Um Ano Novo sem gás barato!

(João-MC Gomes, In VK, 02-01-2025, revisão da Estátua)


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A decisão da Ucrânia de não dar continuidade ao contrato de fornecimento de gás natural para a Europa vindo da Rússia, apresenta um desafio significativo não apenas para a Ucrânia, mas para a segurança energética de toda a Europa. A questão exige uma análise cuidadosa e uma abordagem estratégica que envolva uma conciliação de esforços das nações europeias – principais prejudicadas – para garantir que, enquanto alternativas viáveis não estiverem plenamente desenvolvidas, o continente consiga mitigar os riscos associados a essa interrupção no fornecimento de gás barato russo.

A Ucrânia, historicamente, tem sido uma importante via de passagem para o gás natural russo que abastecia a Europa. A hipótese de retaliação russa, através da destruição ou concretizando o fim da utilização dessa infraestrutura de gasodutos, agravada pela já precária situação geopolítica, expõe o país a um cenário onde a sua própria rede energética poderá ser severamente afetada.

A destruição eventual dos seus gasodutos, em especial em tempos de guerra ou conflito, agrava ainda mais as dificuldades internas já há muito sentidas. A Ucrânia será forçada a recorrer a fontes externas, como gás natural liquefeito (GNL) importado via países vizinhos, ou a tentar aumentar a sua própria produção interna, o que, sem uma infraestrutura adequada, se mostra uma solução de médio a longo prazo. Ainda a hipótese dos navios transportadores de GNL – via Mar Morto – serem destruídos está no horizonte de uma guerra que está ainda longe de terminar. Ou seja, ao querer “fechar” a torneira do gás russo para a Europa, Zelensky pode ter dado um enorme tiro certeiro contra a sua própria politica e economia.

Entretanto, a simples busca por alternativas externas não resolverá os problemas energéticos da Ucrânia no curto prazo. O GNL, embora uma fonte importante de gás, requer uma complexa infraestrutura de importação e distribuição, que a Ucrânia ainda não possui de forma robusta. Enquanto as nações da União Europeia têm investido em terminais de regaseificação e gás reverso de vizinhos como Polónia, Eslováquia e Hungria, essas soluções dependem de interconexões que são limitadas em sua capacidade, e a logística de transporte de GNL através da região é uma operação cara e de longo prazo.

Se a Ucrânia não conseguir restaurar ou ampliar as suas opções de importação, a sua vulnerabilidade energética crescerá substancialmente, tornando o país ainda mais dependente de fornecedores externos e expondo sua economia a choques no mercado de energia. E ainda existe a ameaça de retaliação de alguns dos seus atuais aliados que já ameaçaram deixar de fornecer energia elétrica à Ucrânia, como o caso da Eslováquia.

Além disso, a opção de recorrer a fontes renováveis, como energia solar e eólica, embora necessária e vantajosa para a sustentabilidade a longo prazo, não substituirá rapidamente a necessidade de gás natural, especialmente em períodos de alta procura ou em climas mais rigorosos. O aumento da produção doméstica de gás também enfrenta barreiras significativas, incluindo a falta de investimentos e a infraestrutura necessária para extrair e distribuir esse gás de forma eficiente.

A Europa, por sua vez, enfrenta um dilema semelhante. Embora os países da União Europeia se tenham esforçado para diversificar suas fontes de energia, aumentando a importação de GNL dos EUA, Qatar, Nigéria e outros países produtores, o mercado de gás permanece volátil e os preços tendem a ser mais elevados devido aos custos de liquefação e transporte.

A interrupção do fornecimento russo pode, portanto, colocar pressão adicional sobre a procura de GNL, levando a aumentos nos custos e impactando diretamente a economia dos países europeus, especialmente aqueles que dependem fortemente de gás para aquecimento e geração de eletricidade.

