Terá Rumsfeld ressuscitado?

(Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 21/02/2023)

A importância que a Administração Biden tem vindo a atribuir a Varsóvia sugere a intenção de aprofundar o projeto da “Nova Europa” proclamado por Rumsfeld há duas décadas, em detrimento das relações com os dirigentes da “Velha Europa”.


Embora não tenha sido o falecido Secretário de Defesa norte-americano Donald Rumsfeld o autor da expressão “Velha Europa”, foi ele quem a popularizou, no ido ano de 2003, quando procurava apoios internacionais para legitimar a invasão do Iraque, ao referir-se à oposição da Alemanha e da França a essa grosseira violação do Direito Internacional, que não lhe faltaram nos países do antecedente pertencentes à União Soviética ou ao bloco de Leste.

Afinal não havia uma, mas sim duas Europas. Uma “velha” e esclerótica, que jazia no Ocidente da península europeia e uma “nova” diligente, e cheia de energia situada a Oriente, manobrável sem restrições pelos EUA contra a Rússia, à cabeça da qual se encontrava a Polónia.

Dizia Rumsfeld que o centro de gravidade da NATO na Europa se tinha deslocado para Leste, onde “há muitos membros novos. O que vemos ao pegar na lista dos membros da NATO e dos que foram recentemente convidados? Vinte e seis, algo assim? A Alemanha tem sido um problema, a França tem sido um problema”. Rumsfeld terá mesmo chegado a dizer que estes países não eram importantes.

Biden está esta semana na Europa. Vai permanecer dois dias na Polónia, depois de uma visita surpresa a Kiev, onde estão previstas reuniões com o Grupo “Bucharest Nine”, uma organização informal fundada a 4 de novembro de 2015, em Bucareste, pelos presidentes da Roménia e da Polónia, que integra a Bulgária, República Checa, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia e Eslováquia. Ou, se quisermos, a “Nova Europa”.

Surpreendentemente, não se encontram previstos na agenda encontros com outros dirigentes europeus, nomeadamente franceses, alemães ou pertencentes às instituições europeias, nomeadamente da Comissão Europeia. Já em março de 2022, Biden tinha estado em Varsóvia.

A estratégia promovida por Washington de dividir a Europa em duas Europas passa por alimentar o revanchismo polaco, assim como as suas ambições geoestratégicas. Nesta senda, a Polónia tornar-se-á brevemente numa potência militar incontornável. As forças armadas polacas estão a modernizar-se a um ritmo estonteante. O orçamento de Defesa deverá chegar brevemente aos 4% do PIB. Varsóvia pretende criar o maior exército da Europa: 300 mil soldados contra os atuais 114 mil. “A Polónia tem aproximadamente três vezes mais carros de combate do que o Reino Unido (647 vs. 227) e encomendou centenas de carros de combate Abrams aos EUA e cerca de mil K2 à Coreia do Sul”.

A importância que a Administração Biden tem vindo a atribuir a Varsóvia sugere a intenção de aprofundar o projeto da “Nova Europa” proclamado por Rumsfeld há duas décadas, privilegiando as relações com a Polónia em detrimento das relações com os dirigentes da “Velha Europa”.

Com a guerra na Ucrânia, a ambição de autonomia estratégica europeia desvaneceu-se. A Europa deixou de ser percebida por Washington como um competidor geoestratégico e, consequentemente, como um “perigo”, tendo como alvos preferenciais a Alemanha e a França, por esta ordem. Por outras palavras, o eixo franco-alemão, ou, se quisermos, a “Velha Europa” perdeu relevância política e estratégica.

Há quem defenda ter sido a destruição dos Nord Stream (casus beli?!) o toque de finados no projeto europeu. Sem menosprezar a relevância geoestratégica do acontecimento, argumento que a maior ameaça ao aprofundamento do projeto europeu tem sido o apoio prestado por Washington às aspirações hegemónicas de Varsóvia, influenciadas pelas ideias do general Jozef Pilsudski, ou seja, à afirmação da “Nova Europa”.

O crescendo de arrogância e sobranceria de Varsóvia no relacionamento com Berlim é claro e evidente, por exemplo, na exigência de reparações de guerra no valor de 1,3 triliões de euros, ou nos termos diplomaticamente pouco elegantes como pressionou a Alemanha a autorizar a libertação de carros de combate para a Ucrânia.

