Com o assassinato de líderes opositores, Israel conduz o mundo para um “ciclo infernal” de guerras

(

(Alfredo Jalife-Rahme, in Diálogos do Sul, 06/08/2024, revisão da Estátua)


Ajude a Estátua de Sal. Click aqui

Sobre as represálias do Hezbollah e do Irão, individualmente ou em conjunto, desconhecem-se o seu alcance e profundidade em Israel, mas podem atingir Telavive, Haifa e, de forma ameaçadora, a central nuclear de Dimona, onde se armazenam as suas mais de 300 bombas atómicas clandestinas (ex-presidente Carter dixit).

Após o apoio do chefe do Pentágono, Lloyd Austin, a Israel e contra o Hezbollah – fica a dúvida se inclui o Irão –, a marinha dos EUA enviou 12 navios de guerra e o porta-aviões USS Theodore Roosevelt para o Médio Oriente com 4 mil marines a bordo.

Nas guerras, a primeira vítima é a verdade, e os multimédia israelo-anglo-saxões – os mais poderosos do planeta, dedicados a distorcer verdades e a propalar mentiras – propagaram a fake new de que o assassinado líder político palestino Ismail Haniyeh (IH), juntamente com o seu guarda-costas iraniano, foram vítimas de um dispositivo.

Esse tipo de fake news é projetado para semear a dúvida e a discórdia, além de zombar dos serviços de segurança iranianos que já foram infiltrados e corroídos em várias ocasiões, e glorificar a supremacia ciber-tecnológica de Israel como arma dissuasora.

Pós-verdade e mentiras pró-Israel

Na era da pós-verdade e do Netflix, onde a tríade EUA/Grã-Bretanha/Israel tem a grande vantagem de intoxicar o mundo com fábulas falsas engendradas por Hollywood, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica revelou que o assassinato de IH foi planejado e executado por Israel com o apoio dos EUA e realizado com um projétil de curto alcance e uma ogiva de 7kg.

Existem vários cenários de guerra que variam desde uma guerra de vários frentes, na qual os EUA poderiam intervir diretamente, até outros cenários mais apocalípticos, como os esboçados pelo coronel aposentado Douglas Macgregor – ex-assessor do Pentágono e de Trump –, que sem rodeios declarou que Israel controla os EUA. Já para não falar do Congresso americano cuja maioria de membros bipartidários são generosamente lubrificados pelo AIPAC, o maior lobby israelense nos EUA – tese com a qual concorda John Mearsheimer, um dos maiores geopolíticos do mundo e renomado professor da Universidade de Chicago.

A tese central de Macgregor concentra-se em três pontos:

1. Israel lançaria bombas nucleares táticas contra o Hezbollah, no Sul do Líbano, (ele repete isso, pela segunda vez, num mês);

2. Israel pretende empurrar os EUA para uma guerra para destruir o Irão – ao que se junta o beligerante senador republicano Lindsey Graham, que defende a destruição de centrais nucleares e refinarias do Irão;

3. O perigo da participação da Turquia, membro da NATO! – o Primeiro-ministro turco, Erdogan, afirmou que iria defender os palestinianos em Gaza – e até mesmo do Paquistão (que possui 170 bombas nucleares).

A realidade

A realidade é que Netanyahu voltou mais encorajado do que nunca depois do seu apoteótico discurso diante do Congresso dos EUA. Os assassinatos de líderes – do comandante militar xiita libanês Fuad Shukr, num subúrbio do sul de Beirute, reduto do Hezbollah, e do líder palestino IH: curiosamente, o mais moderado do Hamas, que estava encarregado das negociações com o Qatar, o Egito e a CIA para liberar os reféns israelenses – “assassinaram as esperanças de paz” e encaminharam o Médio Oriente para uma terra incógnita de conflagrações ameaçadoras, suscetíveis de descarrilar e levar a um ciclo infernal de ações e reações que podem culminar num choque entre EUA/NATO contra Rússia e China.

Qual será a reação de Israel, já para não falar da Rússia, que acaba de completar uma troca espetacular de prisioneiros com os EUA, enquanto realiza patrulhas conjuntas com o Irão no mar Cáspio?

Fonte aqui.


