Lagos – 10 de junho de 2025

(Carlos Esperança, in Facebook, 10/06/2025))


A Pátria, em dívida com benfeitores e filantropos ávidos de veneras, cachaços à espera do aconchego do colar, peitos insuflados para aguentarem o impacto da medalha, foi a Lagos afagá-los em cerimónia vigiada.

Os agraciados são numerosos, mas há outros a quem nunca a venera baterá no peito, sem títulos académicos, militares ou eclesiásticos, simples Pereiras, Silvas ou Oliveiras, sem dinheiro para brasão na casa ou laço de banda de qualquer colar, para a lapela.

É divertido ver o ar dos agraciados e a forma eficiente como os embrulham, com mais esmero do que nas ourivesarias atam as caixinhas das alianças, e dói a manutenção da coreografia, até a soturna evocação, “morte de Camões”, de quem devia celebrar-se a vida dada a incerteza da data e local de nascimento.

O 10 de Junho, cuja simbologia Jorge Sampaio resgatou, há vinte anos que remete para o passado sombrio da ditadura, com gente de negro, pais a receberem medalhas dos filhos, mulheres de maridos mortos e crianças amestradas, junto de Américo Tomás, para lhes ensinarem que deviam estar gratas pela orfandade que as atingira.

A liturgia regressou ao Portugal de Abril, com um presidente eleito a repetir gestos de antigamente, num palanque onde sobem atentos e veneradores os agraciados, com ar de quem vai cumprimentar os familiares do morto.

Está anunciada a outorga de uma venera ao general Ramalho Eanes pelo Comandante Supremo que não foi à tropa, talvez para pedir perdão de o ter combatido na candidatura a PR, ao lado, como sempre, dos piores, para apoiar o general que tinha dirigido um lúgubre presídio, o Campo de S. Nicolau em Angola.

Não simpatizo com o dia, apesar do amor ao poeta e aos dez cantos d’Os Lusíadas. Não vejo televisão nem oiço rádio. Recuso-me a ver cerimónias do passado em ‘playback’.

Prefiro esquecer o épico cosmopolita de que a ditadura se apropriou para a exaltação da suposta raça, ideia de panegiristas de má raça que adularam Salazar. Nem o discurso de Lídia Jorge, cujo mérito é indiscutível, redime a cerimónia lúgubre. Vou ler o poeta lírico:

Sôbolos rios que vão

por Babilónia, me achei,

Onde sentado chorei

as lembranças de Sião

e quanto nela passei.

Ali, o rio corrente

de meus olhos foi manado,

e, tudo bem comparado,

Babilónia ao mal presente,

Sião ao tempo passado.

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O partido da guerra à beira de um ataque de nervos

(Major-General Carlos Branco, in Diário de Notícias, 09/06/2025)


No rescaldo dos recentes ataques ucranianos às bases aéreas russas, várias personalidades próximas de Trump vieram a terreiro manifestar a sua opinião sobre o perigoso momento em que se encontra a humanidade como, por exemplo, o ex-mentor de Trump Stephen Bannon e o ex-conselheiro de segurança nacional Mike Flynn, refletindo ambos pensamentos muito próximos.

Numa recente mensagem colocada no “X”, Flynn alerta para a atuação de quem se encontra por detrás dos acontecimentos em curso e que empurram os EUA para uma confrontação militar de larga escala, com a Rússia. Dos vários aspetos abordados na referida mensagem, um merece particular atenção.

Flynn alerta para o facto de a maior parte da América permanecer alegremente desinformada pela comunicação social (CS), enquanto “as duas maiores superpotências do mundo são manipuladas pelas Forças das Trevas, dentro e fora do nosso governo [Administração Trump], para um grande confronto militar que nenhum país quer, e que nenhuma pessoa sã jamais desejaria.” O mesmo sucede na Europa, onde proliferam os idiotas úteis. Tal como a antiga presidente da Lituânia Dalia Grybauskaite que dizia “as armas nucleares já não amedrontam ninguém”, também nós temos cá criaturas semelhantes.

Flynn reitera algo que já sabíamos, mas que dito por alguém com a sua idoneidade ganha uma força e um sentido redobrado.

“O ‘Estado Profundo’ (Deep State) americano é composto por pessoas com um ódio profundo, visceral e irracional à Rússia, que conspiraram para interferir na tomada de decisões do Presidente Trump através do [conhecido] Russiagate Hoax.”

