simplificava as coisas mais complexas, uma das qualidades que os seus seguidores mais apreciavam.

— Bem, mas eles também são membros da NATO — lembrou Marco Rubio.

— Hum… — Trump não se dava por vencido. — Essa tal base e as ilhas que vamos ocupar não servem para controlar o tráfico de droga no Atlântico?

— Podiam servir se eles tivessem aviões e navios adequados para essas missões — esclareceu Pete Hegseth.

— E não têm?

— Não, aviões não podemos reclamar, porque, depois dos F-16, preparam-se para nos comprar os F-35, que não servem para isso, mas são nossos, da Lockheed…

— E navios?

— Navios também não. Vão agora gastar 6 ou 7 mil milhões de dólares a comprar três fragatas aos italianos, que também não servem para essas missões.

— Aos italianos? — espantou-se Trump. — Mas alguém se lembra de comprar fragatas aos italianos?

— Lembrou-se o ministro da Defesa deles, este aqui na imagem — e Pete Hegseth apontou para uma fotografia de Nuno Melo, que aparecia no ecrã gigante colocado no Salão Versalhes.

— Um seu admirador, senhor Presidente — interveio, desde Lisboa, o embaixador visionário.

— Hum… — Trump contemplava, interessado, a fotografia de Melo. — O senhor embaixador informe-se como é que ele trata o cabelo, pois parece-me muito bem.

— Mas então o método do seu amigo Ronaldo não está a funcionar? — interrompeu, com um sorriso cúmplice, Jared, o genro.

— Está, mas não se perde nada em experimentar outros. Bom, adiante: então, o ministro da Defesa é meu admirador. E os outros, o Presidente, o primeiro-ministro, o ministro dos Estrangeiros? O que acha, senhor embaixador, vai haver grande barulho?

Saiba mais aqui

 

— Não creio, senhor Presidente. Portugal não é a Espanha, que costuma ter ideias próprias. Além disso, o Presidente deles está de saída, porque vai haver eleições no dia 18; o PM vai dizer umas banalidades sobre a indestrutível amizade entre Portugal e os Estados Unidos, e o ministro dos Estrangeiros, que classificou de “benigna” a nossa operação em Caracas, vai ficar a analisar o assunto, mas sem precipitações.

— Há eleições dia 18? — interessou-se Trump. — E concorre algum candidato com as ideias MAGA?

— Sim. — O embaixador Arrigo, defensor dedicado da comunidade, estava radiante com o seu inesperado protagonismo. — Concorre um que as sondagens dizem que vai ganhar à primeira volta, mas não tem hipóteses à segunda.

— E é mesmo um homem MAGA?

— Completamente. E outro seu admirador… Chama-se Ventura.

— Até o convidámos para o banquete da sua posse, senhor Presidente — informou o secretário de Estado. — Mas não teve lugar lá dentro e ficou no jardim.

— E o que diz esse tal Ventura?

— O mesmo que o senhor — retomou o embaixador e ex-empresário de sucesso como vendedor de automóveis na Florida. — É a favor da pena de morte e contra os imigrantes e os ciganos.

— Ciganos? Quem são esses?

— São os índios deles — esclareceu o embaixador.

— Ah! — Trump estava agora completamente decidido. — Esse tal Ventura parece-me um tipo mesmo às direitas! E, então, ganha na primeira volta, dia 18, mas perde na segunda?

— É essa também a informação que temos — completou o director da CIA.

— Nesse caso, é claro como água. — Donald J. Trump sorriu, uma vez mais reconhecendo em si mesmo as qualidades que o tinham elevado a dono do mundo. — Deixamos o tipo ganhar dia 18 e depois atacamos os Açores dia 24, que calha a um sábado. Não havendo então condições para realizar uma segunda volta, os Estados Unidos vão reconhecer esse gajo como Presidente legítimo de Portugal, e você, Marco, vai trabalhar para que outros países o reconheçam também. A seguir faremos com o novo Presidente deles um tratado de amizade e cooperação, que nos concede os Açores em troca da nossa protecção na luta contra a droga, a imigração e os… como se chamam eles?

— Os ciganos? — arriscou o embaixador.

— Esses — rematou Trump. — Então, tomem nota: Açores dia 24, para seguirmos aqui, em Mar-a-Lago, uma hora depois do jantar, porque já sabem que invasões em directo é o meu programa de televisão favorito.

Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia

O peso cultural e social de se estar “em cima” ou “em baixo”

(Pacheco Pereira, in Público, 27/12/2025)

Pacheco Pereira

Um dos traços mais presentes no nosso povo, de cima a baixo, dos pobres e dos ricos, é a prevalência de comportamentos conformes ao lugar social de cada um.