A NATO e a União Europeia (UE) são e continuarão a ser a primeira opção estratégica de Varsóvia. Mas a participação da Polónia nesses projetos não visa a sua consolidação, mas beneficiar deles em proveito da afirmação das suas opções geoestratégicas, como se verifica nas suas aquisições de material militar noutras latitudes que não a europeia.

Estes desenvolvimentos – Velha e Nova Europa – não auspiciam um futuro promissor para os europeus, para o que muito contribuem as lideranças europeias, de forma geral medíocres e pouco esclarecidas, como ficou patente no discurso do Alto-Representante da UE Josep Borrell na Conferência de Segurança de Munique, em que defendeu a necessidade de rever a Carta das Nações Unidas.


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Os riscos de atirar pedras às janelas do vizinho

(Carlos Matos Gomes, in Medium.com, 22/02/2023)

Cão a ladrar à Lua (Miró)

Os conceitos de Estado e de Soberania tal como hoje os conhecemos surgiram no séc. XVI. Principalmente com «Os Seis Livros para a República», de Jean Bodin (1530–1596), o conceito de soberania integrava as características do poder absoluto com uma unidade que se sobrepõe à complexa rede de suseranias, de laços hierárquicos pessoais, ao parcelamento da autoridade, à confusão entre poderes públicos e privados existentes no feudalismo. O poder soberano passou a ser entendido como estando acima de tudo, como sendo um poder absoluto, autossuficiente, que não se sujeita a outro poder.

A invocação do direito de soberania da Ucrânia assenta nesta interpretação anacrónica e, acima de tudo, mistificadora, pois nunca existiu um tal tipo de soberania no Ocidente, nem no tempo do império romano, desde logo porque havia o papado de Roma como autoridade supranacional, e depois as alianças entre estados, de que a aliança luso-britânica foi um dos primeiros casos e a NATO e União Europeia os mais recentes.

O Estado moderno europeu nasceu depois da Guerra dos Trinta Anos (1618–1648), que veio a dar origem ao Tratado de Vestefália (1648) com requisitos específicos: ser nacional (povo e território), secular e soberano, esta condição entendida como «poder supremo e aparentemente ilimitado dando ao Estado capacidade não só para vencer as resistências internas à sua ação como para afirmar a sua independência em relação aos outros Estados».

Nos dias de hoje estas condições estão muito limitadas pela globalização. Nenhum Estado, nem mesmo as superpotências, como se vê na guerra na Ucrânia, é independente e dispõe de um poder absoluto. Todos são cada vez mais interdependentes e integrados em redes de organizações internacionais. Querer fazer de um estado quase falhado e dependente como era a Ucrânia, um estado dotado de poderes soberanos absolutos, como o de ameaçar o vizinho, alugando o seu território a um inimigo, é um ato que apenas tem justificação na medida em que quem morre pela causa americana são ucranianos, porque os mortos russos contam como elementos de desgaste do inimigo russo, um dos objetivos de quem patrocina a guerra por procuração.

A justificação para esta guerra do Ocidente alargado, sob o comando dos Estados Unidos, contra a Rússia para defender a soberania da Ucrânia é uma narrativa de herói de banda desenhada, ou de jogo de computador com muitos efeitos especiais, mas tem tanto de verdade quanto ade um assaltante de residências dar pedras a um pequeno rufia para ele ir partir as janelas da casa do polícia do bairro, justificando a oferta com a invocação da maldade intrínseca do polícia, que um dia, no futuro, atacará o rufia e prometendo-lhe mais pedras e maiores, ou até uma fisga!

A perversão do conceito maximalista de soberania tem raízes na matriz que a impôs como um direito geral e planetário. A igualdade entre os Estados-Soberanos consta do parágrafo primeiro, artigo segundo da Carta da Organização das Nações Unidas (ONU) que reza: “a Organização das Nações Unidas é baseada no princípio da igualdade soberana de todos os seus membros.” Mas há uns mais iguais que outros, os membros do Conselho de Segurança, que dispõem de direito de veto sobre as resoluções! E não existe nenhuma entidade de julgamento e punição das violações, o que torna a declaração um manifesto de boas intenções, na linha das normas de Santo Agostinho para a guerra justa. A realidade nega as doces palavras: A soberania não tem o mesmo valor para todos os membros. Cuba ou a Republica Dominicana não têm o mesmo estatuto de soberania dos Estados Unidos, a Ucrânia não tem os mesmos direitos de soberania da Rússia e o Tibete não tem os mesmos da China. São factos! O exercício da soberania exige meios e não sermões.

