Costa e a competência!

(Joaquim Vassalo Abreu, 03/08/2019)

Aquilo que eu converso com os meus Amigos de Direita é tudo menos a menorização das suas fidelidades porque, muito embora eu ao fim destes anos todos insista em não as compreender, nem elas nem os seus propósitos que eu entendo como os mais contraditórios que em relação a eles há mas, isso sim, os méritos de quem eu apoio! E porque entendo que assim é que deve ser!

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Porque sei, e todos deveríamos saber, que a Direita tem muitos recursos e até demasiados recursos para o meu gosto! E quando acusa de “nepotismo” este Governo liderado pelo PS, ela nada mais está a fazer do que manifestar o seu desagrado por outrém, o PS, neste caso, pisar, nem que por uma simples unha, aquilo que lhes comete, que é propriedade sua, sempre foi, e só neste momento não rege porque o Povo é estúpido, ingrato até, e até esquece essa coisa tão comezinha que é quem lhe dá o emprego…

São inúmeros e palpáveis os recursos da Direita, não só porque, pese esta ínfima e desinteressante intromissão de alguns indiciados nomes de familiares de membros do Governo como Fornecedores do Estado, e era bom saber quem são a parte preponderante, aquela fornada dos anos de ouro do inteligente Portas, que não dava fio sem nó, todos sabemos e o Álvaro Santos Pereira, “former” Ministro da Economia de Passos, em livro contou, que nada assinava sem contrapartidas palpáveis…mostram um pouco do que a Direita é capaz!

No caso citado em sua defesa própria, isto é dos seus privilégios, mas em não sendo Governo, por simples ingratidão das pessoas, pelos meios de que dispõe, utilizando sempre pessoas e serviços da sua laia e dependência, para afrontarem o Estado e, à falta de outros meios, legais e escrutináveis, exercerem sobre ele um autêntico terrorismo!

Tudo isso se vai manifestando alegremente nestes dias por entre a confusão de pré guerra civil no PPD, por falta de rumo ideológico e no retiro espiritual da D. Cristas, para reflexão sobre o futuro e preparação do mesmo (mas o futuro não é daqui a dois meses?) onde, para já, conseguiu ser iluminada por uma enorme graça e que logo veio anunciar: por causa deste Governo a Democracia em Portugal corre sérios riscos! Era para ficarmos todos de cabelos em pé mas…ninguém ligou!

Também parece que essa coisa tão difusa como “as falhas do Estado nos incêndios”, é que pelos vistos os Estados vão todos falhando e já nem falo nos recorrentes casos dos EUA e da Austrália, agora até a insuspeita França, também já não colhe e a questão das golas ou gravatas ou lá o que são dos Bombeiros de tão surreal também não.

As TV’s, os Comentadores e todos os representantes da oposição de direita com cadeiras em tudo o que é meio de comunicação social bem que se esforçam mas não param de enfrentar a fria realidade, cada vez mais firme e impiedosa: a falta de audiência! A grande maioria já não os ouve nem lê…e vão pregando no deserto…

As sondagens vão sugerindo a questão essencial: a falta de votos e a sua incompetência versus a competência de Costa, de Centeno e do seu Governo! Desta vez Marques Mendes já não disse que era brincadeira do 1 de Abril a hipótese de Centeno poder rumar a chefe do FMI, coisa que agora declinou. Não, já não ousou fazê-lo e não o ousou porque já não quis enfrentar o ridículo!

Porque, como se diz, o ridículo “mata” e ninguém quer “morrer” pelo ridículo, a não ser que se chamem Rio ou Cristas e as cenas da composição das listas, não pela competência que lhes assiste e pela liberdade de escolha de que dispõem e nenhuma destas está em causa, mas pela degenerescência de comportamentos vindos a público que nada abonam sobre as suas capacidades de serem oposições responsáveis.

De nada disso Costa tem culpa e se alguma culpa lhe posso assacar é um certo temor em denunciar o autêntico “terrorismo” que são estas greves selvagens que ousam afrontar a estabilidade da sociedade e da nossa economia, apesar das medidas já tomadas, deixando que o silêncio da direita seja para isso uma condicionante.

O Povo já não aceita titubeações, está mais que visto, e por isso a Direita cobardemente se cala ( também acho ensurdecedor o silêncio da CGTP,  já agora) e exige medidas concretas e adequadas. Medidas que deixem essa gente sem brio e sentido pátrios presos à sua irresponsabilidade e a Direita refém do seu silêncio!

A competência também se vê aqui e é proibido ser-se timorato, não é COSTA?

