Falido por causa de Cavaco

(Dieter Dellinger, 22/11/2018)

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O falido é o dirigente da FNAC (Fábrica Nacional de Ar Condicionado), que foi uma cooperativa e se desenvolveu muito para se tornar numa empresa dos dirigentes iniciais, tendo falido há tempos por causa do então PM Anibal Cavaco.

No início do mandato do inimigo da Pátria, Cavaco, a banca estava ainda toda nacionalizada e, por ordem expressa da besta, não comprou nenhum aparelho de fabrico português para milhares de balcões, mas antes aparelhagem japonesa.

Os aparelhos da FNAC eram fabricados sob licença da grande empresa americana AMANA e a FNAC contava com encomendas do Estado, que dominava não só a banca como muitas empresas e os seus próprios serviços.

Calculava-se que o potencial de compra do Estado ultrapassaria as 20 mil unidades, o que permitia transformar a fábrica também num grande exportador.

Mas, o dirigente da FNAC, Alexandre Alves era considerado comunista, apesar de não haver certezas, e o FdP do Cavaco preferiu retirar trabalho a portugueses a favor dos nipónicos por um facciosismo político verdadeiramente esquizofrénico.

Claro que não foi a única empresa nacional a ser destruída por Cavaco. Muitas outras se seguiram. O gajo só admitia empresas dos amigos do PSD como as do grupo BPN que também faliram e corromperam o Cavaco com a venda de ações baratas e recompradas a preços muito mais altos. Foi algo que os magistrados nunca quiseram investigar.

Agora, Alexandre Alves tem de viver do ordenado mínimo de 580 euros, por ordem judicial, para pagar todos os seus rendimentos e ordenados acima desse valor a outra besta do PSD, a deputada Maria Luís Albuquerque, que nada faz na AR a não ser receber o ordenado, já que como se sabe,  trabalha na empresa recuperadora de créditos “Arrow Global”.

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O caso BPN e os Tribunais

(Carlos Esperança, 13/11/2018)

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Não critiquemos os juízes, sobretudo neste caso, em que puniram os delinquentes. Não os confundamos com os ativistas sindicais, com agenda política evidente. Se há queixas, e há, é do Código Penal e do Código do Processo Penal. Desta vez nem os aparentes órgãos oficiosos do SMMP e da ASJ, dissimulados em matutinos e canais generalistas da TV, violaram grosseiramente o segredo de Justiça.

É de louvar, apesar da complexidade e inoperância de megaprocessos judiciais, o rombo produzido em estrelas da galáxia cavaquista:

Oliveira Costa (ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais de Cavaco e financiador do PSD) – 12 anos de prisão, por burlas;

Arlindo de Carvalho (ex-ministro da Saúde de Cavaco) – 6 anos de prisão, por burla qualificada e fraude fiscal;

Francisco Sanches, Luís Caprichoso, e António Coelho Marinho (ex-administradores do BPN), José Neto, sócio de Arlindo de Carvalho numa imobiliária, e José Monte Verde, acionista e devedor do BPN – penas efetivas de prisão por burla e fraude fiscal, crimes provados em tribunal.

São nomes conhecidos e personalidades relevantes de uma época que ameaçava passar impune. Sabemos que não vão presos, mas foram julgados, e os termos com que os juízes os descreveram fariam corar de vergonha pessoas de bem.

Fez-se justiça com os veredictos, mesmo sabendo que a esperança de vida dos marginais é inferior à demora dos recursos e ao trânsito em julgado das sentenças. Temia que não chegasse a ser averiguado o “grau de ilicitude elevadíssimo” dos que “brincaram com o dinheiro do cidadão cumpridor e em quem confiou no banco e nos seus administradores nem a “utilização desgovernada e despudorada do dinheiro e que essa conduta não pode passar impune”, como esclareceu o Tribunal.

Passe a ironia, mas a partir de agora é uma questão de trânsito. Há países que têm alta velocidade no trânsito rodo e ferroviário, pessoas que têm o trânsito intestinal lento ou acelerado, cidades com o trânsito normal ou engarrafado, e Portugal, que tem lento o «trânsito em julgado».

Fica uma certa desolação enquanto sucessivos recursos impedem a execução das penas e a amargura de não ver regressar aos cofres do Estado as fortunas que hão de andar por aí, em paraísos fiscais ou em nome de familiares de aluguer.

É pena!

 

BPN, 10 anos depois: ainda custa dinheiro ao Estado e ninguém foi preso

(In Diário de Notícias, 02/11/2018)

(Bem podem as vozes da direita louvar a Joana pelos seus sucessos na luta contra a corrupção. Foram milhões e milhões roubados no BPN pela quadrilha do PSD comandada pelo Oliveira e Costa e ninguém foi preso. Que esforçada e eficaz é a nossa Justiça! Mesmo que Sócrates seja culpado dos crimes de que o acusa o MP, o que terá ganho – ganhos que, a terem existido,  não saíram dos cofres públicos -, são uns trocos ao lado do rombo colossal do BPN, onde até o Cavaco se aboletou. 

Este é o país que temos, esta é a Justiça que nos envergonha, onde a direita manda,  protegendo sempre os seus.

Comentário da Estátua, 02/11/2018)


A falência do banco liderado por Oliveira Costa custou aos contribuintes 3,7 mil milhões de euros só até ao final 2016. É o equivalente a 1,9% do PIB, a preços atuais.


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