Os chulos da guerra

(Chris Hedges, in Resistir, 15/04/2022)

(Parabéns ao autor pela denúncia dos ideólogos do “estado profundo” que governa os EUA ao serviço do complexo militar industrial que vive da morte e que patrocina e exporta as guerras, pois com elas lucra e com elas vive. Na verdade, a política externa dos EUA e a gestão dos conflitos no Mundo tem sido determinadas pela maior ou menor proximidade destes criminosos ao círculo político de cada um dos Presidentes americanos. Pelos vistos não se deram muito bem com o Trump. O Biden é bem melhor para o business…

Estátua de Sal, 15/04/2022)


A mesma cabala de gurus belicistas, especialistas em política externa e funcionários do governo, ano após ano, desastre após desastre, presunçosamente esquivam-se da responsabilidade pelos fiascos militares que orquestram. Eles são multiformes, mudando habilmente conforme os ventos políticos, passando do Partido Republicano para o Partido Democrata e depois voltando, mudando de guerreiros frios para neoconservadores e para intervencionistas liberais. Pseudo intelectuais, exalam um snobismo enjoativo da Ivy League enquanto vendem medo perpétuo, guerra perpétua e uma visão de mundo racista, em que as raças inferiores só entendem a violência.

Eles são os chulos (pimps) da guerra, fantoches do Pentágono, um Estado dentro de um Estado, e o complexo militar-industrial financia generosamente os seus think tanks – Project for the New American Century, American Enterprise Institute, Foreign Policy Initiative, Institute for the Study of War, Atlantic Council e Brookings Institute. Tal como algumas espécies mutantes de bactérias resistentes a antibióticos, eles não podem ser derrotados. Não importa quão errados estejam, quão absurdas sejam suas teorias, quantas vezes mintam ou denigram outras culturas e sociedades como incivilizadas ou quantas intervenções militares assassinas correm mal. Eles são inamovíveis, os mandarins parasitas do poder que são vomitados nos últimos dias de qualquer império, incluindo o dos EUA, saltando de uma catástrofe auto-destrutiva para outra.

Passei 20 anos como correspondente estrangeiro relatando o sofrimento, a miséria e os ataques assassinos destes vigaristas das guerras projetadas e financiadas. Meu primeiro encontro com eles foi na América Central. Elliot Abrams – condenado por fornecer testemunho falso ao Congresso sobre o Caso Irão-Contras e posteriormente perdoado pelo presidente George H.W. Bush para que pudesse voltar ao governo e vender-nos a Guerra do Iraque – e Robert Kagan, diretor do gabinete de diplomacia pública do Departamento de Estado para a América Latina – eram propagandistas dos brutais regimes militares em El Salvador e Guatemala, bem como dos violadores e bandidos homicidas que compunham as forças sem princípios dos Contras que lutavam contra o governo sandinista na Nicarágua, financiadas ilegalmente. O trabalho deles era desacreditar aa nossas reportagens.

“Tal como algumas espécies mutantes de bactérias resistentes a antibióticos, eles não podem ser derrotados”

Eles, e o seu círculo de companheiros amantes da guerra, passaram a pressionar a expansão da NATO na Europa Central e Oriental após a queda do Muro de Berlim, violando o acordo para não estender a NATO para além das fronteiras de uma Alemanha unificada e antagonizando imprudentemente a Rússia. Eles eram e são animadores de claque (cheerleaders) do Estado de apartheid de Israel, justificando crimes de guerra contra os palestinianos e confundindo os míopes interesses de Israel com os dos EUA. Foram os autores da política de invasão do Afeganistão, Iraque, Síria e Líbia. Robert Kagan e William Kristol, com a sua típica falta de noção, escreveram em abril de 2002 que “a estrada que leva à verdadeira segurança e paz” é “a estrada que atravessa Bagdade”.

Vimos como isso funcionou. Este caminho levou à dissolução do Iraque, à destruição da sua infraestrura civil, incluindo a aniquilação de 18 das 20 centrais eléctricas e de quase todos os sistemas de bombagem de água e saneamento durante um período de 43 dias quando 90 000 toneladas de bombas foram despejadas sobre o país, à ascensão de grupos jihadistas radicais em toda a região e a Estados falidos.

