Os protestos por mudança de regime no Irão fracassaram mais depressa do que se esperava

(Por Moon of Alabama, Trad. Estátua de Sal, 12/01/2026)

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Há apenas dois dias, eu opinei que os tumultos no Irão não dariam em nada: Irão ignora mais uma rodada de protestos por mudança de regime patrocinados pelos EUA e Israel – MoA , 10 de janeiro de 2026.

Sublinhei especialmente que os EUA tinham fornecido terminais de satélite Starlink aos organizadores dos distúrbios – estima-se que fossem 40.000 – mas que o governo iraniano havia adquirido os meios para os detetar e lhes interromper o tráfego.

Apenas um dia depois, a Forbes noticiou que o governo, de facto, utilizou as suas novas ferramentas: ‘Interruptor de segurança’ — Irão desliga a internet Starlink pela primeira vez – Forbes, 11 de janeiro de 2026.

O governo iraniano não se deu ao trabalho de rastrear terminais individuais, mas usou os novos equipamentos russos e chineses para interromper todo o tráfego Starlink no Irão. Taxas de perda de pacotes de 90% tornaram as conexões inutilizáveis.

Hoje, manifestações pró-governo são realizadas em todas as principais cidades do Irão. Elas são muito maiores do que qualquer coisa que a oposição jamais conseguiria organizar. O sistema iraniano demonstrou, mais uma vez, a sua surpreendente estabilidade. Nenhum funcionário público mudou de lado.

Os tumultos, por ora, terminaram. As ruas provavelmente estarão tranquilas esta noite. Nas próximas semanas, os líderes e instigadores dos distúrbios serão localizados e punidos – espera-se que com severidade, tendo em vista as baixas do lado do governo.

O bloqueio total do tráfego de internet e das comunicações telefônicas internacionais no Irão foi a medida decisiva tomada para pôr fim aos distúrbios.

Sem acesso à internet, os agentes da CIA/Mossad que dirigiam os manifestantes não conseguiam comandar e controlar as suas forças em campo. A ausência de vídeos de propaganda “horror” vindos do Irão, enviados pela internet e usados ​​pela mídia para angariar apoio à intervenção ocidental, também é importante. Revoluções coloridas à la CIA exigem essas ferramentas.

Em 2022, a onda de protestos instigados pelos EUA no Irão levou quase três meses a dissipar-se. Essa onda, iniciada em 28 de dezembro por um ataque maciço de venda a descoberto da moeda iraniana, levou apenas duas semanas a dissipar-se.

Trump, que ameaçou bombardear o Irão em apoio aos manifestantes, terá que recuar. Os militares dos EUA dizem que não estão preparados ( arquivado ) para a retaliação que o Irão desencadearia.

O fracasso desta tentativa de mudança de regime demonstra que os métodos utilizados se tornaram demasiado óbvios e podem ser neutralizados. É provável que leve algum tempo até que novos métodos sejam desenvolvidos e novas tentativas sejam lançadas.


Irão – Trump acobardou-se

(Por Moon of Alabama, Trad. Estátua de Sal, 15/01/2026)

Ontem, o presidente dos EUA, Donald Trump, estava pronto e disposto a bombardear o Irão. O alvo mais importante teria sido o Líder Supremo, Ajatollah Khamenei.

Mas o Irão estava preparado e Khamenei estava em segurança. Os militares dos EUA, por outro lado, não estavam preparados para se defender da inevitável retaliação iraniana. Há apenas três destroieres com sistemas de defesa aérea na área que poderiam oferecer proteção contra um ataque de mísseis balísticos. Poucos minutos após os primeiros ataques, os seus arsenais estariam vazios.

Antes do último bombardeamento ao Irão, os sistemas de defesa aérea THAAD e Patriot dos EUA e da Coreia do Sul tinham sido enviados para o Médio Oriente. Um grupo de porta-aviões americano estava estacionado nas proximidades e as bases americanas haviam sido desocupadas. Os militares puderam oferecer a Trump opções relativamente razoáveis.

Os aliados dos EUA, principalmente Israel, mas também alguns países do Golfo, apoiaram integralmente a ideia. Desta vez foi completamente diferente. Os militares não conseguiram apresentar nenhuma boa opção de ataque. Tiveram que pedir a Trump que recuasse .

