Tense peace talks in Islamabad with participants holding torn peace agreement, secret deal, and weapons

Mais incertezas do que certezas

(José Carmona, in Facebook, 12/04/2026, Revisão da Estátua.)

Tense peace talks in Islamabad with participants holding torn peace agreement, secret deal, and weapons
Imagem gerada por IA

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O que se passou este fim de semana em Islamabad não foram negociações: foi uma farsa. Uma farsa montada pelos EUA com desígnios que iremos perceber em breve, mas que, seguramente, passam pela necessidade de ganhar tempo.

O Irão cedo percebeu que não se tratava de negociações, mas acabou por aceitar estar presente para que não recaísse sobre si o ónus de as inviabilizar. Fez bem. Tal como é perfeito o seu comunicado final.

Tudo nesta guerra é um tremendo disparate americano, não israelita. Israel tem um plano genocida e expansionista para o Médio Oriente e esta fase – o aniquilamento do Irão – era essencial, sendo para isso necessária a intensa colaboração americana. E o momento histórico era único e tinha que ser aproveitado: dificilmente tornaria a ter um POTUS tão tosco e tão permeável às suas intenções.

Tudo na atuação israelita é racional, dentro do seu magno plano sionista. Quanto aos EUA, o único interesse que poderiam ter, nesta estúpida aventura, seria minar o terreno à China, mas esta foi seguramente a pior via para o conseguir. Do estrito ponto de vista pessoal de Trump, o único interesse visível seria desviar as atenções da pressão brutal em que se estava a tornar o caso Epstein, e isso pelo menos momentaneamente conseguiu. É a única racionalidade que se consegue descortinar na intervenção americana, mas ainda assim estúpida, pelo alto preço envolvido.

Trump foi enganado por Netanyahu, isso parece seguro, tal como parece seguro que não sabe como sair do atoleiro em que se meteu e em que meteu o seu país. A grande questão agora é saber como vai reagir o menos racional dos estadistas mundiais e o mais imprevisível de entre eles: uma fuga para a frente, ou uma saída pela esquerda baixa?

O estado de destruição a que levou o seu movimento MAGA, o perigo iminente de queda abrupta do Império, uma réstia de bom senso entre os seus mais próximos colaboradores (já todos um pouco fartos dele) talvez o levem a uma decisão mais ponderada do que aquilo que é costume. Se escalar a guerra, os perigos são enormes e tal colidirá com os interesses económicos do capitalismo mundial. Provavelmente, nesse caso, será destituído ou assassinado.

Israel, por seu lado, se for abandonado no meio da batalha, não poderá prosseguir com o seu plano, pelo menos para já e para os tempos mais próximos e Netanyahu terá que enfrentar a ira do seu povo e os casos em tribunal em que está mergulhado. A carreira dele terminará aqui. Quer Trump opte pela saída, quer seja impedido, os EUA nunca lhe permitirão (a Israel) o uso de armas nucleares, o que seria a tentação óbvia. O único risco de utilização de armas nucleares – que torna a situação absolutamente descontrolada e provavelmente final – é haver mais uma loucura de Trump, que não seja bloqueada pela sua entourage ou pelo próprio sistema. É possível, mas pouco provável.

Resta uma parte importante da equação: o que fará o Irão perante a derrota dos EUA? O apoio da China e da Rússia permitir-lhe-á continuar, mas esse apoio não é desinteressado e tem por detrás o interesse em desgastar os EUA, mas à custa do Irão. E o Irão sabe isso. Os seus dirigentes são hábeis e inteligentes.

Contudo, não é de descartar que tente aproveitar a situação para deixar Israel em estado lastimável e convocar uma aliança árabe (e não só) – que já se está a desenhar – para o ajudar.

No meio de tanta incerteza, algumas certezas há: os EUA não são o que eram e sairão daqui em pior estado; a China e a Rússia estão a ganhar com a situação e não a perder; Israel enfrenta uma situação delicadíssima, como nunca lhe tinha acontecido e que pode consistir numa ameaça existencial; o Irão ultrapassou todas as expetativas de capacidade militar; o movimento MAGA está destruído; Israel não é invencível; Netanyahu enganou Trump; o povo iraniano uniu-se em torno do regime; foram abertas fissuras na relação Israel-EUA.

A barbárie rende-se estrategicamente. A civilização vence – por enquanto

(Pepe Escobar, in Resistir, 09/04/2026)


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Isto sempre teve a ver com civilização.

“Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais voltar”. A história registará isto com um olhar tão impiedoso como o do Sol. Um espantoso selo bárbaro, cortesia do Presidente dos Estados Unidos, através de uma publicação nas redes sociais.

Em suma, esta era uma “civilização” de mau gosto que deu ao mundo o Big Mac, ameaçando aniquilar uma civilização antiga que deu ao mundo a álgebra; influenciou a arte, a ciência e a governação de formas sem paralelo; produziu estrelas desde Ciro, o Grande, a Avicena, de Omar Khayyam ao poeta supremo Jalaladdin Rumi; desenvolveu jardins sublimes, tapetes, maravilhas arquitetónicas e estruturas filosóficas e éticas

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Trump perdeu a guerra para o Irão

(Thomas de Toledo, in Facebook, 08/04/2026, Revisão Estátua.)


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Pronto, Trumpafetivos. O vosso pedófilo de estimação perdeu a Guerra do Irão. Sim, perdeu! Agora tatuem na testa: Trump perdeu a guerra para o Irão!

Trump e Netanyahu conseguiram matar o Ayatolá Khamenei, mas… Seu filho, muito mais linha dura, assumiu sua posição. A parcela da juventude que antes repudiava o regime e que pendia a cultura ocidental, entendeu do pior jeito porque seu país se posiciona contra o imperialismo e agora repensa seu papel. O Irão está muito machucado em sua infraestrutura, mas nada que a China e a Rússia não possam ajudar a resolver.

O regime genocida e teocrático de Israel também apanhou muito. Teve alvos estratégicos destruídos, principalmente aqueles ligados a seu programa nuclear, serviço de inteligência, indústria bélica e produção estratégica. Agora estão cada vez mais longe de um acordo com as monarquias do golfo, que tomaram outra e agora vão levar anos para restaurarem uma imagem de segurança.

Todas as bases militares estadunidenses na região foram destruídas e o Irão exigirá que não sejam reconstruídas. O Hezbollah mostrou que estava muito menos debilitado do que se imaginava e o Iêmen provou que quando precisar, pode muito bem atingir Israel.

Com o bloqueio do estreito de Ormuz pelo Irão, o petróleo passou de $60 a $120 por barril. A inflação explodiu nos Estados Unidos. Trump precisava a todo custo arrumar um pretexto para sair dessa guerra totalmente desnecessária. Depois de passar o dia postando bravatas de que destruiria o Irão, o que ele conseguiu foi um cessar-fogo de duas semanas em troca do Irão reabrir o estreito de Ormuz. Ou seja, voltou à mesma situação de antes da guerra sem conquistar nenhuma vitória.

Em resumo, quando os Estados Unidos e Israel entraram na guerra, estavam inteiros em capacidade militar. O Irão praticamente inviabilizou a presença militar dos Estados Unidos na região ao destruir as bases. Israel está com sua capacidade operacional fortemente abalada a ponto de o Domo de Ferro ter virado peneira.

O Irão está muito destruído, mas venceu no principal: mostrou que tem poder de fogo para dissuadir qualquer aventura imperialista. Os persas têm mísseis e proxies suficientes para se sentarem como crupiês nas novas rodadas de redefinição do mapa político do Oriente Médio.

Nota: Texto em português do Brasil seguindo o original.