Costa nas muralhas da cidade

(Valupi in Blog Aspirina B, 01/08/2019)

(Anda Pacheco! Mas que grande sova que aqui levas. De truz, como dizia o Eça. Essa Circulatura fez-me lembrar uma canção popular: “Juntaram-se os três à esquina a tocar a concertina e a dançar o sol e dó”. E dizia o Pacheco que o PSD teve o Duarte Lima, como se fosse coisa pouca. Então e o BPN e o Oliveira e Costa e companhia? E o próprio Cavaco, genro e animais de estimação? A memória dos homens é curta e a do Pacheco, para certos dossiers, é curtíssima…

P.S – Artigo dedicado ao comentador habitual deste blog, José Neves – para seu gáudio -, e também dedicado ao comentador de serviço, RFC, para sua exasperação… 🙂

Comentário da Estátua, 01/08/2019)


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António Costa regressou ao convívio com os seus grandes amigos da política-espectáculo, Lobo Xavier e Pacheco Pereira: Circulatura do Quadrado – 11 de Julho. O evento não teve qualquer repercussão no comentariado que a minha distracção tenha apanhado. No entanto, e a vários níveis, é mais uma peça notável deste trio onde se pode ver o invisível da política nacional.

A chegar ao minuto 40, o Pacheco avança para a grande paixão da sua vida, entretanto amainada dado estar satisfeito com o auto-de-fé em curso mas ainda viva dado o investimento emocional e afectivo. Eis como ele apresenta a acusação:

«O PS permitiu, durante muito anos, o ascenso político no seu interior de pessoas... e aqui não é um problema de saber se foram julgadas ou não foram julgadas, isso é um problema da lei; é um problema de comportamentos. Quando o antigo primeiro-ministro diz que não usa dinheiro, que não usa cheques e que pretende pagar tudo com dinheiro vivo, quando coloca bens em sítios terceiros, quando vive de rendimentos não conhecidos por favores de amigos, há uma enorme obrigação, há muito tempo, de haver um corte, muito sério, no Partido Socialista em relação ao antigo primeiro-ministro José Sócrates. O antigo primeiro-ministro José Sócrates teve casos durante todo o tempo em que esteve dentro no PS. Como tinha poder, ninguém ligou nenhuma. Ou então remete para uma falsa ideia de que a ética republicana tem a ver apenas com os julgamentos e com o comportamento da Justiça. Não. Uma das razões porque o populismo cresce em Portugal é porque os dirigentes partidários mostram uma considerável indiferença em relação à corrupção no interior dos seus partidos, e permitem que pessoas façam carreiras quando toda a gente sabe que aquilo não é certo; e toda a gente sabe. [...] A gente dava um pontapé numa pedra e saía o Engenheiro Sócrates debaixo da pedra, em praticamente todas as coisas. Eu só estou a falar de coisas que ele admitiu fazer, nem sequer estou a falar das coisas que têm a ver com a "Operação Marquês" e com as conclusões. Portanto, se há um aumento do populismo em Portugal isso tem muito a ver com o facto de os partidos não serem muito duros com a corrupção no seu interior. E Isso significa que não podem permitir no seu interior carreiras de pessoas que se percebe que eram pobres e passam a ricos. E isso não depende apenas da investigação do Ministério Público ou dos julgamentos, depende também da nossa obrigação de saber o que se está a passar. Porque nós sabemos o que se está a passar. Dentro dos partidos, um dirigente sabe o que se está a passar, conhece o que se está a passar. Sabe que há práticas admitidas que são inaceitáveis. E, por isso, se há responsabilidade no crescimento do populismo em Portugal, passa muito pelo Partido Socialista, porque o caso do Partido Socialista é muito mais grave do que é no PSD. No PSD há o caso do Duarte Lima. [...] No PS, há um conjunto de pessoas que puderam fazer carreira no partido sem que nunca tivessem sido prejudicados pela circunstância de haver comportamentos que são absolutamente inaceitáveis

Trata-se de uma juliana de porcarias. O Pacheco não preparou a intervenção, ficou evidente. Entrou no estúdio para literalmente falar de cor, para virar mais um frango no seu ganha-pão, a indústria da calúnia. Saiu-lhe o discurso atabalhoado e repetitivo mas cumpriu o objectivo de se fantasiar de paladino da moral e da virtude enquanto continuava a perseguir Sócrates. Por saber que não seria contraditado, que nada teria de justificar, a displicência do seu argumentário espelha a obesa impunidade em que enche os bolsos. Mas olhemos para o subtexto, de que está a falar o Pacheco?

A ideia principal, de manual de retórica, consiste em apelar à identificação da audiência. O que marmeleiro está a dizer é tão-só o que “toda a gente sabe”. Logo, o seu lugar de partida institui-se como indiscutível na economia do seu discurso, é aquilo a que os ingleses (os cultos, os que tinham aprendido latim) chamaram “vox populi”.

Ora, o bom povo está farto de saber que os políticos são corruptos, que os partidos são escolas e antros de corrupção, que isto acontece assim desde que a água dos rios corre para o mar. O bom povo já julgou, condenou e transitou em linchado Sócrates. Apesar da falta de novidade, este número em que aparece alguém a tocar a mesma cassete populista pela enojéssima vez funciona e permite viver à pala disso calhando ter-se um descaramento debochado. É o caso do Pacheco.

