Os EUA omnipresentes em todos os grandes projectos da UE

(Hugo Dionísio, in Strategic Culture Foundation, 10/11/2024, revisão da Estátua)

Como qualquer gangster, se não pagamos a bem, alguém nos faz pagar a mal. Von der Leyen está lá para o garantir.


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E eis que, subitamente, a comunicação social mainstream parece ter acordado para a vida e, finalmente, constatou que a Comissão Europeia, chefiada por Ursula Von Der Leyen, quando se refere aos tais “valores” da sua Europa, está, afinal, a falar dos valores que atribui, benevolamente, ás famílias europeias bilionárias. Diz o The Guardian que a sua “investigação” revelou que 17 bilionários, listados pela Forbes, constam como beneficiários finais de projetos no valor de 3.3 mil milhões de euros.

Vá-se lá saber o porquê da demora em constatar uma realidade que se repete ininterruptamente há dezenas de anos. Uma realidade que se desenrola ao mesmo ritmo que aumentam os sem abrigos, a crise na habitação, saúde e educação, a guerra e a instabilidade social. Mas ainda mais inexplicável é o confinamento desta “investigação” ao sector agrícola e aos projetos ligados à política agrícola comum. Afinal, sendo mau, uma vez que os pequenos agricultores passam uma crise sem precedentes, mesmo assim, estamos a falar de dinheiro para produzir alimento. Ora, casos existem, muito mais danosos e óbvios, aos quais, como veremos, o The Guardian e a comunicação social mainstream, fazem vista grossa.

Na verdade, as grandes corporações detentoras da comunicação social mainstream, das redes sociais e dos recursos financeiros, financiando as campanhas eleitorais, que se vão sucedendo no âmbito de um processo democrático absolutamente falacioso, do qual as últimas eleições nos EUA são o último dos paradigmas, não apenas conseguem que os governos, sempre domesticados, lhes baixem os impostos, como ainda logram obter mais perdões, isenções fiscais, e ainda o acesso aos fundos públicos para investimento. Uma espécie de “socialismo dos ricos”, em que o estado socializa os custos e os riscos e privatiza os lucros.

O Banco Europeu de Investimento, no seu último “Investment Survey 2004”, demonstra como se passa uma parte importante desta transferência.

Entre o 1.º trimestre de 2020 e o 1.º de 2024, o investimento corporativo apenas cresceu positivamente durante um trimestre (o 3.º trimestre de 2023); em todos os restantes, apenas houve crescimento positivo nos trimestres em que se deu um reforço do investimento realizado pelo Estado e pelas famílias. Apesar das centenas de milhares de milhões de euros que a UE destina para projetos de empresas privadas, no 1.º trimestre de 2024, o investimento corporativo evoluiu negativamente. Ou seja, o dinheiro que “investimos” nestes seres privilegiados, não está a alavancar o investimento, mas, sim, a alavancar a acumulação.

E se olharmos para o lado da acumulação, encontraremos muitas das respostas, nomeadamente, a forma como um país estrangeiro suga muitos dos recursos por nós produzidos. A guerra da Ucrânia tem aqui um papel absolutamente fundamental, como catalisador do crescimento do investimento público e da transferência de rendimento para as grandes corporações e, através destas, para as famílias mais ricas. Daí que as elites oligárquicas ocidentais sintam um desespero brutal na necessidade de manutenção do conflito na Ucrânia. Mesmo os EUA, como veremos, ficam com a sua parte, apesar do investimento continuar a ser suportado quase exclusivamente pela UE.

Vejamos o que se passa, por exemplo, com o Fundo Europeu para a Defesa, que constitui uma fonte inestimável de dinheiro para as maiores corporações e multibilionários do ocidente. Vejamos o caso da alemã RHEINMETALL WAFFE MUNITION GMBH, a qual, durante a segunda guerra mundial, cresceu e engordou à custa da destruição da Europa e do mundo, e se prepara, no século XXI, para repetir a dose. Mas, desta feita, reparte o bolo com os amigos do costume.

A RHEINMETALL WAFFE MUNITION GMBH é coordenadora e beneficiária de 6 grandes programas de “investimento” em capacidade militar instalada (pólvora, propelentes, munições 155 mm, camuflagem, transporte blindados, proteção de infraestruturas). Só no projeto para aumento de produção de cartuchos de 155mm, esta empresa garante 20.560.755,45€. Ou seja, nós, europeus, pagamos as máquinas e eles ficam com os lucros da venda das munições. No final, morrem mais russos, ucranianos e todos ficamos mais pobres, arriscando uma guerra mundial.

