O coveiro e os seus M(s)inistros

(Major-General Raúl Cunha, in Facebook, 05/07/2026, Revisão da Estátua)

Cartoon de Vasco Gargalo in Revista Sábado

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Vejamos o que este miserável governo liderado pelo irresponsável “colina preta” está a fazer para destruir o que resta do nosso País:

  • M(s)inistra do Trabalho: destruir todos os direitos dos trabalhadores para os poder escravizar e explorar sem limites.
  • M(s)inistra da Saúde: destruir o SNS para que os privados possam dar vazão à sua ganância e tenham lucros incontroláveis.
  • M(s)inistro da Educação: destruir a escola pública e arranjar forma de garantir os proventos das empresas privadas do ramo; além de acabar com o sistema de exames que não beneficiava suficientemente essas empresas.
  • M(s)inistro das Finanças: roubar ainda mais os portugueses através dos impostos e sobretudo do IRS onde, ardilosamente, anuncia reduções mas não aumenta os níveis das deduções apesar do crescente aumento do custo de vida.
  • M(s)inistro das Infraestruturas e Habitação: destruir o que resta de propriedade do Estado e oferecer tudo o que der lucro aos oligarcas e mafiosos nacionais e aos grandes grupos económicos, mesmo que sejam estrangeiros.
  • O maior e Primeiro-M(s)inistro: arranjar mais uns negócios para os seus patrões, família e arregimentados, arranjar maneira de roubar o dinheiro dos descontos dos portugueses para a Segurança Social, que está com um saldo muito positivo, e ele obviamente quer deitar a mão a esses lucros para os distribuir pelos seus. Dar mais uns cobres ao Zé drogado e aos nazis ucranianos à custa dos portugueses que não se reveem nesse despesismo inútil.

Não acham que esta cambada, que na prática tem em comum uma assídua atividade de “gamanço”, é a mais perfeita quadrilha de malfeitores que, infelizmente, tem atualmente nas mãos os destinos da Nação?!

A traição de uma história de liberdade

(Hugo Dionísio in Resistir, 19/06/2026)


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Não se pode dissociar o que está a suceder em Portugal com os serviços públicos, a segurança social ou o pacote laboral das conhecidas pretensões da direita portuguesa, relativamente à Constituição da República Portuguesa, aprovada em 2 de Abril de 1976.

A CRP, na versão de 1976, foi o resultado de uma relação de forças estabelecida com o 25 de Abril de 1974 e que encontrou respaldo na letra da lei fundamental. Com todas as tropelias já sucedidas na data da aprovação do texto constitucional, entre elas o 25 de Novembro e o fim do PREC, a Constituição da República Portuguesa é o resultado concreto daquele que constituiu um dos momentos popularmente mais criativos — no bom sentido — da história de Portugal.

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Comemorar a “revolução miserável”

(Pacheco Pereira, in Público, 25/04/2026)

Pacheco Pereira

As manifestações do 25 de Abril este ano serão contra o Chega, contra o novo ambiente político de crueldade e agressão.


O 25 de Abril, “essa revolução miserável”
André Ventura

Cada pessoa na rua hoje vai mais do que comemorar, resistir. Resistir a quê? À manipulação da memória da revolução do 25 de Abril, à cuidadosa transformação da guerra colonial numa designação geográfica, a “guerra da África”, ou na “guerra no Ultramar”, a comparações absurdas entre abusos pontuais e muitos milhares de actos de violência e humilhação dia após dia, ano após ano, que duraram 48 anos. Já para não falar dos massacres, execuções sumárias, “heróis” assassinos que se especializaram em atirar granadas incendiárias contra mulheres e crianças.

Resistir a quê? Ao Chega. As manifestações do 25 de Abril este ano serão contra o Chega, contra o novo ambiente político de crueldade e agressão, e contra o ataque à “revolução miserável” feito por aqueles que gostavam da ditadura e das suas violências, por uma série de motivos, nenhum nobre e que esconderam pela censura, corrupção e prepotências quotidianas.

O 25 de Abril não começou com uma revolução, mas com um golpe de Estado. Na tarde, com a descida à rua de muitos milhares de pessoas apoiando os militares, transformou-se numa revolução. Essa revolução foi manchada de sangue nesse mesmo dia, sangue que não era dos dirigentes da ditadura, que foram, e bem, protegidos e enviados para o exílio, mas das vítimas da PIDE/DGS, que disparou sobre a multidão que cercava as instalações da polícia política matando quatro pessoas. O esquecimento manipulado dos dias de hoje começa nesses disparos e nessas mortes, que também ficaram sem punição.

Assalto à PIDE no Porto em 1974

É que todas estas manipulações não são um combate pelo passado, mas pelo presente e pelo futuro, porque servem o combate à liberdade e à democracia. É de memória que se trata, mas mais fundamental ainda é que essa violação da memória destina-se a abrir caminho no presente a autoritarismos e medos em 2026 e não em 1974.

Há nas pessoas comuns, os dois terços de portugueses que não votaram Chega, nem nas legislativas nem nas presidenciais, uma cada vez maior preocupação com o período negro que atravessamos, e com o défice de combate contra os obscurecedores da Luz. Na rua percebe-se muito bem esse défice que muita esquerda, no seu snobismo comodista, não percebe, como se incomodaria ao ver os apoios emotivos das pessoas comuns a quem combate o Chega, com palmas nos cafés, dedos ao alto, carros que param, abraços e beijos. Sempre com mais emoção do que um “concordo”, porque, insisto, há um défice de representação na luta contra o Chega que se percebe porque a questão já não é estritamente de diferenças políticas, é de medo “deles”.

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E, nessa representação, dá-se voz a outras vozes que travam o mesmo combate, como a Santa Igreja Católica Apostólica Romana. Não há hoje declaração dos bispos portugueses que não seja contra o Chega e, como o exemplo vem de cima, o mesmo acontecia com o Papa Francisco, o “Papa comunista”, e Leão XIV, falando pelos imigrantes e denunciando a sua perseguição, ou contra a guerra de Trump. É que nem é sequer um problema de interpretação, são palavras puras e simples falando da violência contra os mais fracos.

Aliás, há muita cobardia nesta violência contra os mais fracos, sejam as mulheres insultadas, sejam os imigrantes perseguidos, sejam os pobres que “não querem trabalhar”, sejam os pretos, os monhés, os muçulmanos que não têm uma mesquita para rezar. Que diriam estes cruéis e violentos do Papa Leão XIV, que visitou uma mesquita na Argélia chamando-lhe um “lugar sagrado para a oração” e para a “procura de Deus”? Um defensor da “islamização da Europa” e da “grande substituição”.

Eu sou ateu, mas reconheço nas igrejas cristãs, católicas, anglicanas e luteranas de hoje um combate que muita da esquerda é incapaz de travar com a voz alta e dura, sejam muitos dos democratas americanos, seja a esquerda mole e temerosa ou nefelibata que temos na Europa. É também por isso que todos que combateram a ditadura e foram despedidos, maltratados e presos dão uma lição de coragem a quem gosta de ameaçar, amedrontar, perseguir os fracos. São eles os verdadeiros corajosos.

Numa altura em que o “não é não” já não existe, o 25 de Abril não é de passarinhos a voar, nem de cores macias nos cartazes, e é mais do que festa, luta.

É o que vamos ver esta tarde.

O autor é colunista do PÚBLICO

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