Flynn recorda-nos o óbvio, mas que causa incómodo a muita gente, na maior parte das vezes, por pura ignorância: “A Rússia não é a União Soviética e Putin não é Estaline”. “A CS oficiosa, profundamente influenciada e por vezes controlada pelo ‘Estado Profundo’, rotulou o Presidente Trump e aqueles que trabalham para ele de ‘marionetas de Putin’, para o incitar a tomar medidas injustificadas e agressivas contra a Rússia.”

“Estas vozes da CS do establishment refletem os pontos de vista do ‘Estado Profundo’, não do povo americano, não do movimento MAGA, e devem ser completamente ignoradas, se não mesmo ridicularizadas.” “Durante quase todo o período do pós-Segunda Guerra Mundial e certamente desde a criação da CIA, em 1947, essas forças obscuras do establishment, não eleitas, têm atuado para desestabilizar o mundo, trazendo morte, fome, assassinatos, violência, golpes de estado, motins, revoluções e destruição no nosso planeta.”

“Atualmente, estas forças estão a trabalhar para provocar a Rússia para um grande – talvez o último – conflito militar com o Ocidente.” Estas provocações têm assumido muitas formas: destruição do Nordstream, ataque aos radares de aviso prévio associados ao sistema nuclear russo, etc. e, mais recentemente, o ataque de drones ao arsenal estratégico da Federação Russa. Como salientou Flynn, “os bombardeiros estratégicos russos e americanos são obrigados, por acordo, a encontrarem-se visíveis à vigilância satelitária”. “Nunca ninguém atacou esses alvos. Se os bombardeiros russos podem ser atacados impunemente, o mesmo acontece com os bombardeiros americanos. Com esta ação, o Governo ucraniano não só enfraqueceu a Rússia como pôs em risco a América. Assim, os membros do Governo ucraniano que ordenaram estes ataques tornaram-se inimigos não só da Rússia, mas também dos Estados Unidos.”

Flynn não acredita que “a recente escalada contra a frota de bombardeiros estratégicos da Rússia tenha sido autorizada ou coordenada com o Presidente Trump. Pelo contrário, pensa que o ‘Estado Profundo’ está a agir fora do seu controlo. O ‘Estado Profundo’ está envolvido num esforço deliberado para provocar a Rússia para um grande confronto com o Ocidente, incluindo os Estados Unidos.”

Segundo ele, “chegou o momento de tomar medidas agressivas contra aqueles que abusam da sua autoridade como funcionários do Governo, para manipular a liderança eleita da nossa nação [EUA]. O ‘Estado Profundo’ americano não é apenas uma ameaça à paz, mas também uma ameaça ao Presidente”. Por isso, exorta “Trump a tomar medidas para purgar os inimigos da nossa nação [EUA] dentro das nossas agências e departamentos. Retirar essas pessoas do poder é absolutamente necessário para alcançar o tipo de paz que ele descreveu durante a sua campanha e no início da sua Administração.”

Flynn estabelece uma analogia com o presidente John Kennedy, quando este se apercebeu de que estava a ser manipulado, e afastou Allen Dulles do cargo de Diretor dos Serviços Centrais de Informações, bem como vários dos seus assistentes, que se opunham a quem procurava a paz. Nessa linha, exorta “o Presidente Trump a limpar imediatamente a casa de todos os membros do Governo que tiveram conhecimento prévio ou participaram de alguma forma no ataque ucraniano aos bombardeiros estratégicos da Federação Russa e a ir mais longe, declarando imediatamente o fim de qualquer apoio à Guerra da Ucrânia.” “Todos os americanos que ajudaram e foram cúmplices dos ataques da Ucrânia devem ser investigados por violação da lei americana e processados na medida do necessário.”

Aconselha, ainda, o presidente Trump a distanciar-se de certos líderes ocidentais, como o Chanceler alemão Friedrich Merz, que atuaram e falaram de forma irresponsável em relação à guerra na Ucrânia. “Se há países na Europa que desejam prestar assistência militar à Ucrânia, isso é da conta deles, e não devem ficar surpreendidos depois com a resposta do presidente Putin às suas ações contra a Rússia. Se esses dirigentes quiserem conduzir as suas nações para guerra, persistindo num comportamento irresponsável, deverão fazê-lo sozinhos.” “Este procedimento deve aplicar-se igualmente aos belicistas instalados no Governo norte-americano, entre os quais o Senador Lindsay Graham. Aqueles que adoram as guerras travadas por outros não são amigos da América e não têm o direito de ser amigos do presidente.”

Por último, Flynn “exorta o povo americano a apoiar, em espírito de oração e determinação, o presidente Trump, enquanto ele limpa a casa e atua em busca da paz que o Presidente Kennedy abraçou. A paz não é o estado normal do homem. A liberdade exige um preço a ser pago por cada geração. É altura de voltar a comprometer a nossa nação com ambos.”

