Trump, o destruidor

(A l e x a n d r e D u g i n, in Multipolar Press, 09/03/2026, Trad. Estátua)

Alexander Dugin sobre a resistência do Irão, o colapso da credibilidade americana e o nascimento acelerado de um mundo multipolar.


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O facto de o Irão não se render, não concordar com uma trégua ou um cessar-fogo, já está a alterar o equilíbrio de poder. Após o primeiro ataque, o Irão reagrupou-se e escolheu um novo Rahbar (Líder Supremo): Mojtaba Khamenei, filho do Aiatolá Khamenei. Apesar dos duros golpes desferidos na sua infraestrutura energética, o Irão continua não apenas a resistir, mas a atacar ativamente o inimigo. Ataques com mísseis e drones foram realizados contra todas as bases americanas ao redor do Irão. Segundo estimativas neutras, mais de 1.000 militares americanos foram mortos (o Irão relata números muito maiores, enquanto Trump fala em apenas alguns, o que parece risível dada a escala dos ataques iranianos).

O Irão escolheu uma tática muito eficaz: atacar não apenas alvos militares em Israel, que está gradualmente a transformar-se em algo semelhante à Faixa de Gaza, mas sobretudo os centros e polos energéticos dos estados árabes do Golfo, dos quais depende a economia global. Isso somado ao bloqueio do Estreito de Ormuz, ijá causou enormes prejuízos ao mercado global. Além disso, a situação agravar-se-à a cada dia de resistência iraniana.Parte superior do formulárioParte inferior do formulário

É significativo que os países do Golfo — cujos planos de se transformarem em centros neutros e seguros da economia mundial chegaram ao fim — culpem não tanto o Irão, mas sim Israel e os Estados Unidos. Eles sempre tiveram aversão a Israel, mas, aos seus olhos, Trump tornou-se um traidor declarado. Se as bases militares americanas não os protegem, mas, ao contrário, criam perigo, para que servem? Os líderes árabes fazem essa pergunta com bastante lógica.

Enquanto isso, a escória do capitalismo global e os exércitos de garotas de programa estão a deixar o Dubai à pressa. No terraço de um hotel abandonado, apenas o influencer um tanto desequilibrado, Andrew Tate, dança sozinho, insistindo teimosamente que tudo isso não passa de uma simulação de computador e que vivemos numa matrix onde simplesmente foi carregado um novo cenário.

O próximo passo será o levantamento dos títulos do tesouro árabes dos Estados Unidos. Aliás, a BlackRock interrompeu o processo de resgate dos seus fundos, reduzindo o limite em mais da metade. Parece o início de um colapso. Os preços do petróleo estão a disparar e os índices estão a cair rapidamente. É totalmente possível que a economia global entre em colapso total num futuro próximo.

O que Trump esperava claramente falhou. A vontade e a determinação do Irão em ir até ao fim, juntamente com a solidariedade de uma sociedade que se uniu em torno da sua liderança política e religiosa, puseram fim às expectativas de uma vitória fácil e barata para os Estados Unidos e Israel. A guerra já não é nem fácil nem barata, e, a cada dia que passa, tornar-se-á mais difícil e mais cara. Trump está claramente despreparado para processos longos. Além disso, os seus índices de aprovação começaram a cair rapidamente. Nos Estados Unidos, a guerra com o Irão é apoiada por uma minoria muito pequena (principalmente sionistas cristãos e dispensacionalistas — que são muitos nos Estados Unidos, embora ainda representem apenas uma pequena percentagem da população total). O núcleo do eleitorado MAGA já se tinha afastado de Trump anteriormente (principalmente por causa dos arquivos de Epstein) e agora forma o flanco mais radical do anti trumpismo. “Trump traiu-nos a todos” é a publicação mais comum online entre os ex-apoiantes do MAGA.

