Luís Montenegro, exímio nos negócios e pilar da ética, já advertiu o PS para se habituar à nova configuração da AR, mas não se percebe porque lhe exige que vote diplomas que o Chega e a IL recusam.
Paulo Rangel julga que os aviões que poisam na Base das Lajes, no futuro, talvez, Base Donald Trump, se destinam a voos turísticos para jovens estudantes e Nuno Melo que a montagem de drones se destina à revenda para fotografar festas de família.
Ana Paula Martins garante que a Saúde está melhor, os portugueses é que estão doentes, e só por preconceito ideológico não se entregam os cuidados de Saúde às Misericórdias e aos privados de modo a que nunca mais seja o Estado a falhar.
Maria do Rosário Palma Ramalho, mais preocupada com o Trabalho, de que os patrões precisam, do que com a Segurança Social, vital para os trabalhadores, prometera que a legislação, já concertada com o Chega, seguiria para a AR sem mais delongas, e agora não percebe como foi possível que lhe boicotassem o acordo com o patronato.
Miranda Sarmento, quando era outro o Governo e Portugal crescia acima da média da UE, após dois anos falhados, já tem desculpa, a depressão Kristin e a Fúria Épica de Trump, como se então não tivesse havido pandemia e começado a guerra na Ucrânia.
Os portugueses que votam na AD e no Chega, que rejubilaram quando Paulo Rangel foi ao comício do PP a Madrid a insultar Pedro Sánchez e Ventura a pedir a sua prisão, vão agora em peregrinação a Espanha para encher os depósitos de combustível.
Perante o silêncio do PR, o anterior foi cúmplice, e do próprio PS, o Governo mantem-se em guerra com o Irão, ao lado das democracias, EUA e Israel, enquanto Espanha proíbe o espaço aéreo a aviões militares dos EUA, a UE recusa entrar na guerra e Meloni recusa as bases italianas ao amigo Trump porque o voto dos italianos precisa de ser recuperado depois da derrota no Referendo.
Os portugueses, já conformados com os salários, falta de habitação, aumento do custo de vida, inflação e Urgências dos hospitais fechados, ficaram em estado de estupor com a violência doméstica do eng. Mira Amaral, pessoa que se previa que cuspisse em quem estivesse perto e acabou detido por bater na mulher.
Hoje, o mundo fala diariamente do Estreito de Ormuz. A instabilidade no Médio Oriente e o conflito envolvendo o Irão voltaram a colocar este estreito no centro da geopolítica internacional. Por aqui, passa uma parte significativa do petróleo transportado por via marítima no planeta, e qualquer ameaça à navegação nesta passagem estratégica tem impacto imediato na economia mundial.
Mas poucos sabem que, há cerca de cinco séculos, este mesmo estreito esteve sob o controlo de uma pequena potência europeia.
Durante mais de um século, entre 1515 e 1622, Portugal dominou Ormuz, controlando a entrada do Golfo Pérsico e uma das rotas comerciais mais importantes do mundo.
Neste vídeo exploramos a história da presença portuguesa em Ormuz:
– a chegada de Afonso de Albuquerque ao Golfo Pérsico
– a construção da fortaleza portuguesa na ilha
– o papel de Ormuz no comércio do Oceano Índico
– a vida dos portugueses naquele ambiente extremamente árido
– e o dramático cerco que levou à queda da cidade em 1622.
Numa pequena ilha quase sem água e exposta a um calor extremo, soldados, mercadores e administradores portugueses viveram durante décadas guardando uma das portas do comércio mundial.
Uma história fascinante do Império Português no Oriente, que liga diretamente o passado da expansão marítima portuguesa à importância estratégica que o Estreito de Ormuz continua a ter hoje.
Consulte a bibliografia utilizada na preparação deste vídeo aqui
“Tomem nota: Açores dia 24, para seguirmos aqui uma hora depois do jantar, porque já sabem que invasões em directo é o meu programa de televisão favorito”, concluiu Trump
Graças ao meu amigo Arnaldo (nome fictício e apelido omitido por razões de segurança) e aos seus extraordinários talentos informáticos, foi-me possível, por intermédio do acesso que obteve às comunicações classificadas do embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, assistir à reunião secreta ocorrida em Mar-a-Lago anteontem — em directo e a partir de Lisboa, tal como o próprio embaixador assistiu. É dessa reunião, histórica do ponto de vista português, que aqui dou conta, num resumo do essencial.
