O que pretende Israel com o ataque ao Irão?

(Major-General Carlos Branco, in Diário de Notícias, 18/06/2025)


São várias as respostas possíveis a esta pergunta, umas enunciadas de modo claro, outras nem por isso. Israel identificou como objetivos do seu ataque a destruição do programa nuclear iraniano, provocar uma mudança de regime em Teerão e anular a capacidade balística iraniana. Não enunciados, estão a manutenção de Netanyahu no poder, a sabotagem das negociações de paz agendadas para 15 de junho, em Omã, dois dias depois de iniciarem os ataques, e criar condições para os EUA se envolverem diretamente em operações ofensivas contra Teerão, ao lado de Israel.

Até ao momento, Israel não atingiu nenhum dos objetivos que se tinha proposto atingir. Após a euforia inicial, o Irão recompôs-se e está a dar luta. Começa a ficar claro que, apesar da excelência israelita em inteligência, Telavive avaliou erradamente as capacidades balísticas iranianas. A retaliação iraniana foi mais poderosa do que o previsto e esperado.

Os objetivos explícitos

O argumento da iminente arma nuclear que o Irão está prestes a conseguir, para atacar preventivamente o Irão, repetido ad nauseam há quatro décadas, é aparentemente falso como foi o utilizado para atacar o Iraque, em 2003. A 25 de março de 2025, na apresentação da “2025 Annual Threat Assessment of the U.S. Intelligence Community”, os serviços secretos americanos consideraram “que o Irão não está a construir uma arma nuclear e que, desde 2003, o Líder Supremo Khamenei não autoriza o programa de armamento”, não tendo revogado a sua fatwa alegando motivos de natureza religiosa. Ao que se acrescenta, a parceria estratégica celebrada entre a Rússia e o Irão que considera como incontornável a escrupulosa obediência de Teerão aos termos do Tratado de Não Proliferação Nuclear (NPT).

O Irão tem sido o país mais escrutinado pela Agência Internacional de Energia Atómica (IAEA), ao contrário de Israel que continua a não admitir oficialmente que possui armas nucleares, não cumprindo o disposto na Resolução do Conselho de Segurança da ONU (UNSCR 487/81), que “solicita a Israel a urgente colocação das suas instalações nucleares sob a salvaguarda da (IAEA)”, algo que nunca fez, impedindo a verificação do seu armamento nuclear, para além de nunca ter aderido ao Tratado de não-Proliferação de Armas Nucleares. Não deixa de ser insólito, um país que possui armas nucleares atacar um país que declara pretender desenvolver um programa nuclear para fins civis, sem apresentar provas do contrário.

O ataque seguiu-se a uma resolução votada pelo Conselho de Governadores da AIEA na véspera (12 de junho), aprovada por 19 votos a favor, 3 contra e 11 abstenções em que, no fundamental, os inspetores afirmavam não ter conseguido determinar se o programa nuclear do Irão era exclusivamente pacífico. Embora a maioria dos governadores tenha votado a aprovação dos votos, não se pode deixar de notar uma dispersão significativa da votação, o que não deixa de ser revelador das dúvidas existentes.

A isto acrescenta-se o facto de a Força Aérea israelita não dispor de meios para atingir as instalações nucleares subterrâneas do Irão. Pode afetá-las, mas não destruí-las. Não dispõe no seu arsenal das bombas de penetração necessárias para o fazer. Apenas os EUA as têm. Necessita para tal da ajuda norte-americana com as bombas que podem penetrar e atingir a profundidade requerida. Assim se compreende que Gila Gamliel, membro do Conselho de Ministros israelita tenha exigido “categoricamente que os Estados Unidos se juntassem à guerra contra o Irão”.

A insistência de Israel na questão nuclear assemelha-se em tudo ao pretexto da posse de armas de destruição em massa, por parte de Sadam Hussein, para justificar intervenção militar norte-americana e a mudança de regime pela força no Iraque.