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

Nunca fui da escola da “identidade dos portugueses” que teve um papel relevante no Estado Novo e que, de vez em quando, emerge com a ascensão do nacionalismo, como se passa nos dias de hoje com formas bastante perversas. Uma delas foi o exemplo nacional que o primeiro-ministro resolveu dar aos portugueses com um jogador de futebol, o Ronaldo, que é hoje um pajem de um assassino saudita, o que, aliás, não é alheio aos momentos em que parece que apenas o futebol enche o peito da turba com Portugal. É irónico ver agitar as bandeirinhas de um estranho Portugal que em vez das quinas tem pagodes chineses, mas não deixa de ser um retrato da correlação forte entre o nacionalismo futebolístico e a ignorância.

Mas nasci em Portugal, sou português, patriota no sentido em que me honram a língua, a literatura e, quer queira quer não, fui feito pela nossa história, muitas vezes pela via mais próxima de uma família antiga e pela cidade que me “moldou”, o Porto. Por tudo isto, esta é também a minha identidade, e dá-me pena e preocupação que tudo o que nós temos de melhor, e nalguns casos de muito melhor, como é a nossa ímpar literatura e o seu instrumento, a nossa língua, estejam numa profunda crise, exactamente quando elas são, mais do que nunca, necessárias para a boa “identidade” dos portugueses. É por isso que é um insulto aos portugueses atirar-nos como modelo motivacional da psicologia barata o Ronaldo. Estamos ao nível do Big Brother.

Mas, como de costume, os nossos nacionalistas, que se excitam todos por se dizer que fomos um povo esclavagista, ficam cegos, surdos e mudos quando um país que teve Fernão Lopes, João de Barros, Fernão Mendes Pinto, Damião de Góis, Manuel Bernardes ou o Padre António Vieira — e não é por acaso que escolho estes nomes —​ aparece personificado por um jogador de futebol de uma forma que nunca teria sido usada para o Eusébio, a começar porque este era preto.

Uma das razões pelas quais quando se olha para Portugal com a obsessão identitária se comete um erro que não é inocente é esquecermos um dos traços mais presentes no nosso povo, de cima a baixo, dos pobres e dos ricos, é a prevalência de comportamentos conformes ao lugar social de cada um.

Quem esteja atento, percebe que quem está em cima sabe onde está e lembra-o a quem não o veja nesse lugar e não reconheça a sua autoridade social, assim como quem está em baixo sabe muito bem qual é o seu lugar e quais os custos de não o reconhecer na submissão, mesmo invisível. Quanto aos do meio, é mais complicado, porque é um mau lugar para se estar, muito incómodo, principalmente quando se olha para cima e nunca se é tratado como igual. Toda uma indústria vive deste dilema da classe média, a começar pelos reality shows, das revistas do jet set à moda e aos seus os locais, sejam ginásios, sítios de férias, restaurantes, viagens, espaços de consumos culturais. Mas numa sociedade profundamente desigual no plano económico, cultural e social os comportamentos fixam-se no lugar onde se está e onde se deve estar.

Assine já

Há muitos exemplos de como essa hierarquia se “respira” como o ar. Por exemplo, a GNR, que fazia durante a ditadura as prisões nos campos, sabia que lhes podia começar a bater mal entravam na carrinha, enquanto a PIDE torturava, mas não deixava de saber de que família vinha o preso e proceder em consequência. Por outro lado, o escritor que escreveu um romance histórico sobre o escândalo dos Ballet Rose cometeu um anacronismo quando colocou um nobre titular envolvido a almoçar com um agente da PIDE, coisa que ninguém da “alta”, criminoso que fosse, faria, porque um agente da PIDE não se colocava na mesma mesa de um conde ou marquês. Um outro exemplo é a crueldade dos pobres com os outros pobres. O recente episódio de o ministro da Educação — que tem, como se diz, origem “humilde” — achar natural dizer que os estudantes das classes baixas são pobres, porcos e maus, e que por isso estragam as residências universitárias, é outro exemplo.

A dificuldade de tratar o peso das hierarquias sociais em Portugal é que elas transportam no seu interior aquilo a que os marxistas chamam “luta de classes”, ou seja, remetem para a desigualdade e a exclusão, como se dizia em termos pedantes, para a Weltanschauung.