A guerra no Iraque, juntamente com a humilhante derrota no Afeganistão, destruiu a ilusão da hegemonia militar e global dos EUA. Também infligiu aos iraquianos, que nada tinham a ver com os ataques de 11 de setembro, a matança generalizada de civis, a tortura e a humilhação sexual de prisioneiros iraquianos e a ascensão do Irão como potência proeminente na região.

A pressão para a guerra e o derrube de governos

Eles continuam a pedir uma guerra com o Irão, com Fred Kagan afirmando que “não há nada que possamos fazer além de atacar para forçar o Irão a desistir de ter armas nucleares”. Eles pressionaram pelo derrube do presidente Nicolás Maduro, depois de tentarem fazer o mesmo com Hugo Chávez, na Venezuela. Eles têm como alvo Daniel Ortega, seu antigo inimigo na Nicarágua.

Eles abraçam um nacionalismo cego que os proíbe de ver o mundo de qualquer perspetiva que não seja a sua. Nada sabem sobre os mecanismos da guerra, suas consequências ou inevitáveis reações. Nada sabem sobre os povos e culturas que tomam como alvo para regenerarem pela violência. Acreditam no direito divino de impor os seus “valores” aos outros pela força. Fiasco atrás de fiasco. Agora estão a alimentar uma guerra com a Rússia.

“O nacionalista é, por definição, um ignorante”, observou o escritor jugoslavo Danilo Kiš:

“O nacionalismo é a linha de menor resistência, o caminho mais fácil. O nacionalista é imperturbável, ele sabe ou pensa que sabe quais são seus valores, quer dizer nacionais, quer dizer, os valores da nação a que pertence, éticos e políticos; ele não está interessado nos outros, não são da conta dele, são o inferno – são outras pessoas (outras nações, outra tribo). Eles nem precisam investigar. O nacionalista vê nas outras pessoas as suas próprias imagens – como nacionalistas”.

A administração Biden está cheia desses ignorantes, incluindo Joe Biden. Victoria Nuland, esposa de Robert Kagan, atua como subsecretária de Estado de Biden para assuntos políticos. Antony Blinken é secretário de Estado. Jake Sullivan é conselheiro de segurança nacional.

Eles vêm dessa cabala de pequenos monstros morais e intelectuais que inclui Kimberly Kagan, a esposa de Fred Kagan, que fundou o Institute for the Study of War, William Kristol, Max Boot, John Podhoretz, Gary Schmitt, Richard Perle, Douglas Feith, David Frum e outros. Muitos já foram republicanos convictos ou, como Nuland, serviram em administrações republicanas e democratas. Nuland foi a principal vice-assessora de política externa do vice-presidente Dick Cheney.

Eles estão unidos na exigência de orçamentos militares cada vez maiores e por um exército cada vez maior. Julian Benda chamou estes cortesãos do poder “os bárbaros autodidatas da intelligentsia”.

Certa vez, protestaram contra a fraqueza e o apaziguamento liberais. Mas rapidamente migraram para o Partido Democrata em vez de apoiar Donald Trump, que não mostrou nenhum desejo de iniciar um conflito com a Rússia e que chamou à invasão do Iraque “um grande, um avantajado erro”. Além disso, como apontaram corretamente, Hillary Clinton era uma colega neoconservadora. E os liberais perguntam-se por que quase metade do eleitorado, que insulta esses arrogantes agentes do poder não eleitos, como deveriam ser, votou em Trump.

Estes ideólogos não viram os cadáveres das suas vítimas. Eu vi. Incluindo crianças. Cada cadáver que vi na Guatemala, El Salvador, Nicarágua, Gaza, Iraque, Sudão, Iémene ou Kosovo, mês após mês, ano após ano, expôs a sua falência moral, a sua desonestidade intelectual, a sua doentia sede de sangue.

O tempo histórico parou para eles no fim da Segunda Guerra Mundial. O derrube de governos democraticamente eleitos, pelos EUA durante a Guerra Fria na Indonésia, Guatemala, Congo, Irão e Chile (onde a CIA supervisionou o assassinato do comandante-chefe do exército, general René Schneider, e do presidente Salvador Allende); a Baía dos Porcos; as atrocidades e crimes de guerra que definiram as guerras no Vietname, Camboja e Laos; até os desastres que produziram no Médio Oriente desapareceram no buraco negro da amnésia histórica coletiva.