Embora Trump continue a proferir ameaças e palavrões, a impressão que se forma é a de que ele está gradualmente a entrar em pânico. A Operação EF — Fúria Épica (nome inventado pelo skinhead alcoólatra e ideologicamente extremista Pete Hegseth) — foi renomeada nas redes sociais americanas como Operação Arquivos Epstein ou Fracasso Épico; as iniciais permanecem as mesmas: EF.

Donald Trump está prestes a declarar que “os Estados Unidos venceram novamente” e que “encerrou mais uma guerra”. Em seguida, tentará interromper tudo e partir para a ocupação de Cuba. Para isso, duas figuras altamente suspeitas foram enviadas a Israel: Jared Kushner e Steve Witkoff. No entanto, parece que quase já ninguém no mundo acredita neles. Foi justamente durante as negociações com o Irão que os Estados Unidos e Israel realizaram o ataque traiçoeiro que matou alunas da escola Minab (filhas de comandantes da Guarda Revolucionária Islâmica), bem como membros da mais alta cúpula político-religiosa do Irão.

Uma nova estrela da internet global, o intelectual chinês Jian Xueqin — que previu com precisão os eventos, incluindo o ataque dos Estados Unidos e de Israel e como ele se desenrolaria, e que é o único acadêmico chinês profundamente versado em escatologias monoteístas (sionismo religioso, as seitas messiânicas judaicas de Sabbatai Zevi e Jacob Frank, dispensacionalismo cristão e o tema do Mahdi) — afirmou hoje que Kushner representa uma das figuras mais sinistras dentro das elites ocidentais e está ligado à rede de Jeffrey Epstein (através do advogado de Epstein, o agente israelita Alan Dershowitz). Além disso, Jian Xueqin descreveu o próprio Kushner como “o novo Epstein”. Até ao momento, todas as suas previsões se concretizaram com impressionante precisão.

Agora é o momento para a Rússia agir com mais ousadia na defesa dos seus interesses. A Ucrânia e o Médio Oriente são dois teatros da mesma guerra: uma guerra da Humanidade pela soberania e por um mundo multipolar contra as tentativas desesperadas de Trump — que se transformou num instrumento cego e frenético dos neoconservadores — de preservar a hegemonia global ocidental e a unipolaridade.

Donald Trump destruiu a ordem anterior até aos seus alicerces. Ninguém se lembra já do liberalismo, da agenda verde ou das políticas de género. Tudo no mundo se tornou muito mais duro e explícito. Na sua essência, as coisas permanecem na mesma como antes, só que agora o disfarce foi removido.

Trump dissipou a névoa e revelou à Humanidade a verdadeira face do Ocidente. É monstruosa. No sentido de ter destruído todas as regras e arrancado todos os véus, Trump foi bastante bem-sucedido. Ele é o Grande Destruidor.

Originalmente, poderia haver um lugar para o MAGA num mundo multipolar. O Ocidente para os ocidentais, a América para os americanos, a Europa para os europeus. Por que não? E sem qualquer agenda de imigração liberal. Cada civilização teria seus próprios valores tradicionais, e um retorno a esses valores só poderia ser bem-vindo.

Ao mesmo tempo: Rússia para os russos. Eurásia para os eurasiáticos. Irão para os iranianos. Países islâmicos para os muçulmanos. China para os chineses. Índia para os hindus. África para os africanos. América Latina para os latino-americanos. Isso seria justo.

Civilizações-estados poderiam facilmente concordar com uma nova divisão regional do planeta em bases multipolares.

Inicialmente, Trump fingiu concordar amplamente com isso, e essa ideologia, essencialmente, constituiu toda a essência de sua campanha eleitoral — a sua ideologia MAGA. Foi precisamente com base nesses argumentos e sob essas condições que a Rússia iniciou o diálogo com Trump.