Percebo muito bem que olhar se pode ter sobre o que eu escrevi, no fundo, criticar o Ronaldo, atirar ao Chega os erros de ortografia, e confrontar os nossos governantes que estão todos a “reler o Eça” (a resposta mais comum à pergunta sobre que é que estão a ler) com Fernão Lopes padece de um total e completo snobismo. Talvez, mas, exactamente por aquilo por onde comecei, é que responder à bruta à ignorância agressiva dominante é a melhor maneira de ser patriota. Ah! E outra coisa: lutar para que os portugueses ganhem mais, saiam da pobreza, tenham mais opções na sua vida, tenham uma boa e justa vida, o grande objectivo da democracia, a felicidade.

Contributos para um manifesto radical

(Carlos Marques, in Estátua de Sal, 19/12/2025, revisão da Estátua)


(Este texto resulta de um comentário a um artigo que publicámos de Ana Sá Lopes, jornalista do Público (ver aqui), sobre a posição de Pedro Nuno Santos relativamente à moção de confiança que Montenegro apresentou e cuja rejeição levou á queda do governo e a eleições antecipadas.

Pela sua contundência – que muitos reputarão como excessiva -, e também pela identificação de muitos problemas que o mundo – e em particular Portugal – enfrentam, resolvi dar-lhe destaque, não deixando de sublinhar a radicalidade das suas propostas.

Estátua de Sal, 18/12/2025


Pedro Nuno Santos “teme” o abandalhamento das instituições da República… mas se for para obedecer a não-eleitos de Bruxelas para diminuir o tamanho de uma empresa estratégica e prepará-la para ser vendida a alemães ao preço da chuva ao mesmo tempo que despede trabalhadores e corta salários mas paga milhões a uma CEO, para isso o “socialista” Pedro Nuno Santos vai logo a correr.

Já o “socialista” José Luís Carneiro prefere pensar nas “preocupações fundamentais das pessoas”. Será que triplicar o que gastamos com armas sobrevalorizadas do complexo militar industrial da oligarquia dos EUA, em obediência cega ao imperador em Washington DC, para prolongar a guerra proxy na ditadura nazi golpista corrupta ucraniana, em preparação para uma guerra da NATO contra a Rússia, provavelmente com contornos nucleares, e isto tudo porque “gostamos” é de apoiar golpes da CIA e violar direitos humanos e a soberania de n países, será uma das tais “preocupações fundamentais das pessoas”?

A julgar pela pressa com que o José Luís Carneiro foi a correr dar a mão ao Montenegro para que rosas e laranjas tivessem ambos uma mão no pote desta nojenta negociata, se calhar os portugueses até querem mais isso do que ter comida na mesa.

Outro “socialista” chamado António Costa, numa conversa telefónica com o primeiro ministro da Eslováquia, Robert Fico, mostrou quem realmente é. Será que em 4 horas falou de saúde, educação, segurança social, investimento, indústria, impostos, direitos laborais, agricultura, tecnologia, etc? Não. Segundo Robert Fico, o António Costa tem um só servicinho: guerra, armas, Ucrânia. Mais nada. Assim se vê o tipo de espinha dorsal que é preciso ter para se chegar aos tachos EU-ropeus. A espinha dorsal de uma minhoca.

Podíamos correr o partido “socialista” todo, e só encontrávamos cagalhões iguais ou piores que estes três. E a mesma coisa pode ser dita do PSD. E a mesma coisa pode ser dita para os minis BE, Livre, PAN, IL, e CDS (que se transformou no PEV da Direita: só existe na teoria graças a uma “coligação” que garante a eleição aos do costume, mesmo sem terem votos…). E a mesmíssima coisa pode também ser dita do Chega.

As únicas diferenças entre estas estrumeiras é uma mera nuance: uns gostam mais de ajoelhar e abrir a boca perante o baixar de calças da fação “Democrata” do Império; enquanto outros preferem ficar de quatro e virar-se de costas para a fação Republicana ou trumpista. Mas, no essencial, pintem-nos de que cores os pintem, os cagalhões serão sempre cagalhões

Portanto a senhora “jornalista” (se fosse mesmo Jornalista, não tinha lugar na Mainstream Media), está a falar realmente de quê? Está a fazer o seu respetivo servicinho: perder o nosso tempo com a espuma dos dias, encher páginas e páginas com politiquices que têm ZERO impacto na nossa vida, e entreter/distrair os palermas que ainda acham que isto é “jornalismo”, e que ainda se iludem com a “democracia” e “liberdade” e “paz” que na realidade já não existem na Europa. Assim:

