O Major-general Carlos Branco deixa a CNN

(Major-General Carlos Branco, in Facebook, 24/07/2025)


(Foram muitas as patifarias que fizeram ao Major-general Carlos Branco os pivôs da CNN e outros comentadores ignorantes, avençados e insolentes. Uma atuação orquestrada de bullying mediático com – pelo menos – o beneplácito da estação. Mas atingiram o objetivo: calar uma voz informada, isenta e desmistificadora da parcialidade e da propaganda disfarçada de notícia, que é a especialidade da CNN.

Uma perda para a liberdade de expressão e para a democracia. Bem haja, Major-general Carlos Branco. Os verdadeiros democratas estão consigo.

Estátua de Sal, 24/07/2025)


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No seguimento da minha “entrevista” com Pedro Bello Moraes (PBM), no dia 10 de julho, na CNN Portugal, pelas 13 horas, em que este ultrapassou todos os limites da ética e da deontologia jornalística, sem posteriormente se retratar ou admitir o erro pela sua prestação vergonhosa, não me restava outra alternativa que não fosse a de cessar a minha colaboração com a CNN Portugal. Ficou evidente uma assimetria de papéis que tem de ter consequências e que eu não posso consentir.

Criou-se uma situação insustentável em que foram transpostas todas as linhas vermelhas que a paciência sem limites pode tolerar. Foi um péssimo exemplo, um caso daquilo que o jornalismo não pode nem deve ser. O desempenho medíocre e desastrado de PBM vai tornar-se num estudo de caso nas escolas de jornalismo, para se mostrar aos iniciados na carreira o que não se deve fazer, e como não se devem comportar quando se é ignorante e impreparado numa matéria.

O meu agradecimento ao Nuno Santos pelo convite que me fez há três anos para colaborar na análise do conflito ucraniano. A CNN foi pioneira em Portugal no convite a militares para analisarem/comentarem de forma continuada e sistemática situações de conflito, algo que já se fazia noutros países, em particular nos EUA, mas que foi mal recebido num meio que se julga “prá frentex” onde, infelizmente, ainda prevalece alguma inveja e provincianismo. Na altura, isso criou azia a muita gente. Primeiro estranhou-se, mas depois entranhou-se. Agora vários canais, copiando a CNN, recorrem a militares. O que há três anos era considerado, por alguns, um crime de lesa-pátria tornou-se normal, até mesmo incontornável para quem quiser estar no topo das audiências.

Gostaria de sublinhar que a CNN Portugal é a única cadeia de televisão que ainda permite diversidade de opiniões, num panorama nacional onde os laivos censórios se tornam cada vez mais evidentes, no qual se incluem os canais públicos.

O pensamento não alinhado com a propaganda imposta pelo mainstream corre o risco de se tornar delito.

Desejo votos de sucesso à CNN Portugal e aos que nela trabalham com afinco, elevado profissionalismo e dedicação. Não confundo a CNN com a mediocridade de PBM, colocado em horários em que ninguém vê televisão. Os períodos da grande audiência estão destinados a jornalistas com menos de metade da sua experiência profissional, mas indiscutivelmente com mais talento, algo que manifestamente falta a PBM.

A ausência nesta fase do comentário televisivo não significa o abandono da análise dos acontecimentos, que continuarei a fazer noutras plataformas, lembrando sempre que há mais marés do que marinheiros.

Não há Bello sem senão – Resposta da ERC à nossa participação

(Estátua de Sal, 20/07/2025)

Na sequência da participação que fizémos à ERC (ver aqui) sobre o comportamento deontologicamente abusivo de Pedro Bello Moraes, na sua qualidade de jornalista da CNN, em relação ao Major-general Carlos Branco, recebemos daquela entidade pública o texto que abaixo reproduzimos.

No essencial, a entidade – apesar de reconhecer que algo de errado existiu no comportamento do jornalista -, minimiza a gravidade do sucedido. Além de dizer que não é a ela que compete aplicar sanções a jornalistas.