Com o intuito de provocar uma revolta interna que levasse a uma mudança de regime, logo nas primeiras horas do ataque foram assassinadas as chefias militares de topo e outras entidades importantes, nomeadamente cientistas ligados ao programa nuclear, bem como executados ataques ao aparelho económico e industrial iraniano, para o que contou com a ajuda de uma rede de infiltrados construída ao longo dos anos. Uma parte significativa dos ataques israelitas foi realizada com a ajuda de agentes internos, sabotadores e agentes da Mossad no Irão.

Para dificultar a atuação desses grupos, nomeadamente o guiamento de drones, Teerão cancelou o funcionamento da internet, mas Elon Musk ativou o StarLink sobre o Irão, exatamente no dia 13 de junho, quando começou o ataque israelita, de modo a permitir a atuação destes grupos. A isto, juntam-se as ameaças de morte a Khamenei proferidas reiteradamente por Netanyahu.

O plano consistia em atacar a capital iraniana e encorajar os habitantes a abandoná-la, com o objetivo de pressionar o Governo. As Forças de Defesa de Israel (FDI) emitiram declarações afirmando que “Teerão será tratado como Beirute”. Para levar o plano para a frente, Hossein Yazdanpanah, líder do Partido da Liberdade Curda no Iraque, a partir da cidade iraquiana de Erbil, declarou a sua disponibilidade para participar num ataque à República Islâmica.

Por outro lado, Reza Pahlavi, o filho do monarca deposto em 1979, veio apelar à revolta popular: “a República Islâmica acabou e está a cair, a entrar em colapso. O que começou é irreversível. O futuro é radioso e juntos navegaremos por esta reviravolta na história. Agora é a altura de nos erguermos; a hora de reconquistar o Irão. Que eu possa estar convosco em breve,” colocando-se na linha da frente para assumir o controlo do futuro regime. Dificilmente, o regresso ao regime da monarquia Pahlavi seria bem recebido e galvanizador de uma revolta popular, por ser percebido como um peão de Israel.

São várias as vozes em Telavive que subscrevem o que referi sobre os recursos limitados do país para concretizar as ambições megalómanas a que se propôs. Por exemplo, o Conselheiro Nacional de Segurança de Israel, Tzachi Hanegbi, alertou para o facto do Irão ainda possuir “milhares de mísseis balísticos”, um número muito superior aos 1.500 a 2.000 anteriormente estimados pelos analistas militares. Segundo ele, “esta não é uma batalha que, a longo prazo, será capaz de pôr fim à ameaça iraniana”. Numa entrevista ao Canal 12 de Israel, Hanegbi admitiu que os ataques israelitas por si só não conseguem eliminar o programa nuclear iraniano. Em vez disso, dever-se-ia pressionar militarmente o Irão para o desmantelar voluntariamente. Quando questionado sobre se Israel pretende destruir o programa nuclear iraniano, Hanegbi respondeu dizendo “Isso não é possível. Não pode ser feito por meios cinéticos”.

O facto de Israel saber que não tinha meios suficientes para tal leva-nos a crer que o objetivo principal da operação israelita é a mudança de regime no Irão, algo profundamente desejado pelo lobby neocon/liberal norte-americano e dos seus aliados europeus, a cavalo do pretexto das armas nucleares, tal e qual como no Iraque em 2003. Por isso, a lista de alvos incluía instalações ligadas ao tecido económico, centrais energéticas, media, etc. fazendo parte de uma operação de mudança de regime e não de “desarmamento”. Em documentos políticos americanos é admitido que o objetivo foi sempre a mudança de regime e que o programa iraniano, mesmo que produzisse armas nucleares, não era uma ameaça real. É sempre conveniente relembrar a entrevista do general Wesley Clark sobre o plano de norte-americano de atacar sete países em cinco anos (Iraque, Síria, Líbia, Somália, Líbano, Irão e Sudão).

Os objetivos não explícitos

O momento do ataque entronca-se com dois acontecimentos relevantes: o dia em que o Knesset iria votar a demissão do governo, colocando Netanyahu numa situação política extremamente difícil; e ter ocorrido 48 horas antes de mais uma ronda negocial entre iranianos e norte-americanos, a realizar em Omã.