  • Por estes dias, a UE aplicou sanções e censura a civis cujo único “crime” foi discordarem da narrativa do regime, e preferirem os factos em vez da propaganda mentirosa.
  • No Reino Unido já se prende gente por ter “opiniões erradas” nas redes sociais. Na Alemanha 2025 foi o ano em que a polícia espancou mulheres no Dia da Mulher por se atreverem a dizer “Liberdade para a Palestina”.
  • Em Bruxelas a ditadura da UE ameaça o governo da Bélgica por este continuar a recusar roubar os bens russos e com isso dar completamente cabo da confiança no nosso sistema financeiro.
  • A direção nazi-fascista terrorista genocida da RTP confirmou que quer o “país” (colónia) de Netanyahu na Eurovisão.
  • A Noruega deu um Nobel da “paz” a uma fascista assassina corrupta e traidora que quer que a “sua” Venezuela seja invadida pelos EUA.
  • Os nazis ucranianos agora deram em fazer terrorismo (com a nossa bênção e dinheiro) contra navios civis que transportam petróleo, e se um dia acontece a desgraça de um derrame no Mar Negro, já sabemos que a Greta Thunberg lá vai aparecer em frente a todas as TVs da NATO a culpar o Putin.
  • Os EUA de Trump já admitiram publicamente que o seu objetivo é colocar os seus vassalos facho-nacionalistas no poder na Europa, em substituição dos facho-liberais que são demasiado vassalos dos “Democratas”.
  • Os terroristas da Al-Qaeda que a NATO e a Mossad colocaram no poder na Síria continuam a matar gente. E Taiwan continua a ser armada até aos dentes pelos EUA em preparação da próxima guerra proxy, desta vez contra a China.

Mas nada disso é abordado pelos “jornalistas” na Mainstream Media. Portanto digam-me lá uma coisa: já perceberam bem porque é que esta tipa escreveu um texto sobre NADA? Sim, porque um caso na politiquice portuguesa, sobre gente que nada decide e em quase nada discorda, é um grande NADA.

Seja o nosso Primeiro-Ministro o Zé ou um calhau, seja o nosso Presidente o Manel ou um pisa-papéis, e seja o nosso Parlamento mais colorido assim ou mais colorido assado, NADA muda em Portugal. Já está tudo decidido, em Washington DC, Wall Street, Silicon Valley, em Bruxelas e Frankfurt, em Londres, e na Jerusalém ocupada.

É aí que moram os monstros que decidem o que se passa na vida dos civis que vivem nas províncias (como Portugal) deste império nazi-fascista terrorista colonialista/sionista corrupto e genocida.

A caminho da guerra

Notícia do ano: um dos vassalos corruptos/submissos de Washington DC em Berlim, disse que temos de nos preparar para a guerra contra a Rússia até 2030. Numa reunião entre o Kremlin e os militares, Putin e Belousov responderam: a Rússia está a ser ameaçada.

Sabem o que acontece a quem ameaça potências nucleares? Em 2030 vamos descobrir. O Medvedev, há uns meses, deixou a resposta no ar, e passo a parafrasear:

Se estamos numa mera operação militar especial, com todos os cuidados, a avançar metodicamente com infantaria, é porque consideramos o povo ucraniano nosso irmão. Não teremos a mesma consideração pelos que não nos dizem nada. Os vossos muros e trincheiras e tanques e blindados não terão utilidade nenhuma no tipo de guerra que acontecerá caso a Rússia seja atacada pela NATO.

Continuem, portanto, a distrair-se com merdas, e continuem a fazer de conta que ainda temos eleições legítimas que representam os interesses do povo ou que podem mudar alguma coisa. Continuem a insistir em dar legitimidade, com o vosso voto, a quem não tem legitimidade nenhuma. Continuem a discutir a espuma dos dias em vez de perceberem o essencial. E depois, quando for tarde demais para fazer a revolução e restaurar o 25 de Abril, digam que eu não vos avisei. Imaginem só isto:

  • O imperador Trump tem a tarefa de separar os EUA da NATO europeia, ao mesmo tempo que manda os vassalos europeus militarizarem-se à maluca;
  • a administração seguinte, em Washington DC, terá a tarefa de mandar os vassalos nos “governos” da Europa sacrificar todos os europeus tal e qual como agora se sacrificam ucranianos;
  • um tresloucado dos Bálticos ou da Polónia pisa uma linha vermelha da Rússia e faz um ataque que provoca mortos civis em Moscovo (tal como os nazis ucranianos fizeram em Donetsk e Lugansk ANTES da intervenção russa) usando um drone Tekever de fabrico luso-britânico;
  • uns minutos mais tarde, um par de cidades da NATO é visitado pelos novos mísseis russos carregados com ogivas nucleares, e estas cidades desaparecem do mapa.

