Manifesto pela Paz

(Alice Schwarzer e Sahra Wagenknecht, in Geopol.pt, 24/02/2023)

Alice Schwarzer e Sahra Wagenknecht iniciaram esta petição na Alemanha que conta já com mais de 600 mil assinaturas.


Hoje é o 352º dia de guerra na Ucrânia (10.2.2023). Mais de 200.000 soldados e 50.000 civis foram mortos até à data. Mulheres foram violadas, crianças assustadas, uma nação inteira traumatizada. Se os combates continuarem assim, a Ucrânia será em breve um país despovoado e destruído. E muitas pessoas em toda a Europa também têm medo de uma expansão da guerra. Temem pelo seu futuro e pelo dos seus filhos.

O povo ucraniano, brutalmente invadido pela Rússia, precisa da nossa solidariedade. Mas o que seria agora a solidariedade? Por quanto tempo mais tempo lutará e morrerá para continuar no campo de batalha da Ucrânia? E qual é agora, um ano depois, realmente o objectivo desta guerra? A ministra dos Negócios Estrangeiros alemã falou recentemente de “nós” a travar uma “guerra contra a Rússia”. A sério?

O presidente Zelensky não faz segredo do seu objectivo. Depois dos tanques prometidos, ele exige agora caças, mísseis de longo alcance e navios de guerra – para derrotar a Rússia em toda a linha? O chanceler alemão ainda assegura que não quer enviar nem caças nem “tropas terrestres”. Mas quantas “linhas vermelhas” já foram atravessadas nos últimos meses?

É de temer que Putin lance um contra-ataque máximo o mais tardar com um ataque à Crimeia. Estaremos então a descer inexoravelmente por um declive escorregadio em direcção à guerra mundial e à guerra nuclear? Não seria a primeira grande guerra que teria começado desta forma. Mas poderia ser a última.

A Ucrânia pode vencer batalhas individuais – com o apoio do Ocidente. Mas não pode ganhar uma guerra contra a maior potência nuclear do mundo. É também o que diz o oficial militar mais graduado dos EUA, o general Milley. Ele fala de um impasse em que nenhum dos lados pode vencer militarmente e a guerra só pode ser terminada à mesa das negociações. Então porque não agora? Imediatamente!

Negociar não significa rendição. Negociar significa fazer cedências, de ambos os lados. Com o objectivo de evitar mais centenas de milhares de mortos e pior ainda. Nós também o pensamos, metade da população alemã também o pensa. É tempo de nos ouvir!

Nós, cidadãos da Alemanha, não podemos influenciar directamente a América e a Rússia ou os nossos vizinhos europeus. Mas podemos e devemos pedir contas ao nosso governo e ao chanceler e recordar-lhe o seu juramento: “Evitar o mal do povo alemão”.

Exortamos o chanceler a parar a escalada das entregas de armas. Agora! Ele deve liderar uma forte aliança para um cessar-fogo e negociações de paz, tanto a nível alemão como europeu. Agora! Porque cada dia que perdeu custa até mais 1.000 vidas – e aproxima-nos de uma terceira guerra mundial.

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Um comício a 25 de fevereiro, às 14 horas, no Portão de Brandenburgo, foi organizado por Alice Schwarzer e Sahra Wagennecht juntamente com o Brigadeiro-General aposentado Erich Vad. Venham um, venham todos! www.aufstand-fuer-frieden.de


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A atribuição da Ordem da Liberdade a Zelensky revela um abuso de poder

(Por António Justo, in Geopol.pt, 24/02/2023)

Não estará MRS a alinhar no carnaval político a que nos acostumaram, transformando a Ordem da Liberdade numa distinção de Ordem Carnavalesca?


O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa decidiu atribuir a ordem da Liberdade a Zelensky, o que tudo indica ser um abuso do poder.

