Parece que a Melania Trump escreveu ao Putin pedindo-lhe para acabar com a guerra na Ucrânia, (ver carta abaixo). Este artigo é uma carta de resposta.
Cara Sra. Trump
Chamo-me Faina Savenkova, uma criança que vive na guerra mencionada na sua carta ao Presidente Putin. Tal como a senhora, o Presidente Putin e o Presidente Trump, quero a paz para que as crianças não tenham de temer pelas suas vidas todas as noites.
Vivo sob bombardeios do exército ucraniano no Donbass há 11 anos. Para travar esta guerra e salvar a vida das crianças no Donbass e na Ucrânia, temos de instar o Presidente Zelensky a agir. Memoriais em Donetsk e Lugansk homenageiam as muitas crianças mortas por ataques ucranianos, e a violência continua, alimentada pela Europa e pelo ex-presidente Biden.
Em 2021, apelei às Nações Unidas pela paz, mas o site terrorista ucraniano “Myrotvorets” vazou as informações pessoais da minha família, levando a ameaças de morte contra mim. Quase 400 informações pessoais de crianças estão neste site, colocando em risco suas vidas.
O presidente Zelensky poderia encerrar este site, mas ele se recusa. A senhora pode ajudar a garantir que a Ucrânia siga as leis internacionais e suas próprias leis para proteger as crianças. Sei que tem o poder de fazer a diferença!
Nós, os filhos de Donbass, Belgorod e Kursk, não começamos esta guerra. Sempre defendi crianças a viverem em paz, sem medo. Como alguém que luta pelos direitos das crianças, tenho a certeza de que me compreende. Vivemos sob bombardeios ucranianos por muito tempo e nosso sonho é simples. Por favor, ajude-nos a ver um céu tranquilo acima de nós.
Ao analisar as negociações noAlasca, é importante, em primeiro lugar, descrever o que não foi dito por Putin e Trump, mas foi expresso em gestos e expressões faciais. Porque, independentemente das palavras, as posturas e gestos, seus resultados são sempre consequência da consideração do fluxo dos processos e do equilíbrio de poder. Medir o grau de domínio pessoal aqui é inútil — é um jogo de equipe.
(Manuel Augusto Araújo, in Facebook, 14/08/2025, Revisão da Estátua)
Imagem gerada por IA
O universo mediático é um alfobre de idiotas úteis vendidos a interesses mais ou menos obscuros. A fronteira da vigarice intelectual, das mentirolas, no melhor ou pior dos casos nas meias-verdades é o pântano por onde essa gente viaja alegremente despejando com ar sério – imagem de marca dos melhores burlões o que nem sempre conseguem ser -, os maiores dislates que o mais raso senso comum deveria destruir.
Só que, contam com plateias prontas a ser recetáculo das asnices e despautérios por se terem tornado incapazes de um mínimo de espírito crítico, da mínima capacidade de análise tanto por ignorância como pelo embotamento conseguido pelos Big Brothers, Casa de Segredos e coisas quejandas.
Agora o tema quase diário dos comentadores, uns beócios, outros filisteus, outros ainda enxertados de modo diverso nas duas categorias, que peroram sobre a guerra em curso na Ucrânia, é a hipótese de um acordo que abre as portas para uma paz possível.
Essa tropa fandanga acena um fantasma com os acordos de Munique de 1938, celebrados por Neville Chamberlain, Primeiro-ministro britânico, Édouard Daladier, Primeiro-ministro francês, Benito Mussolini, primeiro-ministro italiano, e Hitler em que parte substancial da Checoslováquia foi anexada à Alemanha nazi. Teoricamente para acalmar os ímpetos expansionistas do führer e alcançar uma paz para a Europa, os resultados são os conhecidos. Pretendem traçar um paralelo com uma provável paz na Ucrânia, em que os supostos planos expansionistas da Federação Russa não seriam travados.
A falsidade dessas arengas é que nessa época a crise do capitalismo era grave, o nacional-socialismo era a sequência do liberalismo clássico que tinha desembocado na Grande Depressão. A isso adicionava-se a Alemanha ter um grande défice de matérias-primas que só poderia obter invadindo outros territórios. Paralelamente a França e a Inglaterra procuravam que a Alemanha nazi se virasse para leste, onde encontraria na União Soviética a solução para essa escassez, de caminho destruindo o espectro do comunismo que, de algum modo, assombrava a Europa e punha em causa os valores capitalistas.
A inutilidade dos acordos de Munique tem essa raiz. Olhando para a realidade atual qual o interesse da Federação Russa, sem ser alcançar uma sólida segurança, em se expandir para a Europa? Qual o interesse económico e de matérias-primas que a Europa oferece? Nenhum! Zero!
O contrário é que é real. A Federação Russa pela sua extensão territorial, as suas riquezas em matérias-primas, a oferta de investimentos possíveis da agricultura à indústria, à exploração das matérias-primas é que é alvo do interesse ocidental, como a louca Kaja Kallas num momento de lucidez e inesperada sinceridade assumiu expressando o desejo de implodir a Federação Russa para mais facilmente explorar as riquezas do seu território.
O que essa gente, acenando com o papão de Munique, faz é ocultar a realidade e, de caminho, ocultar o que de facto está a acontecer na Ucrânia, num plano traçado em 2009 – leiam os think-tanks norte-americanos -, posto em marcha em 2014, com o golpe de Maidan, em que os EUA investiram cinco mil milhões de dólares – Victoria “que se foda a Europa” Nuland dixit -, que se agravou brutalmente com a invasão russa.
A Ucrânia é um entreposto onde se digladiam vários interesses, mas nenhum configura uma desnecessária expansão da Federação Russa. Poderá ter uma consequência desastrosa para a União Europeia, que seria ou será a adesão da Ucrânia, qualquer que seja a forma como saia deste conflito, o que aliás já teve algumas erupções em vários países da UE, por enquanto só ao nível da agricultura.