O segredo é a T-Shirt

(Carlos Matos Gomes, in Facebook, 28/10/2022)

Elon Musk é o mais rico oligarca do planeta. Anda de T-Shirt a carregar mobílias. É o dono ou título equivalente, tipo CEO, de empresas como a Starlink (redes de satélite), SpaceX (lançadores/foguetões e até turismo espacial), Pay Pal, banco online, Tesla automóveis, entre outras empresas que trabalham para o bem da humanidade.

É a sua rede Starlink, privada, mas subsidiada pelo governo americano, que fornece as redes de comunicações, internet, satélites espiões, satélites de comunicações, guiamento, rastreio das forças nacionais e internacionais que estão na guerra da Ucrânia a combater a Rússia ao serviço do “Ocidente”. Elon Musk queixou-se há tempos que o Zelenski , também um oligarca à escala local, e acima de tudo, um amigo de oligarcas, que veste igualmente T-Shir,t não lhe pagava os seus serviços e que era ele quem pagava parte da guerra da Ucrânia do seu bolso, talvez através do Pay Pal. Pagava os essenciais serviços de informações e artilharia de vários tipos do colega (de T-Shirt) da Ucrânia, e que ia apagar as velas.

De repente, apareceu o dinheiro, ou desaparecera as queixas de calote do Elon Musk e também as dificuldades com autorizações das autoridades federais de comunicações dos EUA para a compra da rede Twitter, o que o oligarca da T-shirt preta fez recentemente com 44 mil milhões de dólares, vindos de qq parte e para alegria do oligarca de Kiev, cantor e tocador de viola em pelo, que usa agora T shirt verde azeitona. Isto é, além das aparições na internet à borla também pode twitar à vontade e sem limite.

É evidente, por estes relacionamentos que a guerra na Ucrânia revela são em defesa dos nossos principios, os Ocidentais, da humanidade, dos pobres que querem ser livres e que todos somos Ucrânia como diz a nova Nossa Senhora, Ursula Van der Leyen, que ainda um dia destes nos irá surpreender com uma T-shirt amarela, ao lado do zombie Borrel, de azul pavão.

Usem T-shirts, vão a Carcavelos, mas de Tesla e apareçam na televisão a reclamar contra os aumentos de preços! Exceto de T-shirts, claro.


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As (in)dependências da Europa

(Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 26/10/2022)

Ao contrário do que afirmam os dirigentes europeus, a transição energética, tecnológica e industrial que a Europa pretende trilhar não vai conduzir à sua autonomia ou independência, mas sim aumentar as suas dependências, agora da China, em vez da Rússia.


Tanto Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, como Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, têm-se pronunciado repetidas vezes sobre a autonomia estratégica e a independência energética da União Europeia.

Temos dúvidas como conseguirá a União atingir esses objetivos tão ambiciosos, perante a série de dependências que as tensas relações entre a China e os EUA, a crise da Covid-19 e a guerra na Ucrânia trouxeram à tona de água, não só em matéria de comércio, investimento e cadeias de abastecimentos, como das matérias-primas necessárias à transição energética e tecnológica, que a União pretende implementar. Um dos aspetos que os oito meses de guerra tornaram evidente é o facto do modelo de desenvolvimento económico europeu assente em matérias-primas baratas, que lhe permitiam obter vantagens competitivas no mercado global, se encontrar esgotado.

Um relatório efetuado no âmbito da Comissão Europeia identificava 137 dependências da União. Dessas, 52% tinham origem na China, e apenas 3% na Rússia. Sem se estabelecer uma relação com a natureza do impacto de cada uma delas, a sua contabilização é um instrumento de análise insuficiente.

Preocupar-nos-emos neste texto apenas com as dependências de maior impacto na tão almejada transição energética e tecnológica. Pensamos nas novas tecnologias altamente exigentes em dados (comunicações móveis de quinta/sexta geração, inteligência artificial, quantum computing, robotização, biotecnologia, veículos sem condutor, aparelhos médicos de alta performance, a designada “internet das coisas” e as indústrias de defesa) que definirão o futuro paradigma tecnológico e industrial.

A transição tecnológica e industrial

O futuro da Europa dependerá do modo como se conseguir posicionar relativamente às indústrias do futuro. Sem poder aceder às matérias-primas baratas, como nos tempos do colonialismo, e ao gás russo barato (e outros produtos), será difícil à Europa implementar um sistema industrial que lhe permita competir com vantagem. A Europa tem pela frente dois problemas incontornáveis: a transição tecnológica e industrial e o abastecimento das matérias-primas que as viabilizam.

