Para lá de Trump: A Palantir e a arquitetura do tecnopoder

(A l e x a n d r e D u g i n, in Substack, 19/04/2026, Trad. Estátua)

Alexander Dugin apresenta a Palantir como o verdadeiro núcleo ideológico por trás do poder na era Trump: um sistema tecnológico pós-liberal que visa preservar a hegemonia ocidental por meio do controle, da vigilância e de técnicas anti-humanas. A Palantir é uma empresa de inteligência artificial a quem os EUA estão a recorrer na guerra do Médio Oriente. Informação completa sobre a empresa, seus propósitos e Manifesto pode ser consultada aqui.

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O Manifesto Palantir é muito mais importante do que Trump. Trump é um peão insignificante num tabuleiro de xadrez sério. O seu papel é a destruição total. A fase de preparativos. O Palantir é muito mais sério. É o plano para salvaguardar a hegemonia decrescente do Ocidente por meios radicais.

O Manifesto Palantir é o plano do tecno fascismo ocidental. A superioridade da raça branca baseada na tecnologia. Sem antissemitismo, sem sacralidade, sem o socialismo do antigo fascismo histórico. Desta vez, puro capitalismo, amigável aos judeus, profano, materialista. Anglo-saxão. Pós-humanista.

Manifesto Palantir. Iliberal, anti-humanista, pós-globalista. O tecno estado do Ocidente global como polo hegemónico. Unipolaridade, racismo tecnológico, individualismo. Estilo Epstein. Bastante compatível com o Israelismo (definição de Tucker Carlson). Absolutamente repugnante. Anticristo.

Manifesto Palantir. Puro satanismo. Ayn Rand. A conclusão lógica da era capitalista. O verdadeiro fim da história sem lentes liberais. Bastante compatível com a catraca degenerativa e o Númen Presa. Totalmente incompatível com a multipolaridade e a Quarta Teoria Política.

Manifesto da Palantir: a verdadeira agenda do governo Trump. Apesar de o próprio Trump ter sido usado e abusado por poderes muito mais sérios e autónomos.

Manifesto da Palantir e Israel. Alguns pontos em comum, algumas divergências. Os tecnocratas podem facilmente sacrificar judeus no seu caminho para o estado de coisas desejado. Ou não?

O avô de Peter Thiel não se importaria de perder os judeus para o mundo tecno fascista global que seu neto defende. Acho que sim. Mas não tenho certeza disso.

Os tipos da Palantir (tecno fascistas) têm que lutar contra globalistas liberais, multipolares, tradicionalistas e nacional-populistas. Demais, na minha opinião.

A ideia de libertar a Alemanha e o Japão do jugo liberal americano é puro fascismo. Mas, nesse caso, é sustentado pela extrema necessidade da defesa do Ocidente como tal. Que Ocidente? Mais ou menos o de Jünger. A técnica como destino. Refiro-me a Ernst, não a Friedrich Georg.

Transmissões ao vivo e selfies são operações psicológicas para acostumar as pessoas a serem constantemente vigiadas. Essa foi a estratégia da Palantir desde o início.

O tecno fascismo está em ascensão. As máscaras caíram. A Palantir fala abertamente sobre os seus planos. Isso significa que já alcançou posições avançadas na governação mundial.

Fonte aqui

Combatendo o Sistema Epstein

(A l e x a n d r e D u g i n, in Multipolar Press, 21/03/2026, Trad. Estátua)

Alexander Dugin discute a necessidade da integração multipolar para combater a tirania tecnocrática ocidental.


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Se o novo capitalismo, segundo Kees van der Pijl, consiste em inteligência + mass media + TI, então o contra-capitalismo e a contra-hegemonia devem ser algo simétrico: a integração de um novo nível de inteligência com os mass media e o setor de TI. O termo chave aqui é “integração”. Quando esses três componentes são isolados, eles são limitados por esse mesmo isolamento. O novo capitalismo exige não apenas a sua adição, mas a sua multiplicação. É por isso que a CIA/FBI de hoje, os mass media  americanos modernos e as startups contemporâneas do Vale do Silício (Palantir, Musk, e a “República Tecnológica” de Karp) estão fortemente integradas umas nas outras. As redes de Epstein eram, na verdade, um dos módulos dessa integração.

Isso não se limita aos Estados Unidos. Inclui também a Mossad e os Cinco Olhos. Trata-se da unificação dos serviços de inteligência de toda a civilização ocidental.

