Comida, água e medicamentos

(Estátua de Sal, 28/12/2023)

Sim, uma imagem pode valer mais que mil palavras, e a ironia pode ser um veneno letal.

O Natal passou. O novo ano vem a caminho e os Reis Magos também. O povo massacrado da Palestina, às mãos dos escroques criminosos de Israel, com o aplauso envergonhado dos “democratas” ocidentais, não precisa que lhe levem nem ouro, nem incenso, nem mirra, como levaram os Reis de antanho.

Antes urge comida, água e medicamentos. E a indignação e o repúdio, de todos os homens bons e de coração justo, pelo genocídio bárbaro que está em curso em Gaza.

Se nada podemos fazer, que ao menos sejamos solidários com o povo palestiniano, é a recomendação que a Estátua de Sal deixa a todos que a leem e a seguem.

Estátua de Sal, 28/12/2023


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O veto ao cessar-fogo e o descrédito dos valores ocidentais

(Carmo Afonso, in Público, 10/12/2023)

Ninguém, no seu perfeito juízo, pode acreditar que a continuação destes ataques que matam civis indiscriminadamente representa um caminho para a paz.


A percentagem de civis mortos na Palestina é superior à de qualquer guerra no século XX, segundo um estudo publicado no Haaretz e referido no The Guardian. Esta conclusão não surpreende. Perante as imagens que chegam de Gaza temos dificuldade em vislumbrar que é o Hamas que está a ser combatido. São civis, e sobretudo crianças, que estão a morrer ou a viver em condições miseráveis.

O nosso cuidado com a vida de uma criança é extremo e adequado. Passados mais de 15 anos continuamos a querer saber o que aconteceu a Maddie McCann ou ao Rui Pedro, desaparecido em 1998. Temos instituições com a responsabilidade de assegurar o bem-estar das crianças e a possibilidade legal de as retirar da guarda dos progenitores, se estes não forem capazes de garantir aquilo que todos consideramos um interesse superior: o das crianças.

Morre uma criança a cada dez minutos em Gaza. Antes deste conflito, em 2022, já a organização Save The Children referia que 80% das crianças em Gaza sofriam de stress pós-traumático e que três em cada cinco já tinham pensado em suicidar-se.

Neste momento, são inimagináveis os danos causados às que sobreviverem aos ataques de Israel. Há relatos de pais que levam os filhos para o trabalho para, pelo menos, morrerem juntos.

É neste contexto que os Estados Unidos vetaram o cessar-fogo no Conselho de Segurança da ONU. A resolução previa um cessar-fogo humanitário, a libertação incondicional e imediata de todos os reféns e a garantia de acesso humanitário.

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Vale a pena atender às justificações de Robert Wood para o veto. Antes de mais, condenou os autores do texto por não terem incluído a condenação do ataque terrorista do Hamas. Esta é uma particularidade incompreensível e fascinante. Os ataques mais condenados de todos os tempos ainda não foram suficientemente condenados. A falta da milésima condenação aos ataques de 7 de outubro serve de justificação para ignorar um genocídio que está a ser cometido agora. Considerou também que a resolução era desequilibrada e um divórcio da realidade. Parece que aquilo que os Estados Unidos votaram foi uma determinada redação, ou seja, uma forma e não o conteúdo. E parece que a forma não era perfeita.

Mas Wood também se pronunciou relativamente ao cessar-fogo. Considerou que só serviria para “plantar as sementes para a próxima guerra, já que o Hamas não tem qualquer desejo de uma paz duradoura”.

Por onde começar?

Cada bomba que Israel lança sobre a Palestina é uma semente para a próxima guerra. Cada uma das crianças que sobreviverem estará carregada de revolta e raiva. Ninguém, no seu perfeito juízo, pode acreditar que a continuação destes ataques que matam civis indiscriminadamente representa um caminho para a paz.

Robert Wood não foi sério nas justificações que apresentou. A verdade é que os Estados Unidos sabem que Israel, desta vez, não aceita ser travado de forma alguma. O veto dos Estados Unidos representa a submissão à vontade de Israel e uma derrota da sua diplomacia, que pretendia, de alguma forma, moldar a atuação do Exército israelita. Vimos isso nas palavras de Biden, quando apelou a que Israel não repetisse os erros dos Estados Unidos no pós 11 de setembro e nas várias intervenções de Antony Blinken e John Kirby, que expressamente reconheceu que há muito a fazer para efetivamente proteger civis.

No Conselho de Segurança da ONU venceu a vontade de Israel, como era previsível. Os Estados Unidos decidiram dar apoio diplomático ao genocídio. Fizeram-no isolados. Apenas a abstenção do Reino Unido destoou na unanimidade dos habituais aliados da política externa dos Estados Unidos, entre eles, e bem, Portugal. A par do apoio ao nível das relações internacionais, os Estados Unidos prosseguem com o apoio militar, agora com novo fornecimento de munições, sendo cúmplices integrais daquilo a que assistimos na Palestina.

No mesmo dia em que vetaram o cessar-fogo na Palestina, Antony Blinken fez uma declaração para assinalar a celebração dos 75 anos da Declaração dos Direitos Humanos. Assinalou a missão dos Estados Unidos na defesa desses direitos e denunciou países e casos concretos que não estão a agir bem. Podemos continuar a contar com a vigilância desta verdadeira polícia do mundo.

Claro que Blinken não falou na situação das crianças palestinianas que estão a ser assassinadas. Nunca a falta de coerência dos Estados Unidos esteve tão à vista. O veto vergonhoso e esta falta de coerência à descarada são o descrédito dos valores ocidentais.

A autora é colunista do PÚBLICO e escreve segundo o novo acordo ortográfico


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Em 9 de Abril de 2022, Zelensky preferiu a guerra à paz pelos motivos mais mesquinhos

(José Catarino Soares, in Tertúlia Orwelliana, 09/12/2023)

Turquia, 29 de Março de 2022. Na foto vêm-se vários membros da delegação ucraniana nas negociações russo-ucranianas. O segundo homem a contar da esquerda, é Davyd Arakhamia, chefe dessa delegação e chefe do grupo parlamentar do partido Servente do Povo (o partido fundado pelo presidente Volodymyr Zelensky). 

1. Introdução

Este artigo elucida ⎼ fornecendo-lhe o necessário contexto e uma chave interpretativa ⎼ as recentes confidências de Davyd Arakhamia, também conhecido como David Braun, chefe do grupo parlamentar do partido Servente do Povo, o partido fundado pelo presidente Volodymyr Zelensky da Ucrânia, maioritário no parlamento ucraniano.

Que eu saiba, nenhum órgão português do sistema mediático dominante de comunicação social noticiou ou comentou as declarações do senhor Arakhamia sobre os importantes episódios de que ele foi protagonista — uma variante laica da história bíblica de Jonas e a baleia, mas com um Jonas pusilânime. Mas é muito importante conhecê-las e dá-las a conhecer, porque elas lançam uma luz forte sobre as zonas mais recônditas da segunda guerra na Ucrânia (a que começou em 24 de Fevereiro de 2022) e, em particular, sobre as pesadíssimas responsabilidades de Zelensky na continuação dessa guerra até aos dias de hoje.  

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