Um simples olhar para a estrutura de capital da Rheinmetall e faz-se luz: Blackrock, UBS, Fidelity ou Goldman Sachs, todos comem do bolo, garantindo as condições políticas e financeiras alinhadas para a alavancagem dos lucros e da concentração da riqueza. A conclusão só pode ser uma, é a de que eles estão por todo o lado e toda a economia conflui, como um grande sifão, para os bolsos de um punhado de privilegiados, pelos quais todos temos de sofrer.

Outro dos grandes comensais deste imenso banquete que são os fundos comunitários, para as empresas, é a também alemã OHB SYSTEM AG, que recebeu 90.000.000,00€ para a construção de um sistema de alerta para ataque por mísseis, a partir do espaço. Se por aqui percebemos por que razão foi lançado o alerta, nunca confirmado, de que a Rússia estaria a desenvolver sistemas de mísseis no espaço, a verdade é que a mensagem foi recebida por quem haveria de ser e, não muito tempo depois, a Comissão Europeia de Ursula Von Der Leyen estava a cumprir o que dela se esperava, aprovando o que fosse necessário ser aprovado.

Um olhar para a estrutura accionista da OHB, que é uma empresa multibilionária na área aeroespacial, e percebemos o porquê de tal facilidade na entrega do nosso dinheiro. O The Guardian, que estava tão preocupado com os fundos para a agricultura, até custa a perceber como deixou esta passar em claro: 65,4% da OHB pertencem à família Fuchs, uma das famílias mais ricas da Alemanha e do mundo. Uma vez mais, como uma organização mafiosa, os amigos do costume ganham a sua parte, através de um fundo sedeado no Luxemburgo (Orchid Lux HoldCo S.a. r.l.), mas que se percebe ser uma fachada de interesses norte- americanos, mas com morada de contacto em Nova Iorque.

Já para a Itália, a comissão de Von Der Leuyen financiou um projeto ligado a “sistemas de propulsão para domínio aéreo”, que atribui 56.202.596,26€ à GE AVIO SRL, uma empresa privada, conhecida como AVIO AERO, ligada ao sector aeroespacial, mas fazendo parte do grupo General Eletric Company, da sua divisão aeroespacial.

Mesmo a maioritariamente pública AIRBUS DEFENCE AND SPACE SAS, não escapa à regra. Sendo outra dos habitués dos fundos comunitários ligados à guerra e à investigação, desenvolve 134 projetos que falam por si, financiados em milhares de milhões de euros em investimentos. Da investigação, ao digital, passando pela defesa, energia atómica e espaço, os impostos dos trabalhadores europeus são os grandes alimentadores deste gigante corporativo. Uma consulta ao portal EU Funding & Tenders, é suficiente para desiludir muitos dos crentes na capacidade de inovação própria das grandes corporações ocidentais. Valha-nos que esta é pública e os seus lucros, são menos impostos que pagamos. Mas existe sempre um “mas”.

A AIRBUS, cuja parte pública ainda é considerável, tem, contudo, entre os investidores privados, nomes como: Vanguard, Goldman Sachs, Fidelity, UBS e uma diversidade de trusts detidos por empresas americanas e não só. Ou seja, a AIRBUS mantém-se pública permitindo a sucção de resultados pela oligarquia, principalmente estado-unidense.

Bem sei que se tratam de investimentos a realizar no espaço europeu, criando empregos e competências para os trabalhadores europeus. Contudo, não posso deixar de identificar um conjunto de circunstâncias padronizadas que tornam tudo isto imensamente suspeito.

Sem fazer uma busca exaustiva, em todos os grandes projetos que consultei, encontrei capitais norte-americanos de alguma forma envolvidos, colocando-se então a seguinte questão: porque razão os grandes investimentos públicos europeus envolvem, sempre, de alguma forma, directa ou indiretamente, capitais estado-unidenses?

Outra questão que surge, na decorrência desta, é a seguinte: em que medida os riscos identificados pelos EUA (risco de “invasão russa”; o risco de “ataque no espaço sideral pela Rússia”; o risco relacionado com as relações comerciais com a República Popular da China) influenciam: primeiro, a criação de necessidades de investimento público e a criação das estruturas empresariais de resposta; segundo, a suscetibilidade de aprovação desses projetos pela Comissão Europeia.

