Sai procuradora , entra procuradora…

(António Gil, 20/09/2018)

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Não vou aqui procurar razões para zurzir a futura ex-procuradora nem dar grandes pinotes de alegria, mas rir-me vou. 😉

 comecei a rir, aliás, imaginando os esgares de pessoas que defendiam a continuidade de Joana M. Vidal quando receberam esta notícia.

Ver os trejeitos desses rostos todos, o João Miguel Tavares, a Cristas, o António Leitão Amaro, o Duarte Marques, o Hugo Soares, a Margarida Balseiro Lopes, o Miguel Morgado e tantos outros era o que eu gostaria de fazer, posso em vez disso usar a minha imaginação fazer algo que se pareça com essa visão mas não é o mesmo é só um ersatz da coisa.

Mas mesmo assim faço-o. Porque sei o que eles sentem. Tanto tempo e – julgam eles – até taaaanto taaaalento aplicado numa causa que verdadeiramente nunca esteve em seus poderes influenciar.

Auch…é doloroso mas pode ainda ficar pior que isso. Até que ponto estes e outros ilustres não se queimaram numa batalha que bem vistas as coisas nunca esteve sob a alçada de suas atribuições – sejam elas as de jornalistas ou políticos.

Dir-me-ão que isso serviu para esgrimir argumentos mas é mentira, serviu apenas de arma de arremesso de natureza especulativa. Nada foi esgrimido, tudo exigido. O que reunia estes senhores não era um apelo, era uma exigencia.

Ver as fuças da bicharada predadora arreliada dá melhor gosto ao café pela manhã, torna as flores mais coloridas e perfumadas e a própria sombra das árvores parece ainda mais fresca.

Em ocasião alguma a vida pareceu tão bela a uma potencial presa como quando sabe que seus predadores começam a deitar continhas à vida e a ter problemas de sobra para a voltarem a chatear.

Uma coisa assim, é ainda melhor que conseguir uma reforma antecipada sem penalização, acreditem.

Com as preocupações ou maleitas dos predadores as presas convivem bem, é claro :

– Ah os leões apanharam a gripe dos felinos? – perguntar-se-ia um jovem gazelo sarcástico – tadinhos, morrerem assim sem medicamentos. Vacinassem-se…

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Desejo naturalmente – para bem de todos nós – um excelente trabalho da futura procuradora Lúcília Gago.

O Expresso e as fake news

(Estátua de Sal, 20/09/2018)

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No último fim-de-semana a caixa alta da primeira página do semanário dito “de referência”, era sobre a recondução da Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal, como se pode ver na imagem acima.

O corpo do texto, nas páginas interiores, dava conta de Marcelo querer a toda a força renovar o mandato de Joana, enquanto que António Costa, não sendo defensor da recondução, não se iria opor à solução porque, segundo a notícia, “não quereria comprar uma guerra com Marcelo”.

E assim, durante vários dias, a comunicação social em geral, sempre enviesada à direita, foi dando a recondução como facto garantido, e exultando na onda do seu furor justicialista, apesar de Marcelo ter vindo a negar, em intervenções várias, que já houvesse da sua parte, uma decisão final sobre o assunto, pois aguardava a proposta do Governo, como está previsto na legislação sobre o tema.

Ora, acabámos de saber há algumas horas quem irá ser a nova Procuradora-Geral da República que tomará posse no próximo dia 12 de Outubro, Lucília Gago de seu nome (Ver notícia aqui).

Perante isto, o que dirá agora o director do Expresso, Ricardo Costa, sempre tão bem informado dos ventos que sopram de Belém? Que o Expresso é um reiterado fautor de fake news? Ou que era tudo verdade mas que, há última da hora, Marcelo deu o dito por não dito e lhes tirou o tapete, por não querer, ele sim, “comprar uma guerra” com António Costa?

O melhor, ó Ricardo, é dizeres a verdade (fico a aguardar explicações, pois os réus tem sempre direito a defesa). Foi apenas e só um balão de ensaio tendente a pressionar o Governo para que não insistisse em afastar a Vidal, pois tal teria um impacto negativo na opinião pública passando a ideia de que se estaria a afastar a campeã e paladina da luta contra a corrupção e contra os poderosos?  A ser assim, tal manobra só pode ser tida como uma despudorada acção de fake news, e como tal desmontada e verberada. Não é esta a postura que se espera de um orgão de comunicação social que critica e pretende não se confundir com um qualquer tablóide. Mas enfim, no melhor pano cai a nódoa, ainda que, nos últimos tempos, as nódoas comecem a alastrar com demasiada frequência.

