(Armando Rosa, in MaisRibatejo.pt, 16/02/2025)
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Desde o início do conflito entre Ucrânia e a Rússia, em 24 de fevereiro de 2022, o cenário mediático e intelectual europeu tem sido dominado por um discurso alinhado com as narrativas oficiais, amplificadas pela grande imprensa e canais de televisão. No entanto, algumas vozes independentes têm resistido a essa corrente, mantendo-se fiéis à análise objetiva dos fatos. Entre elas, destacam-se figuras como os Major-General Agostinho Costa, Carlos Branco, Raul Cunha e o Coronel Mendes Dias, que, apesar de enfrentarem críticas e insultos, continuam a oferecer uma visão informada e coerente sobre o conflito e suas implicações geopolíticas.
A radicalização do debate chegou a tal ponto que até mesmo eu, um simples opinador ocasional, fui alvo de ataques por ter escrito textos que divergiam da narrativa oficial. Fui acusado de “putinista” e até de “comunista”, o que revela a intolerância e a falta de critério que dominam o debate público. Muitos desses críticos, alinhados com os interesses do império, agora vêem-se confrontados com as evidências que sempre negaram. Não conhecem ainda a caixa de Pandora aberta com a extinção da USAID, agência americana espalhada pelo mundo, com um orçamento anual superior a 50 mil milhões de dólares e que, atrás de algumas ONG de mérito e utilidade reconhecidos, também servia para financiar mudanças de governos, bem como jornalistas e órgãos de comunicação social: só na Ucrânia 90% dos jornalistas “independentes” eram pagos pela USAID (Diana Panchenko: jornalista ucraniana).
O Enxovalho da Europa
Vem isto a propósito do atual processo revisionista em curso (um singular PREC das mentes) que também serve para contextualizar a realidade materializada em 13 de fevereiro de 2025, data cujo principal evento, confirmou o que alguns de nós, buscadores de informações para além do mainstream, já prevíamos desde o início do conflito: que a paz seria negociada entre a Rússia e os EUA e que a Rússia nunca poderia perder esta guerra, sendo a maior potência nuclear e sendo esta, para si, uma questão existencial.
A Europa que nunca apresentou qualquer plano para a resolução do conflito e que, até agora, adoptou o mantra do apoio à Ucrânia até à derrota da Rússia, ou pelo tempo que for necessário, mostra-se agora escandalizada pela sua marginalização nas negociações. Parecem baratas tontas a esbracejar por uma cadeira à mesa. A UE tem o que merece: a completa indiferença dos principais e únicos atores com poder para indicar o caminho do futuro deste conflito e da segurança na região.
O conteúdo conhecido do telefonema de Trump a Putin no passado dia 13 de fevereiro e os constantes enxovalhos a que os dignitários americanos têm submetido a Europa e os seus deprimentes governantes, são a demonstração clara de que a vitória da Rússia está assumida pelo principal apoiante da Ucrânia durante a guerra. A causa para essa assunção de derrota, não terá sido apenas a situação militar no terreno, deveu-se principalmente à constatação prática do que consubstanciou uma alteração de paradigma na própria arte da guerra: a Rússia não possuía apenas a supremacia no nuclear, mas demonstrou estar bastante à frente dos EUA e da NATO no que se refere à inovação no armamento convencional.
O Dia que Deixou a NATO em Choque
A confirmação de que o destino da guerra estava traçado, ocorreu com a revelação do míssil hipersónico russo Oreshnik. A sua apresentação feita em combate real com as imagens impressionantes da sua eficácia e a ameaça convincente feita por Vladimir Putin, foram tão impactantes que a administração americana e os políticos europeus mais beligerantes, tiveram de repensar sua estratégia de apoio incondicional à Ucrânia e da planeada caminhada para uma guerra total entre a NATO e a Federação Russa, que estaria na cabeça de muitos.
Esse evento chocante para o Ocidente, ocorreu em 21 de novembro de 2024, quando um míssil, até aí desconhecido, destruiu completamente a principal fábrica de mísseis e foguetes da Ucrânia, A Pivdenmash (oficialmente chamada de Fábrica de Produção de Máquinas do Sul), localizada em Dnipro, é uma das maiores e mais importantes fábricas de mísseis e foguetes espaciais do mundo. A área total da fábrica é de aproximadamente 2,8 milhões de metros quadrados (cerca de 280 hectares) e foi nessa noite completamente destruíoda.
Esse evento não apenas confirmou o destino da guerra, mas também alterou a percepção global sobre o equilíbrio de forças militares. A Rússia demonstrou que poderia alcançar objetivos estratégicos com armas convencionais indefensáveis, sem precisar recorrer ao arsenal nuclear tático. Militares da NATO e do Pentágono compreenderam que a Rússia havia alcançado um avanço tecnológico indiscutível, redefinindo as regras do jogo militar global.
O que é o Oreshnik?
Trata-se de um míssil balístico hipersónico, capaz de atingir velocidades de até 11 vezes a velocidade do som e com um alcance de 5.000 km. Pode ser equipado com 6 a 8 ogivas, nucleares ou convencionais, cada uma delas capaz de ser direcionada individualmente para um alvo específico. Mesmo sem explosivos, o poder destrutivo do Oreshnik é equivalente ao de uma ogiva nuclear tática, graças ao material de que é feito (tungstênio) e ao efeito cinético proporcionado pela velocidade de impacto, que ultrapassa10 Mach.
O aviso de 2018
Já em 2018, o General John Hyten, então comandante do Comando Estratégico dos EUA (USSTRATCOM), havia alertado sobre a ameaça representada pelos mísseis hipersónicos russos, como o Avangard e o Kinzhal. Durante uma audiência no Senado dos EUA, Hyten destacou a capacidade desses mísseis de superar as defesas americanas e destruir alvos estratégicos, como porta-aviões, em questão de poucos minutos. Em 2019, ele reiterou essas preocupações, enfatizando a velocidade e a manobrabilidade dessas armas, que tornavam qualquer reação praticamente impossível.
O reconhecimento em 2025
O Coronel Lawrence Wilkerson, do Exército dos EUA, resumiu o impacto do Oreshkin numa entrevista ao canal do YouTube Judge Freedom (COL. Lawrence Wilkerson : Who Owns the Drones?):
“Você tem um porta-aviões que custa US$ 14 bilhões, equipado com caças e tripulado por milhares de marinheiros… Um míssil Oreshnik pode destruir tudo isso em cerca de 30 segundos sem qualquer capacidade de defesa.”
Essa declaração sintetiza a mudança radical no equilíbrio de poder militar global. Os EUA, no médio prazo, não têm meios de defesa contra esse tipo de míssil e estão longe de desenvolver uma arma equivalente.
O Fim do Mundo Unipolar
Com armas como o Oreshnik e a clara vitória na Ucrânia, a Rússia não apenas desafia a hegemonia ocidental, no que se refere ao armamento convencional, mas também redefine as regras do jogo geopolítico e militar, marcando mais claramente o fim do unilateralismo e o início de uma nova era de multipolaridade, tacitamente reconhecida por Trump ao considerar Putin como o interlocutor privilegiado, retirando a Rússia do limbo de isolamento falsamente apregoado pelos infelizes e incapazes dirigentes Europeus.
Fonte aqui
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