A guerra final da América

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(Andrei Martyanov, in Resistir, 12/02/2025)


Capítulo 12 (Conclusão) de America’s Final War, o último livro de Martyanov. Apreciação da Estátua: Imperdível para quem queira ter mais alguma luz sobre o atual momento histórico.


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É IMPOSSÍVEL terminar adequadamente o texto sobre o impacto do conflito da Rússia com o proxy da NATO, a Ucrânia, porque a operação militar especial (OME) evoluiu para o que a Rússia agora designa como guerra. No entanto, o resultado não deixa dúvidas e algumas conclusões preliminares, e até previsões, já podem ser feitas.

A conclusão mais importante é a derrota histórica do Ocidente combinado e do seu líder, os Estados Unidos. A forma como foi derrotado militarmente é óbvia – os países da NATO viram-se totalmente impotentes face a um adversário com uma economia maciça e sofisticada e, no estado atual, com as forças armadas mais avançadas do mundo.

Ler artigo completo aqui.

O oráculo de 4 de Março de 2022

(Estátua de Sal + Miguel Castelo Branco, in Facebook, 13/02/2025)

Major-General Agostinho Costa

(Não resisto a juntar-me ao autor do texto que segue. E os alienados russofóbicos chamavam ao Major-General Agostinho Costa “putinista” e, agora no estertor em que esbracejam, devem apodá-lo ainda com mais raiva. Afinal o homem acertou em tudo, logo no 8º dia da guerra, contrariamente ao Isidro que chegou a dizer que a Rússia só tinha munições para quize dias… 🙂

Os zelenkistas da Europa parecem agora baratas tontas e até o Costa já quer dar conselhos ao Trump, não tendo a noção do ridiculo em que navega, devido à insignificância da Europa.

E também me tenho divertido à brava ao ver o “contorcionismo” sem rede dos comentadeiros das televisões a quererem justificar como plausível aquilo que andaram três anos a negar.

Mas, mais que tudo, registo a alegria de ouvir as palavras ACORDOS, NEGOCIAÇÕES E PAZ a toda a hora. Talvez a insanidade se tenha afastado do horizonte de vontade dos que mais mandam no Mundo. Restam apenas os latidos dos caniches.

Contudo, deixemo-los em paz – acabarão por ficar encolhidos a abanar a cauda. Sim, porque nem são cães de ladrar. E mesmo, perante os que ladram, a caravana passa. 🙂

Estátua de Sal, 13/02/2025)


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No domínio da Geopolítica e da Geoestratégia, a análise dos conflitos, ou seja, da polemologia, requer ao observador uma base conceptual sólida capaz de interpretar os fenómenos ou acontecimentos e as respetivas tendências.

Neste aspecto, a neutralidade e a honestidade na análise são garantias de fiabilidade e sucesso, pelo que a coerência não pode ser confundida com teimosia, mas como manifestação de um pensamento articulado e seguro que se desdobra no tempo, é passível de revisão e ajuste.

Ao rever as imagens do vídeo abaixo, datadas de 4 de Março de 2022, muitos compreenderão a honestidade de quantos, desde o primeiro dia da guerra, pediam racionalidade, objetividade e isenção.

Agostinho Costa disse-o perante o estupor, os gritos e insultos de uma mole de desvairados e, como se vê, nada do que então afirmou estava inquinado de parcialismo. Impressionante como cada palavra ganha hoje pleno significado. É ver o vídeo.

 


Afinal havia outro modo

(João Mc-Gomes, in VK, 13/02/2025, Revisão da Estátua)


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Trump não tem medo do “imperialismo russo” e pretende negociar um Acordo de Paz para o conflito ucraniano que poderia ter sido obtido em 2022. A UE e os dirigentes europeus, em maioria, mostraram ao longo de três anos completos a sua incapacidade de tentar resolver o conflito, baseados na constante mentira propalada de que “a Rússia quer atacar a Europa“, porque Putin tem uma politica de ambições imperialistas.

Esse argumento das “ambições imperialistas de Putin” perde agora força e razão de ser não apenas porque, afinal, existe a possibilidade de uma solução negociada como, na realidade, se reduz a ações que Putin tomou com justificação na defesa objetiva do seu território: politicas especificas e objetivos muito concretos de poder tornar a Federação Russa numa nação capaz de usar as suas potencialidades num Mundo Económico em mudança permanente.

O argumento de que a Rússia tem “ambições imperialistas” que foi lançado durante três anos, muitas vezes partiu de uma análise superficial e alinhada com a narrativa ocidental predominante, ignorando nuances históricas e geopolíticas importantes.

Vamos desconstruir essa acusação com base em factos e contextos:

.Putin e outros líderes russos, desde o colapso da URSS, alertaram repetidamente para o avanço da NATO em direção às fronteiras russas. Em 1990, há registos de promessas ocidentais (feitas a Gorbachev) de que a NATO “não avançaria uma polegada para o leste” em troca da reunificação da Alemanha. No entanto, essa promessa foi ignorada, e a aliança expandiu-se sucessivamente, incluindo países do antigo bloco soviético e até ex-repúblicas da URSS, como os estados bálticos.

Essa expansão tem que ser vista como uma violação do equilíbrio estratégico que havia sido estabelecido, levando a Rússia a adotar medidas defensivas. A segurança nacional de um país não pode ser analisada de forma isolada – se uma potência nuclear vê uma aliança militar hostil aproximar-se das suas fronteiras, é natural que tome contramedidas.

. Se a Rússia fosse um Estado imperialista agressivo, não teria priorizado a construção de laços comerciais estratégicos com a Europa durante décadas. O projeto Nord Stream, por exemplo, era uma prova da tentativa russa de se integrar economicamente no continente. No entanto, essa cooperação foi desmantelada, não pela Rússia, mas por ações políticas dos EUA e de certos setores europeus.