Então algo correu mal — até que tudo correu completamente mal. Trump abandonou o ponto principal: o mundo multipolar. Ele atacou diretamente os BRICS, não fez nada em relação à Ucrânia, assumiu uma posição horrível no caso dos arquivos de Jeffrey Epstein — envolvendo-se nas reviravoltas mais monstruosas desse caso sórdido —, atacou a Venezuela, apoiou o genocídio em Gaza, realizou o primeiro ataque contra o Irão e agora entrou numa guerra brutal longe das suas próprias fronteiras. Ao mesmo tempo, ninguém ligado ao caso Epstein foi preso, a deportação de imigrantes ilegais foi suspensa e, dentro dos Estados Unidos, ele está a perder apoio rapidamente. Os Estados Unidos estão a desfazer-se; nenhum problema foi resolvido.

O programa positivo de Trump fracassou completamente. No entanto, ele destaca-se pela destruição.

Precisamos de nos reorganizar rapidamente tendo isso em mente. É quase certo que Trump perderá as eleições de meio de mandato para os democratas. Mas isso representa o mesmo mal, só que sob outra perspetiva. Devemos mantermo-nos firmes nas nossas posições — soberania, Estado-civilização, multipolaridade — e avançar consistentemente rumo à vitória na Ucrânia. Os Estados Unidos e o Ocidente como um todo são nossos inimigos mortais. Estamos em guerra com eles hoje e amanhã continuaremos a lutar, talvez com ainda mais ferocidade. Este deve ser o ponto de partida.

Com essa abordagem racional, poderemos tirar benefícios de qualquer ação de Trump e da União Europeia, sem ceder à hipnose, à persuasão ou a promessas. O Ocidente é uma civilização do mal. Deve ser tratado como tal. Se desejar reformar-se, excelente — ajudaremos com satisfação. Por agora, porém, é um dragão mortal que, na sua agonia, destrói tudo no seu caminho. Isso é extremamente perigoso, mas só resta uma solução: acabar com ele completamente — por todos os meios necessários.

Que Trump destrua o velho mundo até aos alicerces. Não há necessidade de nos agarrarmos ao que já se esgotou. Chegou a hora de construir um novo mundo, no qual a Rússia deve ocupar o lugar que lhe cabe — o lugar que lhe pertence por direito. Esse lugar é o de sujeito, não o de objeto. Não precisamos do que pertence aos outros, mas a Eurásia pertence-nos.

Fonte aqui.


O Novo Atlantismo de Marco Rubio

(A l e x a n d r e D u g i n, in MultipolarPress.com, 16/02/2026, Trad. Estátua)

Alexander Dugin sobre a recalibração estratégica do Ocidente em Munique.


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O discurso do Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na Conferência de Segurança de Munique, em 14 de fevereiro de 2026, diferiu significativamente do discurso análogo proferido pelo Vice-Presidente JD Vance na mesma conferência, um ano antes.

O discurso de Vance no ano passado foi, em essência, um triunfo do MAGA — a ideologia sob cuja bandeira Donald Trump chegou ao poder após vencer as eleições presidenciais pela segunda vez. O vice-presidente dos EUA apresentou aos europeus (a maioria dos quais globalistas) o novo rumo de Washington para fortalecer os Estados Unidos – afirmando-se como um polo totalmente soberano no contexto de um mundo multipolar -, bem como o fim da era do globalismo. Vance não escondeu o seu desprezo pelos europeus e criticou duramente a sua ideologia liberal de esquerda. A ausência de invocações e maldições histéricas de russofobia no seu discurso foi percebida pela elite euro globalista quase como uma “posição pró-russa”. A impressão geral foi de que o atlantismo havia entrado em colapso e que o Ocidente coletivo se havia dividido em dois sistemas independentes: o nacionalismo americano (América Primeiro) e um fragmento do globalismo fracassado representado pela União Europeia.