O ataque no dia 13 de junho inviabilizou a votação no Knesset permitindo a Netanyahu manter-se no poder. Já no que respeita à sabotagem das negociações, a trama é mais complexa. Os norte-americanos sabiam do ataque israelita e não fizeram nada para o impedir, pois interessava a ambas as partes. Netanyahu via assim legitimada a sua continuidade no poder, Trump esperava tornar o ataque israelita num exercício de “diplomacia coerciva”. Após o ataque israelita, Teerão ficaria “amaciado” e pronto para aceitar o que os EUA lhe pusessem em cima da mesa. Mas não foi isso que aconteceu.

Entretanto, a pressão sobre Teerão continuou. Como disse um dirigente iraniano, vamos agora ter de combater contra uma coligação. Os aviões de reabastecimento aéreo norte-americanos deslocam-se para o Médio Oriente, os bombardeiros estratégicos estacionaram em Diego Garcia e dois porta-aviões dirigem-se para a região. Trump confia que não tendo o ataque israelita dobrado Teerão serão agora as suas poderosas armas a fazê-lo. Os bombardeiros estacionados em Diego Garcia estão preparados para lançarem a famigerada GBU-43/B MOAB (mãe de todas as bombas) para resolver de uma vez para sempre o irritante nuclear iraniano.

Mas não é isto que Netanyahu, alinhado com os neocon americanos, pretende. O fim do programa nuclear iraniano sabe-lhes a pouco. O que eles querem mesmo é uma mudança de regime e Trump não é o seu homem. Os falcões de guerra estão a dar tudo por tudo para quebrar com a oposição de Trump a guerras desnecessárias sem fim e abandonar a abordagem mais transacional, “America First”, na sua política externa.

O poder que aquele grupo detém esteve patente quando conseguiu excluir a Diretora Nacional de intelligence Tulsi Gabbard da reunião do Conselho Nacional de Segurança, onde se iria discutir o ataque norte-americano ao Irão. Ficaria assim mais fácil encurralar Trump, cujo pensamento não passa por uma política externa de mudança de regime. Ele sabe que uma intervenção militar norte-americana não só vai hostilizar os países muçulmanos da região e comprometer o seu plano de paz para o Médio Oriente, como também saberá que os conflitos Irão/Israel e Ucrânia/Rússia podem dividir a direita e o movimento MAGA, sabotar a sua presidência e ter repercussões na sua agenda de política interna, objetivo abraçado por determinados segmentos do establishment político norte-americano.

Entretanto, a AIEA não condenou o bombardeamento israelita às instalações nucleares iranianas, e as entidades europeias apoiaram a ação de Israel, fazendo hipocritamente tábua rasa do Direito Internacional. Afinal, para Bruxelas, a ação “preventiva” israelita justifica-se plenamente (Israel tem o direito a defender-se), enquanto a ação preemptiva russa no Donbass é completamente inaceitável. Entretanto, o presidente do Conselho Europeu António Costa dá camisolas do Ronaldo a Donald Trump.

Está ainda por perceber com detalhe qual será a reação da China e da Rússia, para além da condenação da ação israelita. A China estará a apoiar Teerão com equipamento militar, enquanto a Rússia veio lembrar que considera o Irão debaixo do seu chapéu nuclear. Depois da capacidade única de sobrevivência revelada pelo regime iraniano, interrogamo-nos sobre o que haverá de novo nesta aventura em que Israel se meteu que possa reverter a anti fragilidade do regime iraniano.

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Promessa Verdadeira 3: O Irão responde com a tão esperada retaliação hipersónica

(Por Simplicius, in Substack, 15/06/2025, Trad. Estátua)

Imagem gerada por IA

O Irão lançou a próxima etapa de sua operação “True Promise 3.0”, visando diversos locais da infraestrutura energética e militar israelense. Desta vez, a operação teria incluído os mais recentes mísseis hipersônicos Fattah-1, que causaram um impacto deslumbrante em Telavive e no norte de Israel — um espetáculo tão espetacular que só é comparável aos ataques de Oreshnik do ano passado:

