Do rio ao mar a Palestina será livre

(Whale project, in Estátua de Sal, 11/09/2024, revisão da Estátua)


(Este artigo resulta de um comentário a um texto que publicámos, de Hugo Dionísio, sobre o neoliberalismo e o fascismo, (ver aqui). Pela sua demonstração de que o fascismo – na sua vertente de cerceamento da liberdade de expressão -, já está instalado na Europa, resolvi dar-lhe o apropriado destaque.

Estátua de Sal, 11/09/2024)


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Um sírio a viver em Portugal há 25 anos – não foi daqueles que de lá saíram em 2014 -, diz que gosta de viver em Portugal. E diz que nos últimos tempos gosta mais ainda.

Diz ele que, Portugal é hoje o único país da Europa Ocidental, onde se pode dizer “Palestina Livre” sem ser preso. E as notícias que nos chegam da França ou da Alemanha confirmam isso mesmo. O simples uso de um keffieh pode valer multa em França e grosso espancamento pela polícia na Alemanha.

O antissemitismo é um saco enorme onde cabe tudo, todas as dissidências, todas as condenações ao estado genocida de Israel e à sua soldadesca sodomita.

Nessa Europa que aprendemos a admirar – muitas vezes com mentalidade de autoflagelação -, a democracia está a morrer, como que sepultada debaixo das bombas que destroem o povo de Gaza ou das balas e bulldozers que destroem a Cisjordânia.

Alguém disse um dia que Portugal era um oásis. Era mentira, mas agora é, infelizmente, verdade. Portugal é um oásis onde se refugia a liberdade de expressão na Europa Ocidental.

A vaca da Van der Pfizer disse a manifestantes no Porto que tinham sorte em não estar em Moscovo, porque logo seriam presos. A vaca sabia que estava a mentir pois, dificilmente, alguém seria preso na Rússia por criticar apoiantes do genocídio em Gaza.

Mas, no seu país, na Alemanha, seriam imediatamente presos e levariam logo ali umas bastonadas por conta. Porque é assim que têm acabado todas as manifestações contra o genocídio em Gaza, naquela terra que nunca foi desnazificada.

Alguma vez pensei que o meu país, martirizado por uma ditadura de 48 anos, seria o único país europeu onde ainda é possível escrever o que escrevemos aqui sem ser presos? Decididamente não. E esperemos que se mantenha assim. Que a Europa não apague aqui a luz da liberdade.

Do rio ao mar a Palestina será livre. É uma frase pela qual muita gente já foi presa ou apanhou da polícia por essa Europa que se diz um livre jardim.

Vão ver se o mar dá choco.


Neoliberalismo: a antecâmara do fascismo!

(Hugo Dionísio in Strategic Culture Foundation, 07/09/2024)

Neoliberalismo: a antecâmara do fascismo! Eis o que se esconde por detrás das eleições alemãs.


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As eleições ocorridas na Turíngia e Saxónia, vistas como um referendo à governação Scholz/Baerbock e uma amostra do que aí virá em 2025, confirmaram a erosão do governo alemão, demonstrando que a “maldição de Zelensky” está bem viva. Quanto maior a proximidade com o ex-Presidente da Ucrânia e momentâneo ditador delegado, maior a probabilidade de queda de um governo. Trata-se de uma tendência quase inexorável.

Contudo, quase 80 anos depois do fim do terror nazi, vem o centro neoliberal pregar o medo do fascismo, como sua bandeira preferida. Enquanto amedrontam os seus povos com as AFD’s desta vida, apoiam o Banderismo na Ucrânia, o Milei na Argentina e golpistas de extrema direita na Venezuela. E com isto os apanhamos: a luta do centro neoliberal contra a extrema-direita não passa de um torpor oportunista, em que uma casta privilegiada que se considera civilizada, não quer ser substituída por outra casta mais trauliteira.