Por fim, se a resposta para a presença de capitais norte-americanos por toda a indústria de defesa – e indústria estratégica – da União Europeia, é a de que o mercado é livre e, como tal, os capitais de Wall Street têm direito de entrar nas estruturas de capital das corporações europeias, então, onde fica a independência e autonomia que Mario Draghi e Ursula Von Der Leyen advogaram para a Europa?

É que não podemos deixar de pensar que será muito difícil à Europa Comunitária – e respectivos estados membros – conseguir almejar a tal independência e autonomia estratégicas, estando o seu complexo militar-industrial e complexo industrial estratégico, tão suportados ou influenciados por capitais estrangeiros.

Mais estranho ainda é que, numa pura lógica de “deRisking”, tão usada como pretexto para o desacoplamento em relação á economia chinesa, não veja a UE de Von Der Leyen qualquer risco nas características corporativas do complexo industrial europeu, principalmente o que tem a ver com aspetos estratégicos da defesa, vigilância e capacidade de resposta.

Para além do cheiro mafioso que tal influência traz consigo, indiciando a existência de uma lógica que aponta para o desenvolvimento de determinados empreendimentos, em espaço europeu, apenas porque os EUA comem uma parte, ou indiciando que a benevolência política dos financiamentos europeus está, em muito, ligada a essa dupla característica, presença de capitais americanos e projetos que respondam a riscos identificados pela Casa Branca, esta realidade demonstra, ainda, a falta de qualquer traço de seriedade na atual estrutura de poder na UE.

Então, no meio de tanto risco, não vê a UE qualquer risco para as empresas europeias, na utilização, pelos EUA, de leis como o “Trade with the enemy act” (Lei do negócio com o inimigo)? Não bastaria o caso da ASML, fabricante de impressoras, EUV e DUV de semicondutores, impedida de vender parte importante da sua produção para a China, apenas e só, por ordem dos EUA, criando graves problemas à economia dos Países Baixos? Tudo porque estes têm relações de capital e propriedade industrial com a ASML, uma empresa que é o que é hoje, essencialmente à custa de fundos comunitários?

E é assim que se apanham as mentiras e as falácias. Então, neste caso, já não existe risco de dependência e submissão estratégica a interesses alheios? Neste caso, Ursula Von Der Leyen já considera que a dependência não faz mal? Será assim, ou será porque, as respostas que Ursula von Der Leyen vai criando no espaço europeu, visam, não responder a necessidades dos povos europeus, mas a necessidades dos EUA, num total, dependente, estratégico e criminoso alinhamento com as políticas da Casa Branca?

Hoje, Von Der Leyen não garante apenas a continuidade dos riscos que alimenta com o seu extremismo. Garante também que esses riscos constituem o pretexto ideal, para que se negue um futuro às próximas gerações europeias. Por que razão a imprensa mainstream não vê nada disto?

Vejam a sua estrutura de capital, e depois falamos. Como qualquer gangster, se não pagamos a bem, alguém nos faz pagar a mal. Von der Leyen está lá para o garantir.

Fonte aqui.


A falácia do rearmamento da Europa

(Carlos Matos Gomes, in Medium.com, 09/11/2024)


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Falar hoje, finais de 2024, de criar e desenvolver uma “indústria de defesa europeia” para se opor aos malvados russos de Putin é uma dupla falácia de quem não tem qualquer pudor em mentir.

Paulo Portas, no seu sermão dominical, falou na necessidade de a Europa investir em defesa para se opor a que Putin “venha por aí abaixo”. O homem que enquanto ministro da Defesa foi o vidente que viu as provas de que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa, tal como o outro vidente da altura, o recompensado Durão Barroso, que por ter visto o milagre recebeu o prémio de chefe dos comissários europeus.

“Putin vem por aí abaixo!” Repete o coro de comentadores avençados, em sintonia com alguns militares que deviam saber dos “temas” de tática dos cursos de comando e estado-maior, os “garranos”, que a vinda dos russos por aí abaixo apenas terminava com um regimento de infantaria da URSS junto ao rio Lizandro, defendido por um batalhão português saído do Convento de Mafra, assim impedindo o bravo coronel russo que atravessara o Reno e o Danúbio, os Alpes e os Pirenéus e acabava vencido, sem poder tomar banho na Ericeira. É esta a primeira falácia, uma narrativa delirante e até ridícula. Os russos não veem por aí abaixo, Os mesmos que o garantem são os mesmos que sublinham as dificuldades de progressão para atingirem o rio Dniepro, as cidades de Zaporija e de Kharkiv. Ou bem que vêm por aí abaixo, e há que detê-los, ou bem que não vêm e não há necessidade de gastar dinheiro a defendermo-nos de um tigre de papel que não consegue atravessar a Ucrânia.