As cenas eram quase irreais demais para acreditar, como algo saído de um filme superproduzido de Michael Bay. Entre os alvos estavam a refinaria de Haifa e o centro de pesquisa israelense do Instituto Weizmann de Ciência em Rehovot, perto de Tel Aviv:

Qual o papel da refinaria de Haifa, que o Irão atacou? A Refinaria de Petróleo de Haifa, no norte da Palestina ocupada, fornece mais de 60% das necessidades de combustível de Israel, desde gasolina e diesel até querosene de aviação para a Força Aérea. Com essas instalações danificadas no ataque iraniano desta noite, Israel enfrentará um problema de combustível. Este ataque bem-sucedido à refinaria de Haifa é um golpe estratégico na espinha dorsal económica e militar de Israel. O facto de Israel permanecer em silêncio sobre os impactos na sua refinaria e ainda não ter dito nada, mas se ter concentrado no impacto em Tamra – que acredito ter sido causado pelo próprio míssil interceptador israelense que falhou (teremos que ver), mostra que os danos foram dolorosos. E é apenas o começo…

O New York Times, citando imagens que lhe foram compartilhadas, relata que o centro de pesquisa israelense, o Instituto Weizmann de Ciência, foi danificado por um míssil balístico iraniano nos ataques mais recentes ao centro de Israel. O prédio está localizado em Rehovot, ao sul de Telavive, e um incêndio teria ocorrido num dos prédios que abriga os laboratórios.

Enquanto isso, Israel também atingiu o maior campo de gás natural do Irão — South Pars — que também é o maior do mundo:

Israel está bombardeando a capacidade do Irão exportar petróleo e gás natural. Isso eliminará a capacidade do Irão de exportar cerca de 2 milhões de bpd, a maior parte destinada à China. O campo de gás natural de South Pars, no Irão, está fechado, e o campo de petróleo de Shahran está em chamas. Há relatos de que várias refinarias de petróleo no Irão estão em chamas. Isso causará escassez de gasolina e diesel no Irão. Os preços do petróleo e do gás natural dispararão quando os mercados abrirem na segunda-feira.

No entanto, a primeira rodada de ataques de Israel, previsivelmente, causou muito menos danos do que o alegado. A maioria das pessoas não tem ideia de como fazer BDA e simplesmente tira conclusões precipitadas com base em imagens emotivas de um ou outro objeto “destruído”.

Tomemos como exemplo a instalação de Tabriz: um ou dois pequenos edifícios foram “danificados”:

Natanz — uma instalação gigantesca, como pode ser visto claramente — viu alguns transformadores de energia e uma subestação sofrerem danos leves a moderados:

Além disso, também foi mostrado que a maioria das imagens dos ataques de Israel contra ativos terrestres iranianos eram iscas, já que nenhum dos MRBMs foi visto explodindo depois que grandes munições caíram sobre eles.

Da mesma forma, as alegações de “superioridade aérea israelense” foram uma mistura desleixada, costurada a partir de imagens de drones Heron da IAI voando baixo, circulando brevemente sobre Teerão para fotos de relações públicas — provavelmente antes de serem abatidos, já que surgiram clipes de algumas “aeronaves de grande porte” que o Irão alegou serem F-35s destruídos, mas que provavelmente eram drones. Além disso, as alegações de sucesso de “infiltração” israelense e “bases secretas” pareciam ser mais um exagero para operações psicológicas, já que se descobriu que israelenses estavam operando a partir de bases secretas no Azerbaijão, lançando drones e vários outros objetos contra o Irão de todas as direções. Isso, aliás, não é nenhuma novidade — desde 2012:

A única parte da operação que se mostrou relativamente bem-sucedida foi o assassinato de importantes líderes iranianos e figuras nucleares. Depois dos ataques eu postei no twitter:

O teste definitivo de falseabilidade do “sucesso” dos ataques israelenses: veja a rapidez com que Israel afirmará que o Irão está “mais uma vez” perto de obter a bomba. Comemorem agora, mas em 2 a 3 meses Bibi estará gritando que o Irão está mais uma vez “na marca dos 90%” de enriquecimento. A grande questão: quando Bibi gritar em 2 ou 3 meses, os atuais “celebrantes” admitirão que os ataques foram um fracasso total? Ou tudo será varrido para debaixo do tapete como em todas as outras vezes…?