Desta vez, o Secretário de Estado Marco Rubio discursou em Munique. A sua peroração refletiu as transformações pelas quais a política externa dos EUA passou nesse período. É importante destacar que o próprio Rubio é um neoconservador; ele orienta-se para o fortalecimento da solidariedade atlântica, a continuidade e até mesmo a intensificação da política hegemónica na América Latina (foi Rubio quem promoveu a invasão da Venezuela, a deposição de Maduro, bem como a intervenção e a mudança de regime em Cuba) e o aumento das tensões com a Rússia. Ao mesmo tempo, Marco Rubio busca adaptar-se à retórica conservadora de Trump e critica a agenda liberal de esquerda (embora de forma muito mais branda do que o movimento MAGA — e Vance em particular).

Em primeiro lugar, Rubio tranquilizou os líderes da UE quanto à preservação da solidariedade atlantista. Segundo ele, “num momento em que as manchetes anunciam o fim da era transatlântica, que fique claro para todos que esse não é o nosso objetivo nem o nosso desejo, porque, para nós, americanos, embora a nossa casa seja no Hemisfério Ocidental, seremos sempre filhos da Europa”. E acrescentou: “Para os Estados Unidos e para a Europa: nós pertencemos um ao outro”.

A era transatlântica, portanto, continua. Ao mesmo tempo, no espírito do neoconservadorismo clássico, Rubio enfatizou a dimensão estratégica da Europa. Ele afirmou: “Queremos que a Europa seja forte. …o nosso destino está e sempre estará entrelaçado com o vosso, porque sabemos que o destino da Europa nunca será irrelevante para o nosso”. O Secretário de Estado também assegurou que nada ameaça a NATO: “Não procuramos a separação, mas sim revitalizar uma antiga amizade e renovar a maior civilização da história da humanidade. O que queremos é uma aliança revigorada…”

Rubio criticou o sistema de valores da esquerda liberal; contudo, explicou principalmente a falácia das falsas esperanças dos democratas liberais — a sua complacência e confiança na garantia de domínio global após o colapso da URSS. Rubio disse: “Mas a euforia desse triunfo levou-nos a uma ilusão perigosa: a de que havíamos entrado, entre aspas, ‘no fim da história’; que todas as nações seriam agora democracias liberais; que os laços formados pelo comércio e somente pelo comércio substituiriam a nacionalidade; que a ordem global baseada em regras — um termo banalizado — substituiria o interesse nacional; e que viveríamos em um mundo sem fronteiras, onde todos se tornariam cidadãos do mundo. Essa foi uma ideia tola que ignorou tanto a natureza humana quanto as lições de mais de 5.000 anos de história humana registrada.”

Embora Rubio não tenha mencionado a Rússia diretamente no seu discurso, à margem de sua visita, ele lamentou os “horrores da guerra“, afirmando que “não sabemos se os russos estão falando a sério sobre acabar com a guerra” e que “vamos continuar a testar isso“, ao mesmo tempo em que assegurava que os Estados Unidos continuariam a pressionar a Rússia por meio de sanções económicas e do fornecimento de armas à Europa, que, em última instância, chegariam à Ucrânia. Nesse ponto, Rubio pareceu estar mais alinhado  com o Velho Mundo, argumentando que, juntamente com a Europa, os EUA continuariam a tomar medidas para pressionar a Rússia a sentar-se à mesa de negociações.

No entanto, Rubio faltou a uma reunião de líderes europeus com Zelensky sobre a Ucrânia, realizada à margem do fórum, e, em vez disso, foi encontrar-se com Orbán — e isso.só por si, provocou críticas dos euro-globalistas, que consideraram tal comportamento um “desafio”.

Rubio concluiu o seu discurso na conferência num tom otimista, insinuando que o “novo xerife”, na pessoa de Donald Trump, é muito menos terrível do que muitos acreditam, e que, na realidade, a sua agenda internacional não difere muito dos planos dos globalistas, embora apresentada sob uma embalagem peculiar e extravagante. A própria figura de Rubio — um neoconservador e globalista — tinha o propósito de confirmar essa tese. Ele terminou o seu discurso com as palavras: “A América está a traçar o caminho para um novo século de prosperidade, e mais uma vez queremos fazer isso juntamente com vocês, nossos estimados aliados e nossos amigos de longa data”.