A segunda falácia diz respeito à necessidade de construir uma indústria de defesa europeia. Uma necessária observação: nenhum estado europeu desde a idade moderna aos nossos tempos se defendeu, a não ser a Rússia, por duas vezes, uma contra Napoleão e outra contra Hitler. A Polónia, nas várias versões territoriais e de soberania nunca se defendeu, mas a teocracia que a governa e constitui o estado mais vassalo dos Estados Unidos realizou o número mediático de instalar uns obstáculos de cimento — ursos — para impedir os tanques russos de avançar, nem o império austro-húngaro, nem a Itália, nem a França, nem a Espanha, nem Portugal, em qualquer época se defenderam, todas os estados atacaram os outros, segundo os seus interesses e os “aparelhos militares” foram sempre de defesa apenas do grupo dominante dentro do Estado, foram sempre, no dizer do rei Luiz XIV de França, a última “razão do rei” contra os seus súbitos. Continuando hoje a ser esse o papel das instituições militares, aquelas que Max Weber considerou serem as únicas legitimadas para o uso da força nos Estados. Do que se trata, então, quando alguém fala em defesa é a defesa de um poder instalado, de um regime, de um grupo no poder ou de dispor de meios para conquistar objetivos noutros espaços.

A questão da “defesa” da Europa é muito clara: O único aparelho militar credível do Ocidente Global é o dos Estados Unidos. Após o final da Segunda Guerra, aproveitando a imposição da desmilitarização da Alemanha nazi e a destruição das indústrias europeias, os Estados Unidos iniciaram a passagem de forças com meios convencionais de controlo das suas armas para os sistemas digitais Nos anos 60 introduziram a internet e a computação na sua panóplia de armas, e partiram para a conquista do espaço não apenas com as operações de demonstração de capacidade tecnológica com a ida à Lua, mas com a criação de uma verdadeira malha de satélites para fins militares de observação e espionagem, de transmissão de dados — que deram origem a duas famílias de instrumentos da guerra espacial e da sua articulação com a guerra no ar, em terra e no mar, os GNSS (Global Navigation Satelite System) de que o GPS é filho, e os GEOSS (Global Earth Observation Satelite System).

Desde os anos 70 do século passado, que as grandes potências, a URSS e a China se aperceberam da importância dos sistemas globais de navegação por satélite. Os americanos desenvolveram o GPS inicialmente apenas para fins militares — o sistema é gerido pelo Departamento de Defesa através da Força Aérea dos Estados Unidos, a União Soviética desenvolveu o seu sistema GLONASS também para fins militares, a China o seu BDS. A União Europeia, finalmente, criou um programa civil que designou por Galileo em 1990, quando os Estados Unidos e a Rússia tinham os seus sistemas operacionais em 1995! Com a operacionalidade dos sistemas GPS e GLONASS, na segunda metade da década de 90, a União Europeia (UE) percebeu a importância estratégica, económica, social e tecnológica da navegação por satélite! Excelente a previsão dos dirigentes europeus. Os mesmos, ou os clones, dos que agora apelam: às armas, europeus!

Também foi já década de 90 que os dirigentes da União Europeia perceberam a importância de programas cooperativos de desenvolvimento de sistemas de armas. Foram então criados programas para desenvolvimento de um caça europeu — o Eurofigther Thiphoon, um fracasso que desapareceu da cena — o programa de um helicóptero naval e de forças terrestres, o Nato Helicóptero, que não revelou ser um sucesso, um programa para uma NATO Fregate que nunca viu a luz do dia. Não foi uma partida brilhante, mas proporcionou ensinamentos, apagados da memória, porque os americanos apresentavam soluções chave na mão. Recebendo o devido pagamento e ainda eliminavam futura concorrência.