Mas leiam e que cada um tire as suas ilações sobre o estado da comunicação social em Portugal. Já agora faço notar que a reação da CNN foi mandar retirar o vídeo do incidente do Youtube, ao abrigo dos direitps de autor – como podem constatar se seguirem o link que coloquei acima e que remetia para o vídeo -, bem como do seu próprio site. Afinal, não se passou nada, não há imagens logo não houve crime… 🙂

Estátua de Sal, 20/07/2025


Exposição contra a CNN Portugal relativa à conduta do pivô do “CNN Meio-Dia” de 10 de julho de 2025 – EDOC/2025/5796

Exmo/a. Senhor/a,

Agradecemos a comunicação remetida à ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, a qual mereceu a nossa melhor atenção.

A exposição rececionada vem apontar a conduta do jornalista que liderou a edição de 10 de julho de 2025 do programa “CNN Meio-Dia” da CNN Portugal, considerando não ser esta consentânea com os deveres da profissão, em concreto, o dever de isenção, na interação com o comentador habitual do serviço de programas, major-general Carlos Branco, tendo colocado em causa a prerrogativa profissional de clara separação entre factos e opinião.

Cabe, antes de mais, referir que sobre os jornalistas impendem deveres de rigor e isenção e de demarcação clara entre factos e opinião no desempenho da tarefa de informar, conforme a alínea a), n.º 1, do artigo 14.º do Estatuto do Jornalista.

Em paralelo, é de notar que ao jornalista não está vedada a emissão de opinião, que consuma o direito fundamental dos jornalistas de liberdade de expressão (alínea a), artigo 6.º do Estatuto do Jornalista), desde que essa opinião seja emitida de modo que não interfira na produção do conteúdo jornalístico concreto (notícia, reportagem, entrevista, etc.) e se encontre dele demarcada. Dito de outro modo, deve ser clara aos olhos do público a separação entre as peças noticiosas e as opiniões emitidas pelos jornalistas, as quais não se confundem com a factualidade a que se devem cingir os conteúdos jornalísticos.

No que concerne ao caso concreto, foram visionados os conteúdos identificados na participação, constatando-se que os mesmos têm início cerca das 12h51, num espaço de comentário, devidamente identificado. O espaço cénico em que se desenvolve é diverso daquele em que o jornalista e pivô do “CNN Meio-Dia” conduz o noticiário. Neste caso, o jornalista e o comentador convidado apresentam-se em pé, frente a frente, junto de um ecrã em que são mostradas imagens que dão suporte às interpretações produzidas.

A condução de espaços de comentário por parte do jornalista atribui-lhe a responsabilidade pela condução da conversa e lançamento dos respetivos temas, admitindo a colocação de perguntas, podendo suscitar novas interpretações e confrontar o entrevistado com outras opiniões e contradições.

Atendendo ao facto de a CNN Portugal ter garantido que a interação entre o jornalista e o comentador ocorresse num espaço notoriamente identificado como sendo de comentário, isto é, um conteúdo fundamentalmente orientado para a opinião, admite-se que haverá maior latitude para a intervenção do jornalista do que aquela que existe em géneros jornalísticos como a entrevista. Essa sim, orientada por normas que visam garantir que o público é informado, de forma transparente, pelo órgão de comunicação social.

Contudo, apesar da demarcação do espaço de opinião em que interagiram os dois intervenientes, denota-se que não surtiu clara aos olhos do público a amplitude de intervenção do jornalista naquele espaço, que questionou as análises do seu interlocutor e conduziu o segmento de forma assumidamente assertiva.

Ora, a condução destes espaços admite um estilo mais personalizado e idiossincrático, desde que dentro dos limites admissíveis de uso da palavra dos intervenientes. No caso concreto, ainda que se verifique uma conduta menos usual e disruptiva relativamente a conteúdos inseridos no mesmo género, considera-se que a mesma se encontra ainda dentro do espectro da autonomia de que goza a condução de espaços dedicados à divulgação de opiniões, quando devidamente identificados perante o público, o que é o caso em análise.