Parece que minha previsão se tornou realidade muito antes, porque quase imediatamente foi anunciado que Israel é realmente incapaz de destruir o programa nuclear do Irão, e que Israel estava solicitando urgentemente ajuda dos EUA para fazê-lo. Axios escreve que Israel não tem grandes destruidores de bunkers nem seus porta-bombardeiros estratégicos para infligir danos reais às principais instalações subterrâneas do Irão:

Escreve a publicação:

Israel não pode bombardear a instalação nuclear nas montanhas iranianas sem os EUA. Israel não tem as bombas destruidoras de bunkers necessárias para destruir a instalação nuclear de Fordow nas montanhas. Os EUA os têm. E uma autoridade israelense disse à Axios que “os EUA ainda poderiam se juntar à operação, e que o presidente Trump chegou a sugerir que o faria se necessário quando falou com Netanyahu nos dias que antecederam o ataque”. “Mas um porta-voz da Casa Branca negou, dizendo à Axios que Trump havia dito o oposto. A autoridade afirmou que os EUA não pretendem se envolver diretamente neste momento”.

O plano desde o início era, obviamente, incitar o Irão a uma resposta esmagadora que, de alguma forma, incitasse os EUA a entrar na guerra em nome de Israel, a fim de acabar com o Irão. O programa nuclear era provavelmente um alvo falso, sendo o verdadeiro objetivo o derrube total da liderança iraniana e o fomento de revoltas civis em todo o país para subjugar o Irão sob um governo fantoche liderado pelo Ocidente.

Agora, Trump está à beira de uma de suas decisões mais cruciais da história: trair o mandato do povo americano e relegar o seu segundo mandato e o seu legado decadente para o lixo da história, ou puxar o saco de Miriam Adelson e outros doadores e mostrar coragem ao defender a verdadeira visão de “América em Primeiro Lugar” que prometeu a todos. No momento em que este texto foi escrito, havia relatos de reuniões urgentes no Pentágono em torno justamente da questão do pedido de Israel para que os EUA entrassem oficialmente na guerra para “acabar com o Irão”.

Yanis Varoufakis escreve:

Este é o Waterloo de Trump. Ele se apresentou como o Leviatã que traria uma Paz furtiva, um Acordo inteligente que evitaria uma guerra com o Irão. Então, com mais uma violação grosseira do direito internacional, Netanyahu coloca-o numa caixinha: ou Trump sabia do ataque, e nesse caso ele não passa de um fantoche de Netanyahu. Ou ele não sabia, o que levanta a questão de por que ele não sabia e como reagirá ao ser tratado como um tolo por Netanyahu. De qualquer forma, a imagem de Trump como um homem forte e negociador está acabada. De qualquer forma, ele entra para a história como mais um presidente dos EUA que Netanyahu submeteu à sua vontade genocida.

Todo o mundo não ocidental está agora observando com a respiração suspensa este momento crucial: Trump pode tomar uma atitude para resgatar pelo menos alguma esperança perdida na liderança global dos Estados Unidos ou, em vez disso, pregar o último prego no seu caixão, edificando para sempre o Sul Global em ascensão quanto à verdadeira natureza do Ocidente imoral, bárbaro e sem princípios. É uma encruzilhada metafísica: Trump ou se manterá fiel à sua missão quase espiritual de melhorar o mundo ou afogará os EUA no sangue do imperialismo neoconservador.

Eu havia postulado no X que, para aqueles “crentes” do chapéu branco, pode haver uma pequena chance de que Trump tenha nos enganado numa partida de xadrez 5D. Soubemos da última vez que ele teria enganado o Irão, induzindo-o a uma falsa sensação de segurança simplesmente para permitir que Israel lançasse seu covarde ataque furtivo.