Rezem só para que uma delas não seja Lisboa…Ou então, em vez de rezarem (ao vazio, pois não há Deus nenhum a ouvir as vossas preces), mentalizem-se que temos de fazer uma Revolução o quanto antes. Temos que restaurar o 25 de Abril e a independência, temos de nos tornar militarmente neutrais, e temos de fazer uma limpeza política quer aos Facho-Nacionalistas, quer aos Facho-Liberais, e temos ainda de recuperar a verdade, fechando as redes “sociais” do Tio Sam, e mandando para a rua todas as PRESStitutas que fizeram carreira a mentir e a manipular em nome do Império e sua oligarquia e também do lobby sionista. Uma lei contra a interferência e os lobbys estrangeiros é essencial. O regresso do escudo também. E a saída da ditadura da UE é uma necessidade cada vez mais óbvia.

E um outro projeto para Portugal

E a Constituição é para ser mesmo cumprida. E para além de se proibir partidos fascistas, deve-se também proibir que os outros partidos usem nomes enganadores. Se um partido é Facho-Liberal, então não se pode chamar “Social-Democrata”. Se um partido é sionista, então não se pode chamar “Democrata Cristão” (se bem que ser-se genocida não é incompatível com ser-se glorificador da Bíblia onde “deus” extermina bebés e crianças inocentes no Egito…). Se um partido apoia nazis ucranianos, não se pode chamar nem “Livre” nem “Bloco de Esquerda”. Se um partido aceita retrocessos laborais, não se pode chamar “Socialista”. Se um partido apoia grupos de lunáticos que roubam cães aos sem-abrigo, então não se pode chamar “Pessoas e Animais”. Quiçá podia-se exigir também à IL que acrescentasse a palavra Pinochetista ao nome, e ao Chega que acrescentasse a palavra Salazarista. Já o PCP tem um nome que não engana ninguém, embora fosse interessante perguntar a um qualquer cidadão em Kherson ou Zaporojie ou Donetsk ou Lugansk ou na Crimeia, eleitor do ilegalizado Partido Comunista da Ucrânia (o segundo maior partido nessas regiões até 2014), o que acha de um partido que se diz “Comunista” mas que condena quem luta contra nazis…

Resumindo e concluindo, o lugar de Portugal não é o de mera província descartável do Império dos EUA, e muito menos debaixo da Alemanha à espera que a próxima cuspidela do(a) chanceler não nos acerte em cheio (como aconteceu em 2011-2014).

O lugar de Portugal é estar, ao lado do Brasil, a olhar olhos nos olhos os restantes BRICS+, e a estabelecer rotas comerciais com o Sul Global, desde o México até Angola, desde Moçambique até à China. A fazer negócios em escudos. A exportar o que se pode fabricar na indústria portuguesa. A usar os campos para obter soberania alimentar, em vez de desperdiçar a água do Alqueva a regar a monocultura de abacate para estrangeiro papar. A ir atrás dos que fogem ao fisco, em vez de lhes abrir as pernas no offshore da Madeira. A voar numa TAP 100% portuguesa. A comprar petróleo barato à Rússia e à Venezuela, em vez de torturar as carteiras dos nossos automobilistas só porque um cabrão em Washington DC e uma puta em Bruxelas assim mandaram. A poder ver a RT e a Telesur, em vez de as censurar em violação da nossa próprio Constituição, e em vez de papar notícias falsas da CIA/Mi6/Mossad nas CNN e FOX, BBC, e i24, e companhia. A acabar com a Microsoft e a substituir tudo por Linux. E a estabelecer uma relação privilegiada com a China na ponta oposta da Belt & Road Initiative, para ver se acabamos com a dependência dos automóveis alemães e franceses, e do hardware da Intel/Nvidia. etc.

E o que está em causa

O que está em causa não é se no casinho da semana há mais razão no cagalhão Pedro Nuno Santos ou na estrumeira atual do P”S”. O que está em causa é a luta pela independência e soberania, pela decência e verdade, pelo progresso económico sustentável e pela reindustrialização, pela paz e pela verdadeira democracia realmente representativa.

Por um Portugal que tenha voz e futuro no Mundo Multipolar, e recupere as ferramentas para voltar a ter pleno emprego e valorização salarial (só possível fora do euro e sem neoliberalismo), e desse modo possa recuperar a motivação dos jovens para cá ficarem (em vez de emigrar) e terem famílias com vários filhos (em vez de um só filho, e só tarde na vida).

Para assim podermos depois evitar o inverno demográfico  – a peste grisalha de mais de três milhões de pensionistas num país só com seis milhões de pessoas -, que se prevê até ao final deste século.