Está, pois, na altura dos povos europeus abrirem os olhos e não se deixarem embalar pelo canto das sereias que atrai, seduz e cativa, mas que poderá conduzir ao naufrágio.

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Solução final: ataque à Flotilha da Liberdade prova plano sionista de extermínio total em Gaza

(Por Redacção Fepal, in Diálogos do Sul, 09/06/2025)


Ofensiva contra embarcação com Thiago Ávila e Greta Thunberg visa impedir que ativistas e o mundo testemunhem o extermínio decisivo dos palestinos; Israel precisa ser isolado e penalizado.


O regime sionista de Israel, forma social e estatal degenerada que supera até mesmo o nazismo, que se faz enquanto experimento social genocida na Palestina há 77 anos e que leva a cabo o maior extermínio humano da história em Gaza, em 611 dias ininterruptos e televisionados, acaba de atacar com violência a Flotilha da Liberdade, integrada por 11 tripulantes, dentre eles a ativista Greta Thunberg, o brasileiro Thiago Ávila e a parlamentar palestino-francesa Rima Hassan, cuja missão era furar o bloqueio “israelense” e entregar comida e medicamentos à população palestina, submetida à fome como arma de guerra na pretendia solução final perseguida pelo sionismo e seus aliados ocidentais.

O Medleen é uma embarcação que não leva armas ou militares; leva apenas ajuda humanitária, a que Israel e seu dono, os EUA, negam aos palestinos desde o início do extermínio em Gaza, em 7 de outubro de 2023. Se os ativistas não representam nenhum perigo militar ou de “segurança”, por que atacá-los com tamanha violência? Por que impedir que cheguem às costas de Gaza?

A resposta é simples: porque a ajuda humanitária não pode chegar aos civis de Gaza, às mulheres, crianças, anciãos, presos neste campo de concentração para serem exterminados, o objetivo final de Israel, agora abertamente confessado por seus dirigentes e pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

Além disso, Israel não pode permitir que estes ativistas testemunhem a solução final em curso em Gaza e a informem ao mundo, in loco e ao vivo. A razão é a mesma da maior matança de jornalistas da história (219 contra 69 na 2ª Guerra Mundial): esconder do mundo o extermínio sionista em Gaza.

Atacar os ativistas da Flotilha da Liberdade tem as mesmas motivações dos maiores assassinatos da história de profissionais de saúde (1.411), de funcionários da ONU (203), de profissionais da defesa civil (113), professores (800): tornar inabitável Gaza e levar à morte massiva do povo palestino que habita Gaza.

Foram essas ações que levaram à maior matança de crianças de todos os tempos (9.997 por milhão de habitantes, 3,55 vezes mais que no período nazista, quando foram mortas 2.813 por milhão de habitantes da Europa da 2ª Guerra). Tudo isso tem a ver com a busca da eliminação dos 2,3 milhões de habitantes palestinos de Gaza, integral limpeza étnica.

É evidente que a ajuda humanitária da Flotilha da Liberdade é fundamental, mas é menor frente ao que os ativistas estão mostrando ao mundo: Israel não tolerará as ações de solidariedade que impeçam o extermínio do povo palestino. Se ainda faltavam, não há máscaras que possam esconder as reais intenções sionistas em Gaza.

Diante de mais esta ação criminosa de lesa-humanidade do regime degenerado de Israel, este precisa finalmente ser isolado e penalizado, seja com sanções, boicote e desinvestimento, seja com bloqueio militar, inclusive implacável ataque bélico, que vise proteger o povo palestino do maior desastre humano da história.

Se a humanidade parou a Alemanha nazista e destruiu seu regime, é nosso dever histórico parar o Israel sionista e destruir seu regime. Termos feito isso fez bem à humanidade e ao povo alemão. Parar Israel hoje trará segurança para a humanidade e salvará palestinos e israelenses da ideologia fascista sionista e de seu regime genocidário.

Nossas mais irrestritas solidariedade e gratidão aos 11 ativistas da Flotilha da Liberdade.

Por fim, o Brasil tem o dever legal, político, ético e moral de romper todas as relações com este regime análogo ao nazista que atende pelo nome fantasia Israel, até que este pare o genocídio em Gaza e cumpra todos os ditames do Direito Internacional e das Resoluções da ONU para a Palestina.

Palestina Livre a partir do Brasil, 8 de junho de 2025, 78° ano da Nakba.

Fonte aqui

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