Outro truque de manipulação é o de confundir duas estâncias do exercício da soberania, a soberania interna e a externa. A força do Estado é relativamente autónoma no âmbito interno, mas no plano externo é necessário que os demais estados o reconheçam como pessoa internacional, o que exige que seja demonstrada a sua independência de outros. O que se observa hoje no mundo é que a soberania de muitos estados não passa de mera formalidade, o que inclui estados falhados, estados vassalos e estados provocadores.

Os Estado Unidos utilizaram Zelensky e os seus patrocinadores como dirigentes de um estado provocador, sem lhes dar os meios para sustentarem a provocação, como Israel o conseguiu. Mas o regime sionista de Israel foi instaurado em 1948 e o primeiro grande provocação aos vizinhos ocorrerá com a Guerra dos Seis Dias, em 1967, quase vinte anos depois e a Guerra do Yom Kipur em 1973, vinte e cinco anos mais tarde. A utilização da Ucrânia como elemento provocador ocorreu oito anos após a implantação do atual regime na sequência da agitação da Praça Maidan, em 2014, um espaço de tempo muito curto para preparar uma provocação consistente, resistir e alcançar um estatuto de estado soberano que seja mais temido do que amado. O resultado está à vista.

A Ucrânia é hoje uma estado que serve ao Estados Unidos como o Grupo Wagner serve a Rússia. Os ucranianos são pagos e armados pelos EUA como os wagnerianos o são pela Rússia. A Ucrânia, o povo, sofrerá por conta de Zelensky para ficar a saber que a soberania não é um direito abstrato, nem absoluto, e que, dado os estados, ao contrário das famílias não poderem mudar de casa, necessitavam de boa vizinhança, de não dar passos maiores do que as pernas e não confiar na proteção de quem quer tirar castanhas do lume sem queimar as mãos.


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Putin para os inimigos da Rússia: Chegando!

(Dmitry Orlov, in Sakerlatam.org, 21/02/2023)

Uma boa maneira de determinar se você ainda está vivo é perguntar se ainda consegue sentir admiração e espanto ao observar as mudanças que varrem o mundo. A maioria dessas mudanças é gradual e difícil de detectar como parte de sua experiência cotidiana e, portanto, é útil quando alguém importante fica na sua frente por uma hora, como Putin fez hoje perante a Assembleia Federal da Rússia, e explica exatamente o que aconteceu e exatamente o que vai acontecer. Também é bastante divertido: Putin é alguém naturalmente irreprimível e se recusa a se conter. Seu russo também tem um tremendo alcance dinâmico: em um momento ele soa como um garoto malandro das ruas violentas de Leningrado, e em outro momento ele soa como um advogado e um tecnocrata consumado, estudioso literário ou mesmo um estudante de teologia. Bem, ele é todas essas coisas. Goste dele ou o odeie (poucas pessoas conseguem se sentir neutras em relação a ele), mas ele é difícil de ignorar. Até porque, como é de praxe, em seu discurso anual à Assembleia Federal não faltava o que os linguistas chamam de performativos — afirmações que não exprimem opinião nem transmitem informações, mas, na verdade, transformam a realidade de maneiras específicas. E é importante saber sobre isso, especialmente se você mora em um dos países cujos líderes (muito estupidamente) decidiram ser inimigos da Rússia, já que, no final das contas, é a sua bunda que está em jogo. Você pode ficar maravilhado com o incrível líder cujo nome é Vladimir Putin (não há nada para detê-lo), mas, mais especificamente, sinto que é meu dever humanitário avisá-lo do que provavelmente acontecerá antes que alguém grite “Chegando!” Dessa maneira, você pode formular um plano melhor do que apenas se cobrir com um lençol branco e rastejar lentamente em direção ao cemitério (para não causar uma debandada na qual alguém possa ser pisoteado). E assim…