Em matéria de energias renováveis, eletrónica digital e indústrias intensivas em energia, a União está fortemente dependente de matérias-primas de que não dispõe. A mesma dificuldade coloca-se noutros setores, como na saúde, onde os ingredientes para a produção de medicamentos são provenientes de outras latitudes que não a europeia. Quando falamos, por exemplo, de energia solar, há que ter em conta que os dez maiores fabricantes mundiais de painéis solares encontram-se quase todos na Ásia. A China domina na sua fabricação (96% em wafers; 77% nas células, Europa 0%; e 70% em módulos, Europa 2%).

Os produtos associados às tecnologias em ascensão – smartphones, tablets, TVs digitais, infraestruturas de comunicações sem fio, hardware de rede e todos os outros bens que usam computadores – necessitam de semicondutores. Neste mercado, não existem a nível mundial fabricantes europeus nos dez primeiros lugares (dados de 2017). A União está a tentar entrar na primeira liga global de fabricação de semicondutores, tendo estabelecido o ambicioso objetivo de duplicar a sua participação no mercado global até 2030, tendo, no entanto, de efetuar ainda investimentos colossais para o conseguir.

Embora a Europa disponha de pontos fortes nalguns elos da cadeia de valor dos semicondutores, está muito atrás da Ásia, sobretudo quando se trata dos chips mais sofisticados. Excetuando o caso da Intel na Irlanda, onde existe capacidade para fabricar chips de 14 nanómetros (nm), são poucas as fábricas na Europa com capacidade para fabricar chips com menos de 22 nm. A grande diferença faz-se na tecnologia dos 2 nm, fundamental para sustentar as indústrias tecnologicamente mais exigentes, como aquelas referidas. E aí a União encontra-se consideravelmente atrás dos EUA e da Ásia.

Noutras matérias igualmente cruciais, o atraso europeu é gritante: o maior fornecedor europeu de serviços de Cloud atinge menos de 1% do mercado europeu; a esmagadora maioria das grandes empresas tecnológicas são americanas (Apple, Microsoft, Google/Alphabet, Amazon, Tesla, Intel, Meta/Facebook), não existindo empresas europeias com capacidade para rivalizar; em matéria de cibersegurança, os EUA detêm a liderança. Das 500 empresas globais de cibersegurança, as norte-americanas ocupam cerca de 74,5% do mercado, enquanto as europeias apenas 13,8%.

As matérias-primas e a energia

Para levar a transição energética e industrial por diante, a União vai precisar de certas matérias-primas e de energia que não possui. No primeiro caso releva-se a importância da China e no segundo a da Rússia.

Os países europeus não surgem no topo dos países produtores de algumas das matérias-primas essenciais. Falamos, por exemplo, do tântalo, cobre, terras raras, cobalto, lítio e grafite. Na Europa, apenas o Reino Unido, que não pertence à União, aparece na lista de maior fornecedor de dois produtos (flúor e tungstatos, 14% e 5% da produção mundial, respetivamente) de seis críticos (Iodo, óxido de lítio, dióxido de molibdénio, flúor, tungstatos e fósforo). A China domina a cadeia de valor das terras raras (extração e processamento). A contribuição mundial da União Europeia é de 1%.

O magnésio é outra matéria-prima crítica devido às suas aplicações estratégicas. Também neste caso, os países da União encontram-se fortemente dependentes de fontes exteriores ao espaço europeu. A sua extração está fortemente concentrada na China onde reside 89% da produção mundial. Em 2018, 93% das 184 mil toneladas consumidas na União tiveram origem na China. A lista de dependências não se esgota aqui.

É nos hidrocarbonetos, em particular no gás natural, que o impacto da guerra na Ucrânia é mais imediato e onde as dependências europeias são mais evidentes. O efeito da guerra fez-se sentir nos aumentos dos preços, mas é na indústria que as consequências económicas serão mais dramáticas, uma vez que afetarão a sua competitividade, agravada pela desvalorização do euro.