Se deixarmos as emoções de lado, a visita do Secretário de Estado Marco Rubio à Europa para a Conferência de Munique marca uma mudança significativa na política da administração americana em comparação com o ano passado. A nova estratégia de segurança nacional declarou que, a partir de agora, os Estados Unidos se concentrariam no Hemisfério Ocidental, o que foi interpretado como um retorno à Doutrina Monroe (América para os americanos) e uma rutura com o Velho Mundo. Rubio esclareceu que não é esse o caso e que todas as estruturas atlantistas permanecem em vigor.

Assim, com certo grau de certeza, pode concluir-se que, ao longo do último ano, a política dos EUA se distanciou muito do projeto revolucionário do MAGA e está a aproximar-se de uma versão radical do neoconservadorismo e do realismo atlantista.

Partindo das posições com que Trump iniciou o seu segundo mandato presidencial, a Rússia e os Estados Unidos tinham perspetivas de chegar a um acordo sobre novas bases para uma nova ordem mundial. Especialmente porque nós, Vance, o próprio Trump e Rubio, concordamos que a antiga ordem mundial liberal-globalista, “baseada em regras”, já não existe. Não nos teríamos oposto particularmente a um fortalecimento dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental, e Vladimir Putin teve a oportunidade, em Anchorage, de discutir a sua visão global com o presidente americano. O problema da Ucrânia dificilmente poderia ter sido resolvido, mas Washington poderia muito bem ter-se retirado dessa guerra, concentrando-se nos seus próprios problemas. Uma deterioração nas relações entre os Estados Unidos e a União Europeia também teria sido vantajosa para nós, ao mesmo tempo que um retorno aos valores tradicionais coincidia plenamente com a nossa própria ideologia patriótica e conservadora. Com o MAGA, tínhamos todas as chances de encontrar um terreno comum.

Contudo, em determinado momento, o próprio Trump começou, nas suas políticas, a distanciar-se do movimento MAGA e a aproximar-se dos neoconservadores. Paralelamente, o papel de Marco Rubio no sistema político ganhou relevo. As negociações sobre a Ucrânia, já problemáticas e até mesmo ambíguas desde o início, aproximaram-se gradualmente de um impasse.

Mais importante ainda: isso afetou muito mais do que as relações russo-americanas. O governo dos EUA adotou estratégias neoconservadoras (em essência, uma tentativa de salvar a hegemonia ocidental e o mundo unipolar) também em várias outras áreas: pressão sobre os BRICS, ataques contra o Irão, o sequestro de Maduro e o aumento das sanções contra a Rússia. E agora, Marco Rubio, na Conferência de Munique, articulou um programa de novo atlantismo — menos liberal e mais realista, mas ainda assim o mesmo. Continua, pois, a ser um mundo unipolar, e de forma alguma uma nova ordem mundial de grandes potências.

Os caminhos da civilização russa e da civilização ocidental estão a divergir cada vez mais (embora esse processo tenha começado há muitos séculos). Devemos estar preparados para isso.

Fonte aqui.


Presidentes pedófilos e os arquivos de Epstein

(A l e x a n d r e D u g i n, in Substack, 02/02/2026, Trad. Estátua)

Alexander Dugin sobre a implosão da legitimidade ocidental e a tempestade geopolítica que se aproxima.


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A publicação de três milhões de arquivos de Epstein é um evento fundamental de tal magnitude que provoca genuína perplexidade: por que razão os meios de comunicação nacionais não lhe dão a atenção merecida? Este é um evento real — por assim dizer, um “cisne negro” – previsto, mas ainda assim chocante -, ou aquilo que a análise política designa como “divisor de águas”, uma transformação das condições do jogo.