Do uso adequado da sodomia na “maior democracia do Médio Oriente”

(

(Viktor DEDAJ, in Le Grand Soir, 01/08/2024, Trad. Estátua de Sal)

Um manifestante israelita pede a libertação dos soldados acusados ​​de maus-tratos contra os palestinianos. “Judéia para sempre”, diz a sua tatuagem. — © Menahem Mahana / AFP

Ajude a Estátua de Sal. Click aqui

O anúncio da prisão de nove soldados do exército “mais moral do mundo”, (ver aqui) por tortura coletiva, nomeadamente por sodomia, de um prisioneiro palestiniano (entre outros) pode ter chocado muita gente. Mas, depois de um momento de incerteza, voltou tudo ao estado normal quando patriotas israelitas invadiram bases militares, com o apoio de pelo menos dois ministros em exercício, para garantir a sua libertação – demonstrando que, na “maior democracia do Médio Oriente”, os heróis não são perseguidos impunemente.

Deve notar-se, desde já, que a sodomia aqui em questão é aquela praticada em ambiente prisional, não devendo ser confundida com o ato sexual consentido entre adultos.

Eliminada esta confusão, devemos compreender que, na “maior democracia do Médio Oriente”, a sodomia na prisão é uma prática muito difundida e constitui um elemento importante da cultura local. É, portanto, necessário um mínimo de respeito por esta tradição viva, sempre executada de acordo com as regras da convivência e até dos bons costumes tão caros aos países civilizados.

Em primeiro lugar, este ritual não é realizado ao acaso, nem em qualquer pessoa ou objeto. Para ser kosher (ou seja, para estar de acordo com a lei judaica, ver aqui), a sodomia deve ser realizada preferencialmente num animal (cabra, palestiniano, camelo), usando um objeto contundente, ou diretamente um apêndice sexual quando o perpetrador tiver um. As sessões de sodomia podem ser realizadas em grupos para fortalecer os laços sociais em equipa (construção do espírito de grupo).

É de notar que tal ritual é praticado com mais frequência no ambiente discreto das celas das prisões. Mas, tal como as violações mais, digamos, tradicionais, esta prática é transmitida simbolicamente através da tradição oral e do discurso público, nomeadamente através das referências omnipresentes nos insultos/ameaças feitos pelos sionistas nas redes sociais.

É uma cultura importante que precisa de ser respeitada. Por isso, deixemo-nos de politizar tudo. A maior democracia do Médio Oriente merece o nosso respeito…

Caso contrário, como me recordou recentemente um sionista bastante irritado, vão arrancar-me o ânus e fazer-me sangrar até à morte. Respondi-lhe que primeiro teriam de me convidar para jantar. Mas que raio.

Fonte aqui.


Dias de merda, quem os não tem?

(Tiago Franco, in Facebook, 14/06/2024)

Ajude a Estátua de Sal. Click aqui

Foi um daqueles dias em que tudo correu mal.

Um dos vários em que me levanto de madrugada para ver o castelo de cartas ruir.

Gente desesperada no trabalho, despedimentos que não terminam, projetos atrasados ou clientes que não aparecem. Chineses que gritam em Xangai por mais, mais e mais. Somos apenas peças anónimas de uma engrenagem que gera fortunas para uma minoria. Acionistas, membros da direção, gente dos tais mercados que nos juram ser o futuro.

Cá fora aquele frio de merda de um junho que nunca foi de verão. Pedalar contra o vento, evitando os buracos numa cidade que está em obras há quase 10 anos. Vai ficar um arraso de modernidade que espero não ver.

Passo por dois cartazes dos liberais, ainda resquícios das eleições. Um pergunta se quero as energias limpas ou o carvão chinês? Pergunta feita numa zona onde o investimento chinês garante emprego a milhares de pessoas. A hipocrisia é uma forma de fazer política quando se apanha um ignorante pela frente. O outro cartaz pergunta-me se quero uma europa democrata ou a tirania de Putin?

O que eu queria Zé Alberto (porta dos fundos – googlem), era que não me fodessem.

Enquanto o tirano Putin andou a fazer discursos no parlamento europeu e a vender gás e petróleo para a Europa, os eurodeputados não estiverem muito preocupados com a tirania russa. Como não estão preocupados com a tirania saudita ou azeri, enquanto fazemos negócios com eles.