Atribuir o mais alto grau dessa ordem (Grande-Colar da Ordem da Liberdade) no dia 24 de fevereiro,  a um presidente que proibiu onze partidos, andou metido em embrulhos de questões oligárquicas, e seguidor de uma política em desacordo com o cumprimento dos acordos de Minsk que pretendiam estabelecer a paz entre grupos nacionais rivalizantes na Ucrânia, num período  em que a Ucrânia se poderia ainda tornar-se numa república federal, revela-se como abuso e pleno desconhecimento do que se passou na Ucrânia e do que a História dirá sobre ela, sobre o actuar dos seus presidentes e dos beligerantes geoestratégicos. Ou será que o poder e os interesses de alguns cegam?

Será que o senhor presidente Rebelo de Sousa não estará a meter o carro à frente dos bois por mera razão de proselitismo do próprio cargo ou para alinhar no carnaval político a que nos acostumaram, transformando a Ordem da Liberdade numa distinção de Ordem Carnavalesca?

A Ordem da Liberdade destina-se a galardoar «serviços relevantes prestados em defesa dos valores da Civilização, em prol da dignificação do Homem e à causa da Liberdade»  O papel de Zelensky não enquadra em nenhum destes serviços!

O facto de servir interesses anglo-saxónicos, num conflito que explodiu em 2014 na guerra civil que matou 17.000 pessoas, pressupõe um conceito de liberdade emoldurada numa cultura guerreira e não pacífica.

Colocar-se de um lado ou do outro de um povo ucraniano dividido não significa lutar pela liberdade dele, mas sim pelo serviço de interesses, chamem-se eles russos ou ocidentais. O senhor Presidente da República é-o de todo um povo e como tal não se deveria sentir legitimado a colocar-se ao lado dos EUA nem da Rússia!

Esta é uma guerra suja que deixa sujos todos os os que nela intervêm!


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Um ano de estupidez humana

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 24/02/2023)

Miguel Sousa Tavares

Um ano depois, a Ucrânia, sobretudo as suas pequenas cidades e aldeias do interior, continua a ser paulatinamente devastada e nem Putin conseguiu a rápida vitória que teria previsto nem a NATO conseguiu, por interposto Zelensky, correr com os russos da Ucrânia. No terreno, a guerra de artilharia levada a cabo incansavelmente por ambos os lados, e sem saída militar à vista, é mantida, do lado russo, pelo envio constante de cada vez mais soldados para a morte e, do lado ucraniano, por uma tão persistente exigência de mais armas ao Ocidente que se atingiu a situação jamais vista de exaustão de munições nos arsenais da NATO. Entretanto, a continuação da guerra devora economicamente a Europa e num só dia gasta-se 10 vezes mais em armas na Ucrânia do que aquilo que seria necessário para acorrer a oito milhões de sírios que dormem ao relento e morrem de fome e frio, sem auxílios internacionais, depois do terramoto de há três semanas. Mas, sintetizando aquilo que é a voz comum de uma Europa “unida como nunca”, decretou há dias o nosso António Costa que “a paz só é possível com a vitória da Ucrânia e a derrota da Rússia”. Mas o que será essa esperada derrota da Rússia? A retirada de todos os territórios conquistados nesta invasão — seguramente que sim, que é exigível; a participação na reconstrução da Ucrânia, sim; a entrega à justiça dos responsáveis por crimes de guerra, como os de Bucha, sim. Mas também a renúncia aos Acordos Minsk II assinados pela Ucrânia? A devolução da Crimeia, que por breves 23 anos numa história secular e por descuido de um irresponsável chamado Ieltsin, pertenceu à Ucrânia independente? A aceitação da Ucrânia como membro de pleno direito da NATO e também da Geórgia e uma base americana em Odessa? Ou a derrota militar total no terreno dos exércitos russos, custe isso o que custar aos ucranianos e sejam quais forem os riscos de escalada envolvidos? António Costa e os seus iluminados pares acreditam mesmo que a “solução pacífica” estará em conseguir fazer sair a Rússia, esmagada e humilhada, da Ucrânia?