Julian Benda chamou esses cortesãos do poder “os bárbaros da intelligentsia”.

A dominação global americana, afirmam, é benigna, uma força para o bem, “hegemonia benevolente”. O mundo, insistiu Charles Krauthammer, dá as boas-vindas ao “nosso poder”. Todos os inimigos, de Saddam Hussein a Vladimir Putin, são o novo Hitler. Todas as intervenções dos EUA são uma luta pela liberdade que torna o mundo um lugar mais seguro. Todas as recusas de bombardear e ocupar outro país são um momento de Munique de 1938, um recuo patético de enfrentar o mal conforme novos Neville Chamberlain. Temos inimigos no exterior. Mas o nosso inimigo mais perigoso está no interior.

Os belicistas constroem uma campanha contra um país como o Iraque ou a Rússia e depois esperam por uma crise – chamam-lhe o próximo Pearl Harbor – para justificar o injustificável.

Em 1998, William Kristol e Robert Kagan, juntamente com uma dúzia de outros neoconservadores proeminentes, escreveram uma carta aberta ao presidente Bill Clinton denunciando a sua política de contenção do Iraque como um fracasso e exigindo que ele fosse à guerra para derrubar Saddam Hussein. Continuar o “curso de fraqueza e deriva”, alertaram, era “colocar os nossos interesses e nosso futuro em risco”.

Grandes maiorias no Congresso, republicanos e democratas, apressaram-se a aprovar a Lei de Libertação do Iraque. Poucos democratas ou republicanos ousaram ser vistos como brandos com a segurança nacional. O ato afirmava que o governo dos Estados Unidos trabalharia para “remover o regime chefiado por Saddam Hussein” e autorizou 99 milhões de dólares para esse objetivo, algum deste montante usado para financiar o Congresso Nacional Iraquiano de Ahmed Chalabi, que se tornaria instrumental na disseminação das invenções e mentiras que justificaram a guerra do Iraque durante o governo de George W. Bush.

Os ataques de 11 de setembro deram ao partido da guerra a oportunidade que desejavam, primeiro com o Afeganistão, depois com o Iraque. Krauthammer, que nada sabia sobre o mundo muçulmano, escreveu:

“A maneira de domar as ruas árabes não é com apaziguamento e doce sensibilidade, mas com força bruta e vitória… A verdade elementar que parece iludir os especialistas repetidamente… é que o poder é sua própria recompensa. A vitória muda tudo, psicologicamente acima de tudo. A psicologia no [Oriente Médio] é agora de medo e profundo respeito pelo poder americano. É a hora de usá-lo”.

Retirar Saddam Hussein do poder, disse Kristol, “transformaria o cenário político do Médio Oriente Médio”. Claro que sim, mas não de uma forma que tenha beneficiado os EUA.

“Para eles o tempo histórico parou com o fim da Segunda Guerra Mundial”.

Eles anseiam por uma guerra global apocalíptica. Fred Kagan, irmão de Robert, um historiador militar, escreveu em 1999 que “A América deve ser capaz de combater o Iraque e a Coreia do Norte, e também ser capaz de combater o genocídio nos Balcãs e em outros lugares sem comprometer sua capacidade de combater dois grandes conflitos regionais. E deve ser capaz de contemplar a guerra com a China ou a Rússia num tempo mais considerável (mas não infinito) a partir de agora. [ênfase do autor].”

Eles acreditam que a violência resolve magicamente todas as disputas, até mesmo o pântano israelo-palestiniano. Numa entrevista bizarra imediatamente após o 11 de setembro, Donald Kagan, o classicista de Yale e ideólogo da direita, pai de Robert e Fred, apelou, junto com seu filho Fred, ao envio de tropas americanas para Gaza para que pudéssemos “levar a guerra a essas pessoas”.

Eles exigem há muito o estacionamento de tropas da NATO na Ucrânia, com Robert Kagan a dizer que “não precisamos nos preocupar com que o problema seja o nosso cerco e não as ambições russas”. Sua esposa, Victoria Nuland, foi denunciada numa conversa telefónica que veio a público em 2014 com o embaixador dos EUA na Ucrânia, Geoffrey Pyatt, depreciando a UE e conspirando para remover o presidente legalmente eleito Viktor Yanukovych, instalando no poder políticos ucranianos obedientes, a maioria dos quais eventualmente tomou o poder.