A solução para a questão do término do contrato de gás entre a Rússia e a Ucrânia passará, inevitavelmente, por uma conciliação de esforços entre as nações europeias. Será necessário coordenar a construção de novas infraestruturas de importação de GNL, melhorar as interconexões entre os países da UE, e acelerar o investimento em fontes de energia renováveis e alternativas. O apoio à Ucrânia para restaurar a sua capacidade interna de produção e distribuição de gás, assim como sua integração mais profunda ao mercado energético europeu, também será muito difícil atendendo aos custos da guerra – já enormes – embora sendo fundamental para que o país possa atravessar a transição energética sem comprometer a sua segurança energética e militar. Ou seja, a Ucrânia – com esta medida de não aceitar o passagem do gás russo para a Europa – pode ter sido autoderrotada pela via da sua politica energética.

Entretanto, é preciso ser realista quanto ao tempo necessário para que as soluções de longo prazo se concretizem também para a própria Europa. Se a Ucrânia corre o risco de sofrer um impacto energético negativo no futuro próximo – se não houver uma colaboração eficaz e urgente entre os países da União Europeia – a própria Europa verá com dificuldades a solução para as suas necessidades dessa energia.

A conciliação de esforços, a solidariedade entre os membros da UE e a visão estratégica para diversificar as fontes de energia – que são os pilares sobre os quais o futuro energético da Ucrânia e da Europa deve ser construído – podem claudicar rapidamente. Isso provocará a maior crise energética dos últimos anos e os cidadãos europeus verão como a sua vida económica se degradará com o aumento da inflação e dos custos de produção.

Quantos génios produziu Portugal?

(Carlos Matos Gomes, in Facebook, 30/10/2022)

Pergunta-me o agora Meta o que estou a pensar. Na hora que ganhei, pensei no génio. Quantos génios produziu Portugal? Concluí que Herman José é um dos génios portugueses a rever, em programas de TV que tinha deixado para melhor ocasião.

Não existe um consenso mínimo para definir o génio. Existe a ideia que cada um de nós faz do que é génio. O génio é alguém com uma aptidão fora da norma para uma qualquer atividade, conjugar notas de música, sons, cores, movimentos, dados abstratos. Alguém que vê o mundo de um ponto de vista único, que, em vez de “captar” conceitos corriqueiros troca as perguntas para encontrar respostas que são evidentes apenas depois de eles as apresentarem.

Karl Jaspers, um dos grande filósofos do século XX, realizou um estudo comparativo das trajetórias de vida e artísticas de vários artistas geniais, entre eles Strindberg e Van Gogh e descobriu em todos eles um caráter visionário acompanhado de interrogações sobre a realidade. O génio artístico seria, assim, associado a uma «tipología esquizofrénica», que faz dele um percursor de acontecimentos, alguém que desempenha o papel dos antigos oráculos, ou dos animais míticos como os corvos, as corujas. Portugal tem os seus génios, adequados à interpretação da realidade em cada tempo e circunstância.

Eu elaborei a minha lista particular: Gil Vicente, o padre António Vieira, Fernando Pessoa, Amália Rodrigues e Herman José. Não são muitos. Não há génios na pintura – talvez Amadeo de Souza Cardozo -, nem na música, nem na arquitetura, nem na ciência – talvez Pedro Nunes.

Talvez cause surpresa a inclusão de Herman José num tão restrito número de “génios portugueses”. Julgo que Herman José, fruto, se quisermos encontrar explicações para o que é inexplicável, do cruzamento de culturas em que nasceu e viveu, da sua educação, viu desde muito cedo a sociedade portuguesa por dentro e por fora. Adquiriu uma visão 3 D. Depois foi dotado com as aptidões excecionais para expressar essas visões, inteligência, capacidade para conjugar conhecimento com realidade, dotes físicos, coordenação motora, voz, ouvido, coragem para se exibir, arrogância quanto baste para se impor e ser o centro das atenções e a estrela do espaço em que se move. E, finalmente, o instinto do matador de mediocridades. Um pícaro aristocrata como não houve em Portugal e haverá muito poucos no mundo.