O mesmo se aplica aos meios de comunicação de massa. Eles estão fortemente integrados em todo o Ocidente e muitas vezes partilham os mesmos proprietários.

O setor de TI também. Embora existam, sem dúvida, certas fronteiras entre a Europa, a América e Israel, em algum nível todos eles trocam algoritmos tecnológicos.

Que conclusões se podem concluir de tudo isso? O capitalismo russo atual é imitativo, atrasado e fraco. Tudo o que há de bom nele não provém da imitação do capitalismo, mas da soberania e do talento do povo. O resto apenas restringe o nosso crescimento. Mesmo que desejássemos seguir o Ocidente, precisaríamos, em todo caso, de desenvolver um projeto de longo prazo para integrar essas três esferas: comunidades de inteligência, mídia e TI. Deve-se dar atenção especial às parcerias com outros Estados multipolares e com as suas respetivas tríades. Algo desse tipo certamente existe na China e funciona com bastante sucesso. Deve haver algo semelhante também no Irão e no Paquistão. Noutros centros do mundo multipolar, isso precisa de ser investigado. É improvável que algo significativo exista lá, mas deveria existir. O BRICS é precisamente a zona onde se pressupõem estratégias de integração em domínios-chave. E o que poderia ser mais significativo do que esses três domínios?

Se quisermos derrotar a hegemonia — e estamos em guerra com ela — precisamos entender como ela está estruturada hoje. A divulgação dos arquivos de Epstein faz mais do que revelar o caráter criminoso e extremamente perverso das elites dominantes do Ocidente contemporâneo, cuja natureza verdadeiramente satânica confirma até mesmo as hipóteses mais ousadas e perturbadoras dos teóricos da conspiração; ela também expõe certos mecanismos pelos quais diferentes esferas-chave das sociedades ocidentais estão fundidas numa única rede. Não é coincidência que os serviços de inteligência, a mídia e os magnatas das tecnologias de informação desempenhem um papel central nesse contexto. Uma figura-chave é o criador da Palantir, Peter Thiel, que atualmente realiza uma tourné mundial de palestras sobre o Anticristo e o (tecno-)Katechon, e que, de muitas maneiras, facilitou a chegada à Casa Branca de outro frequentador assíduo dos encontros de Epstein, Donald Trump.

Estamos a lidar com um novo capitalismo. É claro que finanças, recursos e mercados ainda existem dentro dele. Mas a ênfase já se deslocou para a virtualidade — controle, informação, a criação de mundos artificiais e a transição para a tecnosfera: IA, bots, robots, drones e a substituição do ser humano pelo pós-humano.

Devemos levar em conta essa profunda mutação do capitalismo e formular-lhe uma resposta eficaz. Fingir ignorância não basta. É inútil opor-se à nova etapa simplesmente repetindo os mesmos passos da anterior. O vetor de movimento deve mudar, sem deixar de lado a compreensão clara de onde nos encontramos agora. A contra-hegemonia deve ser vanguardista. A integração de serviços de inteligência soberanos, mídia soberana e um setor de TI soberano é uma medida que se apresenta como necessária.

Fonte aqui.


Trump, o destruidor

(A l e x a n d r e D u g i n, in Multipolar Press, 09/03/2026, Trad. Estátua)

Alexander Dugin sobre a resistência do Irão, o colapso da credibilidade americana e o nascimento acelerado de um mundo multipolar.


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O facto de o Irão não se render, não concordar com uma trégua ou um cessar-fogo, já está a alterar o equilíbrio de poder. Após o primeiro ataque, o Irão reagrupou-se e escolheu um novo Rahbar (Líder Supremo): Mojtaba Khamenei, filho do Aiatolá Khamenei. Apesar dos duros golpes desferidos na sua infraestrutura energética, o Irão continua não apenas a resistir, mas a atacar ativamente o inimigo. Ataques com mísseis e drones foram realizados contra todas as bases americanas ao redor do Irão. Segundo estimativas neutras, mais de 1.000 militares americanos foram mortos (o Irão relata números muito maiores, enquanto Trump fala em apenas alguns, o que parece risível dada a escala dos ataques iranianos).