Hoje, todos os sistemas de armas europeus estão dependentes dos sistemas de informação, navegação e comunicação americanos. E vão estar pelo menos durante os próximos trinta anos, que é o ciclo de vida mínimo previsto para os sistemas de armas. Todos os aviónicos e sistemas de informação dos cockpits dos aviões, das pontes de comando dos navios, das torres dos carros de combate, das salas de operações das unidades terrestres, das cabeças dos misseis táticos ou estratégicos são e serão americanos. A título de exemplo, a Alemanha adquiriu 50 aviões caça bombardeiros americanos F 35, a Bélgica 30, em detrimento do Raphale francês. Durante os próximos 30 anos, todas as armas europeias terão a “inteligência” americana e apenas poderão ser usadas com o acordo dos Estados Unidos.

Falar em investir na indústria de armamento europeia é uma falácia. A Europa perdeu a oportunidade de ter autonomia estratégica nos anos 90 e essa perda não é remediável! Investir na indústria de armento na Europa significa tão simplesmente substituir a falência da indústria produtiva europeia — as fábricas de automóveis alemãs e francesas, por exemplo, também a Michelin, a Bosch — por inúteis fábricas de peças de artilharia, de carros de combate, que apenas se orientarão nos campos de batalha com os olhos do GPS americano!

A título de exemplo, quando a Agência Espacial Europeia (ESA) comunicou aos Estados Unidos a intenção de desenvolver o Galileo e que o desejava compatível com o GPS, os Estados Unidos avisaram que destruiriam os satélites europeus se estes interferissem com a operação o seu GPS! O governo norte-americano não autoriza outras nações a participarem da manutenção e desenvolvimento do GPS, dado os seus fins militares. Apenas em 2005 foi lançado o primeiro satélite do sistema Galileo o segundo em 2008, dois satélites em 2011 e outros dois em 2012. A primeira determinação de posição utilizando a constelação Galileo foi realizada em março de 2013 e em dezembro de 2016 havia um total de 26 satélites Galileo.

De 1990 a 2024, trinta e quatro anos, a Europa, a U E viveu no doce ripanço, a ver o mundo passar, sem receios de inimigos, entregue aos braços do amigo americano, que dispunha de bases na Alemanha, no Reino Unido, em Itália, armas nucleares nestes três países, além da Bélgica e de Israel. O governo dos Estados Unidos, uma autodenominada democracia liberal, estabelecia parcerias publico privadas com as grandes companhias das novas tecnologias, caso da Microsoft, a grande software house mundial, do Google, da Amazon, do Twiter, hoje X, do Facebook, hoje Meta, da Apple, da Starlink e da Space X de Elon Musk. Não deixa de ser curioso que os dois mais recentes satélites dos sistema Galileo tenham sido lançados por foguetões da Space X, de Elon Musk!

Indiferentes a estas evidências, os manipuladores da opinião impingem a mensagem: é necessário desenvolver uma indústria de material de guerra (eufemisticamente designada por indústrias de defesa europeia). Os e as warmongers fazem o seu trabalho, tocam cornetas e rufam tambores para receberem as suas comissões e prémios à custa dos europeus. A Declaração de Budapeste, da conferência de líderes europeus, que terminou a neste 8 de Novembro, defende “investimentos significativos públicos e privados no setor da Defesa”. O primeiro-ministro português declarou à saída que a indústria portuguesa também pode entra nesta farsa, em especial a indústria têxtil — camuflados para a tropa, atoalhados para as messes… botas e estandartes, presume-se que seja a nossa contribuição depois do envio de ferro velho representado por helicópteros Kamov, uns velhos M113, uns inúteis Leopard.

O inútil rearmamento da Europa significa uma nova era, os recursos que estão dedicados ao investimento produtivo serão desviados para produtos que são mera despesa. Esta transferência traduz-se em pobreza geral e fim do estado de bem-estar, será feita à custa do estado social. Mesmo os sistemas de duplo uso militar e civil num caso geram riqueza, noutra despesa. Colocar um motor num trator ou num carro de combate não é igual. A transferência de recursos para as indústrias militares provocará uma mudança de paradigma civilizacional da Europa, aumentará as desigualdades, a injustiça, a repressão. É o futuro que nos está a preparar esta nova seita de pregadores.

A proposta dos armamentistas lançadores de fogo pela boca, é a de enfiarmos a cabeça num laço e esperar que assim nos salvaremos!