Vamos por partes. Primeiro, a publicação dos arquivos de Epstein foi um dos elementos-chave da campanha eleitoral de Trump. Ele prometeu divulgá-los para expor uma rede de pedofilia dentro da liderança dos Estados Unidos, implicada em crimes hediondos. Até certo momento, o assunto da ilha de Epstein — com as suas orgias monstruosas, missas satânicas, abuso de menores, canibalismo e experimentação humana — pertencia apenas a círculos conspiratórios. Era tratado com leviandade, como uma teoria da conspiração, mas com o passar do tempo ficou claro que a questão era muito mais séria.

Em determinado momento, o conjunto de provas tornou-se tão substancial que o próprio Jeffrey Epstein foi preso, juntamente com a sua sócia mais próxima, Ghislaine Maxwell — filha de um dos chefes da Mossad nos Estados Unidos. O facto de Epstein supostamente ter cometido suicídio na sua cela da prisão em circunstâncias obscuras (embora haja uma forte probabilidade de que ele tenha sido eliminado) apenas intensificou as suspeitas.

Ficou claro que círculos extremamente influentes — que haviam estabelecido controlo não apenas sobre os Estados Unidos, mas também sobre as elites globais — foram atraídos para a sua rede obscura de total degeneração, povoada por maníacos, assassinos, violadores e espiões.

A princípio, apenas teóricos da conspiração faziam tais alegações; depois, os eleitores de Trump juntaram-se a eles, acreditando que, com sua ascensão ao poder, toda a verdade viria à tona. Contudo, no ano passado, após a publicação de uma pequena parte do dossiê que praticamente não continha nada, a deceção surgiu. O Departamento de Justiça dos EUA tentou satisfazer os apoiantes de Trump com uma versão “falsa”. Quando todos declararam isso insuficiente, Trump passou para a próxima etapa: começou a afirmar que o dossiê Epstein não existia, prometeu clemência para Ghislaine Maxwell e, na prática, tentou enterrar o caso.

Isso mesmo desencadeou uma divisão entre os apoiantes do movimento MAGA. A partir desse momento, começou o declínio de Trump, que agora se encontra no ponto mais baixo de seu segundo mandato presidencial. Grande parte das razões desse declínio está ligada precisamente à sua posição sobre o dossiê Epstein (que Trump acabou alegando ter sido “inventado pelos democratas”). Surgiram acusações de que o próprio Trump teria participado em orgias na ilha e, portanto, estaria a retardar o processo de publicação.

Finalmente, apesar das vergonhosas manobras políticas que se realizaram em torno desses documentos, os arquivos foram libertados. Em grande medida, figuras como Thomas Massie e Ro Khanna apoiaram essa decisão, insistindo que o caso não deveria ser suprimido.

A publicação tornou-se uma verdadeira bomba. O Departamento de Justiça, sob a liderança de Pamela Bondi, nomeada por Trump, divulgou durante várias horas um fragmento do dossiê contendo depoimentos sobre a participação pessoal de Trump nessas orgias com pedófilos e a intimidação das vítimas pela sua equipe de segurança. Fotografias de Melania Trump abraçada a Epstein foram tornadas públicas, implicando-a numa rede de tráfico envolvendo mulheres e crianças que foram abusadas e assassinadas. Embora os documentos referentes a Trump tenham sido removidos após algumas horas, os três milhões de arquivos restantes permaneceram online (possivelmente apenas uma parte deles).

Só isso já basta para entender que não apenas Trump, mas também Elon Musk, assim como muitos representantes do Partido Republicano e até mesmo membros de famílias reais europeias, que faziam parte desse sistema. Toda a elite ocidental foi desacreditada. Epstein funcionava como uma espécie de “departamento de pessoal” para um governo mundial. Candidatos ao poder global passavam por certos rituais e crimes ali — incluindo abuso de menores, assassinato e canibalismo —, tudo registrado em vídeo para posterior controlo.

O mundo ocidental entrou em colapso. Nenhum líder político ocidental, seja nos Estados Unidos ou na União Europeia, mantém qualquer autoridade moral. É uma revelação: praticamente todo o Ocidente global apresenta-se como uma organização satânica pedófila. É o fim de qualquer pretensão de liderança.

