Quanto menos Estado, mais fogos a alastrar

(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 28/07/2026)


A sensação de desamparo ante a amplitude dos incêndios que lavram no sul da Europa Ocidental, sobretudo em Espanha e em França, leva-nos a questionar a capacidade de resposta e a eficácia das instituições. Com um milhão de pessoas evacuadas das suas casas, cenários de devastação e fogos incontroláveis, é de todo evidente que a Europa não se deve aventurar num conflito que os seus dirigentes entusiasticamente defendem contra a Rússia.

​Isto decorre de décadas de demolição sistemática e intencional das estruturas do Estado, demência ideológica que se converteu no desastre presente. ​Se no plano económico, o abandono do Estado enquanto estratega e guia do desenvolvimento e reforço da soberania e segurança dos povos se revelou um desastre, como há anos foi notório durante os confinamentos COVID, assistimos pela segunda vez nesta década às consequências do desinvestimento e da destruição das estruturas que protegiam as populações.

​Toda a arrogância dos liberais que ao longo dos últimos 40 anos nos acenaram com a utopia globalista e a repetir que o Estado era inútil, pesado e dispendioso, desaba perante nós neste furacão de fogo que nos entra casa adentro através dos noticiários.

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