Ir buscar informações vindas a público em 2014 e 2015 – as quais, nesta altura pelo menos, apenas são factuais para a esfera privada e pessoal de Sócrates e que não permitem estabelecer uma culpabilidade de corrupção por si só – para castigar um partido de poder e seus dirigentes e responsáveis é sofística, é demagogia, é pulhice. Antes da investigação do Ministério Público era impossível ter ostracizado politicamente Sócrates dentro do PS pela simples e evidente razão de não haver razões para tal. A esta falácia junta-se a outra de se apelar ao critério do boato para abater políticos. O Pacheco jamais aceitaria tal se estivesse activamente em funções no PSD, de imediato denunciando a baixa política indecente do intento, mas eis que, como profissional da calúnia, o está a reclamar para os outros, os alvos da sua retórica. Uma campanha de insinuações, ter órgãos de comunicação social engajados, está aqui a fórmula para decapitar a liderança de um partido e de um Governo, aparece em 2019 a defender para epater les burgessos.

Acima e antes de tudo, no fundo do fundo, a principal mensagem que a vedeta do comentariado nacional espalhou foi esta: “Eu sei que nos partidos andam todos a roubar, por actos e omissões, e que a elite governante medra neste meio.” Dito de outra forma, para este ilustre membro da Ordem da Liberdade o Estado de direito não se aplica dentro dos partidos e, por inerência, aos seus dirigentes, mais os actuais e futuros membros da Assembleia da República, Governo e Tribunais. “E toda a gente sabe”. Toda a gente sabe e concorda, pois a eficácia deste número de revista depende de não haver qualquer consequência na plateia e nos camarotes. A indústria da calúnia precisa de “moralistas” como o Pacheco, alguém que passou pelo Cavaquismo só para desenvolver teorias acerca da corrupção dos socialistas. Daí nunca ter partilhado connosco a logística do Cavaquistão de que foi cúmplice nesse tempo em que o Estado era 100 vezes mais fraco para sequer detectar a alta corrupção, quanto mais combatê-la e puni-la, do que ficou após as mudanças legislativas precisamente protagonizadas pelo PS e por Sócrates.

Nas duas últimas intervenções de Costa, das melhores de sempre da sua parte, vemos um Lobo Xavier exposto como cavalheiro de indústria e um Pacheco Pereira estatelado ao comprido com um golpe de judo. Imperdível o espectáculo em que a política rechaça nas muralhas da cidade quem vive de assaltar a democracia.


Fonte aqui

O estranho caso do Dr. Jekyll e de Mr. Hyde

(Francisco Louçã, 27/06/2019)

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Isto não está para gente de emoção fácil, é um vendaval de ameaças musculadas e de declarações florentinas. Ouvem-se promessas de aumento para funcionários públicos, por entre rios de leite e mel, veem-se votações unanimistas para se seguirem depois rasteiras baixas, nota-se a evocação do critério celestial do amor de empresários para apontar os bons políticos, percebe-se o movimento de alinhamentos nervosos. São eleições, vossa senhoria.

Mas, mesmo assim não é estranho que os mesmos digam uma coisa e o seu contrário? Apetece pedir-lhes que se organizem por favor, ofereçam-nos ou a cenoura ou o chicote, mas um e outro em simultâneo fica confuso. Não nos castiguem com tudo ao mesmo tempo e no mesmo lugar e pelas mesmas vozes. Pois foi assim nas jornadas parlamentares do PS, concluídas esta segunda-feira.

O primeiro dia foi o festival Carlos César. Marcou o seu terreno, fez o balanço, traçou a linha, apimentou as frases. Atirou aos alvos de manhã, repetiu de noite. Voltou ao tema no segundo dia. Para o líder parlamentar e presidente do partido, não há direita, o que é que isso interessa, mas com a esquerda tem um sério ajuste de contas a fazer. Ele tinha de avisar os portugueses de que o perigo espreita e de que os piores são os aliados do Governo: são aventureiros, levam o país para a penúria, vamos ficar com uma mão à frente e outra atrás, a bancarrota está aí. Pareceria piada, se estas frases não tivessem sido todas utilizadas. César não quer que ninguém se distraia nem se engane, é mesmo de bancarrota que está a falar se algumas das taxas moderadoras forem extintas (extinção que o PS aprovou com gosto). Pátria ou morte. Ou, vá lá, se não for nem pátria nem morte que venha pelo menos uma “maioria expressiva” para o PS, nós é que mandamos no país e no Parlamento.

Depois chega António Costa. Onde César dissera penúria, ele diz sucesso. Onde César dissera aventureiros, ele garante que todos cumpriram a sua parte. Onde César invoca a bancarrota, ele garante contas deslumbrantes. Onde César conclama contra as forças de bloqueio, ele diz que valeu a pena a aliança com essas forças.

Onde César diz que se vai libertar, Costa diz que está tudo bem. Onde o primeiro pede um voto esmagador de confiança no partido para sacudir aqueles que não são amados pelos empresários, o segundo diz continuidade. E, no fim, abraçam-se.

Dr. Jekyll e Mr. Hyde tinham pelo menos trajes, trejeitos e tempos diferentes. E de certeza que não se felicitavam mutuamente depois de se contradizerem tão exuberantemente. É que eram ambos a mesma pessoa.