Agora, qualquer pessoa que faça acordos com um político ocidental precisa de entender que pode estar sentada ao lado de um maníaco e assassino (e muitos intelectuais, especialistas, cientistas e outras figuras proeminentes do Ocidente — tanto da esquerda quanto da direita — estão implicados nessa rede de pedofilia). Este é o Ocidente. Portanto, após a publicação dessas evidências, ou a humanidade destrói esse sistema, essa seita totalitária monstruosa, ou o Ocidente destruirá a humanidade transformando o planeta inteiro em algo semelhante à ilha de Epstein, que já se tornou um símbolo do Ocidente moderno como um todo.

O segundo ponto fundamental e igualmente chocante é o papel preponderante dos serviços de inteligência israelitas no esquema de Epstein. Os documentos mostram que Epstein era um representante do racismo sionista, zombando arrogantemente dos “goyim” (não judeus percebidos como “subumanos”) que participavam nas suas orgias. Perante os acontecimentos recentes em Gaza, o sionismo perdeu, mais uma vez, qualquer legitimidade moral.

Durante décadas após os horrores do Holocausto nazi, o mundo simpatizou com o povo judeu. No entanto, a humanidade está agora chocada com a forma como esse culto de reverência à memória do sofrimento judaico foi usado pelo Estado de Israel e por uma rede sionista global para construir um sistema de chantagem e governação à escala mundial. Ao racismo dos nazis, os sionistas responderam com a mesma superioridade racial em relação a toda a humanidade (mais visivelmente na Palestina). Isso é uma verdadeira explosão — um choque para a sociedade americana.

As diversas forças políticas começarão agora a manipular estes dados. Democratas que não foram afetados pelo dossiê Epstein tentarão usá-lo contra Trump. Talvez até mesmo alguns ativistas republicanos do MAGA tentem destituir Trump, entendendo que um pedófilo idoso não pode liderar a América rumo à grandeza, nem servir como um qualquer símbolo de autoridade moral. Os democratas podem sacrificar Bill Gates, Barack Obama, o casal Clinton, conhecido pelas suas práticas desviantes, e muitos outros representantes das suas próprias fileiras que estiveram envolvidos nas orgias de Epstein, ainda que apenas com o fito de derrubar Trump.

O facto de materiais que desacreditam Trump terem aparecido no site do seu próprio departamento é considerado por muitos como obra da Mossad, numa tentativa de pressionar Trump a atacar diretamente o Irão — algo que ele até agora se absteve de fazer. Mas isso são detalhes. Em termos globais, trata-se do fracasso total do Ocidente, que se transformou num braço do lobby pedófilo.

Repito: neste contexto, é muito estranho que a nossa comunicação social permaneça em silêncio, mesmo não havendo qualquer “vestígio russo” nessas publicações (além de algumas figuras insignificantes, incluindo prostitutas, bem como declarações russofóbicas de alguns indivíduos no dossiê). Dá a impressão de que alguém deu instruções para não causar problemas.

No entanto, tudo isso parece absolutamente insignificante em comparação com a dimensão do abismo que se abriu — comparável em magnitude aos crimes revelados nos julgamentos de Nuremberga contra criminosos de guerra nazis.

A única diferença é que, para condenar os criminosos de hoje, a humanidade teria que, na prática, conquistar o Ocidente coletivo. Esses pervertidos jamais se arrependerão. Prefeririam recorrer a uma provocação global, a uma guerra nuclear ou, no mínimo, a uma explosão no Capitólio, uma operação de falsa bandeira, para ocultar as provas.

Na prática, este é o fim do Ocidente. Ao publicar os arquivos de Epstein, esta civilização assinou a sua própria sentença de morte. Contudo, se nós — toda a humanidade sã — não derrotarmos agora essa elite satânica, ela continuará a governar-nos.

Fonte aqui.