E enquanto acenam com os perigos da “extrema direita”, eliminando quem lhe poderia dar realmente combate, não impedem, contudo, a sua própria autodestruição, como sucede com o executivo de Sholz/Baerbock. Esta é também a história de muitos outros governos conotados com o centro neoliberal. Mas esta susceptibilidade autodestrutiva, constitui apenas a face visível – na Alemanha – de uma dinâmica social ainda mais profunda e que se identifica por toda a União Europeia, vivida ao longo de todo o século XXI, e que se impôs, a meu ver, através de 4 processos aceleradores críticos, criados/utilizados para produzir o efeito político que hoje observamos. Essa dinâmica, a não ser travada, conduzirá, propositada e inexoravelmente, a uma nova farsa fascista, neofascista, como lhe queiram chamar.

O primeiro processo crítico acelerador do projecto neoliberal, na europa, coincidiu com a “Guerra ao Terror” de Bush, em que embarcou toda a NATO, na sequência de atentados em Espanha, Inglaterra ou França, traduzida na invasão de Afeganistão e Iraque, construção da Primavera Árabe e destruição da Líbia e Síria. É nesta sequência que se impõe um processo de sobrevigilância e centralização da informação e inteligência a partir de Washington, atribuindo aos EUA o poder de analisar, monitorizar e coordenar esforços ao nível da segurança e criando, nas populações, as condições subjectivas para a aceitação do que viria em seguida: a vigilância em massa de todos os seus passos, a propósito da manutenção da sua segurança.

Outro momento crítico foi a crise financeira de 2008, que impôs o “Estado de Austeridade Permanente”, preparando as populações para a ideia de que o amanhã, afinal, não será melhor do que o ontem – apenas para alguns -, acelerando o processo de destruição do estado social e operando a maior transição de valor, entre classes, de que há memória na história recente e que se havia operado nos EUA e Reino Unido, logo após o inominável “Consenso de Washington”. É com a crise de 2008 que o Consenso de Washington se torna, finalmente, política oficial da União Europeia. Ao longo deste tempo, “investidores” americanos ocuparam posições dominantes em importantes sectores, por toda a Europa.

O terceiro momento crítico foi o Covid-19, com a introdução do “Grande Reset” de Davos e toda a ideologia do “novo normal”. Individualismo exacerbado, narcisismo, migração interna, das regiões mais pobres para as mais ricas e imigração de fora, para dentro do bloco ocidental, desenraizamento as populações da sua terra natal, cultura e língua, desaparecimento da malha social que confere coesão às sociedades. A “uberização” destruiu as restantes fronteiras económicas que resistiam. Uma empresa na Califórnia, opera no Ocidente, a partir dos EUA, sem intermediários, sem gastar um tostão em logística local. Passando por cima de leis e de toda a soberania nacional, recolhe dados, vende-os, classifica-os e recolhe ganhos. Por outro lado, o Covid-19, acompanhado de toda a lógica de submissão a recolhimentos forçados, contenção dos movimentos e vacinação obrigatória, criou as condições subjectivas para a submissão acrítica a um modelo de governação.

Como se não fosse já suficiente, com a operação Ucrânia, varre-se dos países centrais da “Ordem Baseada em Regras” a última réstia de soberania: as forças armadas. Voltou a “interoperacionalidade” e, com ela, a uniformização do padrão NATO, o que equivale a dizer, padrão EUA, comprado nos EUA, feito sob licença dos EUA. Estratégia e táctica militar, passam a ser desenvolvidas em Washington, em que os estados europeus não passam de postos avançados da “Ordem Baseada em Regras”.

Informação e inteligência; economia e finanças; organização social e política; defesa e segurança; eis as dimensões que foram sendo centralizadas e consolidadas em cada um dos momentos críticos. Cada um destes 4 momentos representou um salto evolutivo na força com que os EUA dominam a “Ordem Baseada em regras”. Para dominar o novo século, o espaço vital tem de estar consolidado, coordenado a partir de um centro reconhecido, criando um bloco, em que as relações desse sejam definidas para um todo orgânico. Tudo para preparar o confronto entre blocos. Os resultados económicos e sociais deste processo de aprimoramento, dirigido à Europa e feito para a secundarizar, determinaram uma perda relativa de poder, sentida pelas populações e estas, não a sabendo explicar, canalizam essa frustração para quem a verbaliza como ninguém: a extrema-direita. Perante a impotência, promessas adiadas e contradição entre discurso e prática, provenientes do centro neoliberal, a solução está em quem se mostra resoluto e eficaz, mesmo que brutal.

Façamos uma comparação histórica pertinente, para sabermos do que estamos a falar. O período em que nasce o fascismo no Ocidente (sim, nos EUA havia apartheid para os negros e fascismo, mesmo com supostas eleições), a riqueza estava distribuída da seguinte forma: entre os anos 20 e 40 do século XX, após o “Primeiro Terror Vermelho nos EUA”, os 10% mais ricos ficavam com uma parcela situada entre 43% e 49% do rendimento em cada ano, os 1% mais ricos, ficavam com 19% a 22%, já os 50% mais pobres ficavam com uma parcela que ia de 14% a 15%. O World Inequality Report não possui dados agregados para a Europa, mas na França, os resultados também não eram muito diferentes dos que vemos para os EUA. No fundo, os EUA representavam a tendência das economias mais avançadas.

A primeira conclusão a retirar daqui é óbvia: o período de crescimento do fascismo no mundo ocidental coincide com um período de agravamento das desigualdades, na concentração de rendimento, de enorme concentração de riqueza e consequente agravamento das condições de vida e de trabalho. A resposta do sistema para esta crise e para o aumento do poder reivindicativo dos trabalhadores que se organizavam em poderosos sindicatos, coincidiu com a criação do fascismo, corporativismo (que defendia a paz social por oposição à luta dialética) e a repressão. Referimos o termo “crise” quando assistimos a um agravamento das contradições resultantes da disparidade na distribuição de rendimento entre os mais ricos e os mais pobres.

A derrota do nazi fascismo mudou tudo! Nos EUA, logo em 1945, os 50% mais pobres passam a agregar mais rendimento do que os 1% mais ricos (15,8% para 14,2%), enquanto os 10% mais ricos, desceram para 35,3%. É nesta diferença, de quase 15% perdidos pelos 10% mais ricos, que se explica o fortalecimento da classe média americana e a construção do chamado sonho americano. Sem esta transferência, os EUA dificilmente se teriam tornado na superpotência que foram, nem teriam derrotado a URSS. Isto explica também a entrada em cena do Macarthismo (o “segundo Terror Vermelho” de 1950 a 57), deriva fascizante que “limpou” sindicatos e organizações de classe nos EUA.

Até aos anos 70 do século XX, a situação dos trabalhadores americanos continuou a melhorar e os dados atestam-no. Em 1970 a riqueza controlada pelos 50% mais pobres atinge o seu ponto alto (21,1%) e a dos 10% mais ricos (e 1% mais ricos também) atingem o seu ponto mais baixo (34% e 10,1% respectivamente). Os dados não poderiam ser mais claros: o período de ouro dos EUA coincide com o período em que a distribuição da riqueza produzida foi mais justa; foi também o período com mais liberdade, democracia, militância política e melhores condições de vida.

Na França não foi diferente, uma vez derrotado o nazi fascismo e, logo a partir de 1945, os 10% mais ricos atingem o seu ponto mais baixo (31,4%), o 1% mais rico 8,5% e os 50% mais pobres passam de 14,6% em 1934 para 20,5% em 1945. É pena não termos dados da Alemanha, mas se estes não falam por si…

Esta relação, nos EUA, mal ou bem, continuou até ao final da URSS e, em 1995, tudo se volta a inverter de volta ao período anterior à Segunda Guerra Mundial. O “Consenso de Washington” ocorrido em 1989, que decretou a mundialização do neoliberalismo segundo a “escola de Chicago”, coincide com o ano em que os 1% mais ricos voltam a concentrar mais de 14% do rendimento anual, o que já não sucedia desde os anos 50. A partir de 1989 foi sempre a concentrar, até aos dias actuais, em que: em 2022, os 10% mais ricos atingiram 48,3% do rendimento anual, os 1% mais ricos 20,9% e os 50% mais pobres, apenas 10,4%. Refira-se, a este propósito, que desde que existe registo, nunca os 50% mais pobres haviam ficado com tão pouco rendimento anual. O mínimo que haviam obtido, nos EUA, havia sido 11% por volta de 1850!

Voltando às eleições alemãs. Estamos precisamente a viver o período da história ocidental moderna, em que a redistribuição da riqueza produzida (se falarmos da riqueza existente é pior ainda) está num dos níveis mais baixos de sempre. Na Europa, a situação ainda não é tão grave como nos EUA, mas estes 4 aceleradores críticos que identifiquei (Guerra ao Terror, Crise Soberana; Covid-19; Guerra Fria 2.0), produzirão, necessariamente, o mesmo efeito de concentração da riqueza que está já a degradar e destruir o estado social europeu, construído à custa de uma redistribuição que, mal ou bem, ainda mantém alguns padrões de justiça.

Embora não se tenham produzido grandes alterações na quantidade de riqueza auferida pelos 50% mais pobres, nos principais países europeus com registo no World Inequality Report, é da chamada “classe média” que se ouvem muitas das queixas. Em países como a Suécia, Espanha, Portugal, França, Alemanha, Países Baixos e outros, a tendência é, embora de forma mais ténue do que nos EUA, em finais do século passado, para os 50% mais pobres perderem terreno para os 10% mais ricos. Ou seja, paulatinamente, vão-se desenvolvendo as relações económicas que produzirão uma realidade material típica do período em que se formou o fascismo.

Daí que seja hora de desfazer um dos mais importantes mitos, ou dogmas, que a narrativa oficial propaga sobre o fascismo: a principal característica do fascismo não é a repressão, mas, ao invés, a aceleração da concentração da riqueza e a sua entrega a uma cada vez menor quantidade de pessoas.

Cada vez menos pessoas têm mais poder económico, com o qual compram poder político e fazem o sistema político, mesmo os que se apelidam de “democráticos”, funcionar segundo os seus termos. O lobbying, o financiamento de campanhas e Think Thanks ou até da própria academia, são alguns dos meios mais usados para interferir e moldar as soluções políticas preconizadas.

Ao invés do processo de concentração da riqueza, já a repressão pode acontecer em qualquer sistema, quando esteja em crise ou sentindo-se ameaçado. A não ser nos casos psicopatológicos, a repressão é uma resposta orgânica justificada com um ataque externo ou interno. Só alguém mesmo muito alheado ou alienado da realidade acredita que não existe repressão nos EUA e, mais recentemente, intensificada na União Europeia. Todos os sistemas estatais têm um aparelho repressivo ao seu dispor e a sua utilização – dos meios coercivos – depende do nível da ameaça. Num estado fascista, o poder repressivo está ao serviço das camadas mais ricas da população.

O mesmo se passa com as eleições. Não é a existência de eleições que determina a natureza fascizante ou democrática de um sistema. O que determina a sua natureza democrática é a abrangência das suas políticas. Se abrangem os interesses da maioria, ou não. Uma escolha entre iguais, como sucede nos EUA, não é democracia, é sufragismo. No final será o complexo militar industrial e wallstreet quem manda.

Outra característica da democracia consiste na susceptibilidade de alterar a política económica, quando esta não serve os interesses da maioria. Eleições estéreis, pouco participadas em que governam partidos minoritários, como sucede crescentemente na Europa, não se explicam através da democracia. Esses partidos minoritários governam porque a base económica que servem, lhes permite fazê-lo, mesmo em minoria. Em resumo, é possível haver fascismo com eleições. E nunca observarão um fascista assumir que o é.

Se o estado em que os EUA já se encontram explica o surgimento de um Trump, uma “resposta” impotente para acabar com os exércitos de sem abrigo, junkies e de gente a viver em carros, roulottes ou tendas; na União Europeia, esse processo não é distinto e, embora mais tardio, está agora a produzir-se. Também na Europa está a surgir a resposta do sistema à crise que resulta do aprofundamento da contradição na redistribuição da riqueza. Quanto maior a contradição, quanto mais injusta a redistribuição, mais o sistema produzirá os agentes demagógicos, reaccionários, que encantarão as massas mais pobres, com a culpabilização dos também mais pobres: emigrantes, refugiados e outros, para aqui trazidos, precisamente, pelos que mais riqueza acumulam.

Não é admissível, portanto, que alguém responsável e conhecedor das dinâmicas sociais e em posse de informação fidedigna, fique admirado com o enviesamento eleitoral para a “extrema direita”. Mais grave se torna quando os representantes políticos do centro neoliberal, que se situa, inclusive, entre o wokismo e o ultraliberalismo (partidos wokistas eurosocialistas e social-democratas acusam Maduro de cometer fraude, mas consideram Milei um jogador limpo!), uma vez mais, tal como nos anos 20 e 30 do século XX, surgem a criar as condições materiais, por sucumbirem às dinâmicas de concentração da riqueza, seja por corrupção, encantamento ou medo de serem destruídos (e que razão têm), proporcionando, por sua vez e uma vez mais, o surgimento da oportunidade fascista (seja o caso da AFD ou não). O momento em que os super-ricos usam a repressão estatal para proteger o processo de concentração da riqueza.

Assim, ninguém se pode admirar que as massas trabalhadoras descontentes, empobrecidas, vítimas da rapina, muita dela exercida a partir de Washington, votem na “extrema direita”. Depois de ondas de revisionismo histórico a comparar o fascismo ao comunismo (e socialismo) e a URSS à Alemanha Nazi, foi o próprio centro neoliberal quem legitimou a extrema-direita. Se comparamos partidos aceites, que nunca promoveram o ódio e a discriminação (caso dos partidos comunistas), com partidos que fazem da doutrina do ódio e da discriminação as suas bandeiras, acabamos a normalizar estes últimos.

Acresce que, ao contrário do voto nos partidos progressistas (em sentido económico, marxista), que rejeitam e denunciam o wokismo enquanto característica desviante à direita, os partidos da “extrema-direita”, ao contrário, não comportam qualquer perigo para a base económica que sustenta o centro neoliberal. Nenhum regime fascista alterou o processo de concentração de riqueza, ao invés, reforçou-o. Também hoje, a “extrema-direita” defende apenas e tão só o aprofundamento do modelo económico existente e que, como demonstrei, proporcionou o seu próprio aparecimento.

E aqui chegados, se demonstra que o revisionismo histórico não é inocente. Ele visa criar um escape, uma alternativa ao centro neoliberal, sem que o poder real, o poder da riqueza acumulada, na economia, transite de mãos. Assim, os grandes concentradores ganham tempo, enganando as massas uma vez mais, prendendo-as na repressão fascista. Quando derrubado o golpe fascista, o desvio fascizante ou a deriva extremista neoliberal, as massas voltam a ser enganadas com o centro neoliberal, na medida em que não o identificam como pertencendo à mesma base económica que alimenta o estado fascista. E assim perpetuam a sua exploração, circulando entre formas mais ou menos agressivas de um mesmo remédio.

Para já, as eleições alemãs apenas confirmam este ciclo vicioso. E a prisão neste ciclo, uma vez mais, em processo de repetição histórica, esconde o maior dos conseguimentos do globalismo neoliberal, federalista, financeirizado: a formatação do conhecimento a um ponto em que os especialistas, competentíssimos na sua área, são incapazes de olhar para além daquilo que lhes ensinaram.

Neste sentido, o fascismo mais não é do que uma especialização, um aprofundamento em relação ao estágio actual do neoliberalismo globalista. O próprio belicismo, seja dos EUA (e que não termina com Trump), seja no centro neoliberal (para já), constitui também uma das consequências do processo de “fascização económica” da vida política. Resulta de uma cada vez mais agressiva tendência para a apropriação de riqueza, nem que seja pela via da guerra.

Quando ouço economistas, competentíssimos (não estou a ironizar), com canais concorridos, criticarem o Ocidente por estar a sucumbir, entre outras razões, por praticar salários elevados, percebo que a herança ideológica neoliberal é de facto pesadíssima. Nenhum destes competentíssimos economistas é capaz de olhar para além do esquema neoliberal que lhe ensinaram. Apenas reproduzem o que lhe ensinam, sendo meros instrumentos da lógica de acumulação e pilhagem ocidental.

A incapacidade de sonhar e almejar o que hoje se considera impossível, constitui a mais pesada herança dos últimos 100 anos, que os EUA tiveram para nos entregar. As eleições alemãs, na sua divisão entre sonhadores, situacionistas e aprofundadores, demonstram esta tensão latente. Demonstram que existe quem sonhe, mas as forças do medo, do ódio e da reacção, estão mais fortes que nunca. O neoliberalismo constitui o seu alimento preferido.

Neoliberalismo: a antecâmara do fascismo! Eis o que se esconde por detrás das eleições alemãs.

Fonte aqui.


Tenham coragem para escolher um lado!

(Carlos Marques, in Estátua de Sal, 10/09/2024, revisão da Estátua)


(Este texto resulta de uma resposta a um comentário a um artigo que publicámos de Tiago Franco, “Kursk e o Donbass já dão para jogar ao monopólio”, (ver aqui). O referido comentário, de
Conceição Mello, era o seguinte:

“Muito bem! Não podia estar mais de acordo!!! 👏👏👏👏👏”.

Porque a resposta foi abrangente, contundente e polémica, resolvi dar-lhe o apropriado destaque.

Estátua de Sal, 10/09/2024)


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1. Estás de acordo com o paleio populista/demagógico do “sou anti- imperialismos, todos”? Isso parecem os Globalistas/Neoliberais, a ladrarem em Portugal, e a dizerem que são “contra ambos os extremismos”, referindo-se ao “extremismo” de quem defende direitos laborais, e equiparando-o aos fascistas/racistas descarados do Chega.

Que eu saiba, Império há só um neste momento. Tem mais de 800 bases militares em todo o Mundo, faz golpes, ameaças, sanções e propaganda em todo o lado.

E a Rússia está totalmente justificada a defender-se desta m*rda! E a defender a população do Donbass e da Crimeia, vítima da agressão da Nazi/NATO desde 2014 e que, até num canal Francês de TV, já foi ameaçada de LIMPEZA ÉTNICA caso os Azov entrem na Crimeia…

A Rússia é um só país, sem intervencionismo externo. É o oposto de um Império. Nem sequer na vizinha Arménia a Rússia aceitou intervir para contra-atacar o golpe “colorido” da CIA que levou o traidor corrupto Nikol Pashinyan ao poder.

2. Estás de acordo com o paleio ignorante do “nem sou do Putin nem do Zelensky”? É que isso parece, o equivalente geopolítico ao Pinochet e à Iniciativa Liberal, do “nem esquerda nem direita”.

Se tens cérebro e princípios, tens de tomar partido.

A lição das lições foi dada na Segunda Guerra Mundial. Entre Hitler e Estaline, foi preciso sermos aliados de Estaline. Quem não escolheu, é como se fosse colaborador do mal maior, o nazismo. Ora, hoje passa-se o mesmo. De um lado, um ditador fascista corrupto, traidor do seu país e colaborador de nazis. Do outro lado o Putin. Quem não escolhe, é idiota. Quem escolhe Zelensky, é nazi. Não há “mas nem meio mas”. Não há mais espaço para nuances.

3. Estás de acordo com o estúpido do autor que quer que os nazis/NATO invadam mais aldeias da região russa de Kursk? Então mas não eram pela paz, e contra as invasões?! Afinal de contas, uma DÉCADA depois do início da guerra, ainda fazem de conta que não sabem o que se passa?!

Em 2013, a Ucrânia era uma democracia que vivia em paz graças à sua neutralidade. Em 2014 era um regime nazi-fascista, nascido de um golpe da CIA/Pentágono e os nazis começaram a matar pessoas nas regiões, historicamente Russas, que mais protestaram contra o golpe Maidan.

Na Crimeia, graças a Putin, há liberdade, há democracia, e há paz. Em 2014, os russos da Crimeia exerceram o seu DIREITO HUMANO à autodeterminação via referendo. Mais de 90% quiseram voltar a ser Rússia, resultados confirmados também pelas sondagens ocidentais da Gfk e da Gallup. Na mesma Crimeia, se o Império genocida naZionista ocidental tiver sucesso no seu apoio aos nazis ucranianos, haverá ditadura, propaganda nazi, guerra, proibição de partidos, censura, e limpeza étnica (como a que o Império está a fazer na Palestina, pela mão dos nazis Israelitas).

Achas mesmo, como o estúpido, hipócrita, e ignorante autor, que abusa do populismo e da demagogia mais do que um drogado abusa da droga, achas mesmo que a solução é mais guerra e mais invasão? Para mim é óbvio que a solução é os EUA desaparecerem do planeta terra.

Mas, enquanto tal não acontece, então ouça-se as exigências da Rússia e dos povos do Donbass e da Crimeia, todas elas lógicas, justas, bem-intencionadas, e admissíveis:

a) Neutralidade da Ucrânia, fim da expansão do grupo terrorista ocidental chamado NATO;

b) Desnazificação da Ucrânia, idealmente reversão do golpe Maidan (CIA+Nazis), com re-legalização dos partidos em que os ucranianos votavam maioritariamente até 2014;

c) Reconhecimento do Direito Humano à autodeterminação do povo da Crimeia e do Donbass (e agora também da Taurida, i.e. Kherson e Zaporojie).

Algum destes 3 pontos justifica sequer uma única bala disparada? Claro que não! Aceitassem isto em 2021, e a Rússia não seria obrigada a intervir na guerra. Evitassem o golpe de 2014, e não só não teria havido guerra nenhuma, como a Ucrânia ainda estaria inteira e a Rússia, exatamente por não ser Império nenhum, não teria qualquer problema com o seu vizinho.

Mas o império GENOCIDA naZionista ocidental, do qual Portugal faz parte desde 1933, não quer a paz. O Ocidente planeou, preparou, financiou, despoletou, e prolonga esta guerra por procuração contra a Rússia. E fará uma semelhante contra a China.

Quem não percebe isto, quem não escolhe um lado, quem não é de facto anti-imperialista e antinazi, para ser claro, anti EUA, anti NATO, anti UE, anti Israel, e anti ditadura ucraniana, ou não é gente boa, ou é gente muito burra e/ou de cérebro lavado pela propaganda.

4. O autor do texto é o típico ignorante ocidental que só olha para o seu umbigo, para a sua carteira. Que acha que “é certo” não escolher lados, e que repete a propaganda ocidental sobre os regimes não-ocidentais.

A Rússia e a China são bem recebidas por todos os países em África. A Ucrânia teve o seu embaixador expulso num dos países no Sahel e vários acusam a Ucrânia de apoio ao terrorismo islâmico! O Ocidente é visto com nojo nestes países. A França ainda anda a ser expulsa de algumas colónias e mandou tanques para a Nova Caledónia no Pacífico.

A Rússia e a China dão-se bem com os países árabes, com os persas, e com países turcos. O Ocidente invade uns, destrói outros, sanciona uns, e comete genocídio noutros. Na América do Sul e Central, a Rússia e a China promovem a cooperação e a multipolaridade. O Ocidente tenta fazer os cubanos e os venezuelanos passar fome. E apoia fascistas golpistas na Bolívia, Perú, etc. Na Ásia do Sul e Leste, a Rússia e a China significam cooperação e respeito pela soberania. O Ocidente significa mais armas para os ilegítimos de Taiwan, para o ditador das Filipinas, e para os ainda invadidos do Japão. E também, submarinos nucleares para a vassala Austrália e mísseis para a proxy Coreia do Sul.

No Irão, amigo da Rússia, as mulheres são livres, só precisam de respeitar a lei do véu. No Afeganistão após décadas de intervenção ocidental, com a CIA a dar armas ao Bin Laden, à Al-Qaeda, aos talibãs, e dinheiro às madraças de radicalização no Paquistão, acabou a liberdade: as mulheres foram apagadas do mapa, e há milhões de crianças a passar fome. No Irão há liberdade e tolerância religiosa e étnica. Há lugar para xiitas e sunitas, cristãos católicos e ortodoxos, judeus e budistas, ateístas e até outros cultos. Há gente de etnia persa, turca, curda, etc. Existem até os Qashqai, uma sociedade matriarcal. No Ocidente há um genocídio a decorrer em direto neste momento, porque o homem branco colonial, o tal “democrata liberal”, quer a terra que pertence aos palestinianos para aí manter a sua (nas palavras de Biden) maior base militar dos EUA no Médio Oriente, aka “Israel”.

E é isto. De um lado o mal. Do outro lado o bem. Mas o autor recusa escolher?! Quanta cobardia, hipocrisia, e ignorância! Não sejas como ele.

Viva o Brasil de Lula e do Partido dos Trabalhadores! Viva a Rússia de Putin e dos heróis antinazi que lutam no Donbass! Viva a Índia de Modi!

Viva a China de Xi Jinping e o comunismo de sucesso que pegou num país pobre, assaltado pelo Ocidente, e o tornou na maior economia do mundo, dona da sua soberania!

Viva a África do Sul de Ramaphosa, com os seus valores anti-apartheid (racismo ocidental), que o levaram a ter a coragem de processar os naZionistas por genocídio no tribunal da ONU.

5. Há que escolher um lado! Morte ao eixo do mal terrorista, da NATO, UE, EUA, Reino Unido, G7, FMI, Davos, CIA, Mi6, Mossad, etc. Quem não escolhe um lado, é como se estivesse do lado mau. Quem não percebe que a Rússia e a China, o Irão e restantes BRICS+, e o Sul Global em geral, são a escolha certa, e que o império genocida naZionista ocidental liderado pelos EUA é o equivalente moderno à Alemanha de Hitler, então não percebe nada.

Viva o camarada, georgiano soviético, Estaline e um viva aos 27 milhões de heróis falecidos. Foi graças a ele que não acabámos todos a gritar “Sieg heil” de braço direito esticado no ar.

Hoje em dia, o lado bom lembra isso e usa a fita preta e laranja de São Jorge. Esse lado luta por Donetsk e Lugansk desde 2014. O outro lado vê a propaganda de Hollywood, dá armas a nazis e grita “Slava Ukraina” ou “God Bless America” ou “Viva o Dia da EUropa” ou “Direito de Israel a defender-se”, ou “Democracia liberal”, etc. Quaisquer que sejam as letras e as palavras que forem, significam todas o mesmo: “Heil the white house führer”… O Reich é o Ocidente coletivo, e o Volk é toda a gente, de uma forma ou de outra, com o cérebro lavado pela propaganda, e sem coragem para escolher o lado certo.

Pois eu, digo-vos com toda a frontalidade: longa vida ao grande líder Putin. Que tenha sucesso na luta contra o mal nazi-fascista ocidental, tal como teve o grande líder Estaline, ao qual nós tudo devemos! Se há gente que vai parar a gulags? Pois claro. Ou acabamos nós com eles ou eles acabam connosco. É de uma ingenuidade infantil pensar que podemos todos conviver. Em alternativa aos gulags, podemos antes ter os centros de reeducação e des-radicalização como a China fez perante o terrorismo islâmico promovido pelos EUA em Xinjiang. Mas alguma coisa temos que ter!

Pensam que a “democracia e a liberdade” é a tolerância para todos? Vão lá dizer isso aos ucranianos assassinados pelos glorificadores de Stepan Bandera… Não aprenderam nada com Karl Popper, seus car*lhos! Os ucranianos mobilizados à força para a linha da frente, com os nazis do Azov a apontarem-lhes a arma pelas costas, para evitar que fujam ou que se rendam, devem estar mesmo a pensar assim: “ah, valeu a pena eu ter sido um democrata liberal, entre 1991 e 2014, e tolerado os glorificadores de nazis, em vez de ter lutado pela sua prisão, ou eliminação, enquanto havia oportunidade para tal”…

Deixem de ser os apalermados que chamam “Império” à Rússia e “czar” a Putin. Deixem de ser os tolos que acreditam na propaganda USAmericano-fascista contra Cuba e contra a Venezuela. Deixem de repetir, como o cão de Pavlov, a propaganda mentirosa ocidental contra o Irão, a China e tantos outros.

Deixem-se de m*rdas e tenham coragem para escolher um lado! E que seja o lado bom, ou seja, o que não tem criminosos de guerra da NATO, nem porcos imperialistas anglo-americanos, nem fascistas EU-ropeístas, nem nazis ucranianos, nem genocidas israelitas/sionistas!

Está na hora de usarem o cérebro, f*da-se!