Não deixa, no entanto, a ERC de tomar devida nota das preocupações manifestadas na participação e reveladoras de que não foi apreendida a condução daquele espaço no sentido acima exposto, com prejuízo da separação de papéis entre a missão de informar e o direito de emissão de opinião. Neste sentido, será suscitada reflexão sobre essas mesmas preocupações junto da CNN Portugal, dando-se conhecimento da presente participação.

Adicionalmente, é relevante salientar que não cabe nas competências da ERC sindicar a conduta profissional dos jornalistas no desempenho das suas funções, atribuição da CCPJ – Comissão da Carteira Profissional de Jornalista, entidade à qual compete a aplicação de eventuais sanções disciplinares decorrentes da ação dos jornalistas no desempenho da profissão. À ERC compete, sim, verificar o cumprimento das normas reguladoras da atividade de comunicação social por parte dos órgãos de comunicação social.

Assim, informa-se que procedemos nesta data ao reencaminhamento da sua participação para a CCPJ (n.º 1 do artigo 41.º do Código do Procedimento Administrativo).

Com os melhores cumprimentos,                                                      

Unidade de Análise Qualitativa •  Qualitative Analysis Unit 


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O avençado Fancelli

(Major-General Carlos Branco, in Blog Cortar a Direito, 15/07/2025)


(A credibilidade jornalística da CNN já não era muita mas, depois deste caso, estatelou-se ao comprido e bateu no chão. Nomear para comentador residente um tipo que trabalha para Ucrânia e por ela é pago para difundir a sua propaganda sob a capa de comentário político, supostamente independente, é o grau zero da isenção informativa. Uma vergonha.

Estátua de Sal, 15/07/2025)


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Não me pronuncio publicamente sobre pessoas com quem trabalho e/ou partilho o espaço televisivo, mesmo quando não lhes reconheço conhecimento nem idoneidade intelectual para se pronunciarem sobre o que falam. O que penso sobre elas fica comigo. É uma prática que vigora no meio militar (pelo menos vigorava) e noutras organizações com um elevado sentimento corporativo. Não fica bem trazer divergências para a praça pública. São questões de decoro e normas de boa convivência. Há regras e linhas vermelhas que não estão escritas, mas que as boas práticas aconselham a adotar.

Mas, volta não volta, tenho de abrir exceções, fazendo-o sempre contrariado. O que tem de ser tem muita força. O jovem Uriã Fancelli teve no domingo passado (ver aqui), mais uma diatribe. Na primeira vez que interagimos, acusou-me de desonestidade intelectual, apenas por eu ter uma opinião diferente da sua. Nessa altura, esbocei um sorriso e fingi que não percebi. Mas desta vez, quando Fancelli disse “omite [eu] as baixas russas não sei se intencionalmente ou por uma simpatia russa. Todo o mundo sabe que o Major General tem… mas ele [eu] omite intencionalmente os ataques contra as estruturas civis na Ucrânia”, não podia fingir que não tinha percebido.

Depois de ter levado dois tareões no ringue de boxe, Fancelli foi refugiar-se nas redes sociais, queixando-se aos amigos do mau que fui para ele. Fancelli engrossa a lista daquela malta que não consegue debater sem ataques ad hominem e sem lhes fugir o pé para a chinela. Lá tive de consumir o meu rico tempo e ir ver quem é o Dr. Fancelli e o que faz na vida. Chamei-lhe propagandista e não é que acertei em cheio?! Tem de ficar claro que Fancelli não é uma pessoa independente. É um avençado dos ucranianos. Não é uma virgem imaculada. E porquê?

Não é grave nem condenável ser avençado e/ou propagandista. Tem é de se saber exatamente quem são as pessoas que proliferam no espaço público, o que fazem e o que se pode esperar delas. Fancelli não é isento, tem uma agenda e é pago. Anda a fazer pela vida. Tem de mostrar serviço ao patrão.