Se é verdade que a Rússia pode causar danos significativos à Europa, a Europa foi hábil em os ampliar. Não bastava a recusa alemã, num ato de autoflagelação, de colocar o Nord Stream 2 em funcionamento, por pressão de Washington, empenhado em vender o seu próprio gás à Europa, bastante mais caro do que o russo, vê-se agora na incómoda situação de procurar desesperadamente fontes de fornecimento alternativas.

Para contrariar a dependência do gás russo barato, em que assentava o modelo de desenvolvimento económico europeu, e particularmente o alemão, a Europa terá inevitavelmente de se sujeitar a outras dependências, naturalmente mais caras e mais voláteis. Como se isso não bastasse, são os EUA, a Rússia e a China que dispõem de maior capacidade de refinação de petróleo, sendo os EUA e a Rússia os dois maiores exportadores de diesel, responsáveis por cerca de 22% do comércio mundial. Por outro lado, em matéria de energia nuclear, a Rússia é responsável por cerca de 46% do fornecimento de combustível nuclear a nível mundial.

O equívoco

Ao contrário do que afirmam os dirigentes europeus, a transição energética, tecnológica e industrial que a Europa pretende trilhar não vai conduzir à sua autonomia ou independência, mas sim aumentar as suas dependências, agora da China, em vez da Rússia. Esses objetivos ficam comprometidos quando se olha apenas para um dos lados do Atlântico, onde se jogam todas as cartas. Por isso, faria sentido que Bruxelas se tivesse empenhado em desenvolver um relacionamento pragmático com Beijing e Moscovo, o que está presentemente longínquo no primeiro caso e impossível no segundo. Encontra-se assim encurralada num jogo de soma nula sem grande margem de manobra.

Apesar da comparação sobre o “jardim” e a “floresta” feita por Josep Borrell ser arrogante e sobranceira, ela encerra alguma réstia de lucidez, que os seus pares parecem não ter ainda tido. Pelo andar da carruagem, as “selvas” vão mesmo tomar conta do “jardim”.


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EUA quebram gelo, Rússia descongela

(Por M. K. Bhadrakumar, in Velho General, 24/10/2022)

O secretário de Defesa do Reino Unido, Ben Wallace, fez uma viagem secreta aos EUA na semana passada em meio a temores de uma grande ofensiva russa na Ucrânia

Em meio a conversas entre os ministros da Defesa da Rússia, Sergey Shoigu, do Reino Unido, Ben Wallace, e o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, além de homólogos da UE, parece começar a surgir a possibilidade de um encontro entre Putin e Biden.


O outono termina e o inverno começa no momento do solstício de dezembro. Mas e se o Equinócio Vernal chegar? Nestes tempos de mudança climática, tudo é possível. Há sinais sutis. Os pássaros no quintal estão cantando, borboletas e abelhas estão retornando. Como alguém pode perder isso?

Está bastante claro agora que foi a guerra na Ucrânia que atraiu o secretário de Defesa britânico Ben Wallace a Washington em uma visita secreta na terça-feira da semana passada. Wallace se encontrou com o conselheiro de segurança nacional dos EUA, Jake Sullivan, seguido de reuniões no Pentágono, no Departamento de Estado e nas agências de espionagem.

Seguiram-se dois comunicados de imprensa da administração Biden – transcrição da reunião Sullivan-Wallace e uma declaração do presidente Biden, fixada na saída de Liz Truss como primeira-ministra do Reino Unido, reafirmando a aliança anglo-americana. A coisa impressionante foi que nenhuma das declarações cuspiu fogo. No entanto, os EUA e a Grã-Bretanha estão no meio de uma guerra que, segundo Biden, está se aproximando do Armagedom.

Ao retornar a Londres, Wallace não perdeu tempo para fazer uma declaração sobre a Ucrânia na Câmara dos Comuns, na quinta-feira. Embora não esteja diretamente relacionada à sua visita a Washington, a declaração de Wallace irradiava de suas consultas com altos funcionários dos EUA.

A declaração aderiu amplamente à narrativa triunfalista ocidental da guerra na Ucrânia no sentido de que “a campanha terrestre da Rússia está sendo revertida. Está ficando sem mísseis modernos de longo alcance e sua hierarquia militar está se debatendo. Está lutando para encontrar oficiais subalternos para liderar as fileiras.”