Líderes da UE esbanjam mais 50 mil milhões de euros a fim de apoiar o regime de Kiev… e a autodestruição

(Editorial Strategic Culture Foundation, in Resistir, 04/02/2023)

Os regimes elitistas europeus estão a travar uma guerra na Europa contra a Rússia nuclear, desperdiçando os dinheiros públicos para financiar uma máfia neonazi em Kiev.

Por fim, as ameaças, a chantagem e o braço de ferro da União Europeia conseguiram fazer aprovar um gigantesco pacote de ajuda de 50 mil milhões de euros ao regime irremediavelmente corrupto de Kiev. Isto enquanto os agricultores europeus se revoltam contra a liderança da UE devido ao aumento dos custos da energia e às importações baratas da Ucrânia, que os estão a levar à falência e a destruir os seus meios de subsistência.

Os líderes da UE estão a comprometer todo o bloco de 500 milhões de pessoas com o suicídio político. A atitude imprudente e cavalheiresca é algo de se ver. Tragam as forquilhas, Merci!

Os 27 líderes da União Europeia reuniram-se numa cimeira de emergência, esta semana, não para tratar dos crescentes problemas políticos, económicos e sociais internos do bloco, mas sim para prodigalizar montanhas de mais ajuda à Ucrânia, que não é membro da UE.

Quando os líderes realizaram a sua última cimeira, em dezembro, foi um espetáculo de desavenças e disputas sórdidas. Nessa cimeira, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, vetou a atribuição de mais fundos ao regime ucraniano, em meio a amargas recriminações e disputas. Desta vez, porém, a Hungria cedeu à intensa pressão para chegar a acordo sobre o pacote.

Dias antes da cimeira em Bruxelas, esta semana, foi noticiado pelo Financial Times que o Conselho Europeu havia elaborado planos para sabotar a economia húngara, se Budapeste persistisse em não assinar o plano de ajuda maciça. Isto diz muito sobre a mentalidade perversa no topo da burocracia da UE. Demonstra o carácter antidemocrático do bloco, apesar das pretensiosas afirmações em contrário.

Bruxelas já tinha congelado até 10 mil milhões de euros de financiamento central para a Hungria e houve ameaças de retirar a Budapeste o direito de voto na tomada de decisões do bloco, o que teria sido uma violação flagrante do princípio da unanimidade declarado pela UE.

A atribuição de 50 mil milhões de euros a um país terceiro é espantosa. Ainda mais desconcertante é o facto de a última generosidade ser apenas uma fração da ajuda total que a liderança da UE injetou na Ucrânia desde que a guerra por procuração contra a Rússia eclodiu em fevereiro de 2022. Nos últimos dois anos, a União Europeia deu ao regime de Kiev um valor estimado em 100 mil milhões de euros.

Os Estados Unidos e outros aliados ocidentais também deram à Ucrânia outros 100 mil milhões de euros. Cerca de metade deste montante destina-se ao armamento e a outra metade ao financiamento do Estado.

Como já mencionámos aqui anteriormente, o financiamento acumulado do Ocidente à Ucrânia excedeu em muito o histórico Fundo Marshall que os EUA atribuíram a toda a Europa para a reconstrução após a Segunda Guerra Mundial (cerca de 170 mil milhões de euros em moeda atual).

Não há, pura e simplesmente, qualquer precedente ou razão de ser para esta mobilização de apoio financeiro à Ucrânia. Tudo isto foi feito como um facto consumado por uma classe de elite sem qualquer mandato democrático. Não foram realizados quaisquer referendos para consultar o público sobre as despesas excessivas. De facto, as sondagens indicam que o público europeu – tal como o público americano – se opõe a que os seus governos apoiem a Ucrânia.

A administração Biden está a lutar contra uma resistência crescente no Congresso para enviar à Ucrânia mais 60 mil milhões de dólares.

Além disso, o regime de Kiev, sob o comando do presidente fantoche Vladimir Zelensky, é sinónimo de corrupção e repressão desenfreadas. Fontes do Pentágono admitem que cerca de 400 milhões de dólares de despesas militares foram desviados pela junta de Kiev. O valor real é plausivelmente ainda maior.

A grotesca afetação de recursos financeiros à Ucrânia nada tem a ver com o apoio à democracia ou com a defesa do país da alegada agressão russa.