Veio sociabilizar-se à Europa, onde frequentou dois mestrados. Trabalha para o Kyiv Independent, um jornal que não é bem o jornal oficial do governo ucraniano, mas anda lá próximo, que de independente só tem o nome, para além de ter sido subsidiado pela USAID. Utiliza esse fórum para apelidar a visita do presidente do seu país Lula da Silva à Rússia de hipócrita. Não é, pois, difícil de perceber para quem trabalha. Diz-me com quem andas dir-te-ei quem és.

No final de 2022, quando já tinham passado alguns meses sobre o início da guerra na Ucrânia, o Dr. Fancelli tentava a sua sorte na carreira política, candidatando-se a deputado estadual, no Brasil, pelo partido PODE, um partido conservador de direita/extrema-direita (criado pelo juíz Sérgio Mouro para se candidatar à presidência). Gorada a entrada na vida política mudou a agulha para outra coisa que estivesse a dar e lhe proporcionasse sustento. Afinal tem de pagar a conta da água e da luz. E que tal tornar-se, num ápice, especialista na guerra da Ucrânia?! Era capaz de ser um emprego interessante.

Como qualquer propagandista que se preze tem presença em várias redes sociais (Instagram, “X”, etc.). A sua grande razão de estar na vida é tentar contrariar quaisquer versões dos acontecimentos, que ele suspeite integrarem uma campanha de “desinformação russa”. Para isso, pagaram-lhe a participação na segunda conferência Internacional Crimeia Global, em Kiev, organizada pela anedótica “Missão do Presidente da Ucrânia na República Autónoma da Crimeia”, apadrinhada e com o apoio da Embaixada da Ucrânia no Brasil, com a qual mantém excelentes relações, e onde parece não faltar dinheiro para pagar a viagem de 28 “especialistas” brasileiros a Kyiv, numa operação de diplomacia pública, ou se quisermos para uma operação de lavagem ao cérebro.

Nessa ida ao “teatro de operações”, não perdeu a oportunidade de tirar uma selfie com um ar guerreiro e profundamente agastado com a situação em que vive o povo ucraniano.

Por falar em desinformação russa. O paladino da informação honesta e verdadeira, de nome Fancelli, regurgitou os números fantasiosos de soldados russos mortos no campo de batalha por metro quadrado (nunca tinha ouvido falar desta métrica), sem nunca referir quantos ucranianos morreram. Se calhar não morrem. Combate-se a desinformação russa dizendo quantos soldados russos morrem, mas omitindo os mortos ucranianos. Isso é que informação verdadeira, honesta e rigorosa.

Chateia-me ser confundido com a causa russa apenas por desmontar as falsidades e as mentiras da propaganda ucraniana, com que somos bombardeados permanentemente. Os russos fazem operações de desinformação? Claro que fazem. E os ucranianos também. Parece-me normal. Seria anormal se isso não acontecesse. Era sinal de incompetência. Afinal a verdade é, e sempre foi, a primeria vítima da guerra.

Mas poupe-nos Dr. Fancelli e não venha dar uma de “impoluto”, de virgem ofendida e defensor de uma superioridade bacoca. Deixe de nos mandar areia para os olhos e dizer que só os maus é que fazem desinformação. Dá-se a casualidade de eu estar mais sujeito à desinformação ucraniana, de que Fancelli é um promotor e um veículo, por viver em Portugal. Talvez por isso, o meu desconforto. É chato andar a ser enganado, não gosto. Fancelli devia ganhar juízo e deixar de se armar aos cágados. Fancelli é pago para fazer propaganda da causa ucraniana. Como atrás referi, não faço juízos de valor sobre as suas opções, mas tem de o assumir. Assuma-se, porra, não tenha medo! Poupava-me trabalho. Ainda Fancelli não sabia apontar no mapa onde ficava a Rússia (tem trinta e quatro aninhos), já eu tinha reuniões de trabalho com o general Gerasimov, o atual CEMGFA russo.

Fonte aqui