Mas e se Trump estivesse, na verdade, armando uma armadilha a Israel o tempo todo? Israel esperava que os EUA se juntassem a eles e “acabassem com o Irão”, enquanto Trump agora poderia puxar o tapete debaixo deles, deixando Israel à própria sorte e, em vez disso, permitindo que o Irão acabasse com Israel — ou pelo menos facilitasse a deposição do regime de Bibi. Será mesmo? Talvez haja uma pequena chance de que isso seja possível, se Trump for muito mais inteligente do que lhe damos crédito — ou simplesmente estiver muito mais farto de Bibi.

A resposta mais fundamentada a essa teoria foi descoberta por Zei_Squirrel :

[O]s EUA e Israel não lançaram esta guerra para tentar eliminar as instalações nucleares. Eles sabem que não podem. Elas estão muito bem protegidas e dispersas, e qualquer dano pode ser reconstituído a curto prazo. Eles a lançaram para causar o colapso total do Estado no Irão, começando em fases. A primeira fase foi eliminar os principais líderes militares e do IRGC, além de perseguir cientistas e assassinar civis em massa no processo.

Isso criaria a falsa impressão de que eles ainda estão um tanto contidos e focados em alvos militares/nucleares. Depois de receber o que eles esperam ser uma resposta similarmente limitada do Irã, eles verão isso como uma confirmação de que o Irã não irá aderir às suas próprias linhas vermelhas declaradas e ainda tem medo de enfrentar Israel no mesmo nível de escalada.

Essa é a luz verde para prosseguir para a próxima fase, que é atacar e matar os principais líderes políticos, incluindo Khamenei.

A esperança deles não é substituir o governo e o estado atuais por uma versão fascista do sionismo monárquico por meio de seu fracasso, eles sabem que não há base de apoio para isso dentro do país.

A esperança deles é fazer o mesmo que a Líbia e a Síria: liberar forças que eles financiam e armam junto com os regimes fantoches do “escudo árabe” do Golfo e a OTAN-Erdogan e transformar isso em uma espiral de morte e caos, uma “guerra civil” inventada onde os iranianos são pagos e armados pela CIA e pelo Mossad para matar iranianos.

O MEK e outras forças aliadas já foram treinadas e preparadas e estão prontas para serem ativadas. Começarão com carros-bomba e ataques terroristas, matando civis em massa. O “ISIS” reaparecerá e fará o trabalho típico de seus mestres da CIA e do Mossad.

Os EUA e Israel decidiram lançar essa guerra bem antes de Trump ser eleito, e ela tem o apoio total e integral de todo o complexo militar-de inteligência-industrial dos EUA, da mídia e da classe política, tanto republicanos quanto democratas, e isso também teria acontecido se Kamala Harris tivesse vencido a eleição.

Eles veem o Irão, o Eixo da Resistência e sua aliança com a Rússia e a China como o principal obstáculo à plena e total hegemonia imperial sionista dos EUA-NATO-Israel na região e, por extensão, no mundo, e querem destruí-lo, pois é o único que, diferentemente da Rússia e da China, não tem um poder de dissuasão nuclear e eles querem obtê-lo antes que ele o obtenha.

Esta é uma guerra existencial de sobrevivência não apenas para o estado iraniano, mas para o Irão como nação.

Se esse projeto for bem-sucedido, o país será balcanizado, divisões étnicas serão agitadas por atores estrangeiros, a CIA, o Mossad e os fantoches do Golfo financiarão e armarão dezenas de esquadrões da morte e do estupro vagando por seus feudos, dezenas de milhões de vidas serão destruídas.

Tudo deve ser feito para impedir isso. O Irão tem as armas para isso. Tem a capacidade de fazê-lo, é apenas uma questão de vontade. Será que tem a vontade de fazer o que for preciso para impedir a destruição em massa de seu próprio povo e nação? Espero que sim. Todos nós devemos esperar que sim.

E a minha previsão do que vai acontecer?

Tudo depende da decisão de Trump — mas se ele optar por não entrar na guerra, os ataques israelenses se dissiparão em poucos dias, e ambos os lados provavelmente buscarão a distensão, com ambos declarando “grande vitória” para seus respectivos públicos. Israel irá efabular uma série de objetivos que foram “concluídos”, e ponto final. Depois disso, a situação interna de Israel se deteriorará rapidamente, pois ninguém estará convencido de que Israel “ganhou” alguma coisa ou causou danos graves ao Irão.