Eles fizeram lobby para que as tropas dos EUA fossem enviadas para a Síria para “ajudar” os rebeldes “moderados” que procuravam derrubar Basha al-Assad. Em vez disso, a intervenção gerou o Califado. Os EUA acabaram bombardeando as próprias forças que haviam armado, tornando-se a força aérea de facto de Assad.

A invasão russa da Ucrânia, como os ataques de 11 de setembro, é uma profecia auto-realizada. Putin, como todos os outros alvos, só entende de força. Podemos, garantem-nos, vergar militarmente a Rússia à nossa vontade.

“É verdade que agir com firmeza em 2008 ou 2014 significaria arriscar um conflito”, escreveu Robert Kagan na última edição da Foreign Affairs sobre a Ucrânia, lamentando a recusa dos EUA em confrontar militarmente a Rússia mais cedo. Ele escreveu:

“Mas Washington arrisca um conflito agora; as ambições da Rússia criaram uma situação inerentemente perigosa. É melhor para os Estados Unidos arriscar o confronto com potências beligerantes quando estão nos estágios iniciais de ambição e expansão, não depois de já terem consolidado ganhos substanciais. A Rússia pode possuir um arsenal nuclear temível, mas o risco de Moscovo usá-lo não é maior agora do que teria sido em 2008 ou 2014, se o Ocidente tivesse intervido na época. E sempre foi extraordinariamente pequeno: Putin nunca alcançaria seus objetivos destruindo-se a si mesmo e ao seu país, juntamente com grande parte do resto do mundo”.

Em suma, não se preocupe em entrar em guerra com a Rússia, Putin não usará a bomba. Não sei se essas pessoas são estúpidas ou cínicas ou as duas coisas. Elas são generosamente financiados pela indústria de guerra. Eles nunca são retirados dos media pela sua repetida idiotice. Eles entram e saem do poder, estacionados em lugares como o Conselho de Relações Exteriores ou o Instituto Brookings, antes de serem chamados de volta ao governo. Eles são tão bem-vindos na Casa Branca de Obama ou Biden quanto na Casa Branca de Bush.

A Guerra Fria, para eles, nunca acabou. O mundo permanece binário, nós e eles, o bem e o mal. Nunca são responsabilizados. Quando uma intervenção militar rebenta em chamas, eles estão prontos para promover a próxima. Estes Dr. Strangeloves, se não os impedirmos, vão acabar com a vida como a conhecemos no planeta.


[*] Jornalista vencedor do Prêmio Pulitzer. Foi correspondente estrangeiro por 15 anos para o The New York Times, onde atuou como chefe da sucursal do Médio Oriente e da sucursal nos Balcãs. Anteriormente, trabalhou no exterior para The Dallas Morning News, The Christian Science Monitor e National Public Radio. É o apresentador do programa The Chris Hedges Report.

Nota do autor: Agora não há como continuar a escrever uma coluna semanal para ScheerPost e produzir o meu programa de televisão semanal sem a vossa ajuda. Os muros estão a fechar-se com surpreendente rapidez para o jornalismo independente, com as elites, incluindo as do Partido Democrata, clamando por mais e mais censura. Bob Scheer, que administra o ScheerPost com um orçamento apertado e eu não renunciaremos ao nosso compromisso com o jornalismo independente e honesto, e nunca colocaremos o ScheerPost atrás de um acesso pago, cobraremos uma assinatura por ele, venderemos seus dados ou aceitaremos publicidade. Por favor, se puder, inscreva-se em chrishedges.substack.com para que eu possa continuar postando minha coluna de segunda-feira no ScheerPost e produzir meu programa de televisão semanal, The Chris Hedges Report.

O original encontra-se em consortiumnews.com/2022/04/11/chris-hedges-the-pimps-of-war/


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Outrora, faz muito tempo, a verdade era algo importante

(Paul Craig Roberts, 16/04/2018, In resistir.info)

Ministério do Estado Profundo.Pergunto-me quantas pessoas, não apenas americanos mas aqueles em outros países, chegaram à conclusão de que hoje os Estados Unidos são menos livres e menos conscientes do que as sociedades em romances distópicos do século XX, ou de filmes como The Matrix e V for Vendetta . Assim como os personagens de romances distópicos não têm ideia da sua situação real, poucos americanos a tem.

