Base das Lajes – um aeroporto militar capturado

(João Gomes, in Facebook, 04/04/2026)


Há momentos em que a ambiguidade deixa de ser prudência e passa a ser submissão. A Base das Lajes, nos Açores, é hoje um desses casos.

O debate impulsionado por José Manuel Bolieiro, presidente do governo regional açoriano, centra-se na necessidade de rever o acordo com os Estados Unidos, invocando o reforço do valor geoestratégico do arquipélago. Mas há um equívoco de partida que não pode ser ignorado: o problema não é apenas – nem sobretudo – financeiro. É político, jurídico e, em última instância, civilizacional.

Desde a sua última revisão em 1995, o chamado Acordo das Lajes tem sido interpretado como um instrumento técnico de cooperação no quadro da NATO e da relação transatlântica. Na prática, porém, tornou-se algo mais difuso e preocupante: uma autorização tácita para utilização de território português em operações cuja natureza, finalidade e enquadramento jurídico escapam ao escrutínio democrático nacional.

A questão central é simples, mas raramente colocada com frontalidade: pode Portugal aceitar que uma potência aliada utilize uma infraestrutura militar no seu território para operações de guerra que não foram formalmente declaradas, que não passaram por mecanismos multilaterais, e que podem colidir com os princípios consagrados após a Segunda Guerra Mundial, nomeadamente sob a égide da Organização das Nações Unidas?

A resposta, se levada a sério, deveria ser negativa.

A utilização da Base das Lajes por forças norte-americanas tem sido frequentemente enquadrada como compatível com o direito internacional. Mas essa compatibilidade assenta num pressuposto frágil: o de que as operações em causa respeitam, de facto, esse mesmo direito. Quando esse pressuposto deixa de ser verificável – ou sequer transparente – o acordo transforma-se num cheque em branco. E um cheque em branco em matéria de guerra não é um detalhe técnico. É uma abdicação de soberania.

O caso recente da intensificação das operações militares no Médio Oriente expõe essa fragilidade. A Base das Lajes volta a surgir como peça logística relevante – um ponto de apoio discreto, funcional, quase invisível. E é precisamente essa invisibilidade que levanta o problema: Portugal pode estar, na prática, a participar – ainda que indiretamente – em conflitos cuja legitimidade internacional é contestada, sem debate parlamentar efetivo, sem escrutínio público e, em certos casos, sem informação completa. Isto não é uma aliança. É uma captura funcional.

Comparações com outros países europeus tornam esta situação ainda mais evidente. Estados como Espanha, Itália ou mesmo a Áustria – cada um com os seus enquadramentos específicos – desenvolveram mecanismos políticos e jurídicos que permitem condicionar ou mesmo bloquear o uso do seu território em operações militares externas, exigindo clareza quanto aos objetivos, enquadramento legal e implicações estratégicas. Portugal, pelo contrário, parece operar num regime de deferência automática.

A posição do presidente do governo dos Açores, ao enfatizar a necessidade de compensações financeiras ou investimento em infraestruturas de duplo uso, revela uma leitura incompleta do problema. Não se trata apenas de saber quanto valem os Açores no tabuleiro geopolítico. Trata-se de saber se esse valor está a ser utilizado de forma compatível com os princípios que Portugal afirma defender no plano internacional. A soberania não é negociável em parcelas. E muito menos em função de contrapartidas económicas.

Se o uso da Base das Lajes continuar a ser determinado essencialmente pela vontade estratégica de administrações norte-americanas – independentemente da sua adesão ou não ao direito internacional – então Portugal não está a exercer soberania. Está a delegá-la. E delegá-la sem mecanismos de controlo eficazes.

A solução não exige ruptura, mas exige clareza. Qualquer revisão do acordo deveria assentar em três pilares fundamentais: transparência plena sobre a natureza das operações, necessidade de autorização explícita para usos que envolvam cenários de conflito, e a existência de um mecanismo rápido e vinculativo que permita a Portugal suspender ou recusar a utilização da base em caso de violação dos princípios do direito internacional.

Sem isso, a Base das Lajes deixará de ser uma infraestrutura estratégica portuguesa integrada numa aliança – para se consolidar como aquilo que já começa a parecer: um aeroporto militar capturado. E quando a soberania se torna invisível, como na advertência de Edward Bernays, é porque alguém, em algum lugar, já a está a exercer em nosso nome.