No entanto, no final, Wallace mudou abruptamente de rumo, expressando apreciação pela forma como o ministro da Defesa russo, Sergey Shoigu, lidou com o “engajamento potencialmente perigoso” em 29 de setembro entre um avião espião da RAF RC-135W Rivet Joint “em patrulha de rotina” sobre o Mar Negro, que “interagiu” com dois caças russos Su-27 armados quando um dos jatos russos lançou um míssil nas proximidades do avião britânico “além do alcance visual”. Wallace mencionou a importância crucial de manter as linhas de comunicação abertas para Moscou (aqui está o registro Hansard).

Significativamente, um dia depois, o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, fez um telefonema para Shoigu, o primeiro contato desse tipo em mais de cinco meses. Aparentemente, Austin e Wallace têm em comum a opinião de que é hora de retomar as conversas com Moscou.

transcrição do Pentágono apenas disse que Austin “enfatizou [para Shoigu] a importância de manter linhas de comunicação em meio à guerra em andamento contra a Ucrânia”.

De fato, Austin também teve o cuidado de informar seu colega ucraniano Oleksii Reznikov sobre sua ligação inicial com Shoigu e “reiterar o compromisso inabalável dos EUA em apoiar a capacidade da Ucrânia de combater a agressão da Rússia.

“O secretário Austin também destacou o apoio contínuo da comunidade internacional na construção da força duradoura da Ucrânia e na salvaguarda da capacidade da Ucrânia de se defender no futuro, conforme demonstrado pelos compromissos de assistência à segurança assumidos por aliados e parceiros na mais recente reunião do Grupo de Contato de Defesa da Ucrânia em 12 de outubro. Os dois líderes se comprometeram a manter contato próximo”, anunciou o Pentágono.

Curiosamente, dois dias depois, no domingo, foi a vez de Shoigu fazer uma ligação para Austin. Mas desta vez, a transcrição do Pentágono esclareceu que “o secretário Austin rejeitou qualquer pretexto para a escalada russa e reafirmou o valor da comunicação contínua em meio à guerra ilegal e injustificada da Rússia contra a Ucrânia”.

E uma hora depois de receber a ligação de Shoigu no domingo, Austin entrou em contato por telefone com Wallace “para reafirmar a relação de defesa EUA-Reino Unido e a importância da cooperação transatlântica. A conversa de hoje foi uma continuação de sua discussão no Pentágono na semana passada, que cobriu uma ampla gama de prioridades compartilhadas de defesa e segurança, incluindo a Ucrânia”.

Presumivelmente, o nevoeiro da guerra está se adensando. Ou, possivelmente, Austin ficou com a pulga atrás da orelha, pois Shoigu no domingo também fez ligações para três outras capitais da OTAN – Paris, Ancara e Londres – onde discutiram a situação na Ucrânia “que está se deteriorando rapidamente” e Shoigu transmitiu “preocupações sobre possíveis provocações da Ucrânia com o uso de uma ‘bomba suja’” (aqui).

É importante ressaltar que a transcrição britânica disse que Wallace reiterou a Shoigu o “desejo do Reino Unido de diminuir esse conflito … e o Reino Unido está pronto para ajudar”.

É perfeitamente concebível que tudo isso possa ser as preliminares de um encontro entre o presidente Biden e o presidente Putin à margem da cúpula do G20 em Bali, na Indonésia, nos dias 15 e 16 de novembro, o que parece cada vez mais provável.

    Mas há também o pano de fundo de uma enorme construção militar russa na região de Kherson, no sul da Ucrânia, na direção de Nikolaev (e, possivelmente, Odessa). Ao contrário dos relatos da mídia ocidental, a imagem real é que no lado ocidental do Dnieper, os russos podem ter estabelecido uma grande presença de tropas, na casa das dezenas de milhares, com apoio logístico que mantém a linha de frente totalmente suprida e as forças de reserva apoiando. A linha de defesa russa está supostamente endurecendo em toda a frente de Kherson com a implantação de armamento, blindados e carros de combate.

    O prefeito de Nikolaev (também conhecida como Mykolayiv) Oleksandr Syenkevych, um oficial ucraniano, ordenou a evacuação da população civil da cidade enquanto o bombardeio russo continua. Ele disse a Christian Amanpour que os tanques russos já estão nas proximidades do aeroporto da cidade (aqui).

    Evidentemente, as coisas estão caminhando para uma grande escalada em meados de novembro. A captura de Nikolaev abre caminho para que as forças russas avancem em direção a Odessa 110 km a sudoeste. O controle de Nikolaev e Odessa significaria o controle da costa do Mar Negro da Ucrânia e a negação do acesso aos navios de guerra da OTAN baseados na Romênia e na Bulgária.