O que devemos fazer quanto aos extraordinários crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos no século XXI que destruíram no todo ou em parte sete países, resultando em milhões de mortos, mutilados, órfãos e deslocados? Considere, por exemplo, o último crime de guerra em Washington, o ataque ilegal à Síria. Ao invés de protestar contra essa ilegalidade, os media americanos incitaram-no, aplaudindo a morte e a destruição iminente.

Durante a totalidade do século XXI, Israel, o único aliado de Washington – em contraste com os europeus, canadianos, australianos e japoneses que não passam de vassalos do império de Washington – com o apoio, protecção e encorajamento de Washington continuou o genocídio do povo palestino. Basicamente, tudo o que resta da Palestina é um campo de concentração gueto conhecido como Gaza, o qual é rotineiramente bombardeado por Israel utilizando armas e dinheiro fornecido por Washington. Quando o bombardeamento de Gaza é anunciado, o Povo Escolhido por Deus leva suas cadeiras de descanso e farnéis de piquenique a uma colina com vista para Gaza e aplaude quando militares israelenses assassinam mulheres e crianças. Este é o único aliado da América.

Os crimes cometidos pelos EUA e Israel são horrendos, mas encontram pouca oposição. Em contraste, um suposto ataque no qual se alega terem morrido 70 sírios põe em andamento os carros da guerra. Não faz qualquer sentido que seja. Israel rotineiramente bombardeia alvos sírios, mata sírios e os EUA armam e apoiam os “rebeldes” que o regime Obama enviou para derrubar Assad, resultando em grande número de mortes sírias. Por que subitamente 70 sírios importam para Washington?

Segundo as autoridades de Washington, ou as reportagens presstitutas das suas declarações, duas ou três alegadas instalações sírias de armas químicas foram destruídas pelo ataque com mísseis de Washington. Pense nisso por um minuto. Se Washington bombardeasse ou enviasse mísseis para instalações de armas químicas, uma vasta nuvem de gás letal teria sido libertada. As baixas civis seriam muitas vezes mais elevadas do que as afirmadas 70 vítimas do alegado e não comprovado ataque químico de Assad utilizado como pretexto para o crime de guerra do regime Trump contra a Síria. Não há qualquer evidência que seja destas baixas.

Se houvesse vítimas, o ataque de Washington seria obviamente um crime muito maior do que o ataque químico que ela utilizou como encobrimento para o seu próprio crime. No entanto, os presstitutos americanos estão a cacarejar a lição de que os EUA deram uma lição à Síria e à Rússia. Aparentemente, os media americanos são constituídos por assalariados tão imorais ou imbecis que os presstitutos são incapazes de compreender que um ataque de Washington a instalações sírias de armas químicas, se realmente houvesse existido, é o equivalente a um ataque à Síria com armas químicas.

Como escrevi ontem, quando era editor do Wall Street Journal, se Washington anunciasse que havia bombardeado instalações de armas químicas de outro país como punição pela alegada utilização de armas químicas por parte desse país, os repórteres do WSJ eram suficientemente inteligentes para perguntar: onde estão as vítimas do ataque químico de Washington àquele país? Terá havido milhares de mortos com os gases químicos libertados pelo ataque de Washington? Estarão os hospitais do país super-cheios com os afectados e moribundos?

Se um repórter nos trouxesse uma peça que não fosse nada mais senão um comunicado de imprensa de Washington a afirmar acontecimentos obviamente impossíveis, nós lhe teríamos dito para voltar lá outra vez e perguntar as questões óbvias. Hoje o NY Times e o Washington Post colocam reportagens não comprovadas na primeira página.

Os repórteres de hoje já não verificam mais as fontes, porque já não há mais jornalismo na América. Quando o regime Clinton em acordo com o Estado Profundo que tornou o Clintons super-ricos permitiu que 90% dos media diversos e independentes dos EUA se concentrassem nas mãos de seis companhias políticas, isso foi o fim do jornalismo na América.

Tudo o que temos agora é um ministério da propaganda que mente para viver. Qualquer um no jornalismo americano que conte a verdade ou é imediatamente despedido ou, como no caso de Tucker Carlson da Fox News, é atacado por presstitutos de fora num esforço para obrigar a Fox a substituí-lo. Pergunto-me quanto tempo haverá até que alguma mulher irrompa a afirmar que Tucker Carlson a assediou sexualmente.