Por outro lado…o que é que importam os 720 eurodeputados quando nem leis conseguem redigir e é aquela comissão não eleita, com a Von der Leyen à cabeça, que vai decidindo a melhor forma de nos enterrar?

Ucrânia, Ucrânia, Ucrânia. Dia e noite, há mais de 2 anos a ouvir que temos que apoiar esta merda. Há 28 meses que milhões de pessoas, nas quais me incluo, trabalham dia e noite numa impotente tentativa de compensarem a inflação, a perda do poder de compra e o aumento das taxas de juro. O sufoco em que se transformou a luta diária para não perdermos o teto debaixo do qual dormem as nossas famílias.

E no fim do dia lá aparecem mais uns quantos milionários, não eleitos, que vão decidindo a continuação do sufoco. De um lado a Lagarde a fazer o que pode para manter o jackpot para a banca mais uns anos e, do outro, a Ursula a exigir percentagens do pib para armamento e para a Ucrânia.

Quais idiotas úteis, vamos empobrecendo e dizendo que sim. Achando que, ao contribuir para mais mortes ucranianas, estamos a ajudar outros que não os falcões da guerra e a indústria do armamento. Juntamente com a banca estão a lucrar como nunca.

Dois anos a enriquecer as farmacêuticas e os laboratórios de análises e agora, mais dois anos para a banca e para o armamento. No tal Ocidental civilizado, enquanto nos matamos a trabalhar para alimentar uma elite profundamente corrupta, ainda discutimos a moralidade do que é justo ou a certeza do que deve ser feito. Ainda ouvimos diariamente que com mais armas, mais mortes e mais empobrecimento geral, os ucranianos vão correr com os russos. Quando? Onde? Como? Já alguém consultou um livro de história ou viu há quanto tempo os russos garantiram os territórios ocupados?

Alguém quer mesmo uma terceira guerra mundial por causa do Donbass, da Crimeia, da Abecássia ou da Transnístria? Sabem sequer apontar essa merda no mapa? Ou o nosso compasso moral contra invasores só aponta para o lado dos invadidos louros? Se forem pretos ou mestiços, é uma luta contra o terrorismo? Estou farto desta hipocrisia Ocidental que somos forçados a pagar.

A Alemanha oferece-se para dar uma ajuda gigantesca na construção da Ucrânia. Não é ajuda, é criação de divida a favor das construtoras alemãs. Tal como a “troika” que nos veio salvar e no fim, tínhamos financeiras francesas e alemãs a meter cá dinheiro que depois seria gasto a contribuir para as exportações alemãs e francesas. O Paulinho Portas, versão antes de senador, explica.

Andamos sempre a lutar por migalhas enquanto trabalhamos para enriquecer as elites. Por que raio decide o BCE o nosso futuro? Como diria o poeta, quantos batalhões tem o BCE?

Dia e noite, uma guerra para a qual nada contribuí, não me sai da cabeça e não pára de me dificultar a vida. Quando o Bugalho afirmava, naquele populismo eleitoral, que as armas serviam para defesa das famílias ucranianas, eu diria que o fim dessas armas, serviria para a defesa das restantes famílias europeias. Pelo menos as famílias que não pertencem a elites e que contraíram crédito à habitação.

A meio da batalha contra o vento passo em frente à universidade e vejo a solidariedade com a Palestina. Envergonho-me de imediato com o egoísmo dos meus pensamentos.

Eu e muitos europeus lutamos contra bancos e empregadores, para não perdermos casas e modos de vida. Os Palestinianos não chegam sequer a ter tempo de negociar seja com quem for ou a lutar para salvar o teto que lhes dá guarida. Não chegam a acordar, eles e as respetivas famílias, mortos debaixo dos escombros, a cada passagem do exército genocida de Israel.

E sempre, mas sempre, com o patrocinio do Ocidente. O nosso, portanto.

Lembrem-se que houve quem festejasse a morte de 300 Palestinianos para resgatar 4 israelitas. 75 vidas por uma. É como metralhar uma sala de cinema cheia para trazer uma só pessoa e no fim…cantar vitória. Foi aqui que chegámos.

Por vezes a vida só precisa de um pouco de perspetiva para nos fazer corar de vergonha com aquilo que julgamos ser a injustiça.