Os países do Golfo estavam apreensivos e não queriam fazer parte de uma campanha:

“Bombardear o Irão vai contra os cálculos e os interesses dos Estados árabes do Golfo”, disse Bader al-Saif, professor assistente de história na Universidade do Kuwait. “Neutralizar o regime atual, seja por meio de uma mudança de regime ou de uma reconfiguração da liderança interna, pode potencialmente resultar na hegemonia sem precedentes de Israel, o que não será benéfico para os Estados do Golfo.” Até mesmo Israel sugeriu esperar até que o ‘regime’ entre em colapso. Mas isso não vai acontecer.

A configuração interna da República Islâmica torna a “mudança de regime” praticamente impossível. A maioria da população e das forças de segurança apoia a estrutura política do país. Nenhum grupo de terroristas pagos, que atira em pessoas aleatoriamente, assim como nas forças de segurança, conseguirá romper esse vínculo.

Em consequência disso, pelo menos por enquanto, Trump recuou.

Fonte aqui.

O 03 de janeiro e a racionalidade imperial contra a Venezuela

(Lady Bhārani, in SakerLatam.org, 14/01/2026)

Imagem do incêndio em Fuerte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela, após o bombardeamento dos Estados Unidos em Caracas no último dia 03 de janeiro 

Porque, com toda a evidência, os EUA enfrentam uma crise de legitimidade civilizacional. O capitalismo americano prometeu democracia, progresso e bem-estar, mas gerou desigualdade extrema, racismo sistêmico, destruição ecológica e uma cultura de individualismo predatório. A classe média está a desintegrar-se; a expectativa de vida diminui; a saúde mental entra em colapso. O modelo não seduz mais ninguém, nem mesmo no seu próprio território.


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Os acontecimentos do sábado, 03 de janeiro, são amplamente conhecidos; portanto, não faremos uma resenha dos eventos. Em vez disso, apontaremos as razões fundamentais do ataque dos Estados Unidos em solo venezuelano e do sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores.

Além da condenação ética, persiste uma pergunta necessária: por que os EUA chegaram ao extremo de tomar uma decisão dessa magnitude em pleno século XXI, claramente prejudicial, considerando os resultados políticos tanto nos Estados Unidos quanto na Venezuela?

Ler artigo completo aqui, em português do Brasil.


Divagando ao sabor das teclas

(Carlos Esperança, in Facebook, 14/01/2026)

José Miguel Júdice

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Procurando não ser excessivamente frívolo nem demasiado sério, numa época em que já não sabemos quem levar a sério, nem tudo é motivo de tristeza e perplexidade.

Há, aliás, em Portugal, motivos de satisfação.

Marcelo deixou de aparecer em todos os canais televisivos, a todas as horas, e a França, para fingir que Macron está vivo, anunciou a abertura de um consulado na Gronelândia.

Donald Trump mostra que é o rei e que a razão da força é a única razão de que precisa.

Paulo Rangel chamou o embaixador do Irão a pedir explicações pelo assassínio, nas ruas, dos manifestantes contra ditadura teocrática dos Aiatolas. Se tivesse feito o mesmo com o embaixador de Israel perante o genocídio em Gaza e o embaixador dos EUA pela invasão da Venezuela, com sequestro e rapto de Maduro, deixaria um lugar na História.

Trump insiste que a Gronelândia será dele, está por esclarecer se a título pessoal, como o ex-Congo Belga era do rei Leopoldo II, ou se dos EUA. Em Portugal teme-se que o desmiolado ministro Nuno Melo venha a ter conhecimento do Tratado se Tordesilhas e, na sua imprudência, recame a Gronelândia e possamos ver os Aliados a morrer de riso.

E para falar de coisas sérias, Portugal vai aceder a um empréstimo de 5,8 mil milhões de euros sob os auspícios do Mecanismo de Assistência à Segurança para a Europa (SAFE) sem que ninguém se preocupe com o pagamento do capital e dos juros.

Foi denunciado um caso de assédio por Cotrim de Figueiredo. É tão grave não aceitar a presunção de inocência do acusado como desvalorizar a queixa da vítima num país onde a mulher surge sempre como culpada. Mas há uma nota de humor do mandatário em sua defesa: «Um tipo inteligente e sofisticado tentava seduzir uma senhora a dizer aquelas coisas horrorosas?».

Foi aqui que percebi a diferença entre o Chega e a IL. A IL é o Chega da classe alta e o Chega o sonho dos pobres e ressentidos. Obrigado José Miguel Júdice.