Os seus programas na TV são um retrato do Portugal do seu tempo, do nosso tempo. Ele é o grande historiador contemporâneo. Os seus programas são os autos vicentinos do Portugal pós 25 de Abril. São as farsas dos autos da Índia (adultério, dissolução de costumes e falsa moral como consequência dos Descobrimentos) e de Inês Pereira (o oportunismo e a ausência de princípios: “mais quero asno que me leve que cavalo que me derrube”) que descobriram os podres do que era apresentado como uma epopeia e uma luta pelo Bem. As suas personagens são as personagens de Gil Vicente, e, nalguns casos, as de Eça de Queiroz. São as figuras refinadas do subversivo Vilhena e do pícaro Luiz Pacheco. Herman José reúne todas essas personagens e constrói com elas um painel genial, o que o tríptico de Nuno Gonçalves não consegue ser, porque a Gonçalves lhe faltava o humor, a inteligência e a perversidade de Herman.

A mais recente obra da genialidade de Herman José consistiu na transformação em esfregões de limpar o chão dos típicos comentadores arregimentados pelas TVs para fazer a propaganda da guerra na Ucrânia.

É como capachos que ele reencarna o comentador da bola José Esteves, agora de barba e cabelo branco a perorar, a babar-se e asneirar num lar da terceira idade, com um olhar desconfiado, a dar as deixas para o excelente Manuel Marques recuperar a personagem de Zé Manel, o taxista que sabe tudo e fala pelos cotovelos, agora com ar de polidor de esquinas a quem saiu a raspadinha, ou que coloca a Maria Rueff no trono da pivôa Beleza de Sousa.

Herman José conseguiu em menos de um quarto de hora esfrangalhar a manipulação que tem sido a informação das TVs sobre a guerra da Ucrânia. Tudo ficou a nu, reduzido à farsa que se esconde sob o nome de informação. E, por último, para quem não tenha querido entender o que ele disse ao apresentar aquele genial sketch explicou no programa “Primeira Pessoa”, de Fátima Campos Ferreira, que a informação é hoje um negócio e que para dar lucro e pagar os salários aos pivôs vedetas há que vender as notícias que as audiências querem. Deu como exemplo da degradação a Fox News.

Foi delicado com os seus colegas das Tvs, um ato de misericórdia.

Ver o vídeo aqui. Ligue o som se estiver desligado.

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O segredo é a T-Shirt

(Carlos Matos Gomes, in Facebook, 28/10/2022)

Elon Musk é o mais rico oligarca do planeta. Anda de T-Shirt a carregar mobílias. É o dono ou título equivalente, tipo CEO, de empresas como a Starlink (redes de satélite), SpaceX (lançadores/foguetões e até turismo espacial), Pay Pal, banco online, Tesla automóveis, entre outras empresas que trabalham para o bem da humanidade.

É a sua rede Starlink, privada, mas subsidiada pelo governo americano, que fornece as redes de comunicações, internet, satélites espiões, satélites de comunicações, guiamento, rastreio das forças nacionais e internacionais que estão na guerra da Ucrânia a combater a Rússia ao serviço do “Ocidente”. Elon Musk queixou-se há tempos que o Zelenski , também um oligarca à escala local, e acima de tudo, um amigo de oligarcas, que veste igualmente T-Shir,t não lhe pagava os seus serviços e que era ele quem pagava parte da guerra da Ucrânia do seu bolso, talvez através do Pay Pal. Pagava os essenciais serviços de informações e artilharia de vários tipos do colega (de T-Shirt) da Ucrânia, e que ia apagar as velas.

De repente, apareceu o dinheiro, ou desaparecera as queixas de calote do Elon Musk e também as dificuldades com autorizações das autoridades federais de comunicações dos EUA para a compra da rede Twitter, o que o oligarca da T-shirt preta fez recentemente com 44 mil milhões de dólares, vindos de qq parte e para alegria do oligarca de Kiev, cantor e tocador de viola em pelo, que usa agora T shirt verde azeitona. Isto é, além das aparições na internet à borla também pode twitar à vontade e sem limite.

É evidente, por estes relacionamentos que a guerra na Ucrânia revela são em defesa dos nossos principios, os Ocidentais, da humanidade, dos pobres que querem ser livres e que todos somos Ucrânia como diz a nova Nossa Senhora, Ursula Van der Leyen, que ainda um dia destes nos irá surpreender com uma T-shirt amarela, ao lado do zombie Borrel, de azul pavão.

Usem T-shirts, vão a Carcavelos, mas de Tesla e apareçam na televisão a reclamar contra os aumentos de preços! Exceto de T-shirts, claro.


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