…vamos começar do mais importante: Putin anunciou que a Rússia está suspendendo sua participação no tratado START-3. Isso é “Tratado entre os Estados Unidos da América e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas sobre a Redução e Limitação de Armas Ofensivas Estratégicas, nº 3.” Este tratado remonta à era soviética, mas em 3 de fevereiro de 2021 os EUA e a Rússia concordaram em estendê-lo até 5 de fevereiro de 2026. Putin estipulou os termos sob os quais a Rússia consideraria retornar ao tratado: deve levar em consideração ofensiva estratégica capacidades de todos os países da OTAN, não apenas dos EUA. A Grã-Bretanha e a França também têm armas nucleares, embora nenhuma delas seja muito nova, e Washington tem a tendência de implantar suas armas nucleares para qualquer lugar que quiser, incluindo outros países da OTAN, como Alemanha e Turquia, e isso é um problema. Putin ridicularizou os apelos da OTAN para que a Rússia permitisse que seus especialistas inspecionassem instalações militares russas; depois que drones recentemente realizaram um ataque aos aeroportos russos que hospedam sua aviação estratégica, danificando alguns aviões (usando os ucranianos como proxies irracionais), tal pedido está além do ridículo. Talvez a Rússia devesse ser autorizada, como cortesia, a explodir um bando de bombardeiros estratégicos dos EUA, apenas para igualar o placar antes de iniciar as negociações? Não? Oh, bem… Putin também apontou que as armas estratégicas dos EUA estão muito além do prazo de validade (ele foi um pouco mais educado e circunspecto, mas essa era a essência, e aqueles que estão por dentro também sabem que ele estava sendo factual). Falando figurativamente, quando se trata de armas nucleares, o arsenal de Washington está em péssimo estado;as latas estão inchadas e as que estouraram cheiram muito mal e vazam substâncias nojentas.

Mais especificamente, existem alguns detalhes técnicos que podem ser compreendidos sem a necessidade de se tornar um nerd em armas nucleares. Os EUA têm zero (isso mesmo, zero!) fábricas que podem construir armas nucleares. Há alguma atividade artesanal acontecendo em alguns laboratórios (Los Alamos, Lawrence Livermore, Sandia e talvez Savannah River). Mas o que eles estão fazendo é muito triste: tentando manipular plutônio em porta-luvas. E sabemos que o plutônio (o que os EUA usam para fabricar bombas) estraga com o tempo (acumula isótopos que fazem uma bomba explodir durante a montagem, ou não explodir e apenas fazer uma grande bagunça) e não há como saber para separar isótopos de plutônio.

A completa falta de fábricas de armas nucleares significa que os EUA não têm como produzir plutônio novo. Também sabemos que os EUA nunca desenvolveram a capacidade de enriquecer urânio para o grau de armas (a única outra opção para fazer coisas nucleares que explodem), de modo que seu velho plutônio é tudo o que tem para brincar. Para satisfazer as necessidades de enriquecimento de urânio de seu grande número de antigas usinas nucleares (parece que não sabem mais como construir novas), os EUA contam com a Rosatom, monopolista nuclear estatal da Rússia (Sanções? Que sanções?) e em menor grau, com os franceses, que também dependem da Rosatom.

Tanto para os EUA; quanto ao resto da OTAN, os britânicos dependem dos EUA para seus mísseis balísticos Trident II e os franceses não testam uma arma nuclear desde 1996. Mas os EUA não apenas planejam manter suas bombas, mas também têm planos de desenvolver novas. Dadas as suas muitas limitações e a natureza de boutique de seu esforço de armas nucleares nos laboratórios nacionais, essas seriam mini-nucleares. Os russos sabem tudo sobre esses planos e alguns deles riem, lembrando-se de uma piada sobre um certo pó antimoscas americano patenteado. Para usá-lo, você pega uma mosca, conta piadas para fazê-la rir para que ela abra a boca e borrifa o pó na boca.