O Irão escolheu uma tática muito eficaz: atacar não apenas alvos militares em Israel, que está gradualmente a transformar-se em algo semelhante à Faixa de Gaza, mas sobretudo os centros e polos energéticos dos estados árabes do Golfo, dos quais depende a economia global. Isso somado ao bloqueio do Estreito de Ormuz, ijá causou enormes prejuízos ao mercado global. Além disso, a situação agravar-se-à a cada dia de resistência iraniana.Parte superior do formulárioParte inferior do formulário

É significativo que os países do Golfo — cujos planos de se transformarem em centros neutros e seguros da economia mundial chegaram ao fim — culpem não tanto o Irão, mas sim Israel e os Estados Unidos. Eles sempre tiveram aversão a Israel, mas, aos seus olhos, Trump tornou-se um traidor declarado. Se as bases militares americanas não os protegem, mas, ao contrário, criam perigo, para que servem? Os líderes árabes fazem essa pergunta com bastante lógica.

Enquanto isso, a escória do capitalismo global e os exércitos de garotas de programa estão a deixar o Dubai à pressa. No terraço de um hotel abandonado, apenas o influencer um tanto desequilibrado, Andrew Tate, dança sozinho, insistindo teimosamente que tudo isso não passa de uma simulação de computador e que vivemos numa matrix onde simplesmente foi carregado um novo cenário.

O próximo passo será o levantamento dos títulos do tesouro árabes dos Estados Unidos. Aliás, a BlackRock interrompeu o processo de resgate dos seus fundos, reduzindo o limite em mais da metade. Parece o início de um colapso. Os preços do petróleo estão a disparar e os índices estão a cair rapidamente. É totalmente possível que a economia global entre em colapso total num futuro próximo.

O que Trump esperava claramente falhou. A vontade e a determinação do Irão em ir até ao fim, juntamente com a solidariedade de uma sociedade que se uniu em torno da sua liderança política e religiosa, puseram fim às expectativas de uma vitória fácil e barata para os Estados Unidos e Israel. A guerra já não é nem fácil nem barata, e, a cada dia que passa, tornar-se-á mais difícil e mais cara. Trump está claramente despreparado para processos longos. Além disso, os seus índices de aprovação começaram a cair rapidamente. Nos Estados Unidos, a guerra com o Irão é apoiada por uma minoria muito pequena (principalmente sionistas cristãos e dispensacionalistas — que são muitos nos Estados Unidos, embora ainda representem apenas uma pequena percentagem da população total). O núcleo do eleitorado MAGA já se tinha afastado de Trump anteriormente (principalmente por causa dos arquivos de Epstein) e agora forma o flanco mais radical do anti trumpismo. “Trump traiu-nos a todos” é a publicação mais comum online entre os ex-apoiantes do MAGA.

Embora Trump continue a proferir ameaças e palavrões, a impressão que se forma é a de que ele está gradualmente a entrar em pânico. A Operação EF — Fúria Épica (nome inventado pelo skinhead alcoólatra e ideologicamente extremista Pete Hegseth) — foi renomeada nas redes sociais americanas como Operação Arquivos Epstein ou Fracasso Épico; as iniciais permanecem as mesmas: EF.

Donald Trump está prestes a declarar que “os Estados Unidos venceram novamente” e que “encerrou mais uma guerra”. Em seguida, tentará interromper tudo e partir para a ocupação de Cuba. Para isso, duas figuras altamente suspeitas foram enviadas a Israel: Jared Kushner e Steve Witkoff. No entanto, parece que quase já ninguém no mundo acredita neles. Foi justamente durante as negociações com o Irão que os Estados Unidos e Israel realizaram o ataque traiçoeiro que matou alunas da escola Minab (filhas de comandantes da Guarda Revolucionária Islâmica), bem como membros da mais alta cúpula político-religiosa do Irão.

Uma nova estrela da internet global, o intelectual chinês Jian Xueqin — que previu com precisão os eventos, incluindo o ataque dos Estados Unidos e de Israel e como ele se desenrolaria, e que é o único acadêmico chinês profundamente versado em escatologias monoteístas (sionismo religioso, as seitas messiânicas judaicas de Sabbatai Zevi e Jacob Frank, dispensacionalismo cristão e o tema do Mahdi) — afirmou hoje que Kushner representa uma das figuras mais sinistras dentro das elites ocidentais e está ligado à rede de Jeffrey Epstein (através do advogado de Epstein, o agente israelita Alan Dershowitz). Além disso, Jian Xueqin descreveu o próprio Kushner como “o novo Epstein”. Até ao momento, todas as suas previsões se concretizaram com impressionante precisão.