Tanto quanto posso dizer, os Estados Unidos são agora um estado policial no qual toda informação é controlada e a população é treinada para acreditar na propaganda ou ser acusada de falta de patriotismo e conluio com terroristas e russos.


Fonte aqui

O Império estrebucha

(Por Jorge Bravo, in Facebook, 23/08/2017)

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Com a eleição de Trump a América tentou prolongar o uso do petróleo, fazer um retorno a casa e dar tempo ao renascer do músculo tecnológico!
Com o discurso à Nação de 21 de Agosto de 2017 Trump anuncia uma volta de 180° uma “nova política para o Afeganistão”, que é um aguenta aguenta não saimos de lá, até que certas condições sejam satisfeitas pelo Afeganistão.
Isto depois de ceder terreno no seu gabinete aos generais da Old School, e de afastar um a um os seus teóricos, aqueles que o apoiaram na eleição.
Naquilo que aparenta ser uma manobra para ganhar tempo, e acalmar a frente interna, “fazendo a politica externa de Hillary” e voltar à estrada para ganhar lugares nas próximas eleições internas, promete mais uma nova politica para o Médio Oriente, e mais qualquer coisa para o Oriente e talvez Europa.
Enquanto isso há 4 acidentes navais em tempo de não guerra, um deles com um rombo num destroyer e 10 desaparecidos, mais a demissão do Almirante das Operações no Oriente… E a suspensão das operações por lá… até…
Espera-se, que este à que sim de agora aos militares, seja transitório, porque entre os EUA terem sarilhos com a Rússia aqui na Europa central, onde sobra sempre para nós, e os EUA terem sarilhos com a China e eventualmente a Rússia no Extremo Oriente, venha o diabo e escolha!
Mas pensando em termos da Europa, é para nós pior aqui, se forem sarilhos com a Rússia!
Resta saber se alguém vai impor sanções, como os EUA querem, pelos vistos até agora, não parece que seja nada muito efectivo, a EU já está escaldada das anteriores, e deve dizer que sim, e fazer que faz e não faz.

Trata-se dos estertores finais de um Império, que só durou 127 anos, desde que os Marines entraram a reprimir uma rebelião de trabalhadores de uma plantação numa Agro-multinacional Americana na América do Sul em 1890, naquilo que ficou conhecida pela Guerra das Bananas, até hoje.

Um rosário de operação de regime change na ponta das baionetas, sempre que as hoje chamadas primaveras não funcionem.
Só que fruto de um rosário, também extenso, e sucessivo de erros de estratégia desde a 2 GG, foram de vitória em vitória ao ponto onde estamos, nem que essas vitórias tenham sido mais na máquina big pretender que é Hollywood, do que na realidade. É em que primeiro era a Rádio Voz da América a fazer a propaganda dos feitos gloriosos, no durante e pós 2 GG, até que isso passou para as mãos da CNN, quando foi necessário minimizar a derrota do Vietnam, usando esta CNN uma linguagem e estilo de esquerda, enganadora mas na linha do movimento make love not war, enquanto a política externa continuava tão desastrada e agressiva como dantes, debaixo de uma retórica de defesa da democracia formal e do mercado livre, mas sem nunca referir que seria livre primeiro para o mercado das suas corporações.
E é uma parte do estado profundo ( Oligarcas, Corporações, Complexo Militar Industrial, Financeiros & Banqueiros, e sua Media) que fez eleger este pé de microfone de turno, tal como outras partes desse mesmo estado profundo, fizeram eleger os outros pés de microfone de turno que surgiram desde Novembro de 63, por forma a que mudando, se mantivesse no essencial tudo na mesma, e que depois da queda do muro, se mantivesse a continuidade do seu mundo monopolar, em que querem continuar a mandar exclusivamente protegendo a sua querida New World Order.

Hoje com o surgimento dos BRICs, e com o reforço da sua componente R C actual, e com as novas rotas da seda, é o mundo monopolar da NWO que morre, e o mundo multipolar que está a nascer.

É este Império do mundo monopolar que hoje estiola. Tudo por uma questão de Abacaxis!


(Ver os seguintes textos relacionados nos links abaixo)

Uma questão de abacaxis

Aconteceu, E… Só Não Viu Quem Não Quis! 

América, América Quo Vadis!?