Repulsa comum e responsabilidade coletiva

(Joseph Praetorius, in Facebook, 25/07/2025, Revisão da Estátua)

O grito de Gaza do artista palestiniano Omar Esstar

A par das notícias das manifestações populares e espontâneas de protesto das gentes da Europa contra o massacre dos palestinianos – gregos que não deixam desembarcar turistas “israelitas”, galegos que se recusam a ter na sua esplanada, outros turistas “israelitas”, por exemplo, a par das notícias da necessidade de disciplinar com intervenção policial, um bando de crias “israelitas” que se sentiam autorizadas a brincar, até, com a autoridade do comandante de um avião comercial em Valência -, a par destas coisas, chegam-nos notícias de manifestações, em “Israel”, contra a chacina “israelita” da população da Palestina, sobretudo em Gaza, (complementada com ataques à Síria e à Cisjordânia).

Essas manifestações são bem acolhidas pela opinião pública europeia. A mim parecem-me, não obstante, tentativa de evitar – ou minorar – a arguição acusatória da responsabilidade coletiva.

Abstenho-me portanto de me regozijar com essas manifestações políticas de boa consciência cívica, tal como querem apresentar-se.

Um estado cuja assembleia legislativa aprova coisas destas, um estado cujo aparelho judiciário não reage a coisas destas, não pode ser salvo com o truque de uns escassos milhares de pessoas na rua a darem a imagem de protesto e a pretender demonstrar que não há unanimidade.

A unanimidade expressa-se – numa dita democracia representativa – institucionalmente. Se o parlamento não censura aquilo, se os tribunais não reagem àquilo, se o governo faz aquilo, se as Forças Armadas consumam aquilo, não será um punhado de manifestantes a demonstração suficiente da falta de unanimidade.

Pouco me importa que soldados daquela coisa se suicidem. É frequente que a repulsa moral por si próprio se salde em gestos desses. Esses suicídios valem confissões. E podem, por isso, suscitar uma atenuação. Talvez não o perdão.

Como deixou escrito Jankélévitch – filósofo e musicólogo francês – , os que excluem os outros da Dignidade Humana, excluem-se, por isso mesmo, de qualquer possibilidade de perdão. Cortaram todas as pontes. Não há regresso.

De resto, nunca seríamos nós quem teria a legitimidade de perdoar.

Que fácil seria perdoar os crimes contra os outros, cujas dores não sentimos nunca. Perdoar a redução ao estado de animais, em vez das vítimas a quem se nega alimento, depois de proibir as formas mais elementares de o angariar – afundando qualquer embarcação de pesca, matando os seus tripulantes, disparando contra quem venha à beira-mar -, abatendo os que esperam por ajuda humanitária nos lugares fixados pelos monstros para a recolha,  e deixando morrer por inanição quem perdeu as forças para continuar a viver.

Não temos manifestamente legitimidade para perdoar, sendo certo que quem abateu as pontes da dignidade comum a todos os homens, cortou igualmente a possibilidade de qualquer diálogo e, evidentemente, de qualquer perdão.

E havendo, como parece, responsabilidade coletiva… As coisas são o que são e serão o que tiverem de ser.

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A escumalha assassina

(Joseph Praetorius, in Facebook, 15/06/2025, Revisão da Estátua)

Ataques sobre Telavive. Afinal a Cúpula de Ferro tem buracos…

É importante notar que todos os membros da equipe negocial iraniana com os EUA foram assassinados pela escumalha khazar, que atacou, não o esqueçamos, ao abrigo dessas negociações cuja utilidade foi, afinal, a de fazer os iranianos baixarem a guarda.

Os EUA terão agora mais trabalho na reconstituição da sua credibilidade negocial, seja com quem for.

Sendo evidente que os russos tomaram boa nota, sobretudo no que à defesa dos membros da sua própria equipa negocial diz respeito.

A obstinação na técnica do assassinato de quadros e dirigentes, acabará, mais tarde ou mais cedo, por exigir dos próprios iranianos, como dos russos, medidas em conforme reciprocidade – e preferencialmente maior eficácia – sendo evidente que, a atual fase de isolamento político interno das cliques dirigentes khazares, tanto na Ucrânia, como na Palestina, oferece a esta solução um êxito de amplitude até agora não admitida, mas a partir de agora evidente.

O golpe mal pensado no território iraniano, coloca o dito “ocidente global” diante do terror do eventual encerramento do estreito de Ormuz e do plausível ataque às bases (e unidades navais) dos ditos “ocidentais” na região. O barril de petróleo a 300 dólares liquida a Weuropa num paar de meses. A China talvez não, por ser plausível a proteção pelos (leais) fornecimentos russos. A lealdade define a política externa russa.