Seguindo em frente, se você tem algumas bombas nucleares, como os americanos têm, ou pensam que têm, embora a maioria delas tenha décadas e provavelmente tenha alguns ratos mutantes aninhados dentro delas (o plutônio está lá para mantê-los aquecidos), então você precisa ter alguns sistemas de entrega de armas. Ou seja, os EUA têm cerca de 400 mísseis Minuteman III e, após uma série de testes malsucedidos, realmente testaram um com sucesso, embora nunca saibamos com que nível de sucesso. O referido míssil foi selecionado “ao acaso” (claro, claro), transportado para uma instalação, “preparado” para o teste (todas as entranhas substituídas, com certeza) e disparado em uma direção aleatória (ou pelo menos havia uma pista no céu mostrada nas imagens das notícias). Se realmente atingiu alguma coisa, não sabemos; não havia imagens de homens fardados, armados com fitas métricas, medindo a distância entre as crateras da bomba (supostamente, três delas) lá no alvo especificado. De qualquer forma, são mísseis balísticos, o que significa que, uma vez terminada a fase de impulso, eles seguem uma trajetória balística que pode ser calculada com base em seu caminho inicial. Isso torna os mísseis balísticos fáceis de interceptar. Há também alguns mísseis Trident II lançados de submarinos, compartilhados com os britânicos (eles são cautelosos quanto ao número deles que ainda podem ser implantados), e esses também são mísseis balísticos. Por último, existem os bombardeiros estratégicos e os mísseis de cruzeiro. A maioria dos mísseis de cruzeiro são Tomohawks, que voam a uma velocidade de 550 mph positivamente (um Boeing 777 cheio de turistas gordos pode fazer melhor) e com base em seu uso na Síria, eles não são confiáveis ​​(um monte deles caiu no mar) e fáceis de interceptar mesmo usando sistemas de defesa aérea relativamente antigos da era soviética, para não falar dos novos sistemas russos. A maioria dos bombardeiros estratégicos são antigos B-52s que também não passam de 500 mph e um punhado de B-1B Lancers que são supersônicos, mas estão prestes a ser aposentados.

Agora vamos comparar isso com as defesas estratégicas da Rússia. Hoje Putin afirmou categoricamente que as forças estratégicas da Rússia são agora 93% novas. Outras filiais estão alcançando rapidamente. Não vou aborrecê-lo com todos os detalhes técnicos, mas a conclusão básica é que os EUA não têm nada que os russos não possam interceptar, enquanto a Rússia tem todo tipo de coisas que os americanos não têm capacidade de interceptar. O que isso significa é que, em um confronto nuclear iniciado pelos EUA, os russos resistirão à maior parte do ataque. Algumas armas nucleares podem realmente pousar em regiões periféricas, seja porque saem do curso ou porque o alvo estava muito longe para se preocupar, e ainda menos dessas armas nucleares disparariam como planejado, o resto fazendo pequenos buracos no chão ou uma bagunça quente nuclear. E então, em resposta, a Rússia manteria os EUA à sua mercê. O cenário oposto, de a Rússia lançar um primeiro ataque, seria contrário à doutrina nuclear russa.

Mas então houve a leitura de Putin da Lei do Riot: o Ocidente se cobriu de vergonha de que nunca conseguirá se livrar. Seu uso dos Acordos de Minsk para enganar o mundo sobre suas intenções pacíficas enquanto rearmava os militares ucranianos para o ataque foi o cúmulo da hipocrisia. Ele mimou e encorajou nazistas e terroristas, recusando-se a reconhecer atos explícitos e exibicionistas de genocídio – e não apenas na antiga Ucrânia – assim como havia feito com a Alemanha nazista na década de 1930. As guerras desnecessárias que lançou em todo o mundo até agora neste século resultaram em 38 milhões de refugiados (e, devo acrescentar, um número ainda maior de pessoas despojadas e deslocadas internamente).

Além do mais, os líderes ocidentais se orgulham de sua perfídia e falsidade, pensando que isso os torna tão espertos! Eles nunca superaram seu legado racista e colonialista, ainda dividindo o mundo em nações supostamente “civilizadas” e “democráticas” e o resto. Foram eles que iniciaram a guerra quente na ex-Ucrânia, armando os ucranianos e incitando-os a atacar o Donbass, e a Rússia interveio e está usando a força especificamente para parar a guerra. Putin expôs por que esta é uma guerra justa contra o Ocidente, que a Rússia vai vencer.