Agora é o momento para a Rússia agir com mais ousadia na defesa dos seus interesses. A Ucrânia e o Médio Oriente são dois teatros da mesma guerra: uma guerra da Humanidade pela soberania e por um mundo multipolar contra as tentativas desesperadas de Trump — que se transformou num instrumento cego e frenético dos neoconservadores — de preservar a hegemonia global ocidental e a unipolaridade.

Donald Trump destruiu a ordem anterior até aos seus alicerces. Ninguém se lembra já do liberalismo, da agenda verde ou das políticas de género. Tudo no mundo se tornou muito mais duro e explícito. Na sua essência, as coisas permanecem na mesma como antes, só que agora o disfarce foi removido.

Trump dissipou a névoa e revelou à Humanidade a verdadeira face do Ocidente. É monstruosa. No sentido de ter destruído todas as regras e arrancado todos os véus, Trump foi bastante bem-sucedido. Ele é o Grande Destruidor.

Originalmente, poderia haver um lugar para o MAGA num mundo multipolar. O Ocidente para os ocidentais, a América para os americanos, a Europa para os europeus. Por que não? E sem qualquer agenda de imigração liberal. Cada civilização teria seus próprios valores tradicionais, e um retorno a esses valores só poderia ser bem-vindo.

Ao mesmo tempo: Rússia para os russos. Eurásia para os eurasiáticos. Irão para os iranianos. Países islâmicos para os muçulmanos. China para os chineses. Índia para os hindus. África para os africanos. América Latina para os latino-americanos. Isso seria justo.

Civilizações-estados poderiam facilmente concordar com uma nova divisão regional do planeta em bases multipolares.

Inicialmente, Trump fingiu concordar amplamente com isso, e essa ideologia, essencialmente, constituiu toda a essência de sua campanha eleitoral — a sua ideologia MAGA. Foi precisamente com base nesses argumentos e sob essas condições que a Rússia iniciou o diálogo com Trump.

Então algo correu mal — até que tudo correu completamente mal. Trump abandonou o ponto principal: o mundo multipolar. Ele atacou diretamente os BRICS, não fez nada em relação à Ucrânia, assumiu uma posição horrível no caso dos arquivos de Jeffrey Epstein — envolvendo-se nas reviravoltas mais monstruosas desse caso sórdido —, atacou a Venezuela, apoiou o genocídio em Gaza, realizou o primeiro ataque contra o Irão e agora entrou numa guerra brutal longe das suas próprias fronteiras. Ao mesmo tempo, ninguém ligado ao caso Epstein foi preso, a deportação de imigrantes ilegais foi suspensa e, dentro dos Estados Unidos, ele está a perder apoio rapidamente. Os Estados Unidos estão a desfazer-se; nenhum problema foi resolvido.

O programa positivo de Trump fracassou completamente. No entanto, ele destaca-se pela destruição.

Precisamos de nos reorganizar rapidamente tendo isso em mente. É quase certo que Trump perderá as eleições de meio de mandato para os democratas. Mas isso representa o mesmo mal, só que sob outra perspetiva. Devemos mantermo-nos firmes nas nossas posições — soberania, Estado-civilização, multipolaridade — e avançar consistentemente rumo à vitória na Ucrânia. Os Estados Unidos e o Ocidente como um todo são nossos inimigos mortais. Estamos em guerra com eles hoje e amanhã continuaremos a lutar, talvez com ainda mais ferocidade. Este deve ser o ponto de partida.

Com essa abordagem racional, poderemos tirar benefícios de qualquer ação de Trump e da União Europeia, sem ceder à hipnose, à persuasão ou a promessas. O Ocidente é uma civilização do mal. Deve ser tratado como tal. Se desejar reformar-se, excelente — ajudaremos com satisfação. Por agora, porém, é um dragão mortal que, na sua agonia, destrói tudo no seu caminho. Isso é extremamente perigoso, mas só resta uma solução: acabar com ele completamente — por todos os meios necessários.

Que Trump destrua o velho mundo até aos alicerces. Não há necessidade de nos agarrarmos ao que já se esgotou. Chegou a hora de construir um novo mundo, no qual a Rússia deve ocupar o lugar que lhe cabe — o lugar que lhe pertence por direito. Esse lugar é o de sujeito, não o de objeto. Não precisamos do que pertence aos outros, mas a Eurásia pertence-nos.

Fonte aqui.