Anda o mundo doido… e Portugal esquizofrénico (Crónica frívola)

(Carlos Esperança, in Facebook, 31/03/2026, Revisão da Estátua)


Luís Montenegro, exímio nos negócios e pilar da ética, já advertiu o PS para se habituar à nova configuração da AR, mas não se percebe porque lhe exige que vote diplomas que o Chega e a IL recusam.

Paulo Rangel julga que os aviões que poisam na Base das Lajes, no futuro, talvez, Base Donald Trump, se destinam a voos turísticos para jovens estudantes e Nuno Melo que a montagem de drones se destina à revenda para fotografar festas de família.

Ana Paula Martins garante que a Saúde está melhor, os portugueses é que estão doentes, e só por preconceito ideológico não se entregam os cuidados de Saúde às Misericórdias e aos privados de modo a que nunca mais seja o Estado a falhar.

Maria do Rosário Palma Ramalho, mais preocupada com o Trabalho, de que os patrões precisam, do que com a Segurança Social, vital para os trabalhadores, prometera que a legislação, já concertada com o Chega, seguiria para a AR sem mais delongas, e agora não percebe como foi possível que lhe boicotassem o acordo com o patronato.

Miranda Sarmento, quando era outro o Governo e Portugal crescia acima da média da UE, após dois anos falhados, já tem desculpa, a depressão Kristin e a Fúria Épica de Trump, como se então não tivesse havido pandemia e começado a guerra na Ucrânia.

Os portugueses que votam na AD e no Chega, que rejubilaram quando Paulo Rangel foi ao comício do PP a Madrid a insultar Pedro Sánchez e Ventura a pedir a sua prisão, vão agora em peregrinação a Espanha para encher os depósitos de combustível.

Perante o silêncio do PR, o anterior foi cúmplice, e do próprio PS, o Governo mantem-se em guerra com o Irão, ao lado das democracias, EUA e Israel, enquanto Espanha proíbe o espaço aéreo a aviões militares dos EUA, a UE recusa entrar na guerra e Meloni recusa as bases italianas ao amigo Trump porque o voto dos italianos precisa de ser recuperado depois da derrota no Referendo.

Os portugueses, já conformados com os salários, falta de habitação, aumento do custo de vida, inflação e Urgências dos hospitais fechados, ficaram em estado de estupor com a violência doméstica do eng. Mira Amaral, pessoa que se previa que cuspisse em quem estivesse perto e acabou detido por bater na mulher.

Anda o mundo doido… e Portugal esquizofrénico.

Quando Portugal dominou o estreito de Ormuz e o Golfo Pérsico

(In À Descoberta de Portugal, canal do YouTube, 13/03/2026)


(Este artigo é muito interessante. Parece que já fizemos aquilo que o Irão está hoje a fazer: controlar o estreito de Ormuz.

É ler, ver o vídeo e reflectir sobre as lições da História.

Estátua de Sal, 16/03/2026)


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Hoje, o mundo fala diariamente do Estreito de Ormuz. A instabilidade no Médio Oriente e o conflito envolvendo o Irão voltaram a colocar este estreito no centro da geopolítica internacional. Por aqui, passa uma parte significativa do petróleo transportado por via marítima no planeta, e qualquer ameaça à navegação nesta passagem estratégica tem impacto imediato na economia mundial.

Mas poucos sabem que, há cerca de cinco séculos, este mesmo estreito esteve sob o controlo de uma pequena potência europeia.

Durante mais de um século, entre 1515 e 1622, Portugal dominou Ormuz, controlando a entrada do Golfo Pérsico e uma das rotas comerciais mais importantes do mundo.

Neste vídeo exploramos a história da presença portuguesa em Ormuz:

– a chegada de Afonso de Albuquerque ao Golfo Pérsico

– a construção da fortaleza portuguesa na ilha

– o papel de Ormuz no comércio do Oceano Índico

– a vida dos portugueses naquele ambiente extremamente árido

– e o dramático cerco que levou à queda da cidade em 1622.

Numa pequena ilha quase sem água e exposta a um calor extremo, soldados, mercadores e administradores portugueses viveram durante décadas guardando uma das portas do comércio mundial.

Uma história fascinante do Império Português no Oriente, que liga diretamente o passado da expansão marítima portuguesa à importância estratégica que o Estreito de Ormuz continua a ter hoje.

Consulte a bibliografia utilizada na preparação deste vídeo aqui