Para esse fim, Putin disse algo que os vizinhos estonianos da Rússia podem considerar importante, embora a atual safra de líderes verdadeiramente idiotas da Estônia, chefiada por Kaja Kallas, uma imbecil de classe mundial, provavelmente não aprecie isso. Recentemente, a OTAN considerou adequado instalar sistemas de foguetes de lançamento múltiplo HIMARS dentro da Estônia. Esses foguetes têm um alcance máximo de 300 km, enquanto São Petersburgo, a segunda maior cidade da Rússia, fica a 200 km da fronteira com a Estônia. Agora, o que Putin disse é o seguinte: “Quanto maior o alcance de suas armas, mais longe moveremos suas fronteiras.” Estonianos, por favor, façam uma escolha: livrar-se dos lançadores HIMARS ou GTFO [“Get the fuck out”, ou se lascarem em bandas – nota do tradutor]. Existe uma terceira escolha, é claro – morrer in situ – mas, visto que você foi avisado, essa seria uma escolha espetacularmente estúpida.

Falando em estupidez, enquanto esses assuntos europeus eram discutidos, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, teve dificuldade em manter os olhos abertos. Isso é compreensível a partir de duas perspectivas. Primeiro, Lavrov havia retornado recentemente de duas viagens rápidas consecutivas pela África, para ajudar a organizar a próxima cúpula Rússia-África a ser realizada em Sochi em julho. Com base nos resultados de sua visita, a África está solidamente no campo russo. Os africanos estão fartos do colonialismo europeu, do pós-colonialismo e do neocolonialismo e lembram-se que foi a URSS que os ajudou a conquistar a sua independência nacional. Lavrov foi seguido, alguns passos atrás, por representantes da União Europeia, que tentavam conter os estragos. Em segundo lugar, os europeus não são mais um assunto interessante para o diplomata Lavrov, simplesmente porque o Ocidente não deixou espaço para a diplomacia. O secretário de Defesa, Sergei Shoigu, por outro lado, ouviu atentamente. A conclusão a tirar disso é óbvia: a diplomacia com o Ocidente acabou; a partir de agora, é tudo sobre GUERRA. Eles mesmos o fizeram e agora podem servir-se. Daí esta popular camiseta: “Quem não quer falar com Lavrov falará com Shoigu.” E abaixo estão as citações diretas de cada um. Lavrov: “Malditos idiotas!” Shoigu: “Vamos colocá-lo onde quisermos.” Infelizmente, esse momento finalmente chegou! Daí esta popular camiseta: “Quem não quer falar com Lavrov falará com Shoigu.” E abaixo estão as citações diretas de cada um. Lavrov: “Malditos idiotas!” Shoigu: “Vamos colocá-lo onde quisermos.” Infelizmente, esse momento finalmente chegou!