    Evidentemente, apesar da narrativa triunfalista da mídia ocidental, o quadro geral está se voltando contra o eixo EUA-Reino Unido. Wallace e Sullivan teriam ponderado sobre isso, com certeza.

    Mais uma vez, as rachaduras estão aumentando no sistema transatlântico, à medida que os países europeus percebem que foram vítimas da grande estratégia de hegemonia dos EUA. Há uma amargura crescente de que as companhias petrolíferas americanas estão obtendo lucros inesperados.

    A próxima visita do chanceler alemão Olaf Scholz à China é uma declaração maciça a favor da globalização, desafiando a estratégia de “dissociação” do governo Biden da China. Isso sinaliza uma mudança sutil e um retorno ao pragmatismo na política da Alemanha para a China. Dados oficiais mostram que o comércio China-UE superou US$ 800 bilhões pela primeira vez em 2021 e o investimento bidirecional ultrapassou US$ 270 bilhões em termos cumulativos. Nos primeiros oito meses de 2022, o comércio bilateral atingiu US$ 575,22 bilhões, um aumento de 8,8% e o investimento da UE na China aumentou 121,5% em relação ao ano anterior, para US$ 7,45 bilhões.

    A fadiga da guerra também está se tornando uma realidade convincente. A UE prometeu 1,5 bilhão de euros para a Ucrânia, mas por quanto tempo ela pode carregar esse fardo anual quando suas próprias economias estão em recessão? A economia do Reino Unido está à beira do colapso.

    Depois, há o fator “X”: sabotagem dos gasodutos Nord Stream. Putin não teria apontado o dedo para os EUA sem evidências corroborativas. O Kremlin disse na sexta-feira que a “verdade” por trás das explosões do mês passado nos gasodutos Nord Stream “certamente surpreenderá muitos nos países europeus se for divulgada”.

    A conclusão é que Austin quebrou o gelo na quinta-feira em consulta com Wallace e com a aprovação de Biden. Em tom conciliatório, a Casa Branca também divulgou uma declaração extraordinária de Sullivan nesta sexta-feira expressando agradecimento pela “votação rápida e unânime em apoio à resolução do Conselho de Segurança proposta pelo México e pelos Estados Unidos, de impor medidas de sanções e responsabilizar os atores que estão minando a estabilidade no Haiti”.

    Na verdade, não é incrível que a Rússia tenha votado a favor de uma resolução dos EUA impondo sanções contra mais um país do Sul Global?

    Com as eleições de meio de mandato logo à frente e a quase certeza da candidatura de Donald Trump ao segundo mandato como presidente, a própria bússola de Biden será redefinida. O discurso de Biden na Sala Roosevelt na sexta-feira sobre redução do déficit projetou a historicidade de sua “visão econômica”.

    Basta dizer que quando Shoigu mencionou a “bomba suja” da Ucrânia a três ministros da OTAN na Europa, ele estava apenas ecoando o que alguns americanos pensativos têm dito ultimamente, a saber, que o interesse vital dos EUA em evitar a guerra com a Rússia com armas nucleares “pode em breve colidir com os objetivos estratégicos de guerra da Ucrânia – ou seja, a recuperação total da Crimeia e do Donbass”, como Patrick Buchanan, o influente ideólogo do Partido Republicano, escreveu na revista American Conservative no fim de semana.

    Com certeza, há uma lufada de aromas frescos e suaves no ar. Ele pressagia um início de primavera? Mas para ser o advogado do diabo, qualquer suspensão da grande ofensiva russa neste momento pode agitar um ninho de vespas em Moscovo. Talvez, isso também faça parte do plano de jogo anglo-americano.


    Publicado no Indian Punchline.


    *M. K. Bhadrakumar foi diplomata de carreira por 30 anos no Serviço de Relações Exteriores da Índia. Serviu na embaixada da Índia em Moscou em diversas funções e atuou na Divisão Irã- Paquistão-Afeganistão e na Unidade da Caxemira do Ministério das Relações Exteriores da Índia. Ocupou cargos nas missões indianas em Bonn, Colombo, Seul, Kuwait e Cabul; foi alto comissário interino adjunto em Islamabad e embaixador na Turquia e no Uzbequistão.


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