Mas se os EUA entrarem, então o caos pode se instalar e o Irão cumprirá sua promessa de fechar o Estreito de Ormuz, potencialmente levando o mundo a uma crise económica, ou — para apaziguar seus assessores israelenses — Trump fará um ataque “devastador” e declarará as instalações nucleares iranianas como “obliteradas” e imediatamente se retirará para iniciar um novo regime de redução de tensões com o Irão.

Acredito que há 70% de chances de que mentes mais sensatas prevaleçam nos EUA com Trump optando por não entrar na guerra, e as coisas sigam o caminho da primeira opção, mas veremos como isso se irá desenvolver.

Fonte aqui

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A escumalha assassina

(Joseph Praetorius, in Facebook, 15/06/2025, Revisão da Estátua)

Ataques sobre Telavive. Afinal a Cúpula de Ferro tem buracos…

É importante notar que todos os membros da equipe negocial iraniana com os EUA foram assassinados pela escumalha khazar, que atacou, não o esqueçamos, ao abrigo dessas negociações cuja utilidade foi, afinal, a de fazer os iranianos baixarem a guarda.

Os EUA terão agora mais trabalho na reconstituição da sua credibilidade negocial, seja com quem for.

Sendo evidente que os russos tomaram boa nota, sobretudo no que à defesa dos membros da sua própria equipa negocial diz respeito.

A obstinação na técnica do assassinato de quadros e dirigentes, acabará, mais tarde ou mais cedo, por exigir dos próprios iranianos, como dos russos, medidas em conforme reciprocidade – e preferencialmente maior eficácia – sendo evidente que, a atual fase de isolamento político interno das cliques dirigentes khazares, tanto na Ucrânia, como na Palestina, oferece a esta solução um êxito de amplitude até agora não admitida, mas a partir de agora evidente.

O golpe mal pensado no território iraniano, coloca o dito “ocidente global” diante do terror do eventual encerramento do estreito de Ormuz e do plausível ataque às bases (e unidades navais) dos ditos “ocidentais” na região. O barril de petróleo a 300 dólares liquida a Weuropa num paar de meses. A China talvez não, por ser plausível a proteção pelos (leais) fornecimentos russos. A lealdade define a política externa russa.

A chegada das primeiras armas chinesas ao Irão, a disponibilização pública para o combate ao inimigo comum pela Coreia do Norte, o cerrar de fileiras das opiniões públicas dos países islâmicos, a unidade política óbvia em suporte da direção política, militar e religiosa do Irão, tudo isto, não permite vaticínios favoráveis à escumalha genocida. O processo adquire dinâmica própria, resistente a qualquer eventual êxito “ocidental”.

A tomada de posição de Erdogan junto do Príncipe Real Saudita foi muito expressiva. O atacante e seus cúmplices não têm apoios.

Os apelos a “negociações” fazem rir. A escumalha não notou ter perdido a cara. Quarenta anos de recrutamento criterioso dos pseudo dirigentes europeus no mais asqueroso lúmpen dos funcionalismos bancários, deu nisto. E ainda não vimos o pior.

As versões oficiais perderam credibilidade, se alguma vez as tiveram. O Irão não tem, porque não quis ter, armas nucleares.

O Irão não poderia usar armas nucleares sobre o território ocupado pelo khazar, sem ferir os xiitas do Líbano, da Síria, do Iraque, do Iémen, da Arábia e da Turquia, coisa que, evidentemente, nunca faria e, atrevo-me a dizer, nunca fará. Só o monstruoso khazar pode, em pulsão suicidária, matar-se a si próprio para matar o inimigo que elegeu.

É preciso fixar isto. É verdade para o Médio Oriente e para a Ucrânia.

É preciso erradicá-los antes que a tentação de nos levar com eles tome proporções visíveis.

Talvez os sefarditas possam ajudar, quem sabe?

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