A reunião foi convocada para as 5 da tarde, dando tempo ao Presidente para terminar os 18 buracos do campo de golfe de que é proprietário, oferecido pela Arábia Saudita, e a tempo de o libertar para o jantar dos membros do clube Trump em Mar-a-Lago, os quais pagam uma fortuna de jóia e mensalidade do clube, além de uns dois mil euros por cada jantar com Trump, normalmente realizados duas vezes por mês. Tudo em troca da possibilidade de terem uns três minutos de conversa com o Presidente, aproveitados para exporem rapidamente um problema que enfrentam nos seus negócios e, a um sinal de Trump, entregarem um papel com os dados da situação à chefe de gabinete deste.
A reunião de anteontem foi convocada para o Salão Versalhes de Mar-a-Lago, decorado em tons dourados, vermelhos e púrpura, mas com colunas dóricas de mármore rosa em cada canto do aposento, nas quais se enroscavam serpentes de prata e lápis-lazúli. Estavam presentes, além do anfitrião, o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário da Guerra, Pete Hegseth, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Dan Caine, o director da CIA, John Ratcliffe, a chefe de gabinete, Susie Wiles, e o genro e parceiro de negócios de Trump, Jared Kushner. À distância e a partir de Lisboa, como já disse, estava o embaixador recém-nomeado John Joseph Arrigo, descrito na página da embaixada como um “líder visionário, empresário de sucesso e defensor dedicado da comunidade”. Da sua biografia consta ter nascido na mesma Florida adoptada por Trump, ter um “diploma de associado em Administração de Empresas”, passado por um Palm Beach College, ter explorado um negócio de automóveis durante 30 anos e, segundo a embaixada, ter vindo para Portugal “acompanhado da mulher Megan e do cão ‘Hank’”. Difícil era pedirmos mais.
Foi Marco Rubio quem abriu a reunião, expondo brevemente toda a situação.
— Estamos aqui reunidos, por iniciativa do Presidente, para analisarmos a oportunidade e os benefícios, ou possíveis danos, de levarmos para a frente a denominada Operação Ananás.
— Lembre-me, Marco, o que é a Operação Ananás? — atalhou Trump, que parecia vagamente alheado, ainda irritado por ter falhado o birdie no buraco 10.
— Falámos disso depois da Venezuela, senhor Presidente… É a tomada das ilhas dos Açores.
— Aquelas ilhas ao largo da costa de África? — volveu Trump.
— Não, estas são ilhas portuguesas no Atlântico Norte.
— Espere aí, Marco. — Trump estava agora mais desperto. — É aquela ilha do meu amigo Cristiano Ronaldo?
— Não, não — interveio Jared Kushner. — Essa é outra ilha mais a sul.
— Ah, bom — suspirou Trump. — E vamos seguir o “método Venezuela”? Primeiro atacamos os petroleiros deles no alto mar?
— Eles não têm petroleiros, senhor Presidente — meteu-se o almirante do ar, Dan Caine.
— Não têm petroleiros?
— Não têm petróleo…
— Ah, então o que têm? Terras raras, ouro?
— Não — Rubio voltou à conversa —, não têm terras raras e ouro só nas reservas do Banco de Portugal.
— Então porque vamos lá?
Trump estava a começar a irritar-se com o assunto.
— Porque — retomou Marco Rubio, cheio de cautela — uma das ilhas dos Açores tem uma base aérea que já foi nossa e onde hoje dispomos de facilidades, mas a pedido. É muito útil para atacarmos no Médio Oriente… o Irão, por exemplo… e para apoiar Israel.
Neste ponto, Marco Rubio dirigiu um olhar disfarçado a Jared Kushner, que inclinou a cabeça, incentivando-o.
— E que — retomou ele — poderão ser-nos também muito úteis em caso da Operação Gronelândia.
Trump inclinou-se para trás na poltrona, finalmente interessado.
— Ah, estou a ver! E essa operação ocupar-nos-ia muitas forças e muito tempo?
— Nada, senhor Presidente. — Pete Hegseth interveio, sorrindo. — Meia dúzia de aviões a aterrarem na tal base, uma companhia Delta e numa hora tínhamos o assunto resolvido.
— E qual seria o pretexto diplomático para tomarmos conta dessas ilhas? Tráfico de droga?
— Bem, isso é difícil. — O director da CIA entrou na conversa pela primeira vez. — Portugal importa muita droga vinda do Brasil e da Colômbia, em rota para a Europa…
— Estou a ver, esses bandidos comunistas do Lula e do colombiano, exportando droga e marginais para a decadente Europa — entusiasmou-se Trump. — Então, temos aí o pretexto necessário!
— Bem, senhor Presidente — insistiu cautelosamente Ratcliffe. — Mas a droga não passa pelos Açores, mas bem mais a sul.