Mas retomemos o cerne da questão. A notícia de que haverá uma nova personagem na Procuradoria-Geral da República, só pode ser bem recebida. Já nem discuto os méritos da acção de Joana Marques Vidal – que alguns terá tido -, ou os deméritos – que muitos também teve. A rotatividade nos cargos é o cerne da democracia e, se tivesse havido recondução com base nos méritos, estaríamos talvez daqui a seis anos a discutir se não lhe deveríamos creditar mais seis anos de permanência, tornando o cargo eventualmente vitalício e Joana Marques Vidal uma espécie de busto da República plasmado na pedra até à eternidade.

Acresce que, a fulanização das instituições contém sempre, lá no fundo, um germe de urdidura pouco democrática e pouco republicana. A nova Procuradora não poderá – nem deverá -, ignorar o trabalho da sua antecessora, mas imprimirá na condução do seu mandato, seguramente, uma nova marca. Esperemos que, para melhor, sobretudo nos itens em que Joana falhou redondamente.

A imagem da Justiça, aos olhos dos portugueses, arrasta-se penosamente pelas ruas da amargura, segundo revelam variados estudos de opinião. Os julgamentos na praça pública, com peças processuais transcritas nos jornais, com filmagens de diligências e inquirições a passar nas televisões, só descredibilizam a Justiça. Perante estes acontecimentos, Joana Marques Vidal, foi incapaz de se opor ou de, pelo menos, descobrir os culpados e de os penalizar em conformidade.

A ligeireza – ou pelo menos a falta de explicações cabais -, com que diversos processos mediáticos, envolvendo figuras da direita, foram arquivados – tendo alguns deles suscitado condenações em jurisdições estrangeiras -, também não é abonatória de uma Justiça isenta e imparcial. Leva a opinião pública a suspeitar da existência de uma cartilha política oculta por detrás de muitas das decisões de juízes e de procuradores.

Se a acção da nova Procuradora contribuir para melhorar a imagem que os portugueses tem do seu sistema de Justiça, ajudando a limar muitas das suas pechas e vícios, a democracia terá saído reforçada de toda esta farsa político-mediática com que a comunicação social, com o Expresso à cabeça, nos presenteou nos últimos dias.

É esse contributo que esperamos si, Dra. Lucília Gago, pelo que só posso endereçar-lhe os meus parabéns pelo seu novo cargo. E para ti, Ricardo Costa, os meus pêsames. Pregaste mais um prego na credibilidade de um jornal que já a teve, e muita. Se calhar, tal como a Joana, também estás a precisar de ser substituído.

Pedrógão Grande

(Dieter Dellinger, 19/09/2018)

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Foto: Aqui o proprietário não esconde que a casa inicial era de 1959 ou 1969.

Entre as muitas dezenas de casas a reconstruir, há 4 casos identificados sem provas concludentes como irregulares.

Os proprietários foram constituídos arguidos, o que não quer dizer que sejam verdadeiros criminosos como pretende a justiça. É preciso provar.

Querem acusar o presidente da Câmara de ter criado um gabinete de emergência irregular para tratar da reconstrução das casas e respetivas indemnizações. Um gabinete de apoio perante uma situação de emergência não tem nada de irregular, dado que a Câmara não estava preparada para enfrentar a catástrofe. Os procuradores de justiça de deveriam ter constituído um gabinete de investigação à origem do incêndio e só a partir daí ver se houve negligência no combate ao fogo.

Mas, o grande culpado foi Marcelo Rebelo de Sousa, o eterno nervoso, que politizou ao máximo um desastre criminal e ou ecológico para criar carisma e popularidade e quis pressa a todo o custo, impedindo as autoridades de funcionarem devidamente. Hoje, no que respeita a Pedrógão esse carisma caiu por terra em toda a linha, tanto no que respeita à reconstrução como às causas do incêndio.

Não é possível acusar e condenar pessoas que não atearam o fogo sob o pretexto que não o teriam combatido muito bem, dado que ninguém sabe o que é combater bem a malvadez de incendiários e não se sabe se foi obra de criminosos ou da EDP que deixou os cabos quase à solta a roçarem pelas árvores.

A procuradora Joana M. Vidal parece ter uma propensão para a INJUSTIÇA que é de bradar os céus porque coloca-se no fim da linha quando tudo deve começar pelo princípio e este é saber quem causou o incêndio e acusar e condenar os criminosos.

Acusar um dirigente de bombeiros voluntários hospitalizado na altura e outro que é um advogado socialista que deu sempre muito do seu tempo para apagar fogos gratuitamente é de uma INJUSTIÇA dura só concebível em regimes nazis ou estalinistas.

Costumo dizer que a Joana odeia o PS, mas não sei se é verdade. A acusação ao ex-PM Sócrates é tão complexa e mete tantos arguidos que parece impossível que em tribunal possa sair uma conclusão. Terá sido por isso que o juiz Carlos Alexandre e o Rosário mais o Guerra tentaram um julgamento popular pela imprensa porque admitem falecer antes de o julgamento terminar.

Dá a impressão que o único objetivo era a confusão e julgamento público e não o jurídico.

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