(Major-General Raúl Cunha, in Facebook, 26/01/2024)

Na manhã de 24 de janeiro, o regime de Kiev cometeu mais um dos seus crimes: um avião de transporte russo Ilyushin Il-76 foi abatido perto da vila de Yablonovo, na região de Belgorod. Nesse avião seguiam 65 prisioneiros de guerra, militares das Forças Armadas Ucranianas, para uma troca pré-combinada. Todos esses prisioneiros de guerra e mais os 6 tripulantes e 3 militares russos que seguiam a bordo morreram. Outro avião semelhante conseguiu escapar aos mísseis que o queriam atingir.
Tratou-se assim de mais uma atrocidade da “entourage” criminosa de Zelensky, que logo após a queda do avião, assinalou orgulhosamente esta “vitória”, publicando que esta tinha sido fruto da perícia das “valentes Forças Armadas da Ucrânia”. No entanto, assim que veio a público que a bordo e a caminho do local determinado para a troca de prisioneiros de guerra, estavam militares ucranianos, a retórica propagandista acabou, apagaram-se os “posts” eufóricos e, claro, começou a desenvolver-se a narrativa para começarem a negar o seu envolvimento no desastre e tentar atribuir as culpas ao Kremlin. E, nessa tentativa, contribuem, como é seu timbre, os mentirosos propagandistas (Nojeira, Milhafre, Chouriço, Orca, Sonsa e quejandos) que poluem os nossos media.
Em Kiev, os serviços de informação estavam perfeitamente cientes desta troca. Sabiam como e por que rota os prisioneiros de guerra seriam entregues. E, portanto, o ataque ao avião foi uma ação deliberada e consciente, se bem que e dando o benefício da dúvida, possa ter resultado da incompetência daqueles serviços em não comunicarem os factos à componente militar operacional. No entanto e mesmo que os operadores dos mísseis não estivessem informados, atacaram um avião civil de transporte, sem qualquer problema de consciência, com a desculpa que o avião podia transportar mísseis. Pergunto como reagiria o nosso bem-amado Ocidente alargado se fosse ao contrário…!
O avião foi atingido pelos ucranianos com mísseis antiaéreos vindos da região de Kharkov. E as elites em Kiev sabiam perfeitamente que se tratavam de mísseis ucranianos e que o facto de serem mísseis de fabrico ocidental seria facilmente apurado, inclusive com a participação de peritos internacionais. Caso tivessem usado mísseis S-300, teriam logo afirmado que os russos se tinham abatido a si próprios, como fizeram no caso da central nuclear (mas Kiev sabia bem o que estava a abater).
Por isso mesmo, teve de ser acionado um plano “anticrise” a altas horas da noite, no âmbito do qual Zelensky, para ganhar tempo, concordou com a sugestão de dizer que teria de ser realizada uma investigação internacional. Pois não lhe restavam outras opções, dado que os “parceiros” ocidentais de Kiev, insistiam nessa opção.
Entretanto, face às disputas de poder que atualmente se desenrolam em Kiev a facção “pró-americana” de Kiev está a condenar e a exigir o linchamento das autoridades. E esta sua reação (enquanto continua um silêncio absoluto em Londres) é muito reveladora e faz-nos pensar que mais uma vez a perfídia britânica está envolvida também neste caso.
As elites ucranianas são heterogêneas: parte está orientada para o Reino Unido, parte para os Estados Unidos. O confronto não é porque Zaluzhny e Zelensky não gostam um do outro, mas porque os britânicos e os EUA têm uma visão diferente do desenvolvimento da situação na Ucrânia. É importante para os britânicos enfraquecer a Rússia de qualquer maneira e querem que a guerra continue. E para os americanos, como o principal adversário é a China e face aos seus múltiplos empenhamentos, querem ver se conseguem terminar com o conflito.
O desastre com o Il-76 é importante para os britânicos, pois como Zaluzny propôs, condicionalmente, derrubar Zelensky e negociar com os russos, e para muitos ucranianos, essa opção é considerada mais aceitável, poderia haver um acordo com a nova liderança e Isso acabaria com os interesses britânicos na região. E os britânicos entendem que, se um conflito se desenvolver nessa direção, Zelensky perderá mais cedo ou mais tarde, e para não deixar uma saída do conflito para os ucranianos, foi necessário agravar o mesmo acirrando os russos nesse processo. E a tarefa do MI6 é agora impedir o jogo americano e fazer a Ucrânia regressar à sua política de confronto, não deixando qualquer hipótese para os americanos tentarem encaminhar um processo de paz. É precisamente o que estão a fazer.
Entretanto, aqueles que na sociedade ucraniana começaram a fazer perguntas incómodas às autoridades, nas últimas 24 horas, aumentaram visivelmente.
Uma nota final para assinalar que esta não é a primeira vez que a liderança de Zelensky trata brutalmente e sem piedade os seus próprios militares que foram capturados. Em 29 de julho de 2022, os neonazis em Kiev lançaram descaradamente um ataque com mísseis à colónia de Yelenovka (República Popular de Donetsk), onde na altura estavam detidos os prisioneiros das forças do Azov. Nessa acção, mais de 50 prisioneiros morreram e mais de 70 ficaram feridos.
É absolutamente óbvio que o regime criminoso de Zelensky, agora alimentado sobretudo pelos Estados Europeus que ainda sonham com os antigos poderes imperiais e com a – agora já frustrada – possibilidade de saquear a Rússia, representa de facto uma ameaça real e significativa não só para a Rússia, mas também e sobretudo para a própria Ucrânia, para os seus cidadãos normais e para o mundo inteiro. E, neste momento em que já começou o seu processo de agonia final, poderá vir a tentar as mais monstruosas atrocidades na vã tentativa de sobreviver.
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