Os líderes da UE, como o Chanceler alemão Olaf Scholz e a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, continuam a repetir um mantra sobre a defesa da Ucrânia porque, dizem eles, se esta for derrotada, toda a Europa corre o risco de ser invadida pela Rússia. Trata-se do mais absurdo alarmismo de políticos ideologicamente cegos pela russofobia e escravos da propagação da hegemonia ocidental.

Diz-se abertamente que a mais recente injeção de 50 mil milhões de euros a um regime ucraniano viciado em guerra se destina a sustentar o seu governo e a pagar salários e serviços. Por outras palavras, a Ucrânia é um Estado fracassado e, no entanto, espera-se que os cidadãos, os trabalhadores e os agricultores europeus – que estão a passar por tempos económicos difíceis – financiem uma cabala corrupta.

Além disso, as dificuldades que dezenas de milhões de cidadãos europeus estão a suportar são um resultado direto da cedência dos seus líderes políticos e da elite burocrática de Bruxelas à agenda de hostilidade dos Estados Unidos em relação à Rússia.

Esta agressão liderada pelos EUA, que pode ser rastreada até ao golpe de Estado instigado pela CIA em Kiev em 2014 para levar um regime neonazi ao poder, sabotou a economia da Europa. Os líderes europeus serviram traiçoeiramente os interesses geopolíticos de Washington e não os dos europeus comuns. A insana imposição de sanções à Rússia levou a enormes aumentos nos preços da energia, o que dizimou as empresas europeias e os padrões de vida dos consumidores, trabalhadores e agricultores.

Os custos de produção mais elevados são um factor importante nos protestos crescentes dos agricultores por toda a Europa. Outro factor é a importação antidemocrática pela UE de produtos agrícolas mais baratos da Ucrânia, como forma de ajudar o regime de Kiev. Essas importações prejudicaram os agricultores de toda a Europa, na Alemanha, França, Itália, Países Baixos, Polónia, Roménia, Hungria e países bálticos.

O abuso escandaloso dos fundos europeus para apoiar um regime fascista corrupto que suprime violentamente os opositores políticos, os meios de comunicação social e a Igreja Ortodoxa, e glorifica os colaboradores nazis, tem um objetivo fundamental – prolongar uma guerra por procuração contra a Rússia. O objetivo dessa guerra é a subjugação estratégica final.

Os regimes ocidentais estão tão falidos e impotentes face às suas economias capitalistas falidas que procuram explorar a vasta riqueza natural da Rússia. É a continuação da política do Lebensraum da Alemanha nazi pelos imperialistas ocidentais.

A Ucrânia perdeu a guerra por procuração contra a Rússia. Trata-se de um desastre vergonhoso e criminoso. Cerca de 500 000 soldados ucranianos foram mortos nos últimos dois anos por forças russas superiores. O vil regime de Kiev, como é óbvio, quer manter o esquema de guerra a funcionar para atender à sua ganância insaciável. Washington e os seus vassalos europeus em altos cargos querem manter a guerra por ambição imperial elitista, uma ambição que em última análise é futil na nova ordem global multipolar emergente.

Enquanto os líderes europeus se encontravam no Conselho Europeu de Bruxelas, o Parlamento estava bloqueado por agricultores furiosos de toda a Europa. Os manifestantes chamavam os políticos pelo nome. O desprezo é palpável. Paris e outras capitais da Europa estão a ser cercadas por pontos de estrangulamento nas auto-estradas. As economias nacionais estão à beira do abismo.

Pode-se mesmo perceber que os agricultores europeus em França, na Alemanha, na Bélgica e noutros países estão a aplicar tácticas semelhantes às dos iemenitas no Mar Vermelho. Apertem os pontos de estrangulamento e vejam o império a contorcer-se.

Não seria possível inventar esta farsa. Os regimes elitistas europeus estão a travar uma guerra na Europa contra a Rússia nuclear, desperdiçando o dinheiro do público para financiar uma máfia neonazi em Kiev e, ao fazê-lo, tornam a vida dos cidadãos europeus ainda mais difícil. O resultado é o suicídio político e económico da União Europeia.

A UE vai realizar eleições parlamentares em junho, num contexto de crescimento dramático dos partidos anti-UE ou eurocépticos. Dois anos de guerra sem sentido na Ucrânia estão a fomentar a aversão popular à classe de elite. A cólera que se sente nem sequer pode ser contida pelo voto nas eleições. A fúria parece ir além de fazer pequenos X numa caixa. O colapso está a chegar e cabeças vão rolar.

Fonte aqui.


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