<span class="creditofoto">ILUSTRAÇÃO HUGO PINTO</span>
ILUSTRAÇÃO HUGO PINTO

E, se bem que seja este o único horizonte de esperança que estes líderes europeus têm para nos oferecer para o próximo ano, há coisas curiosas e contraditórias nesta guerra, onde alguns espíritos, outrora mais lúcidos, comparam a invasão russa à “barbárie nazi” e insistem que não há outra solução para a paz que não a guerra. Ora, reparem: esta é uma guerra onde, a todo o tempo, os dois lados trocam entre si prisioneiros de guerra; onde um dos lados, a Rússia, permite ao outro que continue a escoar o grosso das suas exportações — os cereais — através de portos no mar Negro, que lhe seria fácil bloquear, ao mesmo tempo que viu as suas exportações de gás para a Europa serem definitivamente encerradas através da sabotagem dos gasodutos civis Nord Stream I e II, numa operação que, sendo “nossa” e não “deles”, não pode, obviamente, ser classificada como terrorismo; onde, apesar da destruição causada pelos invasores, as principais cidades da Ucrânia e, sobretudo, as cidades cuja história está intimamente ligada à da Rússia, Kiev e Odessa, permanecem fundamentalmente intactas e com uma vida tão normal quanto possível em tempo de guerra: a “barbárie nazi” não tocou em Odessa, onde 60 mil soldados russos morreram na II Grande Guerra para a resgatar dos nazis, nem em Kiev, onde todos os líderes europeus se passeiam livremente e Joe Biden foi reafirmar ao “assassino” Putin que não tem nada a negociar com ele, depois de o ter cautelarmente avisado de que iria ali fazer uma corajosa “visita-surpresa”.

Dez pacotes de sanções à Rússia puseram de joelhos a Europa, mas não a Rússia e, menos ainda, os Estados Unidos, e deixaram de fora os preciosos diamantes da praça de Antuérpia, e Boris Johnson, o grande campeão da solidariedade ocidental para com a Ucrânia, exibe-se pelo “mundo livre” a expor as virtudes da continuação da guerra sem fim ao preço de 200 mil euros por conferência. Mas se mesmo em plena guerra, e apesar dela, é possível estabelecer acordos destes, não seria possível, havendo um mínimo de vontade séria, de lançar bases exploratórias de uma negociação de paz?

Sim, não tenho dúvidas, Vladimir Putin toma-se por um novo czar. Eu, se fosse russo e habitasse no Palácio de Inverno de S. Petersburgo ou no de Tsarskoye Selo e se conhecesse a história da Rússia imperial, também era capaz de sofrer da mesma patologia. Mas tão culpado é o doente como os que se aproveitam da sua demência. Só passou um ano e ainda é cedo; por ora, conhecemos apenas os inacreditáveis erros de avaliação e estratégia de Vladimir Putin; um dia conheceremos toda a história por detrás deles. Oxalá ainda valha a pena.

2 Depois de confiscarem a terra aos proprietários — o que bem se justificava —, os revolucionários russos de 1917 trataram também de confiscar os cereais aos pequenos produtores e camponeses face à escassez de oferta no mercado. Revoltados, os mujiques reduziram a produção e esconderam o pouco que produziam para consumo próprio. Apesar dos fuzilamentos em massa, seguiram-se anos de fome que mataram milhões de pessoas na Rússia e na Ucrânia. Quando a oferta escasseia, a tentativa do Estado de se sobrepor à força às leis do mercado raramente melhora a economia e dificilmente não perturba a liberdade. Mas não foi por súbito assomo de ideologia “comunista” que o Governo resolveu lançar mão dos arrendamentos compulsivos das “casas devolutas”, intervir administrativamente no preço dos alugueres ou atacar os AL: foi por desespero. Esse desespero é compreensível e a tentativa de finalmente fazer alguma coisa é louvável. Até porque, ao contrário da indignação hormonal da direita, eu não acho que exista um direito à propriedade ao abandono. Simplesmente este não é o caminho, e bastaria ter visto a ministra da Habitação completamente à toa na SIC para o perceber: não só essa solução lançaria o país numa guerra política e de litigância sem fim à vista, como jamais o Estado teria a capacidade de pôr em execução uma medida abrangendo as 730 mil casas devolutas do país com um mínimo de eficiência e justiça.