Falando em estupidez um pouco mais, não há realmente ninguém no Ocidente com quem Lavrov ou Shoigu possam conversar. O que aconteceu com o Ocidente coletivo é um caso bizarro do princípio coletivo de Peter: “As pessoas em uma hierarquia tendem a subir até seu nível de respectiva incompetência”. Exceto que todos os líderes ocidentais que você desejar observar excederam em muito seu nível de respectiva incompetência. Veja o excelente Cadáver em Chefe, o Imperador Dementius Optimus Maximus. Ele não está apto para liderar um torneio de shuffleboard em uma comunidade de aposentados – muito senil. E embora você possa pensar que ele está cercado por pessoas super afiadas e de alto nível, elas são ainda piores do que ele, por terem concordado em servir sob o comando de um fantoche demente. Isso fica particularmente claro com a vice-presidente Kamala Harris: seu nível de competência era como acompanhante exótico; até que ponto ela ultrapassou essa estação na vida! O resto da Casa Branca, desde o Blinken perpetuamente estremecido até o secretário de imprensa idiota, está muito no nível dela. Olhando mais longe, temos o Sr. Rickshaw, o novo vice-presidente britânico, não eleito como o resto. Ele parece ser um cigano; ele pode fazer malabarismos, dançar e cantar ao mesmo tempo? Esse pode ser seu nível de competência; isso e insinuar-se com seus mestres brancos. Certifique-se de recontar os talheres em 10 Downing Street assim que ele partir! E a chefe da União Europeia, Ursula von der Leyen? Seu nível de competência era dar à luz a muitos filhos. Ela superou isso, primeiro tornando-se ginecologista (falem sobre como ela conseguiu isso!) [Ursula von der Leyen plagiou sua tese de doutoramento, sério, podem conferir aqui – nota do tradutor], e depois, aos trancos e barrancos, em seu trabalho atual. Ou pegue Josep Borrell, o Alto Representante para alguma coisa – certamente não diplomacia, pois ele é o bastardo mais rude que já sugou oxigênio. Seu nível de competência seria o de um recepcionista de bordel. E então há uma proliferação de senhoras / bimbos chiques: a já mencionada idiota Kaja Kallas, da Estônia prestes a ficar deserta, é perfeitamente copiada no Golfo da Finlândia pela igualmente talentosa Sanna Marin de festas sexuais patetas. Ela é muito estúpida para entender que, sem o comércio com a Rússia, a Finlândia não tem economia alguma – nunca teve, nunca terá. Quando os idiotas dizem para ela se juntar à OTAN (quebrando o tratado de paz da Finlândia com a Rússia e automaticamente retornando a um estado de guerra com ela), ela diz: “Posso tomar outro copo desse vinho, por favor?” Para fechar a lista, temos Olaf Scholz; seu nível de competência está em organizar orgias muito grandes e excêntricas. Agora, quem neste lote está lá para Shoigu, nem mencionemos Lavrov, para conversar? Eles apenas jogavam tortas de creme nele, depois escorregavam, caíam e expiravam em uma poça de seu próprio vômito. E então acho que eles terão que esperar que Shoigu “coloque onde quiser”.

Outras partes do discurso de Putin tratavam de assuntos internos da Rússia. A economia russa encolheu 2,1% ano a ano por causa das sanções ocidentais – mas isso foi tudo no primeiro trimestre; depois disso, ela se recuperou rapidamente. A inflação saltou para mais de 11% – novamente, tudo no primeiro trimestre, e depois caiu para 0% e não se mexeu desde então. O rublo está estável e realmente não se moveu desde antes do início da Operação Especial. A Rússia não precisa tomar empréstimos no exterior e não precisa imprimir dinheiro: tudo o que o governo precisa em termos de finanças está disponível por meio da economia de mercado doméstico. As exportações de energia desempenham um papel cada vez menor nas finanças russas e foram reorientadas para longe do Ocidente. O excesso de produção de gás natural está sendo redirecionado para atender às necessidades dos clientes rurais que atualmente aquecem com lenha ou com carvão. A renda individual mínima será aumentada em 18% até o início do próximo ano. Reformas nos transportes públicos estão definidas para acelerar. A substituição de importações de produtos e serviços de TI será dedutível de 150%, enquanto os empresários de TI já são tributados em 3% em vez de 20% e estão isentos do serviço militar. As empresas russas estão indo muito bem porque a saída apressada das empresas ocidentais do mercado russo abriu muitos novos nichos de mercado para eles se expandirem. E assim por diante. Basicamente, o plano ocidental para destruir a economia russa e ferir o povo russo a fim de inspirá-lo a derrubar seu governo foi além do ridículo.

Se há um elemento no discurso de Putin que me pareceu um pouco insincero, foi a afirmação de Putin de que a Rússia fez todo o possível para resolver o conflito na ex-Ucrânia por meio da diplomacia, enquanto o Ocidente usou a diplomacia estritamente como uma cortina de fumaça para rearmar os ucranianos. A Rússia também usou a diplomacia como cortina de fumaça para preparar o terreno para o milagre que se desenrolou ao longo do ano passado: apesar das “sanções infernais” ocidentais e da necessidade de reformular rapidamente o sistema financeiro e as relações comerciais, aumentar a produção de armas, renovar o sistema de recrutamento militar e realizar uma enorme quantidade de diplomacia intrincada para garantir que o mundo inteiro, menos o Ocidente, permaneça em boas relações com o país, a Rússia teve sucesso e está vencendo.

Sobre como a Rússia avançará em direção à vitória, aqui está uma citação exata: “passo a passo, com cuidado e consistência”. Durmam bem, inimigos da Rússia!

Fonte aqui


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