— OK, mas podemos sempre castigar Portugal por servir de porta de entrada de droga na Europa, ou não?
— Mas aí não poderíamos invocar a segurança nacional…
— Invocamos a segurança da NATO, a Europa é NATO.
Como sempre, Trump simplificava as coisas mais complexas, uma das qualidades que os seus seguidores mais apreciavam.
— Bem, mas eles também são membros da NATO — lembrou Marco Rubio.
— Hum… — Trump não se dava por vencido. — Essa tal base e as ilhas que vamos ocupar não servem para controlar o tráfico de droga no Atlântico?
— Podiam servir se eles tivessem aviões e navios adequados para essas missões — esclareceu Pete Hegseth.
— E não têm?
— Não, aviões não podemos reclamar, porque, depois dos F-16, preparam-se para nos comprar os F-35, que não servem para isso, mas são nossos, da Lockheed…
— E navios?
— Navios também não. Vão agora gastar 6 ou 7 mil milhões de dólares a comprar três fragatas aos italianos, que também não servem para essas missões.
— Aos italianos? — espantou-se Trump. — Mas alguém se lembra de comprar fragatas aos italianos?
— Lembrou-se o ministro da Defesa deles, este aqui na imagem — e Pete Hegseth apontou para uma fotografia de Nuno Melo, que aparecia no ecrã gigante colocado no Salão Versalhes.
— Um seu admirador, senhor Presidente — interveio, desde Lisboa, o embaixador visionário.
— Hum… — Trump contemplava, interessado, a fotografia de Melo. — O senhor embaixador informe-se como é que ele trata o cabelo, pois parece-me muito bem.
— Mas então o método do seu amigo Ronaldo não está a funcionar? — interrompeu, com um sorriso cúmplice, Jared, o genro.
— Está, mas não se perde nada em experimentar outros. Bom, adiante: então, o ministro da Defesa é meu admirador. E os outros, o Presidente, o primeiro-ministro, o ministro dos Estrangeiros? O que acha, senhor embaixador, vai haver grande barulho?
— Não creio, senhor Presidente. Portugal não é a Espanha, que costuma ter ideias próprias. Além disso, o Presidente deles está de saída, porque vai haver eleições no dia 18; o PM vai dizer umas banalidades sobre a indestrutível amizade entre Portugal e os Estados Unidos, e o ministro dos Estrangeiros, que classificou de “benigna” a nossa operação em Caracas, vai ficar a analisar o assunto, mas sem precipitações.
— Há eleições dia 18? — interessou-se Trump. — E concorre algum candidato com as ideias MAGA?
— Sim. — O embaixador Arrigo, defensor dedicado da comunidade, estava radiante com o seu inesperado protagonismo. — Concorre um que as sondagens dizem que vai ganhar à primeira volta, mas não tem hipóteses à segunda.
— E é mesmo um homem MAGA?
— Completamente. E outro seu admirador… Chama-se Ventura.
— Até o convidámos para o banquete da sua posse, senhor Presidente — informou o secretário de Estado. — Mas não teve lugar lá dentro e ficou no jardim.
— E o que diz esse tal Ventura?
— O mesmo que o senhor — retomou o embaixador e ex-empresário de sucesso como vendedor de automóveis na Florida. — É a favor da pena de morte e contra os imigrantes e os ciganos.
— Ciganos? Quem são esses?
— São os índios deles — esclareceu o embaixador.
— Ah! — Trump estava agora completamente decidido. — Esse tal Ventura parece-me um tipo mesmo às direitas! E, então, ganha na primeira volta, dia 18, mas perde na segunda?
— É essa também a informação que temos — completou o director da CIA.
— Nesse caso, é claro como água. — Donald J. Trump sorriu, uma vez mais reconhecendo em si mesmo as qualidades que o tinham elevado a dono do mundo. — Deixamos o tipo ganhar dia 18 e depois atacamos os Açores dia 24, que calha a um sábado. Não havendo então condições para realizar uma segunda volta, os Estados Unidos vão reconhecer esse gajo como Presidente legítimo de Portugal, e você, Marco, vai trabalhar para que outros países o reconheçam também. A seguir faremos com o novo Presidente deles um tratado de amizade e cooperação, que nos concede os Açores em troca da nossa protecção na luta contra a droga, a imigração e os… como se chamam eles?
— Os ciganos? — arriscou o embaixador.
— Esses — rematou Trump. — Então, tomem nota: Açores dia 24, para seguirmos aqui, em Mar-a-Lago, uma hora depois do jantar, porque já sabem que invasões em directo é o meu programa de televisão favorito.
Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia