O armamentismo dos neocons e o racismo dos neonazis — a mesma doutrina com novos intérpretes

(Carlos Matos Gomes, in Medium.com, 08/01/2025)


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Os movimentos iniciais dos nazis no terreno da economia nos anos vinte do século passado ainda estão sujeitos a inúmeras controvérsias. Essa dificuldade tem sido atribuída ao sucesso do regime de Hitler em encobrir os gastos com armamentos, tendo chegado ao ponto de deixar de publicar dados sobre as despesas governamentais. O atual discurso dos dirigentes do “Ocidente Global” sobre gastos militares segue o mesmo método, substituindo a censura pelo emassamento de dados de onde não é possível retirar informações fidedignas.

O papel do grupo de personagens que no século passado dirigiram a passagem do nazismo de uma ideologia a um regime totalitário e expansionista também tem sido mantido na obscuridade para concentrar o mal na figura de Hitler. A passagem do nazismo da teoria e da propaganda à prática foi obra de um grupo em que todos se odiavam, mas em que todos competiam para desempenhar os principais papéis e, sobre tudo enriquecer. Alfred Rosenberg, Himmler, Goring, Heydrich são alguns nomes dos que promoveram a Alemanha de Hitler. Alfred Rosenberg , menos conhecido, foi importante, por exemplo, na elaboração da ideia de que havia uma conspiração judaica mundial por detrás da revolução comunista na União Soviética. Nessa perspectiva, os eslavos eram uma raça inferior, a ser escravizada pelos alemães, e a URSS era um projeto judeu para os liderar contra a raça superior. Um discurso coincidente com o atualmente difundido pelos grandes meios de manipulação.

A corte de Trump e o programa MAGA é um regresso ao passado. A imagem que temos do nazismo e dos nazis é de seres robotizados, de botas altas, bigode, braço estendido, desumanizados, mas os nazis dos anos vinte e trinta do século passado eram seres aparentemente tão inofensivos como os quase juvenis bebés Nestlé que as fotografias de Elon Musk ou Mark Zuckerberger sugerem e os nazis da versão anterior também já utilizavam a alta tecnologia para justificarem o seu poder. Heydrich era um apaixonado pela aviação e um amante dos caças Messerschmitt, à semelhança de Elon Musk com os satélites e os foguetões da Starlink.

O núcleo duro do nazismo era constituído por personagens que se apresentavam como normais, em ambientes familiares, e o seu êxito consistiu em terem escondido a paranoia que os infetava com uma hábil propaganda, esta a cargo de Goebbells. O núcleo duro dos neocons é apresentado como um conjunto de génios que dominam a Inteligência Artificial e com ela vão impor o seu domínio aos povos inferiores.

Revivemos um tempo de velhos truques adaptados aos meios atualmente disponíveis, mas a natureza dos intérpretes não mudou. Adam Tooze, historiador inglês e professor em História Económica Europeia Moderna na Universidade de Cambridge, no livro O Preço da Destruição (2006), um título premonitório, destaca que o marco divisório entre a República de Weimar e o Terceiro Reich não foi a criação ou destruição de empregos, mas a mobilização em torno do rearmamento. O que é semelhante à separação entre o capitalismo antes e depois da queda do muro de Berlim e da vitória do neoliberalismo da Escola de Chicago e do Não Há Alternativa (TINA).

As opiniões públicas europeias estão a ser massacradas com duas ideias-martelo, uma, a necessidade de gastar recursos em armamento, que ilude o desemprego e a degradação do estado social provocadas pelas duas guerras lançadas pelos Estados Unidos para manterem a sua hegemonia mundial, a da Ucrânia e a do Médio Oriente; a outra, a da necessidade da Ordem, de um Estado Forte que defenda as oligarquias.

Os grupos neonazis em crescimento realizam neste momento o trabalho de sapa de “identificar” o imigrante como o inimigo, atribuindo-lhe a autoria de toda a sorte de crimes, considerando-o fator de insegurança, ou como alguém que rouba o trabalho aos nativos e destrói a identidade cultural do povo de acolhimento. O discurso dos vários “cavaleiros do Apocalipse”, de Trump a Ventura, de Salvini a Farage é o mesmo, porque é o mesmo o espantalho do medo que agitam e que esconde o medo das elites instaladas da perda do seu domínio sobre o sistema político. O trabalho de propaganda do armamentismo como programa político de salvação da nossa civilização, é uma tarefa considerada “limpa” e está a cargo de políticos institucionais e dirigida pela NATO.

Quer os pastores que dirigem os movimentos neonazis, ditos populistas, quer os burocratas da NATO e da União Europeia, os institucionais, sabem que a imigração não é a causa da crise económica e social que o “Ocidente Global” vive, mas que é uma consequência das ações que este desenvolve e desenvolveu para impor e manter o seu modelo social baseado na desigualdade e que os imigrantes são meras peças de usar e deitar fora de importar ou rejeitar consoante o “mercado”.

A algazarra criada no “Ocidente Global” contra a imigração, a insegurança e a corrupção, que na versão portuguesa está a cargo do Chega de Ventura, é um dos meios de manipulação utilizados pelos neocons americanos para evitarem a perda da supremacia planetária que ganharam com o final da Segunda Guerra. As elites ocidentais decidiram que o perigo deveria ser enfrentado com o reforço dos aparelhos dos estados sobre os cidadãos, com a instauração de estados policiais e tendencialmente totalitários, ditos iliberais, com o isolamento e o fechamento ao exterior e com o desencadeamento de conflitos armados em zonas estratégicas, a Eurásia, com a guerra na Ucrânia, o Médio Oriente, através de Israel, as regiões de África produtoras de minerais raros, necessários para as novas tecnologias. O Chega de Ventura é o agente deste programa para Portugal.

O nazismo não foi um produto alemão saído de uma linha de montagem como um Mercedes ou uma salsicha de Frankfurt, o nazismo é uma velhíssima ideologia baseada na intolerância relativamente ao outro, ao diferente, é uma ideologia racista assente no conceito da superioridade. A cumplicidade dos dirigentes europeus com o regime de Israel e o apoio dos oligarcas dos Estados Unidos ao genocídio levado a cabo na Palestina por Israel revela quanto o nazismo está entranhado na cultura do Ocidente, nas suas elites e oligarquias.

Os que não toleram os outros são os cobardes que não confiam em si. Os movimentos nazis, como todos os seus antecessores fundados na intolerância, representam o medo. As fogueiras da Inquisição e as paredes de fuzilamento, os guetos, os discursos ameaçadores são sinais políticos que devem alertar os democratas contra os perigos que ameaçam a humanidade.

A alternativa a um grande confronto seria eliminar ou minimizar as causas das diferenças, as desigualdades que geram os movimentos migratórios, a verdadeira corrupção, as dos offshore, das parcerias público-privadas, as da promiscuidade entre negócios públicos e lucros privados, mas isso implicaria diminuir os lucros proporcionados pelas guerras e partilhar o poder, o oposto de uma estratégia assente na hegemonia planetária de uma minoria de bezerros de oiro.

Como um mandado de prisão brasileiro por crimes de guerra colocou Israel em pânico

(Por Amir Tibon, in Reseau International, 07/01/2025, Trad. Estátua de Sal)

O governo israelita tem muito poucas opções quando são emitidos mandados de prisão a nível internacional para soldados que serviram em Gaza e no Líbano – mas nem sequer as está a utilizar neste momento.

(Será que se começa a fazer um “bocadinho” de justiça? Só posso dar os meus encómios às autoridades judicais do Brasil.

Estátua de Sal, 08/01/2025)


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É raro que as principais notícias do dia em Israel digam respeito a um acontecimento que ocorra no outro lado do planeta. No entanto, foi isso que acordou os israelitas no domingo, depois de terem surgido relatos de que as autoridades locais brasileiras estavam a tentar prender um turista israelita pelo seu alegado envolvimento em crimes de guerra cometidos em Gaza.

O nome do cidadão israelita não foi publicado por Israel – o seu nome é Yuval Vagdani, (Nota do Tradutor) -, mas o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel e a  Embaixada de Israel em Brasília disseram este domingo que ajudaram o homem a fugir daquele país sul-americano antes que as autoridades o conseguissem deter.

Descobriu-se que o caso contra ele se baseava em provas que ele próprio fornecera inadvertidamente, depois de ter descarregado na net vídeos e imagens do tempo em que serviu como reservista em Gaza. Esta informação foi levada ao conhecimento dos procuradores brasileiros por uma organização não-governamental pró-Palestina (A Fundação Hind Rajab). Embora este homem tenha escapado à prisão, outros casos envolvendo israelitas que viajaram para o estrangeiro já estão a ser preparados.

Quando o Tribunal Penal Internacional emitiu mandados de prisão para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant em novembro, escrevi o seguinte:

“Uma das consequências previsíveis desta decisão é que muitos israelitas que participaram na guerra de Gaza – desde oficiais de alta patente a soldados subalternos – pensarão duas vezes antes de viajar para o estrangeiro, dada a ameaça crescente de mandados de detenção emitidos contra eles em solo estrangeiro”.

“Agora, que a mais alta autoridade em direito internacional declarou tão claramente que os líderes israelitas são suspeitos de crimes de guerra, quem é que, em sã consciência, correrá o risco de que um tribunal local em Espanha, França ou Alemanha conclua que qualquer israelita que tenha contribuído para esses supostos crimes deve, no mínimo, ser investigado?”

“Isso pode ser tido como um ultraje, antissemitismo, injustiça, mas por enquanto é uma característica da nova realidade de Israel que não pode ser ignorada”.

Foi fácil fazer essa previsão e é ainda mais fácil prever que o que aconteceu no Brasil na semana passada se repetirá em breve noutros países. Nos últimos 15 meses, milhares de soldados israelitas partilharam vídeos e imagens de Gaza e do Líbano, apesar dos apelos dos seus comandantes para não o fazerem – por razões operacionais e legais. Tal é um sintoma da perda de disciplina do exército israelita e do crescente desprezo de muitos soldados, quer os do serviço obrigatório quer os reservistas, pelas mais altas patentes do exército israelita. Ignorar os avisos dos comandantes superiores e dos consultores jurídicos, que há meses afirmam que aquela prática coloca os soldados em perigo, pode custar caro. Isso quase aconteceu no Brasil e acontecerá noutros lugares, mais cedo ou mais tarde. A verdadeira questão é o que é que o governo israelita pode fazer em relação a este problema e se está realmente a tomar medidas. O líder da oposição e antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, Yair Lapid, disse no domingo que o governo que enviou estes soldados para o campo de batalha já não os protege do risco de prisão depois de completarem o seu serviço. Esta declaração levou a uma intensa troca de acusações entre Lapid e o homem que atualmente ocupa o seu antigo cargo, Gideon Sa’ar. Contudo, a guerra de palavras não rendeu muitas informações úteis. Uma fonte sénior do Ministério dos Negócios Estrangeiros disse ao Haaretz que Israel tem muito poucas opções para lidar com o problema, e mesmo estas não estão a ser utilizadas de forma adequada neste momento.

A fonte citou a importância de convencer o maior número possível de países de que Israel conduz investigações honestas e imparciais sobre irregularidades dentro das suas próprias fileiras. No entanto, também manifestou preocupação, pelo facto de o atual governo estar a fazer exatamente o oposto, atacando o gabinete do procurador militar por tomar medidas contra soldados suspeitos de infligir violência física a detidos palestinianos.

Um antigo embaixador israelita, que trabalhou em casos semelhantes no passado, acrescentou que embora existam “pessoas excelentes e talentosas que lidam com estas questões nos Ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Justiça”, a sua capacidade de ajudar é principalmente “caso a caso”, usando conexões com governos locais, militares, promotores e parlamentares para tornar os países menos perigosos para os viajantes israelitas que serviram no exército.

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa do Knesset anunciou que realizaria uma audiência de emergência sobre o assunto na segunda-feira, durante a qual representantes dos ministérios relevantes serão convidados a apresentar as medidas que estão a tomar. Mas parece que a maior parte das suas respostas serão táticas e específicas para cada país, e não gerais – o que não é particularmente tranquilizador.

“Podemos trabalhar com os governos para limitar a sua cooperação com as organizações que pressionam por estas detenções”, explica o antigo diplomata. “Mas o que é realmente necessário é uma estratégia diplomática e jurídica mais ampla para lidar com este problema – e até agora não vejo nenhum sinal de que o governo israelita tenha uma”.

Fonte aqui.

Moçambique: a extrema direita tenta assaltar o poder

(Diário da Causa Operária, 07-01-2025)

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Quase 100 pessoas morreram em protestos incentivados pelo líder da extrema-direita moçambicana e ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, que se recusa a admitir a derrota nas eleições de 9 de outubro. Nos mais de quarenta dias de protesto já foram registradas mais de três mil prisões. Durante a tensa contagem de votos, que levou duas semanas para ser concluída, foram assassinados a tiros no meio da rua de duas figuras-chave ligadas ao Podemos, o principal partido da oposição.

Assim que os resultados foram conhecidos, o PODEMOS (Partido Otimista pelo Desenvolvimento de Moçambique), partido de Mondlane, que mal obteve vinte por cento dos votos, saiu às ruas de Maputo, capital do país, e de outras cidades. Desde então, tudo está paralisado.

Mondlane é empresário, banqueiro e pastor. Ele se apresentou como independente, apesar de pertencer à histórica oposição RENAMO (Resistência Nacional Moçambicana), uma organização de extrema-direita armada pela, na época, racista África do Sul e pelos Estados Unidos para lutar contra a FRELIMO durante a guerra civil de libertação.

O movimento da oposição de extrema-direita teve apoio de fortes panelaços dos bairros mais ricos da capital. Os protestos tornaram-se uma ocorrência diária, enquanto a repressão policial se torna mais forte chegando a usar munição letal e agredir os manifestantes. Mondlane, recentemente conclamou os seus seguidores para que continuassem os protestos por mais dois ou três meses.

Entretanto, o atual Presidente Filipe Nyusi, da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), e o candidato vencedor Daniel Chapo, por mais de setenta por cento dos votos, tentaram restabelecer a ordem no país. No dia 4 de dezembro, a oposição voltou a fazer uma nova semana contínua de protestos, enquanto o Governo alertou os cidadãos dos perigos que estão expostos se continuarem com a onda de violência. Na cidade de Pemba, capital da província de Cabo Delgado, também conhecido como Cabo Esquecido, a mil e setecentos quilômetros de Maputo, os manifestantes bloquearam ruas, incendiaram pneus e ergueram cercas para dificultar a chegada da polícia. Cenas semelhantes foram vistas em outras cidades, mas em Pemba os manifestantes foram particularmente violentos. Isso levantou suspeitas de que eles poderiam ser militantes da Ahlu Sunnah Wa-Jamaa (Seguidores do Caminho Tradicional ou Defensores da Tradição), o Daesh (Estado Islâmico) khatiba que opera em Cabo Delgado desde 2017, tendo feito desta província a principal frente de suas operações, gerando milhares de mortes, o cerco de pequenas cidades, sequestros, assassinatos rituais (decapitações), saques, ataques contra igrejas e até mesquitas.

Outro acontecimento que ficou oculto por trás do processo controverso da eleição moçambicana foi a morte a 2 de novembro, em aparente acidente de carro, de Bernardo Constantino Lidimba, chefe do Serviço Estatal de Informação e Segurança (SISE). Isso aconteceu no departamento de Mapai, na província de Gaza, a quase 400 quilômetros de Maputo e a menos de 100 quilômetros da fronteira com o Zimbábue, quando o país estava, e ainda está, à beira da explosão. O SISE conta com uma equipe de cerca de 20.000 agentes, muito superior ao próprio exército, com cerca de 12.500 soldados.

Algumas versões indicam que Lidimba estava viajando para se encontrar com seu homólogo do Zimbábue, o chefe da Organização Central de Isaac Moyo, com quem estava planejando um golpe contra o enfraquecido presidente Nyusi. O Ministério da Defesa de Moçambique informou sobre uma tentativa de golpe de Estado organizada por fatores internos e também externos, de modo que um plano de contingência foi executado.

Os antecedentes históricos

Em abril de 2021, terroristas ocuparam a cidade de Palma, uma das mais importantes da província, com mais de sessenta mil habitantes, e Mocímboa da Praia, com pouco mais de trinta mil, o que forçou as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) a levar semanas para expulsar os mujahideen daquelas cidades e proteger as áreas circundantes. A tomada da cidade de Palma obrigou o governo do Presidente Nyusy a concentrar todas as suas forças para neutralizar os fundamentalistas, para o qual ele pediu a assistência dos governos de Ruanda e Zimbábue, além de contratar os serviços da empresa de segurança (mercenários) Dyck Advisory Group da África do Sul e do Grupo Wagner, agora conhecido como Africa Corps. Embora não tenham conseguido derrotá-los, forçaram os mujahideen a diminuir a intensidade de seus ataques.

Desde então, o grupo matou quase 5.000 pessoas, gerando mais de um milhão de pessoas deslocadas. A presença deste grupo terrorista em Cabo Delgado tem resultado na interrupção forçada das operações de várias empresas internacionais de gás que operam na costa da província. A atuação dos terroristas tem impedido a construção de uma megausina da Total Energies francesa na península de Afungi. Dificulta também a operação de um segundo campo de gás pela ExxonMobil, que será o maior investimento privado da história do continente a um custo total de cinquenta bilhões de dólares.

Em Moçambique, a exploração de gás natural, o seu recurso mais importante, é realizada principalmente por grandes empresas norte-americanas e europeias. As principais concessões de gás estão na Bacia do Rovuma, onde foram descobertas mais de 180 trilhões de pés cúbicos de reservas. Nesta área, a empresa francesa Total Energies, Eni da Itália e ExxonMobil dos EUA são as principais exploradoras, com o apoio financeiro do Eximbank e da Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos. Estes compromissos financeiros representam um dos maiores investimentos do governo dos EUA no continente africano.

Apesar de sua riqueza em recursos naturais de alto valor, como gás natural, grafite, titânio e diamantes, Moçambique ocupa atualmente a 183ª posição de 193 países no Índice de Desenvolvimento Humano. A desigualdade e a pobreza estão entre as mais altas em nível global, com quase metade de seus 33 milhões de habitantes vivendo abaixo da linha da pobreza. Este é o resultado, que não pode ser contestado por ninguém, de anos de exploração pelo imperialismo das riquezas naturais do país que nada melhorou a vida da população.