A chegada das primeiras armas chinesas ao Irão, a disponibilização pública para o combate ao inimigo comum pela Coreia do Norte, o cerrar de fileiras das opiniões públicas dos países islâmicos, a unidade política óbvia em suporte da direção política, militar e religiosa do Irão, tudo isto, não permite vaticínios favoráveis à escumalha genocida. O processo adquire dinâmica própria, resistente a qualquer eventual êxito “ocidental”.

A tomada de posição de Erdogan junto do Príncipe Real Saudita foi muito expressiva. O atacante e seus cúmplices não têm apoios.

Os apelos a “negociações” fazem rir. A escumalha não notou ter perdido a cara. Quarenta anos de recrutamento criterioso dos pseudo dirigentes europeus no mais asqueroso lúmpen dos funcionalismos bancários, deu nisto. E ainda não vimos o pior.

As versões oficiais perderam credibilidade, se alguma vez as tiveram. O Irão não tem, porque não quis ter, armas nucleares.

O Irão não poderia usar armas nucleares sobre o território ocupado pelo khazar, sem ferir os xiitas do Líbano, da Síria, do Iraque, do Iémen, da Arábia e da Turquia, coisa que, evidentemente, nunca faria e, atrevo-me a dizer, nunca fará. Só o monstruoso khazar pode, em pulsão suicidária, matar-se a si próprio para matar o inimigo que elegeu.

É preciso fixar isto. É verdade para o Médio Oriente e para a Ucrânia.

É preciso erradicá-los antes que a tentação de nos levar com eles tome proporções visíveis.

Talvez os sefarditas possam ajudar, quem sabe?

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Já estão todos mortos

(Joseph Praetorius, in Facebook, 12/05/2025, Revisão da Estátua)

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Homens radicalmente isentos das normais qualidades viris, mulheres desprovidas de quaisquer qualidades morais, compensando-se, uns e outras, numa incomensurável vaidade de atores. Vaidade sempre ferida em razão dos desfechos impostos pela inépcia própria. Sempre impelida à retaliação, pelo sentimento de ultraje a submergir quotidianamente estas desgraçadas existências. Tal é a exata imagem da coligação de apoio a Zelensky.

Estão obcecados com Putin. Homem simples, sereno, apto, chefe atento que ama a sua gente, a sua terra e respeita a sua função.

Putin conhece-os desde antes de tais fenómenos emergirem. Está em exercício há tempo suficiente para lhes conhecer as origens, o início de carreira e até – com grande antecedência e a grande distância – os respectivos términos. Muito antes deles, sequer, os poderem temer. Tais fenómenos passam. Putin está. Porque assim o quer a sua gente, com ótimas razões para o querer.

Zelensky tem a obsessão de se encontrar com Putin. Há três anos que o diz. Quer equiparar-se. Poder encontrar-se com o patrono dos eslavos, em pé de igualdade, seria o clímax da sua desgraçada carreira. Espécie de reconhecimento.

Mas Zelensky não existe. Vive em usurpação de funções, sem legitimidade possível, embora possa conceder-se-lhe – como o faz Trump, por oportunismo de comerciante – estatuto próximo ao do funcionário de facto. Ocorre às vezes com outros golpistas. E outras vezes, não. Este é um dos casos nos quais a perspetiva russa é a do não. Costuma ser essa a atitude face aos Sakashvilis deste mundo. Putin não fala com cadáveres insepultos. No caso de Sakashvili chegou a dizê-lo, bem antes da criatura ser remetida ao cárcere onde apodrece. Mas de Zelensky não vale a pena dizer seja o que for.

Fizeram um ultimato. E Putin anunciou uma delegação russa disponível para negociações diretas em Istambul. Zelensky aparece aos gritinhos – e ninguém o mandou ir ou o chamou – mas a criatura insiste no ultimato inconsistente. Quer a guerra onde enriqueceu e imagina poder manter quanto embolsou. Mas Trump reagiu, como sempre, na perspetiva do comerciante sagaz. Boa ideia. Pois é. Lá se foi o ultimato, portanto e em síntese.

Entretanto, continuam as operações militares, em toda a extensão da frente de mais de mil quilómetros. Com êxito. Ao bom velho estilo russo. Lentamente. Prudentemente. No esvaziamento meticuloso do inimigo que sempre foi a NATO agora em evidente insolvência. A NATO forçada a calar quantos oficiais e mercenários ali lhe morreram, nas intervenções e presenças à socapa, com funerais à socapa. E assim continuará a ser, até desabar o desfecho em aproximação rápida.

O problema do esgotamento é evidente. Os projetos publicitados – e provavelmente inviáveis – para o rearmamento da dita Europa, são a confissão da sua inanição militar. E aqueles parvalhões, imaginando que a teatralidade tudo resolve, fazem um ultimato. Fazem até alianças militares entre eles, procurando vias de intervenção suicidária, alheias à disciplina do tratado do Atlântico Norte.

Não vale a pena escolherem eventuais formas de morte, porque já estão mortos. Alguém devia dizer-lhes isso, se valesse a pena o incómodo.