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Porém, o pacote Mais Habitação tem coisas boas, como o fim dessa mistificação que são os vistos gold ou a simplificação dos processos de licenciamento de construção. Omite coisas em falta de há muito, como a municipalização de solos urbanos públicos e a sua entrega a sociedades mistas de construtores e cooperativas de habitação ou compradores para habitação própria a preços controlados. Mas erra por completo o tiro ao alvo principal, que é a inexistência desde há décadas de um mercado de arrendamento funcional. Por isso é que somos o país europeu onde mais gente é proprietária de casa própria ou, melhor dito, devedor ao banco de um empréstimo para compra de casa própria (o que, por sua vez, demonstra até que ponto é uma vergonha que, com este maná nas mãos, a banca tenha tido de ser tantas vezes socorrida pelos contribuintes). Perceber por que razão tão poucos investidores estão interessados em comprar casas para as arrendar deveria, pois, ser o primeiro passo para atacar o problema a prazo. Mas como a situação é de emergência, não há outro caminho a curto prazo que não o do alívio fiscal sobre os rendimentos dos senhorios. Isso deixará a extrema-esquerda aos berros e obrigará a fazer poupanças na despesa com a clientela fixa do Estado. Mas a alternativa é deixar tudo na mesma, uma geração inteira sem direito a uma casa.

3 Tão certo como a seguir ao Outono vir o Inverno, era de esperar que depois da divulgação do relatório da Comissão Independente sobre os abusos sexuais sobre menores na Igreja Católica Portuguesa surgisse o contra-ataque da parte desses católicos ajoelhados perante a sua hierarquia, beatos, confessionais, em tudo dispostos a desvalorizar, justificar, ocultar, contrapor: os sobreviventes da Igreja do nojento padre Frederico e do sinistro bispo do Funchal, que o cobriu e o comparou a Cristo. Os argumentos do contra-ataque foram os mesmos de sempre: anticlericalismo, ódio à Igreja, ateísmo militante e mais umas banalidades de ocasião. Mas também houve excepções, entre as quais o provincial dos Jesuítas, que não hesitou em ir ao fundo das questões, de forma desassombrada e corajosa. E agora, que a Igreja está debaixo de fogo, eu, que andei oito anos nos Jesuítas, de onde saí com uma amarga experiência pedagógica e ética, sinto-me, porém, obrigado a dizer, por dever de consciência, que, no que toca àquilo de que hoje se fala, jamais vivi de perto ou testemunhei qualquer coisa que pudesse ir parar ao relatório da Comissão. Da mesma forma que, na minha vida profissional errante, vi — em África, na Índia ou no Brasil, e em Portugal também — lugares e situações onde os sacerdotes católicos eram as únicas ou as mais evidentes presenças de humanismo e da palavra do Evangelho, e, para além disso, gente que eu gostaria de ter em minha casa, para os ouvir, para partilhar um vinho, para ficarmos amigos. Mas também conheci ou vi os outros, os padres betinhos, os deslumbrados, os da subterrânea Opus Dei. Um destes é o padre Gonçalo Portocarrero, de Almada, colunista do “Observador”. O que ele escreveu esta semana no jornal a tentar minimizar os abusos de décadas da Igreja é uma peça absolutamente abjecta e que merece ser publicamente denunciada. No seu texto, ele começa por tentar desvalorizar e ridicularizar o número de casos ocorridos através de uma aritmética da ocultação. A seguir, defende que o relatório não deveria ser público, mas apenas entregue à Comissão Episcopal (que adequado!), e que os relatos dos abusos foram uma violação da privação das vítimas e deveriam ter sido omitidos (que conveniente!), para concluir que, em tudo isto, a “Igreja portuguesa não foi cúmplice, mas sim vítima”. E, no fim, remete a coragem das denúncias para a Igreja e as culpas dos abusos para as “famílias”, que a Igreja doutrina: “É de esperar que a sociedade civil reconheça a nobreza deste gesto (da Igreja) e o saiba imitar.” À Igreja Católica, a que eu não pertenço, mas a que pertencem tantas pessoas que eu admiro e que nela acreditam, este padre Portocarrero, de Almada e da Opus Dei, não devia poder pertencer, pois que só lhe causa danos.

Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia


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