. Um verdadeiro império expansionista buscaria anexar territórios e estabelecer colónias, mas a Rússia, ao contrário dos EUA, não tem bases militares espalhadas pelo mundo nem um histórico recente de invasões múltiplas.

O conflito na Ucrânia é frequentemente citado como “prova” do imperialismo russo, mas há uma série de fatores negligenciados:

– O golpe de 2014 em Kiev, apoiado pelo Ocidente, instalou um governo hostil à Rússia.

– A repressão contra populações russófonas no Donbass levou a uma guerra civil que durou anos antes da intervenção russa em 2022.

– Os Acordos de Minsk, que previam a autonomia para as regiões separatistas, foram ignorados pela Ucrânia, que, segundo declarações ocidentais posteriores (como as de Angela Merkel e François Hollande), nunca teve intenção real de cumpri-los.

A ação russa na Ucrânia pode ser vista como uma resposta estratégica à crescente militarização da região e à ameaça direta que representava para a sua segurança. Não se trata de uma guerra de conquista territorial clássica, mas de uma tentativa de reverter o avanço ocidental sobre um espaço historicamente ligado à esfera de influência russa.

Imperialismo, no sentido clássico, envolve expansão territorial sistemática, domínio económico sobre outras nações e controle político direto. A Rússia, ao longo das últimas décadas, não tem um histórico comparável ao dos EUA, que interveio militarmente em dezenas de países e manteve ocupações prolongadas (como no Afeganistão e no Iraque) e, agora, já fala em controlar a Groenlândia, em comprar a Faixa de Gaza, em açambarcar o Canal do Panamá, etc.

Se há um ator no cenário global que mantém uma política claramente imperialista, é a NATO liderada pelos EUA, que força alinhamentos políticos, promove golpes de Estado e impõe sanções económicas contra nações que não seguem a sua linha.

Essa acusação de “ambições imperialistas russas” parece mais um slogan político do que o resultado de uma análise objetiva da realidade. Tem que se reconhecer que a Rússia tem adotado políticas defensivas diante da crescente pressão do Ocidente, e que a sua atuação na Ucrânia, embora possa ser questionável pelos métodos e não pelos objetivos, não pode ser vista isoladamente sem considerar o contexto geopolítico dos últimos 30 anos.

Por outro lado, a política ocidental em relação ao conflito na Ucrânia foi, em muitos aspetos, um enorme erro estratégico e um desastre económico para a própria Europa. Vários fatores demonstram que uma solução diplomática teria sido mais benéfica desde o início, mas foi deliberadamente sabotada por interesses políticos e geopolíticos específicos.

Nos primeiros meses do conflito, houve negociações reais entre a Rússia e a Ucrânia, mediadas por países como a Turquia. O próprio governo ucraniano, sob pressão das suas forças armadas que estavam sofrendo pesadas baixas, mostrou-se disposto a aceitar um acordo. No entanto, (a mando de quem?) Boris Johnson, então Primeiro-Ministro do Reino Unido, foi a Kiev e pressionou Zelensky para não assinar qualquer tratado, garantindo que o Ocidente continuaria a apoiar a Ucrânia militarmente.

Isso significou que, em vez de encerrar rapidamente o conflito e evitar a destruição massiva, o Ocidente optou por prolongar a guerra, numa tentativa de “enfraquecer a Rússia” através de uma guerra por procuração.

A UE embarcou numa política de sanções contra a Rússia que, não apenas falhou em colapsar a economia russa, como prejudicou gravemente as próprias economias europeias. A dependência do gás russo foi subestimada, e as alternativas (como o gás natural liquefeito dos EUA) mostraram-se muito mais caras. A desindustrialização da Alemanha e o aumento do custo de vida em toda a Europa foram consequências diretas dessa má estratégia.

Além disso, a Europa perdeu o acesso a um mercado de exportação valioso e competitivo, e a decisão de seguir as diretrizes de Washington na política energética teve um impacto negativo direto na sua competitividade industrial.

Durante quase três anos, o Ocidente tentou alimentar a narrativa de que a Ucrânia poderia vencer militarmente a Rússia, fornecendo armas, apoio logístico e financiamento. No entanto, isso ignorou várias realidades estratégicas fundamentais:

– A Rússia tem uma capacidade industrial militar superior.

– A Ucrânia tem um problema de recrutamento cada vez maior, enquanto a Rússia conseguiu mobilizar centenas de milhares de soldados.

– A NATO não poderia intervir diretamente sem risco de escalada nuclear.

Agora, com Trump indicando que deseja negociar um fim para o conflito, percebe-se que toda essa estratégia ocidental apenas prolongou desnecessariamente o sofrimento ucraniano.

Muitos governos europeus que apoiaram a política anti Rússia sofreram desgaste interno:

– Macron enfrenta instabilidade na França.

– Scholz lida com uma economia alemã em crise e crescente insatisfação.

– O Reino Unido passa por dificuldades económicas e políticas após o governo de Johnson.

– A política ucraniana da UE alienou milhões de eleitores, que percebem agora que os sacrifícios feitos não levaram a resultados concretos.

Se Trump realmente chegar a um acordo com Putin, isso evidenciará que toda a abordagem ocidental foi um erro desde o início. Em vez de garantir segurança para a Ucrânia e estabilidade para a Europa, a guerra prolongada trouxe destruição, crises económicas e instabilidade política. O erro do Ocidente, e em especial da UE, foi não ter aceitado negociar em 2022. O erro foi permitir que interesses externos à Europa ditassem a política de segurança do continente. Agora, resta aos europeus pagar o preço dessas más decisões.